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Capítulo 12 — Abismo das Sombras

last update Fecha de publicación: 2025-02-13 03:34:19

A escuridão era viva. Não era apenas a ausência de luz, mas uma entidade que respirava, que se movia, que a envolvia como um abraço sufocante. Yara sentia-a em sua pele, fria e viscosa, como se milhares de dedos invisíveis a tocassem, explorassem, violassem. Tentou gritar, mas o som se perdeu no vácuo das trevas, engolido antes mesmo de deixar sua garganta. As sombras riam, uma gargalhada ensandecida que ecoava em sua mente, dilacerando-a por dentro.

Ela não sabia há quanto tempo estava ali. O
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  • Nas Sombras do Crepúsculo   Epílogo

    A água do rio parou de ferver em torno de Yara. As sombras dentro dela—que há momentos lutavam como serpentes envenenadas—agora repousavam, subjugadas pela centelha sagrada que ainda resistia em seu âmago. Uma calmaria estranha e profunda desceu sobre o mundo, como se a própria floresta suspirasse aliviada.Mas a paz era... uma frágil âncora.No silêncio que se seguiu, a pergunta mais antiga de sua alma ressurgiu, mais pungente que nunca: Onde estás, Tupã?Os primeiros raios do amanhecer filtraram-se pela copa das árvores, tecendo fios de ouro pálido sobre as águas. Foi então que ela os viu: duas figuras imóveis na margem, envoltas em mantos com capuz, pairando como espectros do crepúsculo.— Quem está aí? — sua voz soou áspera, desconfiada.A resposta chegou como um eco pré-determinado:— Duncan, o Viajante do Tempo... e aquele que um dia conheceste como Tupã.Um dos encapuzados inclinou a cabeça, ao que uma voz estranhamente metálica, mas impregnada de uma centelha familiar, rompeu o

  • Nas Sombras do Crepúsculo   Capítulo 80 — Rumo ao Lago

    A floresta transformou-se num borrão de movimento, conforme Mapache dançava na fronteira entre vida e morte, seu corpo um arco tensionado entre a esquiva e a investida, cada passo calculado, cada recuo uma mentira bem urdida. Ele conduzia o Senhor das Trevas num mortal balé tático, usando ligeiros golpes de joelho, giros de calcanhar e estocadas de punhais. Não para ferir, mas para guiar — como um invisível pastor conduzindo um lobo para o abatedouro.O destino final desse perigoso ritual coreografado era o local onde Kaoru, a Filha do Eclipse, tombara. O solo ali ainda guardava a marca de seu sacrifício: um círculo arcano gravado na terra, agora aceso e tingido com seu sangue derradeiro. Linhas de poder pulsavam fracamente sob as folhas caídas, como brasas sob cinzas, à espera do combustível certo.Os olhos de Mapache brilharam sob a máscara no exato instante em que as botas de trevas de seu oponente tocaram o centro do círculo. Ele lançou uma última rajada de lâminas ocultas — não p

  • Nas Sombras do Crepúsculo   Capítulo 79 — Mapache X Shadow Tentacles X Invading Shadows

    Mapache mal conseguiu suportar a pressão das sombras, mas não cedeu. Seu oponente dançava e ondulava nas trevas conforme tentáculos laminosos emergiam de poças de escuridão.Pelos esprítios! Não fosse pela tamanha velocidade com que lhe atacavam, teria sido fácil para Mapache desviar de todos os golpes. Mas seu mundo girava e zunia loucamente, conforme sua consciência quase oscilava no mar trevoso.O tal Poder das Sombras... era maior do que parecia. E ele se alongava mais e mais, um pesadelo que devorava a realidade.No entanto, mais uma vez, o Máscara Guaxinim fez um tremendo esforço. Para ler intenções, para antecipar movimentos...Um peso inumano esmagou os ombros de Mapache, como se o próprio crepúsculo tivesse se solidificado para abraçá-lo, o ar tornando-se piche, cada inalação um confronto contra a asfixia. Mesmo assim, seus pés permaneceram firmes, suas raízes cavadas profundamente na terra da resistência.Ora, ora... Lidava com um espetáculo de horror em movimento, um borrão

  • Nas Sombras do Crepúsculo   Capítulo 78 – Tempestade de Sombras

    A figura na armadura deu um passo, então outro, conforme filetes de trevas chiavam e estalavam em volta de si. Talvez esse não seja mais Donaldo, mas sim o mestre das artes das trevas, pensou Mapache. Os assassinos observavam de uma distância razoavelmente segura, entremeados em moitas ou atrás de árvores, os olhos arregalados, ponderando quanto ao próximo movimento.A voz de Donaldo provocou. – Então? O que estão esperando? Querem acabar comigo, não? Por que não terminar logo essa dança?Ele pareceu sorrir sob o elmo conforme se aproximava.— Tanto alarde para isto? Tanto planejamento para... hesitar?Seu braço ergueu-se. Um gesto teatral. Nisso, das sombras que despontavam da floresta, trevas se alongaram, contorcendo-se em movimentos impossíveis, fluindo e dançando em volta como espectros num lago de sombras.Ao se misturar às sombras, a silhueta blindada sumiu — num turbilhão de trevas.Mapache olhou em volta, buscando antecipar qualquer investida.— Venham. — A voz veio de todas

  • Nas Sombras do Crepúsculo   Capítulo 77 — Trovão sem Tempestade

    Conforme o guerreiro sombrio desafiava seus caçadores, em outra parte da floresta, a terra cuspia seus horrores.Criaturas espectrais brotavam do solo como lodo primordial, membros retorcidos e bocas sem rosto se contorcendo em infinita fome. Guerreiros de ambos os lados recuavam, suas alianças esquecidas diante daquele pesadelo sem lealdade.E então... o trovão.Mas não havia relâmpago. Nenhuma nuvem. Apenas o estrondo, como se o próprio céu tivesse rachado.E do vazio, algo caiu.Quando a poeira das cinzas ergueu-se em espiral, duas figuras emergiram.Duncan, o Exorcista, seu manto azul-tempestade flutuando como asas de um lendário falcão, os olhos frios varrendo o massacre.O Enigmático, envolto em cobalto, sua voz mecânica, quase desumana, como se as palavras fossem formadas por invisíveis engrenagens.Diante deles, o campo de batalha não era mais guerra. Era abatedouro.Pelos espíritos.Corpos dilacerados. Kaena jazia entre os mortos, sua armadura partida, sua história interrompi

  • Nas Sombras do Crepúsculo   Capítulo 76 — Velum Tentationis X Expergefactio Laminarum

    O ar pesava como chumbo entre eles, um segundo após outro dilatado pelo tempo congelado da decisão. Se aquela visão fosse mesmo artifício de Mapache, qualquer escolha de Donaldo seria um movimento em tabuleiro envenenado.Sob o elmo, seus olhos percorreram as curvas de Clara — seios altivos como colinas sob luar, volumosos e empinados e convidativos... Um banquete para os sentidos... ou isca envenenada?Campo de batalha, lembrou-se, os músculos tensionando. Os agentes da emboscada se ocultavam na mata, respirando entre as folhas. Mapache, o arquiteto dessa armadilha, observaria. Cada movimento.Mas memórias irromperam como facas aquosas.Corpos entrelaçados em lençóis úmidos.Línguas duelando em linguagem arcaica.Seus dedos cravando em carne macia como em argila quente.Por um instante visceral, viu-se arrancando a armadura, atirando Clara ao chão com a fúria de um touro e montando-se sobre ela. O gramado virginal cedendo sob seu peso. Um rugido selvagem engasgado na garganta...Insan

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