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5: AMEAÇA

last update Fecha de publicación: 2026-07-08 22:29:04

A expressão de Dante era intimidadora demais.

Fabi nunca havia falado com ele antes, mas já tinha ouvido histórias suficientes para saber que estava diante de um dos homens mais poderosos do país. Não era preciso conhecê-lo profundamente para entender que aquele tipo de homem destruía qualquer pessoa que ousasse ficar contra suas vontades.

Aquilo a assustou de um jeito tão forte que se sentiu sem saída. Por isso, sua única reação naquele momento foi fazer o que ele ordenou. Ela olhou para as câmeras apontadas em sua direção e sorriu.

Suas mãos começaram a suar imediatamente, principalmente quando Dante a puxou ainda mais para perto, tentando deixar claro para todos que havia intimidade entre eles.

Os flashes não paravam.

Os jornalistas começaram a fazer perguntas ao mesmo tempo.

— Quando ficaram noivos?

— Quem é ela?

— Há quanto tempo estão juntos?

— Como sua noiva lida com a sua fama de mulherengo?

A última pergunta chamou a atenção de Dante.

Ele virou lentamente o rosto na direção do repórter que fez a pergunta e respondeu com a maior tranquilidade do mundo:

— Tudo o que falam sobre mim na mídia em relação a esse assunto não passa de especulação. Sou um homem íntegro e sério, que sempre fez questão de separar a vida pessoal da profissional.

Enquanto ele falava, Fabiane olhava para o rosto de Dante com o olhar confuso e assustado.

— Sempre mantive discrição em relação à minha vida pessoal, mas, já que chegaram a esse ponto… — continuou, lançando um olhar frio para os jornalistas. — Saibam que a minha noiva…

Ao dizer aquilo, ele olhou para Fabiane e apertou a mão dela com mais força, o que a fez estremecer.

— … conhece exatamente o homem que sou e não dá crédito a nenhuma dessas especulações. Então, que fique bem claro que nenhuma tentativa de difamação promovida por pessoas de má-fé será capaz de nos atingir.

O coração de Fabi disparou.

— Nesse momento, posso garantir duas coisas a vocês. Primeiro: Ela é a única mulher da minha vida e, segundo: todos aqueles que estão tentando desmoralizar minha imagem vão responder judicialmente por isso.

Os jornalistas começaram a disparar ainda mais perguntas, mas Dante ignorou todas elas.

Sem dar mais qualquer explicação, apenas puxou Fabiane e saiu dali ao lado dela, como se tudo estivesse perfeitamente resolvido.

Mal conseguindo acompanhar o próprio raciocínio, ela o acompanhou mais uma vez, sem saber para onde estavam indo.

Tudo estava acontecendo rápido demais.

Ainda de mãos dadas, atravessaram o auditório sob os olhares curiosos de todos ao redor até chegarem ao estacionamento, onde o carro de Dante estava estacionado.

Assim que percebeu que já estavam longe das câmeras e dos jornalistas, Dante soltou a mão dela e respirou fundo, claramente irritado com toda a situação.

Em seguida, abriu a porta do carro, ordenando.

— Entra!

Fabi permaneceu imóvel. Seu coração batia tão forte que ela mal conseguia pensar numa saída para aquela situação.

— Eu… eu não vou fazer isso. — Sua voz saiu baixa e trêmula, demonstrando o quanto tudo aquilo a assustava.

Dante virou o rosto lentamente na direção dela. O olhar frio fez suas pernas enfraquecerem ainda mais.

— Eu não vou pedir de novo. — falou sem paciência.

Foi aí que ela engoliu em seco, dando um passo para trás.

Queria dizer não e exigir explicações. Queria também perguntar por que ele havia inventado aquela mentira absurda diante da imprensa e dizer que não aceitaria participar daquilo. Mas, diante daquele homem, todas as palavras pareciam perecer antes mesmo de saírem de sua boca.

Resignada, ela abaixou a cabeça e entrou no carro.

Dante fez o mesmo. Assim que fechou a porta, deu partida e saiu dali.

Apertando as mãos sobre o colo, Fabiane viu o carro se afastar do fórum.

Dante dirigia sem dizer uma única palavra e o silêncio dentro do carro só aumentava seu nervosismo.

Quando percebeu que ele não parecia disposto a explicar nada, ela finalmente criou coragem.

— O que significa isso?

Dante permaneceu em silêncio por mais alguns segundos. Só quando o carro parou em um sinal vermelho, ele resolveu falar.

— É o seguinte. — começou, sem tirar os olhos da rua. — Estou com um pequeno probleminha e vou precisar da sua ajuda.

Ela arregalou os olhos.

— Como assim?

— Como você já deve ter percebido, minha reputação está sendo atacada.

— E o que isso tem a ver comigo?

— Tudo.

Ela franziu a testa.

— Eu não estou entendendo.

Impaciente, Dante soltou um suspiro pesado.

— Não é tão complicado assim. A imprensa está tentando arruinar a minha imagem e você vai me auxiliar a mantê-la. Simples assim.

Pela primeira vez, ele virou o rosto para encará-la.

— Daqui para frente, você vai se passar por minha noiva até eu considerar que tudo está bem.

Ela ficou alguns segundos sem reação.

— Isso é um absurdo. Eu não vou fazer isso — respondeu, mesmo em meio ao nervosismo.

— Vai, sim.

— Não vou!

Replicou, tentando abrir a porta do carro, mas estava trancada.

— Por favor, destrave a porta e me deixe sair — pediu, com o coração na mão.

— Você não vai sair daqui até concordar com o que falei — respondeu com a voz mais grave.

— Não posso concordar com um absurdo desses. O senhor nem me conhece.

— Isso é o de menos — rebateu. — Tudo o que precisa é fazer o que mando. Vai ser fácil, vai por mim. Vou te recompensar muito bem.

— Eu não quero nada do senhor. Por favor, volte para o fórum e desfaça o que fez. Eu não concordo com isso.

— Escuta aqui.

Dessa vez, Dante soltou o volante e ergueu a mão com o dedo virado para ela.

— Eu não vou desfazer nada. Você vai fazer o que eu disse e ponto. Não estou te pedindo, estou te dando uma ordem.

O olhar dele foi tão frio que ela sentiu o corpo todo arrepiar. Dante não estava brincando, e muito menos lhe dando alguma opção.

A atitude dele a assustou, pois não sabia do que ele seria capaz.

— Por favor — tentou mais uma vez. — Me tire dessa responsabilidade, eu não sou a pessoa adequada para uma farsa dessas.

— Quem decide isso sou eu.

— O que está fazendo é errado — insistiu.

— Não vai ser você quem vai me dizer o que devo fazer.

Quanto mais ela tentava argumentar, mais Dante demonstrava que não se importava com nada, além de seus próprios problemas e vida.

O sinal ficou verde e ele voltou a dirigir, dando atenção para a estrada. Quando viu que Dante voltaria a ficar em silêncio, Fabiante tentou confrontá-lo mais uma vez.

— Tenho o direito de não querer fazer parte disso. — declarou, tentando soar mais segura. — O senhor não pode fazer isso comigo.

Quando viu que ela estava dificultando, Dante jogou o carro para o acostamento, parou e soltou:

— Então desça — disse, destravando a porta. — Mas fique ciente de uma coisa. Seu sonho de advogar ou fazer qualquer outra coisa na vida morrerá a partir do momento em que você abrir essa porta. 

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Último capítulo

  • NAS GARRAS DO JUIZ   144: MUDANÇA DE PLANOS

    Dante AlencarAquela tinha tudo para ser uma das melhores noites da minha vida; eu tinha plena certeza disso. Não apenas por finalmente ter colocado um ponto final no que existia entre mim e Juliana, mas porque Fabiane acreditou em mim. Depois de tudo que contei, de mostrar a ela uma parte da minha vida que eu fazia questão de esconder de todo mundo, ainda assim ela escolheu confiar na minha palavra.E depois havia acontecido aquilo entre nós.Fabiane tinha finalmente parado de fugir do que existia entre a gente e cedido à atração que eu sabia que sentia por mim. Mas, diferente do que imaginei tantas vezes, não havia sido apenas desejo. Pelo menos não para mim. Era a primeira vez em muito tempo que eu não estava pensando apenas em levar uma mulher para a cama; eu queria ter o prazer de acordar e vê-la ao meu lado. Queria aquela noite, queria o dia seguinte e, por mais estranho que fosse admitir, queria descobrir o que aconteceria entre nós dia após dia.Só não esperava que, justamente

  • NAS GARRAS DO JUIZ   143: FRUSTRAÇÃO

    Ele se aproximou e me segurou pela cintura.— Confie em mim — pediu, enquanto me puxava devagar para a parte mais funda da piscina.Eu não sabia se confiar nele era realmente o certo, principalmente depois de tudo que havia acontecido naquela noite, mas, naquele momento, pelo menos uma coisa eu sabia: eu queria estar ali.Não esperava dele palavras românticas, muito menos promessas de amor. Sabia muito bem como ele era, conhecia sua fama e também sabia o quanto a nossa situação era complicada. Mas talvez eu não precisasse pensar tanto no que aconteceria depois. Talvez pudesse simplesmente parar de tentar encontrar uma explicação para tudo e aceitar o que estava sentindo.Eu queria aquele homem. Queria seus beijos, queria continuar sentindo aquela sensação estranha que surgia toda vez que ele me olhava daquele jeito e, principalmente, queria descobrir até onde aquilo entre nós poderia chegar.Já havia namorado alguns rapazes quando era mais nova, mas com nenhum deles senti o que estava

  • NAS GARRAS DO JUIZ   142: PISCINA

    Me abaixei rapidamente para tentar pegar a toalha, mas Dante me surpreendeu ao segurar minha cintura e me levantar antes que eu conseguisse alcançá-la. Meu coração disparou com a atitude e, quando voltei a ficar de pé, fiquei ainda mais nervosa ao perceber o quanto estávamos próximos.— Dante… — falei, completamente sem jeito.Ele continuou me segurando pela cintura.— Você é linda, Fabi — disse baixo. — Tudo em você é lindo.Sem esperar por uma resposta minha, me ergueu pela cintura. Por puro reflexo, passei as pernas ao redor de seu corpo e, no instante seguinte, senti minhas costas encostarem na parede. Meu coração disparou ainda mais quando nossos olhos se encontraram novamente.— Não há uma noite em que eu não pense em você — confessou, mantendo o rosto próximo ao meu. — Não importa com quem eu esteja ou o quanto tente ocupar minha cabeça com outras coisas. No final, é sempre você que aparece nos meus pensamentos.Fiquei sem reação. — Você não faz ideia do quanto tentei ignorar

  • NAS GARRAS DO JUIZ   141: TOALHA

    — Fabiane… — murmurou.Dessa vez, foi o rosto dele que ficou vermelho. Ele desviou os olhos por um instante e pareceu realmente constrangido. Com certeza estava com vergonha do que havia feito.— O que você colocou na minha água, hein? — questionei, já sentindo o nervosismo tomar conta de mim novamente.— Não é o que você está pensando — rebateu rapidamente.— O que estou pensando? — Minha voz saiu mais alterada do que eu pretendia. — Dante, eu não estou falando do que penso. Estou falando do que vi. Você colocou alguma coisa na minha água e, quando saí do banho, fez questão de se certificar de que eu bebesse aquilo.Ele abriu a boca para responder, mas eu não deixei.— Você tem ideia do que senti naquele momento? Eu fiquei com medo de você. — Só de admitir aquilo, minha garganta secou. — Eu não sabia o que havia colocado ali e muito menos o que pretendia fazer depois que eu apagasse. Dessa vez, ele não tentou se defender imediatamente. Apenas ficou me olhando, e a vergonha estampada

  • NAS GARRAS DO JUIZ   140: ME DEVE UMA EXPLICAÇÃO

    Fabiane Alvarez Eu não sei exatamente o que aconteceu comigo, mas, depois que fingi beber aquela água e percebi que Dante estava mesmo tentando me dopar, perdi ainda mais a admiração que começava a sentir por ele. Porque, sinceramente, nós não tínhamos nada. Eu não tinha nada a ver com a vida dele. Se quisesse sair daquele quarto no meio da madrugada e se meter em qualquer problema, aquilo não era problema meu. Então, por que precisava que eu dormisse? Por que era tão importante que eu não o visse sair do quarto?Seja lá o que pretendesse fazer, não precisava fazer nada comigo. Bastava dizer que precisava sair e pedir que eu ficasse no quarto. Não era tão simples? Mesmo que inventasse qualquer desculpa, eu provavelmente nem questionaria. Mas não. Ele simplesmente escolheu fazer uma coisa horrível. Colocou alguma coisa na minha água escondido, fez questão de que eu bebesse e depois esperou até acreditar que eu estava dormindo para sair.Só de pensar naquilo, meu corpo tremia de nervos

  • NAS GARRAS DO JUIZ   139: CONFISSÃO

    Vi o quanto ela ficou nervosa com aquela situação, ainda mais pelo lugar onde estávamos. Seu olhar desviou do meu por alguns segundos e suas mãos apertaram a toalha ao redor do corpo, como se só naquele momento tivesse se lembrado de que estava praticamente sem roupa diante de mim.— Acho melhor sairmos daqui.— Não — respondi rapidamente.Ela me olhou, surpresa com a minha resposta.— Por quê?— Porque, se sairmos agora, essa conversa vai acabar ficando para depois. E eu não quero mais adiar isso.Seus dedos apertaram ainda mais a toalha ao redor do corpo.— Sinceramente, não precisa me explicar nada. Você é dono da sua vida e faz o que bem quer com ela.— Sim, eu sei, mas eu não queria estar em uma situação como a que viu quando chegou aqui — rebati rapidamente. — Juro para você.Ela ficou em silêncio, apenas me encarando, e eu sabia que provavelmente não acreditaria em mim. Afinal, o que havia visto? Eu sozinho em uma sauna, no meio da madrugada, com a esposa do meu amigo completame

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