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028

last update publish date: 2025-07-12 00:02:26

O rugido baixo e constante dos motores envolvia a cabine do jato particular enquanto cortavam o céu rumo a Aspromonte. Dante estava recostado em sua poltrona de couro preto, os cotovelos apoiados nos braços da cadeira e os dedos entrelaçados diante da boca. A tensão pesava sobre seus ombros como uma pedra, e embora mantivesse o olhar fixo na janela, na verdade, não via nada.

Quis voltar no dia seguinte, mas os assuntos pendentes o obrigaram a permanecer em Milão mais do que o previsto. Dias int
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  • Meu mafioso adorável   060

    A casa estava mergulhada em uma tranquilidade enganosa. O murmúrio da televisão preenchia o ambiente com um som monótono, e o ar tinha aquele aroma familiar de lar, uma mistura de café e madeira antiga. Tatiana estava no sofá, envolta em um cobertor, suas pernas imóveis sob o tecido grosso. O controle remoto repousava em seu colo enquanto seus olhos vagavam pela tela sem realmente ver o que acontecia.Três batidas secas na porta quebraram a quietude.Tatiana não se moveu, mas sua irmã, uma mulher alta e magra com o cabelo preso em um coque apertado, franziu a testa e foi abrir.Assim que girou a maçaneta, dois homens invadiram a casa.Não empurraram nem gritaram. Simplesmente entraram.A expressão da mulher mudou de surpresa para medo em um instante.—O que…? —gaguejou, dando um passo para trás—. Saiam agora ou chamarei a polícia!Os homens não disseram nada.Um deles, alto e de compleição forte, percorreu o espaço com o olhar. Seus olhos passaram por cada canto da sala, cada móvel, c

  • Meu mafioso adorável   059

    A brisa mediterrânea sussurrava entre os olivais, enchendo o ar com o aroma fresco da terra e o sal do mar distante.Svetlana caminhava lentamente pelos jardins da mansão, com o braço entrelaçado ao do pai. Fazia tanto tempo desde a última vez que puderam estar juntos assim, sem medo das sombras que os espreitavam. Alexei, no entanto, não compartilhava de sua tranquilidade. Seus olhos percorriam a paisagem com cautela, como se esperasse que a ilusão de segurança desmoronasse a qualquer instante.—Não entendo, filha. Não entendo que diabos te faz querer ficar aqui —murmurou, parando para olhá-la com a testa franzida—. Por que esse italiano te trata tão bem? Por que você é tão importante para ele?Svetlana suspirou, olhando para o céu limpo antes de devolver o olhar ao pai.—Não é fácil de explicar, papai.—Pois tente. Porque me custa acreditar que um chefe mafioso da ‘Ndrangheta tenha se tornado um bom samaritano da noite para o dia.Svetlana baixou os olhos, sentindo a pressão do inte

  • Meu mafioso adorável   058

    O sol banhava as estreitas ruas da cidade com um brilho dourado, projetando sombras longas sobre os edifícios de pedra e as fachadas antigas. Naquele horário, as ruas estavam cheias de vida, com os mercados funcionando a pleno ritmo e as pessoas indo e vindo em sua rotina habitual. Ninguém prestava muita atenção à fila de caminhões de entrega estacionados em um armazém discreto, nos arredores do porto. Pareciam transportes comuns, parte do engrenagem da cidade. Mas o que carregavam dentro estava longe de ser legal.Dante observava tudo a partir da sombra de um depósito, com os braços cruzados sobre o peito e um cigarro aceso entre os lábios. Ao seu redor, vários de seus homens se moviam com precisão quase militar, conferindo as caixas, confirmando os números, certificando-se de que tudo estivesse em ordem antes que os caminhões partissem.—Isso parece bom —comentou Fabrizzio, fechando uma caixa e selando-a com fita adesiva—. Devemos ter tudo pronto nos próximos dez minutos.Dante asse

  • Meu mafioso adorável   057

    O salão privado, escondido nas entranhas de um edifício antigo em Moscou, estava impregnado do denso fumo de cigarros e do inconfundível aroma de vodka. Na mesa, rodeado pelos seus homens mais leais, Vladislav Petrov ouvia o murmúrio das conversas dispersas, deixando que o som se fundisse com seus próprios pensamentos.Recebera uma informação delicada, perigosa. Alguém dentro de seu círculo estava vendendo segredos aos italianos. Um traidor. A simples ideia revirava seu estômago com uma mistura de fúria e desprezo. Não era um homem que tolerasse a deslealdade, e quem quer que fosse o infiltrado, não viveria o suficiente para se arrepender de sua traição.Por essa razão, convocara a reunião de última hora. Não podia se permitir seguir com os planos originais do ataque ao clã Bellandi se a informação estava comprometida. Tudo precisava ser repensado, reestruturado. Qualquer movimento em falso poderia significar uma fraqueza fatal.Bebeu um gole de vodka, mantendo a expressão imperturbáv

  • Meu mafioso adorável   056

    A noite pairava sobre a vila Bellandi como um manto pesado e opressor. Lá fora, o vento uivava pelos jardins, sacudindo as árvores com uma fúria contida.Svetlana estava recostada na cama, envolta em lençóis de linho macio, o corpo ainda fraco, mas a mente em constante alerta. A poucos metros, Dante estava sentado em uma poltrona de couro escuro, com o jantar à sua frente, cortando a carne com a precisão meticulosa de um homem que não deixava nada ao acaso.—Por que não me contou que meu pai estava aqui? —perguntou Svetlana, a voz um sussurro que mal rompeu o silêncio.Dante deixou o garfo sobre o prato com um leve clique e ergueu o olhar para ela. Seus olhos, escuros como a tempestade que ameaçava no horizonte, cravaram-se nos dela.—Para ser sincero… —exalou lentamente, como se escolhesse as palavras com cuidado—, a princípio, não pensei em permitir que ele te visse.Svetlana franziu a testa.—Por quê?—Porque não sabia como você reagiria. —Reclinou-se na poltrona, flexionando um jo

  • Meu mafioso adorável   055

    Moscou. 5 meses atrás...O ar dentro do estúdio de dança do Bolshoi tinha um aroma particular, uma mistura de madeira polida, resina de colofónia e o leve rastro de perfume que as bailarinas deixavam após cada giro perfeito. As paredes de espelhos refletiam Svetlana uma e outra vez, replicando a intensidade de sua concentração e a disciplina gravada em cada músculo de seu corpo.Ela passava horas repetindo a mesma sequência de passos. O pas de deux do Fada Açucarada. Um papel que havia feito seu durante três anos consecutivos, mas desta vez a pressão pesava ainda mais sobre seus ombros. Em março seria escolhida a nova prima ballerina do Bolshoi. Esse título não era apenas um reconhecimento; era um destino, uma consagração no mundo do balé russo. E ela estava disposta a dar tudo de si para conquistá-lo.O piano ressoava no canto do estúdio, as notas vibravam no ar como um feitiço, e Svetlana elevou-se em um soutenu, alongando a linha de seus braços com uma graça etérea. Seu enérgico en

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