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Capítulo 12

Autor: Liliane
last update Fecha de publicación: 2025-07-23 19:29:51

Helena

A madrugada mal começara e, mesmo assim, eu já sentia o peso dos olhos pesados sobre mim. Sentada no sofá da sala, o silêncio da casa contrastava com o turbilhão de pensamentos e sentimentos que me consumiam. Cada lembrança da noite anterior com Henry me vinha à mente como uma chama que queimava por dentro — intensa, perigosa, impossível de ignorar.

Foi quando o telefone tocou, quebrando o silêncio como um trovão. Com mãos trêmulas, atendi.

— Helena? — a voz do meu irmão mais novo soava
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  • Meu Segundo Amor    Capítulo 23

    HelenaO silêncio da madrugada me abraçava como um véu pesado e incômodo. A casa estava mergulhada em sombras, mas meu coração não sossegava. Desde que Leonardo voltou de viagem, mais controlador e perspicaz do que nunca, eu me sentia vigiada — como se ele desconfiasse que havia algo em meu peito que já não lhe pertencia.E ele tinha razão. Não pertencia mesmo.Estava com Henry. Ou melhor, estava completamente dele. Mesmo que ainda não tivéssemos nos entregado por completo, cada toque, cada olhar, cada palavra trocada em segredo era mais íntima do que qualquer coisa que já vivi com Leonardo. E isso doía mais do que eu podia suportar.Desci até a cozinha em busca de água, mas assim que acendi a luz, dei de cara com ele. Henry. Sentado à mesa, com os olhos baixos e a camisa branca desabotoada até o meio do peito. Havia uma tensão visível entre suas sobrancelhas, uma inquietação que me atingiu como um choque.— Não consegui dormir — ele murmurou, a voz baixa e grave, como se temesse ser

  • Meu Segundo Amor    Capítulo 22

    Acordei com o som suave de pássaros lá fora, um contraste cruel com o turbilhão dentro de mim. A casa estava em silêncio, mas meu corpo ainda ardia com as lembranças da noite passada. Tentei levantar, mas uma dor sutil entre as pernas me fez fechar os olhos, relutando em aceitar o que havia acontecido. Eu tinha cedido novamente a Leonardo. E, pior, por alguns instantes, achei que era Henry.Levantei e fui até o espelho. Olhei minha própria imagem com desprezo. O que eu estava fazendo com a minha vida? Meu coração queria Henry, cada batida sussurrava o nome dele, mas meu corpo, bêbado e vulnerável, tinha caído na armadilha de Leonardo mais uma vez.Desci as escadas devagar, como se o piso fosse ceder a cada passo. Na sala, encontrei Leonardo tomando café e lendo o jornal, como se fosse um dia comum. Ele levantou os olhos e sorriu, aquele sorriso de quem acha que venceu uma guerra.— Bom dia, meu amor — disse, com voz doce. — Dormiu bem?A bile subiu à minha garganta. Tentei manter a ca

  • Meu Segundo Amor    Capítulo 21

    A chuva caía fina, tingindo os vidros da janela com gotículas cintilantes. Eu observava a cidade lá fora com um copo de vinho na mão, o coração pesando mais do que eu gostaria de admitir. Desde aquela noite no hotel com Henry, algo em mim havia despertado... ou talvez, retornado. A mulher que eu pensava ter enterrado sob os destroços do meu casamento infeliz com Leonardo estava viva, faminta e à flor da pele.Ouvi o som da porta da frente abrindo com um estalo seco. Virei rapidamente, e meu coração deu um salto ao ver Henry entrando. Estava molhado da chuva, o cabelo despenteado e os olhos intensos, como se me procurassem antes mesmo de saber onde estava.— Precisei vir… — ele disse com a voz rouca, jogando a chave sobre o aparador. — Desde aquele dia, não consegui tirar você da cabeça, Helena.Soltei o ar devagar, sentindo o calor do vinho subir para as bochechas. Eu não estava pronta para aquilo. Ou talvez estivesse esperando por exatamente isso.— Achei que você fosse desaparecer d

  • Meu Segundo Amor    Capítulo 20

    O barulho da chuva fina contra os vidros do carro misturava-se ao som abafado da respiração de Henry, que permanecia ao volante, em silêncio. A tensão entre nós era palpável, cortante, como se qualquer palavra fosse suficiente para nos despedaçar. Desde a conversa na casa de praia, algo entre nós havia mudado — algo que não poderia ser desfeito.— Você está calada — ele disse, sem tirar os olhos da estrada. Sua voz baixa me arrepiou por inteiro.— Estou tentando entender o que está acontecendo comigo — sussurrei, olhando pela janela, tentando disfarçar as lágrimas que ameaçavam cair.Henry apertou o volante com mais força. A estrada deserta, ladeada por árvores escuras, parecia nos engolir. Tudo parecia sombrio, confuso, irreal.— Helena… — ele falou meu nome como se fosse um pedido. — Se eu disser que penso em você todos os dias, desde o momento em que acordei naquela cama de hospital, você acredita?Virei lentamente o rosto para ele. Seus olhos, mesmo concentrados no caminho, estava

  • Meu Segundo Amor    Capítulo 19

    A noite caiu sobre a mansão como um véu de mistério. As paredes antigas pareciam absorver os murmúrios do passado, e cada passo meu ecoava como se pertencesse a outra era. A garoa fina escorria pelas janelas, e do lado de fora, o jardim parecia mergulhado em névoa. Eu estava sozinha. Sozinha com meus pensamentos, com a culpa latejando em minha mente.Depois daquela noite desastrosa com Leonardo — que jamais deveria ter acontecido — eu me sentia suja. Envergonhada. Enfraquecida. Não foi amor, nem desejo. Foi um erro embalado pela bebida, pela confusão e, acima de tudo, pela ausência de Henry.Henry... o nome dele se entrelaçava com meu corpo e alma. Desde que ele surgira em minha vida, nada mais fazia sentido. Tudo o que era sólido passou a parecer frágil — inclusive meu casamento.Estava no quarto, olhando para o espelho. A camisola de seda branca escorria pelo meu corpo como se denunciasse meus pecados. Meus olhos estavam vermelhos, não apenas pelo cansaço, mas pela dor de ter traído

  • Meu Segundo Amor    Capítulo 18

    O silêncio da casa era cortado apenas pelo tique-taque do relógio antigo da sala. A madrugada havia mergulhado o casarão numa penumbra misteriosa, e mesmo assim meu corpo ardia em chamas. Ainda sentia o gosto amargo da culpa na boca, misturado com o perfume masculino que impregnava minha pele: o de Leonardo.Levantei da cama nua, com as pernas trêmulas, o estômago revirado. Eu me odiei por ter cedido à bebida e ao toque dele, mesmo sabendo que meu coração já não lhe pertencia. Olhei para o espelho: meus olhos estavam vermelhos, minhas bochechas coradas, e havia marcas no meu pescoço que não foram feitas com carinho, mas com domínio.Desci as escadas pé ante pé, vestindo apenas um robe de seda que mal cobria minhas coxas. Meus pensamentos estavam um caos. Eu precisava respirar. Precisava me encontrar.Quando alcancei a varanda dos fundos, fui surpreendida por Henry, de pé, com o rosto virado para o céu estrelado, os braços cruzados e o maxilar tenso.— Você ainda está acordado? — pergu

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