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O Pacto das Sombras

last update publish date: 2026-10-07 01:18:24

{Bruna}

O trajeto até o hotel durou poucos minutos, envolto em um silêncio carregado de expectativa.

 

Dentro do carro, o perfume dele misturado ao couro dos bancos parecia tomar todo o espaço, acelerando ainda mais a minha pulsação. A cada troca de marcha, a proximidade da mão dele no console central fazia a minha pele arder, antecipando o que estava por vir.

A entrada pela garagem privativa foi discreta. Subimos pelo elevador executivo que levava direto à suíte do último andar. O som suave do indicador de andares era a única coisa que quebrava o silêncio denso entre nós. Ele se mantinha a meio passo de mim, ereto e imponente, com aquele olhar cinzento que nunca parecia me soltar por completo.

Quando o painel indicou o topo e as portas se abriram, caminhamos até a última porta do corredor. O estalido metálico da fechadura magnética soou no silêncio como um ponto de não retorno.

A suíte era um santuário de luxo e sombras. A iluminação em tom âmbar vinha indireta do gesso, e a vista através da enorme parede de vidro fumê revelava as luzes melancólicas do Rio de Janeiro lá fora. No centro do quarto, sobre um tablado elevado de madeira escura, repousava a cama monumental vestida em seda chumbo.

Assim que a porta se fechou com um clique pesado, o isolamento acústico nos engoliu. Apenas a nossa respiração descompassada preenchia o espaço.

Ele não perdeu tempo. Com passos calculados, caminhou até mim e parou a milímetros do meu corpo.

— O acordo — ele murmurou, a voz grave e aveludada ecoando no quarto. — Nossos rostos, mas nenhum nome. Nenhuma pergunta sobre o ontem ou o amanhã.

— Nenhum nome — afirmei, com a voz embargada pela urgência do momento.

Ele levou as mãos à minha nuca e desatou o nó de cetim da minha máscara de renda. O tecido deslizou pela minha pele e caiu no chão. Logo em seguida, ele soltou a própria estrutura de couro e metal escovado, revelando por inteiro o rosto de traços marcantes, o maxilar forte coberto pela barba curta bem desenhada e aqueles olhos de um cinza denso que pareciam enxergar a minha alma.

O impacto da beleza madura e perigosa dele me tirou o fôlego.

— Você é linda... — ele disse com uma lentidão quase pecaminosa, segurando meu queixo com firmeza antes de colar seus lábios aos meus.

O beijo não teve nada de tímido. Foi profundo, faminto e dominador, com o gosto quente de uísque e uma autoridade que me fez soltar um gemido abafado. Suas mãos grandes desceram pelas minhas costas com propriedade, puxando meu quadril contra o dele enquanto ele me guiava em direção à cama.

O tecido do meu vestido cedeu facilmente sob os dedos ágeis dele. A cada peça de roupa que caía pelo carpete escuro, a sensação de perda total de controle me dominava de forma avassaladora. O contraste entre o ar levemente frio da suíte e o calor da pele dele contra a minha me fazia arrepiar por inteiro.

Ele se moveu sobre mim na seda chumbo com uma presença avassaladora. Suas mãos traçavam cada curva do meu corpo com calma e fome, ditando o ritmo, enquanto seus lábios desciam do meu pescoço para o colo, encontrando os pontos mais sensíveis da minha pele.

 

O prazer veio como uma onda febril, cobrindo qualquer vestígio do sofrimento que me trouxera até ali.

 

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