MasukIan carrega o pior tipo de maldição: é o hospedeiro dos sete pecados. Condenado a um fardo eterno de dores e vozes cruéis, a única chance de liberdade reside na mulher que está destinada a ser sua. Somente ela é forte o suficiente para suportar a escuridão que habita dentro dele. Ada é o oposto de tudo o que Ian representa. Uma mulher cheia de sonhos e que luta diariamente para construir um futuro de esperança. No entanto, a vida dela vira de cabeça para baixo quando se torna alvo de criminosos. Sem ter a quem recorrer, Ada se vê encurralada. Quando os mundos de ambos colidem, surge uma conexão emocionante e perigosa. Ian percebe que a mulher da casa ao lado é a resposta que tanto busca. E Ada descobre que o homem sombrio e misterioso é o único capaz de mantê-la viva. Em um jogo de sobrevivência e sedução, eles fecham um acordo implícito: ele pode protegê-la, e ela pode libertá-lo. O que nenhum dos dois previa era que, no processo de salvar um ao outro, o amor nasceria — um sentimento tão avassalador que ameaça queimar as barreiras do céu ao inferno.
Lihat lebih banyakSANGUE JORRAVA EM TODAS AS DIREÇÕES.
A garganta de um cavaleiro qualquer estava entreaberta pelo punhal do inimigo. Havia tantos homens igualmente mortos ao redor, tantos servos feridos e inocentes por uma luta pela qual não tinham culpa. Vidas corriam perigo devido às terras mais cobiçadas. Era fácil julgar que elas eram as mais importantes quando várias pessoas jaziam deitadas sobre o próprio sangue. Havia apenas as terras e como adquiri-las. Havia espadas, luta e morte. Ian Valadares tentava impedi-los de tomarem posse das terras dele. Não existia nenhuma Lei que o fizesse sair daquele lugar. Ele devia matar sem lamentos os culpados que tentavam roubar o que lhe pertencia — exatamente como fizera com tantos outros. Não teria alcançado o título de Senhor dos Vales se não tivesse conquistado-a. Não seria considerado o Senhor Valadares se não tivesse a tomado; e, como tal, ele agia como um verdadeiro nobre de renome, porém insolente o bastante para não se preocupar com a guerra que estava travando. Meses atrás, uma mulher lhe disse que aquelas terras não lhe pertenciam, e que ele deveria devolvê-las para os verdadeiros donos. Ian, claro, não acreditou. Dificilmente daria ouvidos a uma desconhecida que falava sozinha. Pouco tempo depois, no entanto, um velho ranzinza chegou na casa dele para alertá-lo do perigo que era manter-se ali com todos os servos. Mas, novamente, Ian não se importou. Ian não iria embora mesmo que o terror tomasse forma humana e decidisse aparecer naquela região que era dele por direito de linhagem, sangue e poder. Além do mais, sair daquele lugar era deixar que os vizinhos estúpidos reivindicassem tudo, já que dificilmente se manteriam longe depois que soubessem que o senhor daquelas terras havia partido. Era por isso que Ian lutava pelo o que era dele. Que se fodam todos, tudo isso tudo me pertence!, pensava enquanto atacava. O cavalo, Chama Negra, relinchava arrebatado devido ao cheiro de sangue que tinha em todos os lugares. Ian o impediu de fugir, galopando adiante, matando alguns homens que tentavam lhe derrubar, salvando os guerreiros de um ou outro, atirando punhais certeiros nos inimigos. Era um exímio lutador, e sabia exatamente como utilizar uma espada. Os olhos dele fitavam um alvo e o matava; depois outro, e o mesmo destino acontecia. Era evidente que o perigo se apossou daquelas terras; e como se não bastasse, não muito longe dali, algo era invocado. * Sangue e fogo eram tudo o que precisava para libertá-los. Ao fazê-lo, poderia saldar a dívida que mantinha com aquelas pessoas e finalmente tomaria o próprio destino. No entanto, ainda estava presa a um ritual complicado e cansativo. Kalidh era o nome que lhe deram assim que foi salva da fogueira. Em uma acusação injusta, lhe incriminaram de praticar bruxaria contra uma jovem e foi condenada por isso. Kalidh devia saber que as boas intenções daquela mulher eram falsas, caso contrário, não estaria sofrendo. Se tivesse ideia de que aquela bela jovem havia manipulado Frankie e a família, não teria passado por toda aquela dor. Kalidh não teria perdido as filhas. Ainda assim, estava claro para ela que não poderia ficar naquela região por muito tempo — exceto o necessário. Kalidh finalmente percebeu que a lua estava escura. Por causa do eclipse, agora era tão negra quanto a fumaça que saía daquele círculo de fogo e sangue que pairava no chão. As pessoas ao redor formavam parte do ritual, oferecendo um pouco da energia para fortalecê-lo. Energia vinda dos próprios talentos, dos dons, da magia. Embora não fizesse parte de qualquer família, Kalidh sabia na qual estava inserida. As mulheres murmuravam o Velho Cântico, e clamavam para que os filhos dele, que foram presos injustamente, fossem libertos para governar a Terra. Filhos que foram condenados a viver na escuridão para sempre. Assim como eu, quando a vida das minhas filhas foram roubadas, pensou Kalidh. O vento gélido que soprava naquela noite parecia congelar os ossos de cada uma que estava presente, mas ela não podia falhar! Faltava pouco para cumprir o ritual e em breve poderia vingar-se. Muito embora a aparência de Kalidh não fosse mais a mesma, ela sabia que ao encontrar Frankie e contá-lo exatamente o que aconteceu, ele puniria a culpada como realmente merecia — e Kalidh estaria lá para fazer a parte dela. Para matá-la. Pensar naquilo fez com que o fogo aumentasse. Junto aos murmúrios do canto, ela se pôs a dançar ao redor das chamas, exalando a energia misturada ao sabor da ira do coração. Passou muito tempo assim: pensando, dançando, sentindo a magia pulsar nas veias. Quando o Cântico terminou, um trovão retumbou o céu escuro indicando a chuva. Foi questão de instantes para que a água apagasse o fogo Elas ficaram molhadas — inclusive os novos integrantes que estavam dentro do círculo que antes estava vazio. Todas pareciam se curvar perante as sete beldades — somente Kalidh ficou tão estupefata a ponto de se esquecer de tal reverência. As figuras que viam a fez entrar numa espécie de catatonia e, então, várias imagens varreram a mente dela. Eles eram aqueles que foram condenados: os filhos do Deus Mondha. E estavam aqui para governar.IANAparentemente o dia não estava ao seu favor.Ian amarrou o mestiço que ficou para trás. O cheiro não escondia que logo se tornaria um perdido. Precisava fazer algumas perguntas antes de matá-lo. Parte dos malddos fugiu assim que percebeu que haviam clãs unidos, os outros foram mortos. Não tinha muito a ser feito, exceto exterminá-los. Ele precisava organizar a equipe para caçá-los. Aquela já era a terceira tentativa de levar Ada. Se ainda estavam à procura dela, não sabiam como encontrar o caderno ou de como utilizá-lo.Frankie chutou um corpo no chão. Ian não esperava que o Clã de Azira estivesse presente para ajudá-lo, afinal, eram inimigos jurados. Eles tinham feito um pacto de sangue com um feiticeiro, sacrificando algumas videntes como moeda de troca, para não ter mais vínculo com o Clã Valadares. Sequer tinha ideia do motivo para aquilo ter acontecido, mas descobrir aquela traição lhe custou muito. Irmãos morreram, os animais adoeceram e Chama Negra foi um deles. Existiam vi
ADAAda só sentiu seus narizes se tocarem quando ouviu a batida. Ela se afastou pelo susto, somente para descobrir que Frank estava ali, com a expressão que ela jamais vira. Aquilo era o que ela sentia que ele escondia. Estava escancarado bem ali.Ian se posicionou na frente dela, mas… Frank não tinha tirado os olhos de Ian desde que entrou. O alvo dele não era ela. Ada saiu detrás de Ian e se colocou na frente dele. Frank não seria louco de machucá-la. Os olhos dele foram para ela, mas ainda demonstrava a mesma expressão. Nada tinha sido suavizado.— Eu liguei para você — ele falou num tom de voz que nunca tinha ouvido antes.— Não sei por qual motivo — ela rebateu. — O que está fazendo aqui, Frank?— Precisamos conversar. — Ada sentia que a voz dele estava controlada, quase como se tivesse tentando não rosnar. Todas as frustrações de Ada começaram a crescer dentro dela. Todas as rejeições que tinha sofrido, todo o preterimento, as dores, os caos que precis
ADAAs mãos dela saíram do quadril.— Hã?Aquilo não fazia o menor sentido. O que Ada tinha que eles estavam atrás dela?— Pela carta já sabemos que você vai ter mais facilidade de interpretar as anotações do caderno do que o seu irmão. Arthur é apenas uma contramedida, caso algo aconteça a você.— Isso é mesmo sério? E onde está esse maldito caderno? Aquela carta não serviu de nada?— Claro que serviu. A pista que temos indica um dos amigos do seu pai, mas ainda estamos nas buscas. Sabe o que o seu pai quer dizer sobre a corrente da qual você faz parte?— É a corrente de auxílio e bondade — ela falou como se aquilo não fosse nada demais. — Isso foi ensinado pra mim e pro meu irmão, então devemos perpetuar a sabedoria que nos foi ensinada. Isso também veio dos nossos avós.— O amigo do seu pai…— O quê? — Ele é contrabandista. O que tivermos que procurar, vai ter que ser no submundo que ele frequenta. Para isso, vou precisar infiltrar al
ADAAda estava furiosa.Aquele era o encontro que ele disse que teriam? Aquela academia era um encontro? Estava se olhando no espelho do banheiro quando tinha terminado de se trocar mais uma vez naquela noite. Agora ela usava um top preto, uma calça leggin da mesma cor, e os sapatos com amortecedores. Como faria exercícios, ela achou melhor trançar o cabelo.Cabelo cacheado que levou um tempo pra deixar finalizado.Sinceramente, ela não sabia o que dizer.Socou todas as expectativas que tinha no fundo do coração e as guardou em sete chaves. O que podia esperar? Ela tinha dito que não teria beijos! Aquela situação era algum tipo de castigo? Ela estava tão irritada que quase podia sentir a raiva transbordar e fazê-la cometer tolices. A começar por provocá-lo. Ela também o deixaria na expectativa.O faria querer mais!Ada respirou fundo.Ok, ela sabia que não faria isso, mas imaginou como seria, e a raiva se amenizou. Abriu a porta e se deparou com
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