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Capítulo 8

Autor: Dona Morena
last update Fecha de publicación: 2026-06-09 23:08:59

Baixando a guarda.

Khalid, sentado na almofada central, manteve o rosto impassível. Apenas inclinou a cabeça uma vez, um aceno mínimo, quase imperceptível, mas claro, autorizando.

Laila soltou um gritinho de alegria contida, levantou-se e subiu no palco com Melina. As duas começaram a dançar juntas: Melina guiando com movimentos precisos e sensuais, Laila imitando com graça juvenil, os quadris girando, os braços subindo em arcos. A plateia aplaudiu mais alto. Noor sorriu orgulhosa, os olhos castanhos suaves brilhando. Até os primos e amigos riram, batendo palmas no ritmo.

Mas algumas mulheres da família… reagiram diferente.

Noor ficou surpresa, mas feliz, afinal, era sua filha se divertindo. Soraya, porém, apertou a taça de suco com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Seus olhos pretos estreitaram-se em fúria contida. “Quem essa russa pensa que é? Invadindo nossa casa, dançando com a minha enteada como se fosse da família? E o Sheik… autorizando? Ele nunca autoriza nada assim!” A raiva de Soraya por Melina nasceu ali, quente e venenosa. Ela já planejava comentários afiados para depois.

Enquanto as duas dançavam, Melina rindo, Laila corando de felicidade, Khalid fez um gesto discreto para um assessor. Segundos depois, Ferith sentiu uma mão no ombro.

— O Sheik quer falar com você agora na sala privada.

Ferith engoliu em seco. Olhou para Melina no palco, ainda dançando com Laila, e seguiu o assessor sem dizer nada. O coração batia como tambor de guerra.

A sala privada ficava logo atrás do salão: paredes de mármore, tapetes persas grossos, uma mesa baixa e duas almofadas. Khalid já estava lá, de pé, braços cruzados, os olhos castanhos esverdeados delineados de kohl brilhando com frieza absoluta.

Assim que a porta se fechou, ele não perdeu tempo.

— Eu sei de tudo, Ferith.

A voz era baixa, controlada, mas cortava como uma lâmina. Ferith abriu a boca, mas o pai ergueu a mão, impedindo qualquer palavra.

— Não ouse me interromper. Eu sei que você está noivo dessa… dançarina russa. Melina Petrova. Sei que ela é a mesma mulher que me confrontou em público no outro show, que parou a dança e me deu uma lição como se eu fosse um mercador qualquer. Sei que você escondeu isso de mim por seis meses. Irresponsável. Desobediente. Você, meu único filho homem, o herdeiro do emirado, mentindo para o próprio pai.

Ferith sentiu o sangue subir ao rosto. Pela primeira vez na vida, as mãos tremeram. Não era medo. Era raiva, uma raiva antiga, profunda rivalidade de pai e filho que ele nunca admitira em voz alta. Ele sempre fora o herdeiro perfeito, mas Khalid sempre decidia tudo. Sempre controlava. E agora… agora ele via nos olhos do pai algo que o deixou louco de ciúme: interesse. Desejo. Pelo mesmo corpo que dançava lá fora.

— Pai, eu ia contar hoje — tentou Ferith, a voz rouca. — Eu amo ela. Nós vamos…

— Amar? — Khalid riu, um som seco e sem humor. — Você não entende nada. Eu decidi seu futuro há semanas. Você vai se casar com Jasmine, a moça que Soraya escolheu. Família aliada, sangue puro, educação adequada. Ela dará filhos fortes e respeitará nossas tradições. Quanto a Melina… resolva sua situação. Termine. Pague o que for preciso. Desapareça com ela da minha vista. Ou eu mesmo resolvo.

Ferith sentiu o chão tremer. Não era por amor a Melina que o peito ardia. Era por ele, por ver o pai, aquele homem duro, intocável, afetado pela mesma mulher. Ele havia notado o olhar de Khalid durante a dança. O aceno para Laila. O jeito como os olhos do Sheik não desgrudavam dela. Rivalidade pura. “Ele a quer. Meu pai quer a minha noiva.”

Pela primeira vez, Ferith enfrentou o pai de verdade.

— Não. Eu não vou terminar. E você não vai decidir isso. Ela é minha, e se você acha que pode simplesmente…

Khalid deu um passo à frente, a voz virando aço:

— Eu decido tudo neste emirado, Ferith. Inclusive sobre você. Volte para o salão e lembre-se: eu sempre consigo o que quero.

— Eu a amo, pai!

— Se a amasse, não dormiria com metade de Dubai. Se a amasse, a teria apresentado para a família como se deve. Mas você sabe disso, não é amor, é capricho.

Ele saiu da sala sem esperar resposta, voltando ao banquete como se nada tivesse acontecido. Ferith ficou parado dois segundos, o sangue fervendo. Depois, marchou de volta.

No salão, a dança de Melina e Laila chegava ao fim com aplausos animados. Laila desceu corada, abraçada por Noor. Melina ficou sozinha no palco, ofegante, sorrindo para todos, mas seus olhos procuravam Ferith.

Ele não hesitou.

Subiu no palco oval em dois passos largos, interrompendo a música com um gesto para o músico. O salão inteiro congelou. Melina olhou para ele, surpresa, o sorriso vacilando.

Ferith segurou a mão dela, ergueu-a alto e falou em voz alta, clara, ecoando pelo salão:

— Senhores… família… eu apresento a vocês minha noiva. Melina Petrova. A mulher com quem vou me casar.

Silêncio absoluto, depois, o caos.

Noor arregalou os olhos, surpresa genuína. Laila bateu palmas, empolgada. Jasmine ficou pálida, a mão no peito. Soraya levantou-se quase derrubando a taça, o rosto contorcido de raiva pura, primeiro pela dança com Laila, agora isso?

— Noiva?! — sibilou ela, alto o suficiente para todos ouvirem. — Uma dançarina russa? Na nossa família? Está envergonhando seu pai, o Sheik.

Os primos murmuraram, chocados. Amigos trocaram olhares.

E Khalid… Khalid Al-Mansour, sentado na almofada central, não moveu um músculo. O rosto permaneceu de pedra. Mas os olhos castanhos esverdeados flamejaram por uma fração de segundo, uma fúria controlada, um desejo ainda mais aceso e uma rivalidade que acabara de se declarar abertamente.

Melina sentiu o mundo girar. Olhou para Ferith, depois para o Sheik. Finalmente entendeu quem era aquele homem. O pai dele, o Sheik. E viu o olhar dele, o mesmo que a fizera dançar como se o desafiasse e seduzisse ao mesmo tempo.

Ferith apertou a mão dela com força, triunfante, olhando direto para o pai.

— Está feito, pai. Publicamente!

Khalid ergueu a taça devagar, num brinde silencioso. A voz saiu calma, mortal:

— Parabéns, meu filho. Que o futuro… seja interessante.

Mas por dentro, o Sheik já calculava o próximo movimento. Melina era dele. Não por amor. Por conquista. E Ferith acabara de declarar guerra.

A dança terminara. O verdadeiro espetáculo, entre pai, filho e a mulher que incendiara os dois, estava apenas começando.

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