LOGINEthan estava sentado na areia com o violão apoiado no colo, os dedos repousando sobre as cordas sem realmente tocá-las. O sol se espalhava pelo mar em uma faixa dourada quase líquida, e o vento morno trazia o cheiro familiar de sal, protetor solar e vida. Àquela hora do dia, a praia estava em paz, como se o mundo tivesse concordado em desacelerar por alguns instantes apenas para que ele pudesse assistir àquela cena.Luna estava no raso com a filha deles, que parecia uma versão em miniatura dela, segurando uma prancha infantil enquanto tentava ensiná-la a ficar em pé sobre ela. A água lhes batia na altura dos joelhos, e cada onda pequena que se formava virava um acontecimento digno de celebração.A menina, com os cabelos claros presos de forma torta e um maiô colorido, concentrava-se com a seriedade absoluta que só as crianças muito pequenas conseguem ter. Franzia a testa, apertava os lábios, dobrava um pouco os joelhos como tinha acabado de aprender. Luna a orientava com paciência, seg
Luna desceu as escadas ao lado de Ethan com a sensação desconfortável de que a conversa que tinham acabado de ter não os tinha levado a lugar nenhum.Ethan parecia tão decidido a se ajustar à vida dela, a encontrar uma forma de permanecer por perto, que aquilo, em vez de tranquilizá-la, só a deixava mais angustiada.Luna não suportava a ideia de vê-lo renunciando a algo importante por sua causa. Não suportava a possibilidade de que, um dia, ele olhasse para trás e percebesse que tinha trocado sonhos próprios por um amor que talvez nem se sustentasse.E, se chegasse a esse ponto, se a única forma de o proteger fosse afastando-se, então ela faria. Doeria, ela sabia. Mas faria. Porque, por mais que o amasse, não seria a razão de ele desistir de qualquer parte de si mesmo.Esse pensamento ainda ecoava em sua mente quando chegaram ao andar de baixo e perceberam que todos estavam reunidos na sala principal. Havia um movimento estranho no ar, um tipo de expectativa que Luna não conseguiu nome
Depois de dias em que tudo girava em torno de horários, baterias, estratégia, tensão e expectativa, aquela noite tinha um peso diferente.A etapa de Pipeline tinha terminado, e Ethan também tinha se sagrado campeão. Isso, por si só, já teria sido motivo suficiente para transformar a casa numa festa.A churrasqueira acesa no quintal, o som de vozes e risadas misturadas com música tocada um pouco mais alto do que deveria.Alice e Noah tinham ficado para comemorar também. Só isso já fazia a noite parecer impossível de ser mais perfeita para Luna.Luna observava tudo com um copo na mão, sem realmente beber. A mãe ria perto da bancada externa, com o rosto mais solto do que ela costumava ver, e Harris estava ao lado dela, curvando-se um pouco para ouvi-la melhor no meio do barulho. Havia algo de tão natural entre os dois que Luna sentiu vontade de sorrir.Do outro lado do quintal, Noah tentava, sem o menor talento para discrição, parecer casual ao redor de Meg. Era tão óbvio que chegava a se
Alice estava uma pilha de nervos. Era possível perceber isso na forma como ela andava de um lado para o outro, apertando as próprias mãos.Por mais improvável que parecesse, Luna estava calma. Era como se, em algum ponto da noite anterior, tivesse entregado a própria sorte aos deuses havaianos e decidido que aceitaria o que o mar escolhesse lhe dar. Se viesse a vitória, ela a receberia inteira. Se viesse a derrota, aceitaria em paz.Quando chegaram à praia, a primeira coisa que Luna percebeu foi que todos os seus amigos estavam ali. Todos visivelmente mobilizados pela mesma energia.E então Luna viu Harris discretamente pegar a mão de Alice, apertando-a com calma, como se emprestasse a ela um pouco da estabilidade que parecia faltar. A cena a fez sorrir. Mais engraçado ainda era ver os dois agindo juntos em torno dela, trocando observações curtas sobre o mar, o vento e a escolha da prancha como se formassem, sem nunca ter anunciado isso, um mesmo time.Luna ouvia tudo, assentindo quand
Quanto mais a competição avançava, mais Luna sentia que certas dúvidas deixavam de existir dentro dela. O cansaço acumulado no corpo, os músculos exigidos até o limite e o coração oscilando entre adrenalina e exaustão não embaralhavam seus pensamentos; ao contrário, pareciam arrancar dela tudo o que era ruído, até restar apenas o que era essencial.E o essencial era simples demais para continuar sendo negado. O sonho de ser surfista profissional permanecia intacto. Não era um impulso passageiro, nem uma fantasia juvenil alimentada pelas primeiras oportunidades. Era a vontade mais verdadeira que ela conhecia, a direção para a qual tudo dentro dela apontava desde muito antes de aprender a nomear o que sentia quando estava sobre uma prancha.Mas estar ali, surfando no Havaí, colocava outra verdade diante dela com a mesma firmeza. Aquele lugar não era apenas palco de uma competição importante, nem uma lembrança bonita de tempos mais simples. Era casa. Sempre tinha sido. E, por mais que a C
Naquela noite, Luna foi até a casa da equipe. Sua mãe e Harris tinham dito que ela poderia compartilhar com os demais o que tinha descoberto, se era isto que ela queria. Preferiam que fosse ela a contar, do que ficassem sabendo por fofocas.Assim que entrou na casa, percebeu que todos estavam em seu modo pré-competição. Não era exatamente tenso, mas era concentrado.Jordan foi a primeira a notar seu semblante.— O que foi? — perguntou, imediatamente alerta. — Você está com cara de quem sabe de uma fofoca das grandes.Luna soltou uma respiração curta pelo nariz e se jogou no sofá da sala.— Eu tenho mesmo uma coisa para contar.Aquilo bastou para que todos se reunissem, curiosos.Luna passou a mão pelos joelhos, organizando as palavras.— Minha mãe e o Harris estão... se vendo.Por dois segundos inteiros, ninguém reagiu.Então a casa explodiu.— O quê?! — Tyler foi o primeiro a gritar. — O nosso Harris?— Eu sabia que tinha alguma coisa estranha! — John completou, apontando para o nada.







