Partager

Capítulo 2

Auteur: Jhenny M.
last update Date de publication: 2026-01-27 01:48:54

— Me desculpe, é que chegamos de viagem, viemos do interior visitar uma tia e acabamos nos perdendo. Como meu celular descarregou, fiquei sem ter como falar com ninguém.

Foi o melhor que consegui pensar, e para a minha surpresa, a senhora que parecia trabalhar na recepção acreditou.

— Sabe o número? Pode usar o nosso telefone.

Fingi estar feliz pela ajuda e até pensei em ligar para uma amiga da faculdade, mas não sabia o contato de cabeça, e se pegasse meu celular, minha mentira cairia por terra. Peguei o telefone fingindo ligar para alguém e simulei uma conversa. Em seguida, pedi mais um favor para a mulher:

— Ela me disse para pegar um Uber para a Universidade Federal. A senhora conseguiria verificar para mim quanto fica e fazer o pedido, por favor?

— Claro.

Como nós estávamos longe, a corrida me custou R$ 35,00 e, apesar de temer ficar sem dinheiro, eu precisava conseguir ajuda e tirar minhas irmãs da rua. Nós três seguimos, e já acordada, Beatriz começou a choramingar.

— Isa, onde estamos? Estou com fome.

— Nós já vamos comer, maninha, tenha paciência.

Suspirei, angustiada, segurando o choro. Assim que chegamos, as deixei em segurança na cantina, comprando um lanche para cada uma, e aguardei ansiosamente pela chegada de Marina, minha melhor amiga.

— Isadora? — Ela me olhou espantada ao ver o meu estado. — Você está bem? Está tão sumida.

Nesse momento, a abracei, liberando as lágrimas, enquanto explicava tudo que tinha passado.

— Meu Deus! Você é louca! E se esse homem vier atrás de vocês? Se chamar a polícia?

— Eu não sei, não pensei. Preciso arrumar um lugar para ficar, até me organizar.

— Você não pode ficar por perto, ele vai te encontrar. As meninas são menores de idade, ele ainda é o pai delas!

— Amiga, me ajuda?

Marina assentiu e nos levou para sua casa. Porém, sua família também era humilde, e ela dividia o quarto com mais dois irmãos. Não havia espaço para nós ali, por maior que fosse sua boa vontade. Ao menos consegui que minhas irmãs tivessem o que comer e um local seguro para descansar, enquanto minha amiga e eu passamos a tarde pesquisando um local que eu pudesse alugar.

Encontramos um quartinho em um bairro da periferia, com um valor mais acessível, ciente de que eu sequer tinha dinheiro para isso.

— Isso é tudo que eu tenho… — Mariana falou, me passando R$100,00.

— Obrigada, eu prometo que te pago. Vou arrumar um emprego o mais rápido possível e te pago.

Juntando o que eu ainda tinha na minha conta, mais o que havia sobrado do dinheiro que peguei de Anilton, consegui o valor de R$ 367,00, enquanto o aluguel mais em conta que havíamos conseguido era R$ 350,00. Ciente de que não teríamos mais dinheiro sequer para comer, seguimos para o local, que se tratava apenas de um pequeno quarto vazio com banheiro.

Não tínhamos móveis, meios de preparar qualquer alimento, ou o básico para sobreviver, no entanto, minhas irmãs não estariam ao relento. Já era noite, e utilizamos um edredom que Mariana havia nos doado para forrar o chão, enquanto nos cobrimos, dividindo o cobertor que havíamos levado de casa.

— Isa, minha barriga dói… Estou com muita fome. — Bia resmungou, após passarmos o dia inteiro somente com o almoço que comemos na casa da minha amiga. — Não vamos voltar para casa?

Eu não sabia como explicar, tudo que consegui dizer foi que iria em busca de comida. Tudo que eu tinha era R$ 17,00. Então, comprei quatro pães, mortadela e uma caixa de suco.

Enquanto caminhava de volta, notei algumas mulheres na esquina, próximo a uma distribuidora de bebidas, vestindo roupas curtas e se insinuando na janela de um carro que parou. Não era preciso ser um gênio para entender o que elas estavam fazendo e, diante de tudo que eu estava passando, pude compreender porque algumas pessoas chegavam a esse extremo.

— Você não vai comer? — Amanda perguntou ao ver que não toquei nos alimentos.

— Estou sem fome. Comprei a mais para vocês tomarem café amanhã.

— Isa… — Minha irmã me olhou com os olhos lacrimejando, ciente de que eu estava me sacrificando por elas, para que tivessem o que comer.

Como se não bastasse, mais tarde, Beatriz, que já havia dormido, acordou gemendo devido a uma febre alta, provavelmente tendo adoecido após a chuva e o frio da noite anterior. Eu chorava sem saber o que fazer, sem ter mais dinheiro para comprar comida, um remédio ou levá-la ao hospital.

— Vou ver se a vizinha tem Dipirona. Amanhã tento conseguir algum trocado para levar ela ao médico.

Consegui o remédio com a moça do quarto ao lado, dei para Beatriz e me deitei ao lado dela, aguardando que fizesse efeito.

Continuez à lire ce livre gratuitement
Scanner le code pour télécharger l'application

Dernier chapitre

  • Mãe por contrato: A babá e o segredo do CEO viúvo   Capítulo final

    Era uma manhã de sábado banhada por um sol dourado e límpido, típico das manhãs mais bonitas da primavera nos campos da Serra. No interior do quarto principal da nova sede, Luana estava de pé em frente ao imenso espelho de moldura rústica. Suas pernas, embora ainda trêmulas pelo esforço hercúleo da reabilitação, sustentavam sozinhas o peso de seu corpo. Ela respirava pausadamente, contemplando o próprio reflexo. O vestido de noiva, confeccionado sob medida, era uma obra-prima no estilo sereia: a renda francesa abraçava suas curvas com delicadeza e estendia-se em uma cauda fluida que tocava o chão, contrastando perfeitamente com a intensidade de seus longos cabelos castanhos, que caíam em ondas sobre os ombros.— Será que ele vai gostar, mãe? — Luana perguntou, a voz embargada pelo nervosismo. Suas mãos apertavam o tecido do vestido enquanto ela piscava repetidamente, tentando conter o choro para não borrar a maquiagem impecável.Isadora aproximou-se por trás, com os olhos brilhando de

  • Mãe por contrato: A babá e o segredo do CEO viúvo   Caítulo 106 - Livro II

    Os dias foram passando , trazendo consigo uma atmosfera de renovação que há muito tempo a mansão dos D’Avila não experimentava. A pequena Lis já estava em casa, e sua presença doce mantinha os avós e tios completamente deslumbrados. No jardim da casa, observando Erick carregar a filha cuidadosamente em um passeio matinal, Priscila aninhou-se de lado contra o peito de Luan, com os olhos brilhando diante da cena.— Dá até vontade de fazer um também... Não dá, meu amor? — ela comentou em um tom manso, provocando o noivo com um sorriso de canto.Luan soltou uma risada ruidosa, dando um beijo no topo da cabeça dela antes de responder com seu habitual humor ácido: — Dá... Dá sim, minha vida. Ainda bem que é uma vontade que logo passa.Priscila deu um tapinha leve no peito dele, e os dois riram juntos, aproveitando a calmaria dos últimos dias.Enquanto isso, aproveitando as semanas que antecediam o parto, Luana, Miguel e Dona Rosa fizeram uma viagem de retorno para o Rio Grande do Sul. A m

  • Mãe por contrato: A babá e o segredo do CEO viúvo   Capítulo 105 - Livro II

    Meses depois…No grande salão de convenções da D’Avila Forensics toda a elite empresarial e forense do país estava reunida. Era o dia da grande transição de poder. No canto do lounge VIP, Luan ajustava o nó de sua gravata de seda, o olhar fixo no vidro do espelho, absorto em seus próprios pensamentos.— Hoje é o dia que você sempre sonhou, meu amor. Não está feliz? — Priscila aproximou-se do noivo com um sorriso doce, envolvendo a cintura dele com os braços ao notar que ele se isolou do burburinho da festa.— Feliz como nunca, minha linda... — Luan soltou um suspiro, girando o corpo para encará-la. — Só estou com um medo absurdo de não dar conta do recado. Medo de decepcionar o meu pai depois de tudo o que ele construiu.Priscila sorriu com ternura, erguendo o rosto para beijá-lo com carinho nos lábios. — Eu tenho a mais absoluta certeza de que você vai ser um líder ainda melhor do que o mestre..Luan soltou uma risada nervosa, o peito aliviado pela presença dela, quando a figura impo

  • Mãe por contrato: A babá e o segredo do CEO viúvo   Capítulo 104 - Livro II

    Os dias foram passando e Leon D’Avila cumpriu sua palavra. Ele enviou um representante legal da empresa direto para a o Sul para dar continuidade nos trâmites de compra da imensa propriedade. Uma vez que todas as certidões foram minuciosamente analisadas e os gargalos jurídicos resolvidos pelos advogados, o representante finalizou o negócio. O valor de vinte milhões de reais foi transferido à vista, como combinado, estabelecendo em contrato o prazo improrrogável pedido pelo vendedor de até dois meses para a desocupação total e entrega do imóvel.O representante de Leon mal pisou fora da imensa casa de alvenaria da fazenda, e Fabiana se aproximou do pai a passos rápidos no escritório.— E então, pai? Deu certo? O dinheiro já entrou? — ela questionou, ajeitando os cabelos loiros com ansiedade.— Deu sim, filha... Com esse montante eu quito todas as minhas dívidas e ainda nos sobra uma boa quantia para que possamos recomeçar em outra província — o Senhor Dornelles respondeu, soltando um

  • Mãe por contrato: A babá e o segredo do CEO viúvo   Capítulo 103 - Livro II

    No dia seguinte, a família viajou de volta para São Paulo. Ao cruzarem os portões da mansão dos D’Avila, Isadora e Leon fizeram questão de conduzir Dona Rosa pessoalmente até uma suíte que havia sido preparada com extremo zelo no primeiro andar.— Esse quarto pertenceu à minha antiga babá, a senhora que foi como uma segunda mãe para mim — Leon explicou, abrindo a porta de madeira maciça. — Depois que ela faleceu, não tive ânimo para desmontar nada, acabou virando um quarto de visitas comum. Mas a Isadora e eu mandamos reformar e redecorar tudo especialmente para a senhora, para que tenha sua total privacidade e fique confortável durante sua estadia conosco.Miguel trocou um olhar cúmplice com Luana, sorrindo satisfeito e profundamente grato pelo respeito e carinho que a família dela demonstrava com ele e com sua mãe. Dona Rosa deu alguns passos para dentro da suíte, correndo os olhos pelas cortinas de linho e pelos detalhes elegantes.— É simplesmente lindo, senhor Leon. Estou muito

  • Mãe por contrato: A babá e o segredo do CEO viúvo   Capítulo 102 - Livro II

    A partida dos D’Avila de volta para a capital paulista, deixou para trás uma promessa silenciosa de retorno. Luana precisava retomar suas consultas médicas e dar andamento ao internato da faculdade, mas Miguel e Dona Rosa ainda tinham pendências a alinhar.Na manhã seguinte, o movimento era calmo na pequena venda de Dona Rosa. Miguel reabastecia uma das prateleiras altas com fardos de farinha, enquanto a mãe organizava o caixa. Foi quando o som do sinete da porta ecoou e um homem cruzou o umbral.— Miguel! Mas que alegria te encontrar por aqui, vivente! — o homem exclamou com empolgação.Era Bernardo, um antigo capataz e colega de lida dos tempos em que Miguel trabalhava como peão na Fazenda Santa Bárbara, a imensa propriedade que pertencia ao pai de Fabiana.— Bernardo! Quanto tempo, parceiro — Miguel desceu da escada, apertando a mão do amigo com um sorriso sincero. — O que te traz por estes lados?— Vim buscar uns mantimentos para a patroa. Mas olha, soube do teu noivado... Meus pa

Plus de chapitres
Découvrez et lisez de bons romans gratuitement
Accédez gratuitement à un grand nombre de bons romans sur GoodNovel. Téléchargez les livres que vous aimez et lisez où et quand vous voulez.
Lisez des livres gratuitement sur l'APP
Scanner le code pour lire sur l'application
DMCA.com Protection Status