INICIAR SESIÓNGabriel— Você ainda não ganhou peso nenhum, Kira. Digo a primeira coisa sensata que consigo pescar no meio da multidão de pensamentos obscenos na minha cabeça.É um m*aldito caso de *déjà vu*. Ela está fugindo de novo, e eu a estou seguindo por algum motivo m*aldito, trancando-me no banheiro a sós com ela. Normalmente, é exatamente assim que eu acabaria transando de forma selvagem e sem compromisso: encontro uma égua gostosa e desinibida, pago um coquetel caro, deixo ela saber que sou bem-dotado — e a conduzo para o banheiro para fodê-la até ficar totalmente esvaziado.Mas com a Kira... eu na verdade enfio as mãos nos bolsos da calça, porque tocá-la seria como acariciar uma gata sarnenta no cio. Ela pode até achar que é inalcançável, independente e feita de pedra, mas toda mulher emite sinais fáceis de perceber. Respiração ofegante, olhos semicerrados, lábios entreabertos. E gotículas de água tremendo em seus cílios claros.Droga, não — Gabriel, sua mente está indo pelo caminho errad
Kira— Consegui arrancar um presente de casamento do Varfolomeev. Yulya anuncia triunfante após o terceiro brinde.M*al comi alguma coisa, então minha cabeça já está girando um pouco. Dou um gole minúsculo — ou melhor, apenas encosto os lábios no vinho Moscatel doce e frisante.— Vamos voar para as ilhas tropicais! Por dez dias! Yulya gesticula com tanta empolgação que quase derruba um prato da mesa. — Um resort cinco estrelas com tudo incluído — três piscinas, uma delas de água salgada! Um spa!Engulo em seco, tentando conter uma onda de lembranças indesejadas que — como guerrilheiros — começam a invadir minha mente por todos os lados. A praia, a areia, o som das ondas e o ar com gosto de frutas tropicais — tão doce que minha visão fica turva. E aquele beijo voraz e avassalador — do tipo que me fazia querer chorar e caminhar voluntariamente para o abismo.Sinto um m*al-estar comigo mesma por não conseguir me alegrar verdadeiramente pela minha amiga em um momento tão importante. Porqu
KiraSeis meses depois…— Me pediram para te entregar isso.Levanto os olhos do tablet e deparo-me com um lindo buquê de rosas cor de caramelo, decorado com um balão, quase como um presente de casamento. Vera coloca um elegante cartão de visitas ao lado.— E aí? Minha amiga insiste, batendo o dedo impacientemente num pedaço de papelão, como se estivesse invocando um gênio da lâmpada. — Pelo menos veja quem mandou!Sinceramente, não estou interessada, mas para satisfazer a sua curiosidade, continuo olhando.Alex Morozov. O fotógrafo mais estiloso, que está fazendo sucesso no Instagram com os seus ensaios fotográficos impressionantes, destacando os bumbuns firmes das mulheres. Ele se especializa em fotografia erótica, e todo mundo, de cantoras a modelos e bailarinas, quer as suas fotos para seus portfólios. Mas ele próprio parece o sonho de qualquer fotógrafo: coberto de tatuagens, com um corte de cabelo estiloso, atlético e tão sarado que poderia estrelar um comercial de academia. — Qu
Gabriel— Não me toque! Some daqui com os seus cremes, eu não sou criança!Minha mãe bufa e estende a mão para passar um cotonete com antisséptico no meu lábio machucado. Consigo me virar, pulo de pé e aponto para a porta:— Saia daqui! E aí?!— Você precisa de um médico. Ela responde calmamente, sentando-se de forma demonstrativa no sofá e cruzando as pernas. — Não vou a lugar nenhum até ter certeza de que a vida do meu único filho não vai acabar por causa de uma infecção generalizada.— Você se importa? Eu respondo bruscamente.— Não, desde que cheguei aqui e aguentei o seu mau-humor por meia hora. Você é igualzinho ao seu pai.— Bem, pelo menos em alguma coisa, senão você ia achar que eu sou um órfão.— Eu ficaria feliz em ir embora, até para os confins da Terra, mas estou simplesmente apavorado. Então, pelo menos posso admitir isso para mim mesmo. Tenho medo de que esta m*aldita ilha seja pequena demais para que eu e Kira sintamos falta um do outro, e se eu a vir de novo, então...
KIRACaio silenciosamente de uma grande altura para dentro do meu próprio corpo.Talvez seja por isso que não sinto os meus braços nem as minhas pernas, apenas o arame farpado em volta do meu coração, apertando tanto que o som da pele perfurada estalando me faz sangrar lágrimas.Gabriel crava os dedos na areia, respirando pesadamente, enquanto Dima circula acima de mim e me envolve cuidadosamente numa capa. Ela está coberta de areia e arranha a minha pele, mas me deixa um pouco mais sóbria, porque estou completamente embriagada por aquele beijo.E o pânico sobe pela minha garganta novamente, ameaçando se transformar em outro ataque.Estou com medo, porque o que aconteceu foi uma revelação pessoal enviada de cima.Pela primeira vez em dois anos, sobrevivi a um ataque sem o spray. Eu estava morrendo. Sentia o meu coração, como um corredor desesperado, mas azarado, ainda tentando lutar contra a longa distância, mas se transformando em pedra a cada batida.E de repente — o gosto do ódio n
GabrielEla jaz aos meus pés como uma sereia: pálida, magra, com os cabelos como se tivessem crescido na areia. E respira com dificuldade, porque correu tão rápido que m*al consegui acompanhá-la. E por que a persegui? Quem poderia responder a uma pergunta tão simples? Não tenho a menor ideia. Só me resta uma desculpa tolerável para aquela parte de mim que quer esmagar essa praga e não hesitará em usar todos os meios necessários: "oficialmente", eu fui atrás de Kira, aproveitando-me da sua condição para pegar uma e terminar o que a minha mãe começou — acabar com ela.Mas não consigo.Simplesmente não consigo nem tocá-la enquanto ela emite esses sons, como se estivesse respirando por um tubo entupido de terra. Preciso ajudá-la a se levantar, garantir que não tenha convulsões e aproveitar essa desculpa para processar a minha mãe por abuso emocional.— Vá embora. Pede Kira, sem se virar. — Só vai embora. Você veio aqui para me provocar, não foi? Amanhã de manhã sou todo sua.Quero dizer a







