Mag-log inCapítulo 163 Aria limpou com brutalidade as lágrimas que queimavam suas bochechas. A dor da traição ainda estava cravada em seu peito, mas sob a vulnerabilidade humana, a chama da loba começava a se acender, transformando a tristeza em uma determinação afiada.Ela ergueu o rosto e sustentou o olhar desesperado de Maike através das barras frias de ferro.— Eu vou encontrá-la — declarou ela, a voz baixa, porem firme como rocha.— Não! — sobressaltou-se Maike, agarrando as grades com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. O terror estampou-se em seu rosto. — Você não tem ideia do que está dizendo, Aria! O Kaelen mantem a Janete sob vigilância estrita. Ele tem homens espalhados, tem informantes em cada canto. Se ele souber que você descobriu...— Então o quê? — cortou Aria, dando meio passo à frente, os olhos brilhando em desafio. — Ele mesmo fez questão de esfregar isso na minha cara! Kaelen deixou claro que vai usar a minha mãe para me arrebentar por dentro e me obrigar
Capítulo 162 Aria sentiu o chão sumir sob seus pés. As pernas enfraqueceram de tal forma que ela precisou encostar o ombro e apoiar a palma da mão na parede fria de pedra para não desabar. O mundo ao seu redor pareceu inclinar-se numa vertigem dolorosa.Minha mãe está viva.Não era uma especulação, um boato ou um jogo cruel de Kaelen. Era a verdade confirmada pelo olhar desesperado do seu melhor amigo.— Há quanto tempo... — a voz de Aria saiu falhada, um sopro rasgado pela garganta seca. Ela engoliu em seco e tentou novamente: — Há quanto tempo você sabe?Maike sustentou o olhar por uma fração de segundo antes de desviar os olhos, incapaz de suportar o peso da promessa quebrada.— Desde que a encontrei.A resposta caiu sobre Aria como um golpe físico no peito. Desde que a encontrara.Ela fechou os olhos com força, enquanto as lágrimas transbordavam quentes por suas bochechas. Por um breve instante, todo o perigo ao redor — a cerimônia iminente, as ameaças de Kaelen, o território cer
Capítulo 161 O corredor que levava às celas parecia mais longo do que Aria se lembrava. As luminárias presas às paredes de pedra lançavam uma luz fraca e vacilante, deixando os cantos mergulhados em sombras. O silêncio do subsolo era quebrado apenas pelo som de seus passos rápidos e pela respiração desordenada que ela tentava, em vão, controlar.Uma frase não parava de ecoar em sua mente, repetindo-se como um eco doloroso: Sua mãe. Kaelen pronunciara aquelas palavras com uma calma, sem demonstrar a menor hesitação. Ele sabia exatamente onde golpeá-la, e fizera isso com a precisão de quem conhecia a profundidade daquela ferida melhor do que ela própria.Sua mãe estava viva.Durante anos, Aria carregara a dor da perda de Janete como um peso insuportável no peito. Havia noites em que ainda acordava sob o impacto daquela última lembrança, ouvindo a voz trêmula da mãe e a ordem definitiva que a obrigara a seguir em frente: Atravesse, minha menina. Não olhe para trás.Aria obedecera. Aprend
Capítulo 160 — Sua bobinha... — murmurou Kaelen, com um sorriso cruel. — Se quiser ver sua mãe novamente, é melhor fazer exatamente o que eu mandar. Porque, dessa vez, ela talvez não tenha a mesma sorte.O ar sumiu dos pulmões de Aria de forma violenta, como se tivesse levado um soco no estômago. Seus joelhos fraquejaram e a força que sustentava seus pés simplesmente desapareceu. Ela parou de lutar contra a mão que a prendia. Ver sua mãe novamente. A frase ecoou em sua mente em um zumbido ensurdecedor, atropelando qualquer capacidade de raciocínio. Seus olhos varreram as feições de Kaelen, buscando desesperadamente um traço de deboche, uma hesitação, qualquer microexpressão que denunciasse uma mentira.Não havia nada. Apenas uma certeza fria e sádica.— Não... — sussurrou ela. A voz saiu trêmula, um fio de som sufocado pela dor. As lágrimas quentes finalmente transbordaram, queimando sua pele enquanto escorriam sem controle. — Você está mentindo. Minha mãe morreu... Eu vi. Eu vi ela
Capítulo 159Os olhos de Aria começaram a perder a cor, o azul desaparecendo lentamente até ser engolido pela escuridão que anunciava a presença de sua loba. A mudança aconteceu diante de Kaelen, acompanhada por uma onda de energia que pareceu tornar o ar ao redor dos dois mais pesado. Seus dedos se fecharam em punhos, os ombros ficaram rígidos e a mandíbula se contraiu enquanto ela lutava para conter a raiva que crescia dentro de si.A fera estava inquieta desde o início daquela conversa. Ainda indomada, reagia às ameaças com uma vontade crescente de atacar, e Aria sentia sua força percorrer o corpo, pressionando seus músculos e alimentando o desejo de fazer Kaelen pagar por cada sofrimento que lhe causara. Sua loba ainda não conhecia a extensão dos próprios limites, e Aria tampouco sabia como controlá-la. Mesmo assim, naquele momento, pouco se importava com as consequências.Havia, porém, algo estranho naquela agitação. A loba não tentava assumir o controle nem a empurrava para um a
Capítulo 158Aria cravou os olhos em Kaelen, recusando-se a transparecer o menor traço de hesitação ou medo. Ela deu um passo à frente, cerrando os punhos com tanta força que sentiu a dor das unhas cravando as palmas das mãos, o sangue quente ameaçando despontar.— Então você já sabe da minha transformação — disse Aria, a voz gélida e firme. — Sabe que não será tão fácil me fazer mal agora. Eu já posso me defender de você... e está muito enganado se acha que vou a qualquer lugar ao seu lado.Kaelen a observou em silêncio por um instante. Então, um sorriso lento e cruel surgiu em seus lábios, transformando-se em uma risada debochada que fez o ar ao redor parecer ainda mais frio.— Olha só... mal teve sua primeira transformação e já pensa que pode comigo? — provocou ele, avançando até parar a poucos centímetros do rosto dela. — Você acredita mesmo que a sua loba é capaz de ir contra mim? Eu te mato com um piscar de olhos.Assim que a respiração de Aria ficou descontrolada, a loba d







