INICIAR SESIÓNMadson GrangerNelson, CAEle havia me beijado.Não fora um beijo qualquer. Não fora delicado, nem cuidadoso. Wallace me beijara como se estivesse lutando contra algo dentro dele… e tivesse perdido. Foi intenso, quente, quase desesperado. Seus lábios pressionaram os meus com uma urgência que fez meu coração disparar e minhas pernas fraquejarem.Por um breve, perigoso e maravilhoso segundo, eu acreditei que ele queria aquilo tanto quanto eu.Quando nos afastamos, o ar parecia mais pesado. Nossos lábios estavam inchados, a respiração irregular, os olhos arregalados como se tivéssemos acabado de acordar de um sonho — ou entrado em um pesadelo.Wallace me encarava como se tivesse visto um fantasma.O choque tomou conta do rosto dele, e então ele recuou, passando a mão pelos cabelos, balançando a cabeça em negação.— Me perdoe, Madson. — Sua voz saiu tensa, quase aflita. — Eu… não sei o que estava pensando.Antes que eu pudesse abrir a boca, antes que qualquer palavra escapasse dos meus lá
Wallace ThaneNelson, CAMadson, Tyler e eu viemos no meu carro. Lucan e dois ômegas ficaram responsáveis pelo outro veículo, o que Madson havia usado antes. No trajeto, ela estava visivelmente mais calma do que minutos atrás, mas havia algo pior do que o desespero: o silêncio. Ela não disse uma única palavra durante todo o caminho, o olhar fixo na janela, distante, como se ainda estivesse presa àquela casa escura, aos passos que só ela ouviu.Quando chegamos, Madson saiu do carro quase no mesmo instante em que estacionei. Não olhou para mim, não disse nada. Apenas seguiu direto para o quarto de Agnes. Antes de fechar a porta, murmurou um pedido de desculpa — pelo pânico, pelo transtorno, por existir daquele jeito frágil naquele momento.Aquilo me atingiu mais forte do que qualquer acusação.Ela não devia desculpas. A ninguém.E, ainda assim, ali estava eu, falhando mais uma vez em fazê-la se sentir segura.O peso daquilo caiu sobre mim com força. Falhei com minha mãe. Falhei com a mã
Madson GrangerNelson, CAUma semana depois…Completava uma semana desde o ataque à minha tia. Cinco dias desde que estávamos na casa de Wallace. No começo, a ideia tinha me incomodado profundamente — parecia invasiva, exagerada. Agora, porém, eu admitia em silêncio: estar ali me deixava mais segura. Agnes estava sendo bem cuidada, havia médicos por perto, e eu finalmente conseguia dormir sem acordar em pânico no meio da madrugada, com o coração disparado.Ou pelo menos… quase isso.O fim de tarde tingia o céu de laranja e sombras longas quando voltei da natação com Tyler. O cansaço agradável do treino não foi suficiente para afastar a inquietação que me acompanhava desde cedo. Parei o carro em frente à nossa casa e desliguei o motor.— Pode ficar no carro, querido. Volto em um minuto — falei, travando as portas.— Tá bom, Mads — respondeu, já completamente absorvido pelo videogame.Desci do carro e me aproximei da casa. Assim que destranquei a porta e entrei, fui recebida por um silê
Madson GrangerNelson, CAChegamos à prefeitura pouco depois do meio-dia. O prédio antigo se erguia no centro da cidade com sua fachada de pedra clara, imponente e silenciosa, como se observasse tudo o que acontecia em Nelson sem jamais se envolver. Wallace caminhava ao meu lado com passos firmes, seguros, enquanto eu tentava acompanhar, sentindo o estômago revirar a cada novo pensamento que surgia. Havia algo naquele lugar que me deixava inquieta — talvez o peso do que iríamos descobrir, talvez o medo de confirmar suspeitas que eu ainda não queria formular.Seguimos direto para a sala do prefeito, um homem que Wallace claramente conhecia bem. Assim que entramos, ele já estava de pé, como se nos esperasse há algum tempo. O ambiente era amplo, com janelas grandes que deixavam a luz fria do inverno entrar, iluminando uma mesa de madeira escura no centro da sala.— Bom dia — cumprimentei, minha voz saindo mais tímida do que eu gostaria.Ele sorriu de imediato, um sorriso educado, quase p
Wallace ThaneNelson, CAMadson acabou adormecendo em meus braços sem perceber, o cansaço finalmente vencendo o medo e a tensão que a mantiveram de pé por tantas horas. O peso do corpo dela contra o meu, leve e quente, trouxe uma calma inesperada. Algo dentro de mim, que havia estado inquieto desde a noite anterior, finalmente aquietou. Permaneci imóvel, atento à sua respiração lenta e profunda, como se qualquer movimento pudesse quebrar aquele momento frágil.Enquanto o dia começava a nascer do lado de fora do hospital, minha mente foi puxada, quase contra a minha vontade, para a floresta.Eu estava lá.Correndo.Depois de libertar meu lobo, meu corpo havia se transformado por completo. Eu avançava em quatro patas, veloz, sentindo o vento frio cortar meu focinho, a neve sendo esmagada sob mim, o mundo reduzido a cheiro, instinto e pulsação. Cada músculo trabalhava em perfeita sincronia, cada batida do coração guiada por algo maior do que razão.Foi então que senti.Um chamado.Não er
Madson GrangerNelson, CAJá passava das três da manhã e o relógio na parede parecia zombar de mim a cada minuto que avançava. Nenhuma notícia. Nenhuma atualização. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes fui até a recepção do hospital, insistindo, perguntando, implorando por qualquer informação sobre minha tia. Sempre a mesma resposta vaga, o mesmo olhar profissional demais, distante demais para quem estava com o coração em frangalhos.Wallace ainda estava ali.Mesmo depois de eu praticamente mandar que fosse embora. Mesmo depois de eu dizer, com a voz falhando, que ele não precisava ficar. Ele simplesmente não foi. Permaneceu sentado ao meu lado, sólido, presente. Passamos a maior parte do tempo em silêncio, mas não era desconfortável. Pelo contrário. Era um silêncio que sustentava, que não exigia explicações, que não pressionava. Um silêncio raro.Avisei Sabrina assim que tudo aconteceu. Ela chegou ao hospital imediatamente, ficou algumas horas comigo, tentou me distrair, tent







