LOGINCapítulo 108As palavras perfuraram a fúria de Rayzel, trazendo um frio gélido ao seu estômago. O peito dele ardia. Ele queria esmagar a mesa, queria avançar no pescoço de Raimonte, queria gritar para o mundo que Lisi não era "uma garotinha qualquer" — que ela era a razão de sua própria existência.Mas as correntes da responsabilidade fecharam-se sobre o seu pescoço.Raimonte notou a hesitação e exibiu um sorriso venenoso.— Existe uma solução muito mais simples para garantir que Eliezer nunca ponha as garras nela.Rayzel ergueu os olhos, o olhar injetado de sangue.— Qual?O velho contornou a mesa a passos lentos, parando a um metro dele.— Faça o que estou mandando. Selem o vínculo você e a Ana.A proposta caiu como um soco no estômago de Rayzel.— Faça isso, e eu garanto pessoalmente que Eliezer manterá distância da sua... protegida.Protegida. A palavra queimava como ferro em brasa. Lisi era sua vida, não apenas uma pupila.— Você realmente acha que esse seu capricho com ela tem a
Capítulo 107— Acredito que já passou da hora de você arranjar uma companheira — continuou Raimonte, ignorando o sarcasmo do Beta. — E acredito que o ideal seja mantê-lo vinculado à família.O estômago de Rayzel se contorceu num nó seco.— Minha sobrinha Ana é apaixonada por você desde garota. Quero vocês dois juntos. Unindo os laços de vez.Por alguns segundos, Rayzel apenas o encarou, a expressão transformando-se em pedra polida. Em seguida, soltou uma respiração curta e anêmica.— Agradeço a consideração, senhor. De verdade. Mas isso não vai acontecer.— Eu tive um enorme apreço por Ana no passado. Mas esse sentimento morreu há muito tempo.Raimonte recostou-se na poltrona de couro, o olhar pesado.— Sentimentos podem ser reacendidos.— O meu, não. — A recusa veio cortante. — E, sendo bem sincero, não acredito que esteja à altura da sua sobrinha.Um sorriso lento e envenenado desdobrou-se nos lábios murchos do velho.— Não seja modesto. Você é o Beta da matilha. Ana não estaria em
Capítulo 106UMA SEMANA ANTESRayzel já não aguentava mais.Por onde quer que passasse, Lisi parecia encontrar uma maneira cirúrgica de evitá-lo.Se os dois acabavam dividindo o mesmo corredor, ela diminuía o passo, esperava que ele se afastasse e só então continuava. Durante os treinamentos, mantinha os olhos fixos no alvo, nas próprias mãos, no chão... em qualquer lugar, menos nele.E aquilo estava começando a enlouquecê-lo.O pior era que Rayzel sabia exatamente o motivo. As palavras que havia dito a ela naquela Noite ainda ecoavam dentro da sua cabeça como uma sentença. Ele fora cruel porque acreditava que precisava ser; tentou erguer um muro intransponível antes que aquilo se transformasse em um incêndio incontrolável. Antes que Luke percebesse. Antes que a matilha inteira notasse.Ele só não havia calculado o peso devastador do silêncio dela.Lisi estava diferente. Mais forte. Mais rígida.O treinamento a estava moldando de uma forma que até ele precisava admitir com um aperto n
Capítulo 105O vento soprava forte na mata, balançando a copa das árvores enquanto Lisi encarava fixamente as costas rígidas de Rayzel.— Podem ir na frente — disse Lisi, com a voz firme. Os olhos dela não desviavam do Beta por um segundo sequer. — Eu preciso falar com o Rayzel.Rayzel não se virou de imediato. Apenas a sua voz ecoou pela trilha, mas deu para notar perfeitamente a tensão quase dolorosa que travou seus ombros.— Não temos tempo para isso agora — rebateu ele, os dentes trincados. — Devemos seguir juntos. Vocês ainda não entenderam a gravidade da situação.Ele finalmente se virou para encarar a ruiva.Lisi deu dois passos à frente, parando diretamente no caminho dele com o queixo erguido, ignorando qualquer aviso velado ou postura intimidadora do homem.— Como quiser. Se prefere assim, eu falo aqui mesmo — desafiou ela, dando mais um passo até parar a centímetros do peito dele. Dava para sentir a respiração quente, pesada e descompassada de Rayzel contra o seu rosto. — P
Capítulo 104Rayzel sentiu o sangue ferver nas têmporas, a pulsação martelando como um aviso iminente de perigo.As palavras ecoaram em sua mente, pesadas e cortantes. Não havia nada de errado em trabalhar atrás de um balcão — a questão era a entonação de Lisi. O modo como a voz dela deslizara pela frase trazia um desafio calculado, arremessado diretamente contra o orgulho e a posição do Beta. Ela o encarara esperando a reação, instigando o limite de sua contenção.E ele simplesmente não podia ceder. Não ali. Não sob os olhares atentos de todos.Luke, por sua vez, parecia alheio à tempestade subterrânea que acabara de desencadear.— Se esse for o homem que você escolher, eu vou respeitar.Lisi arqueou a sobrancelha. A surpresa desarmou momentaneamente a postura defensiva que ela mantinha, fazendo-a dar meio passo à frente.— Vai?— Vou — afirmou Luke, a voz grave assentando no ar com uma firmeza inflexível. Ele estufou o peito levemente, os ombros rígidos. — Posso não gostar. P
Capítulo 103 A atmosfera na clareira pesou instantaneamente. A névoa baixa da noite parecia congelar ao redor dos corpos, e o cheiro amargo de raiva impregnou o ar úmido. A fúria nos olhos de Rayzel era pura brasa — uma mistura perigosa de frustração, autoridade de Beta e um pavor sufocado que ele se recusava a admitir.— Vocês têm ideia da tolice que estão fazendo?! — disparou Rayzel, a voz grave ressoando em uma frequência tão baixa que fez as folhas secas no chão vibrarem.Kili recuou um passo completo, os ombros se encolhendo involuntariamente. Ao notar que o amigo não tinha espaço algum para brincadeiras, ela engoliu em seco, varrendo do rosto qualquer resquício do sorriso debochado. A aura de comando do Beta pesava no ar, ativando seus instintos mais primários de submissão.Lisi, no entanto, deu um passo à frente. Suas mãos foram para os quadris, o queixo erguido e os lábios curvados em um riso frio, desprovido de qualquer alegria.— Calma, tá? Nem é para tanto — desdenhou ela,







