LOGIN— Acredito que vocês dois precisam sentar e conversar — sugeriu Renner, tentando amenizar a situação.— Conversar? — Soltei uma risada, sem conseguir me conter. — Sabe quantas vezes já conversamos, Renner? Quantas oportunidades ela teve de me contar a verdade? Uma vez, peguei os dois conversando no jardim de casa. Perguntei se havia alguma coisa errada, se estava acontecendo algo que eu precisava saber. E sabe o que ela fez, Renner? Olhou diretamente nos meus olhos e disse que não havia nada. Você entende o que isso significa? Ela teve a oportunidade de me contar a verdade naquele exato momento, mas preferiu esconder tudo de mim!— Talvez ela estivesse com medo de algo.— Ela mentiu olhando na porra dos meus olhos, Renner! — Mas você precisa entender que…— Chega! — interrompi, erguendo a mão para impedi-lo de continuar.Foi então que percebi que minha revolta estava se transformando em um verdadeiro espetáculo diante dos investigadores. Eu, que sempre fiz de tudo para manter minha v
Minha cabeça começou a latejar, um zumbido tomou conta dos meus ouvidos e minha visão ficou turva. Senti as pernas fraquejarem e percebi que meu corpo estava reagindo ao choque daquela notícia, mas me recusei a demonstrar fraqueza. Não cairia ali, diante daqueles homens.— Dante, você está bem? — ouvi Renner perguntar, aproximando-se rapidamente.Balancei a cabeça, tentando me recompor. Apoiei uma das mãos na mesa e respirei fundo, esperando que a tontura passasse. Quando minha visão começou a voltar ao normal, afastei Renner com o braço, impedindo que continuasse tentando me amparar.— Estou bem — respondi, com a voz rouca, erguendo os olhos para ele. — Quem não vai ficar bem é aquele desgraçado.— Podemos prosseguir, doutor Alencar? — perguntou o investigador, observando minha reação com cautela.Confesso que não consegui responder de imediato. Cada notícia que recebia era pior do que a anterior, e eu já não sabia se estava preparado para ouvir o restante. Se tudo o que haviam me co
— Flávio Rebouças é o homem que tentou arrastar Gabriela para o quarto durante a invasão — repetiu o investigador.Senti o sangue gelar. A imagem da minha filha aterrorizada naquela noite voltou à minha mente com uma clareza insuportável. Aquele desgraçado não apenas havia participado da invasão. Ele tinha tentado fazer mal à minha filha e, depois de tudo, ainda teve a coragem de se aproximar dela. — Não, não pode ser… — sussurrei, recusando-me a acreditar no que ouvi.Senti meus olhos se encherem de lágrimas, mas não era vontade de chorar. Era ódio. Uma raiva tão intensa que minhas mãos começaram a tremer. Naquele instante, tudo o que eu queria era encontrar aquele desgraçado e matá-lo com minhas próprias mãos. A ideia de que o homem que havia tentado arrastar minha filha para um quarto agora se aproximava dela, fingindo gostar dela, era insuportável. Cerrei os punhos com tanta força que senti as unhas pressionarem as palmas das mãos.Eu havia passado noites imaginando o que faria q
Quando cheguei ao Departamento de Investigação Criminal, fui conduzido até uma sala onde Renner e dois investigadores me aguardavam. Entrei observando o ambiente. Em uma das paredes, havia um quadro enorme, repleto de fotografias, anotações e informações que pareciam fazer parte da investigação. No entanto, uma das imagens chamou minha atenção imediatamente.Era uma fotografia de Gabriela ao lado de um homem.Estreitei os olhos, tentando enxergar melhor o rosto dele. Bastaram alguns segundos para que eu o reconhecesse. Era o piscineiro que havia trabalhado em minha casa.Meu coração disparou, mas não de uma maneira boa. Uma sensação terrível tomou conta de mim, como se meu corpo tivesse percebido o perigo antes mesmo que minha mente compreendesse o que estava acontecendo. Aproximei-me do quadro, sem conseguir desviar os olhos daquela fotografia. O que aquele sujeito estava fazendo ao lado da minha filha? E, principalmente, por que a foto dos dois estava entre as provas de uma investi
Queria aproveitar cada segundo que ainda tinha ao seu lado, mas meu telefone tocou e, ao ver quem estava ligando, soube que precisava atender.— Doutor Alencar?— Sim!— Soube que está na cidade. Sua encomenda está pronta. Gostaria de vê-la ainda hoje?Ao ouvir aquilo, mal consegui conter a ansiedade. Olhei para Fabi, que estava deitada na cama, com os olhos voltados para mim, e me perguntei se ela fazia alguma ideia do que estava conversando ao telefone.— Sim, estarei aí agora mesmo — respondi, antes de encerrar a ligação.Voltei até a cama e me inclinei para beijá-la. Queria ficar mais um pouco, abraçá-la e aproveitar sua companhia, mas a curiosidade de ver o anel que havia encomendado era grande demais.Despedi-me dela com mais um beijo, sentindo saudade antes mesmo de sair do quarto. Era impressionante como aquela mulher havia se tornado tão importante para mim. Bastava pensar que ficaria longe dela por alguns dias para sentir vontade de cancelar todos os meus compromissos e perma
DANTE ALENCAREu estava vivendo a melhor fase da minha vida, disso não tinha a menor dúvida. Estava no auge da minha carreira, convivendo pacificamente com minha filha e, agora, estava apaixonado.Meu Deus, nunca imaginei que pudesse sentir algo tão forte e avassalador por uma mulher, a ponto de ficar completamente desnorteado. Os dias que passava longe de casa e de Fabi estavam me consumindo. Eu tentava me concentrar no trabalho, mas tudo o que queria era terminar logo meus compromissos e voltar para casa, para os braços da mulher que eu amava e desejava loucamente.Mas, quanto mais eu desejava voltar para casa, mais as coisas se complicavam. O processo que estava sob minha responsabilidade se tornava cada dia mais complexo, e o escândalo envolvendo pessoas influentes ganhava proporções cada vez maiores. A imprensa acompanhava cada novo desdobramento, enquanto a pressão sobre o Judiciário aumentava. Eu precisava analisar cuidadosamente as provas e os pedidos apresentados pelas partes







