LOGINHenry
Eu estava me afundando no trabalho cada vez mais, preferia a parte burocrática de intercâmbio de recursos entre as espécies do que missões que envolvessem usar magia. Eu estava instável demais pra confiar em mim mesmo com isso, já havia se passado seis meses mas a dor de ter perdido Bárbara não me abandonou e se tornava pior ao saber que os meus erros no passado com o Alfa Reign transformaram minha doce Elionor em uma aberração. Eu me senti incapaz de proteger minhas garotas, perdi Bárbara e a vergonha que me toma agora me torna incapaz de encarar Elionor nos olhos outra vez, sempre que a lua cheia se aproxima eu solicito uma nova missão. A cidade que estava era domínio das fadas, negociamos o intercâmbio de algumas poções, nada fora do normal do que estava acostumado a fazer. Estava com tudo planejado para voltar quando a garota apareceu em frente ao hotel. O pentagrama com o sangue escurecido, os olhos brancos.. uma alma aprisionada e em tortura, assim que me viu a pobre garota falava em looping “Venha me encontrar Henry Way, venha me encontrar Henry Way…” Não poderia deixar uma vida tão jovem ser interrompida porque, aparentemente uma bruxa negra queria me ver, mas, não haviam bruxas naquela região, baixei tanto minha guarda que fui incapaz de notar que estava sendo seguido? Estava colocando todas as minhas habilidades em cheque quando a segunda garota chegou, falando a mesma frase. Chamei por Victoria, a fada que havia negociado a pouco, nenhuma das duas garotas era do seu clã, mas eram humanos que viviam na cidade e não iria incitar qualquer tipo de desavença entre eles, os tratados de cooperação mútua funcionava muito bem ali e Victoria era capaz de desfazer a magia negra. Até o fim da tarde apareceram sete jovens com a mesma marca e falando a mesma frase. Mesmo que fosse uma maldição poderosa, a bruxa que a fez não era, Victoria facilmente desfez com sua magia de luz “Henry, temo que os tratados sejam quebrados se não encontrar essa bruxa, não sinto magia negra nas nossas terras, talvez ela tenha sido esperta o bastante para ficar fora das fronteiras” “Não se preocupe Vic, eu vou cuidar disso. Mando uma mensagem assim que tiver acabado isso, não se preocupe” “Tenha cuidado Henry” Acenei com a cabeça e segui para as fronteiras de carro, seria mais rápido se fosse assim e cobriria uma área maior. Havia passado por ali a poucos dias e não recordo dessa cabana.. a menos que.. exalo o ar e não sinto o cheiro de magia, apenas sangue. Parei o carro e caminhei até a cabana, vendo o contorno em sangue brilhar em vermelho vivo e quanto o atravessava 'Uma Way? Só pode ser brincadeira' Abri a porta e senti que conhecia a garota, seu rosto era familiar e isso estava me incomodando. “O que quer de mim, bruxa?” Minha voz está carregada de raiva, uma garota tão jovem brincando com magia negra nunca terminava bem Aquele sorriso que surge em seus lábios é diabólico enquanto ela fala “Olá.. papai” Eu? Pai dessa garota?! Impossível! Fiquei perdido em meus pensamentos e isso foi o suficiente para ser envolto em correntes, não sentia a minha magia fluir, objetos amaldiçoados.. essa garota estava jogando pesado demais pra idade dela e ela continuou "É apenas uma precaução, você é mais útil vivo do que morto.. ainda" sério mesmo que ela pensa que vai me matar? "Blair Saint Clair, filha de Emilly Saint Clair, bruxa.." Porra! Sim, agora eu lembro onde já vi esse rosto, ela tem os olhos da mãe dela "Da matilha da Aurora" Eu falo "Então, você nunca soube sobre mim?" Ela pergunta e eu não escondo que nunca tive intenções com a mãe dela, ela é bonita mas não é o tipo de mulher pra assumir uma relação "Não me entenda mal, sua mãe é muito bonita.. mas assim que parti da matilha, casei com minha esposa e no outro mês ela já estava grávida" "Correções.. sua falecida esposa.. e mamãe era realmente linda. Ela morreu a sete meses" meu rosto se escureceu com sua prepotência "Nunca fiz parte de um clã, nunca fiz a cerimônia de ascensão, mas eu sou uma necromante" Não! Isso era um pesadelo! Não pode ser verdade. A última necromante da família Way foi minha irmã, Helleonor. Ela encontrou um dos diários antigos dos nossos tataravós, uma maldição, a rosa negra e se essa garota souber e tiver intenção de fazer essa maldição, Elionor corre perigo, eu não me importo com a vida de uma bastarda, mas ela não vai fazer nenhum mal a Elionor. "A Deusa só pode estar querendo me foder!" Olhei as mãos da garota, pra ser sincero estava pouco me fodendo pro que ela estava falando, eu estava pensando numa maneira de sair dessa o mais rápido possível, voltei a mim quando as correntes subiram até meu pescoço "eu vou te matar. Mas primeiro.." Foram as últimas palavras que ouvi antes de desmaiar e cair num pesadelo. Nele eu estava no mausoléu da família, vendo Blair criar a rosa negra, Elionor inconsciente sendo marcada, eu tentava falar e me mexer mas não conseguia, Blair olhou pra mim e riu "Eu disse que ia te matar papai" Abri os olhos respirando pesadamente, estava deitado na mesma posição do pesadelo "Blair?" O som da lâmina da sua faca passando pela mesa de pedra me indicam a direção onde ela está, viro meu rosto em sua direção "Teve bons sonhos? Eu tomei algumas liberdades por aqui" Ela mostrou meu celular, senti meu coração acelerado "Avisei Victória que você já tinha resolvido o problema, vamos voltar para New Memphis, mas vamos de carro.. pense nisso como férias com a sua filha" "Eu temo que não vai acontecer" Falei encarando aqueles olhos negros como a escuridão da sua alma "Vai sim, você vai amarrado, amordaçado, dopado ou desmaiado eu não me importo..." Ela se levantou e pegou a fina lâmina de babosa, colocou em seu rosto que aos poucos foi assumindo o formato do meu rosto e por fim do meu corpo "como eu disse, você vivo é mais útil que morto, preciso de células vivas e saudáveis pra me passar por você, é óbvio que você sabe disso Ela ergueu o cabo da adaga e acertou minha cabeça, me fazendo voltar ao meu pesadelo.Bradley Apesar das milhares de matilhas pelo território dos Estados Unidos terem um regulamento próprio e individual, a maioria mantinha os padrões de leis, regras e tradições antigas. O trajeto de retorno até a casa da matilha foi tão humilhante quanto qualquer lobo pego roubando ou matando um dos seus deveria realizar, para enfrentar o júri e a sua sentença, mas eu estava numa matilha onde não era o alfa, era um mero convidado.. a minha morte era inevitável e para ser sincero, eu entrei nessa sem ter nada a perder, reivindicar Elionor parecia certo e sem obstáculos, mas não foi assim que aconteceu. De todos os cenários que eu havia pensado que poderia dar errado, havia um plano de contingência com os caras que vieram da matilha da Aurora e até mesmo deles havia vindo o meu golpe. Colin era meu melhor amigo, eu cogitava fazer dele meu beta, mas a Deusa tinha mesmo que fazer a sua companheira ser dessa matilha? Luke era o alfa destinado, era o companheiro de Elionor e isso me fazi
LukeEu não queria sair de perto dela, mas eu precisava voltar a minha forma humana e colocar roupas. Mesmo que a cidade de New Memphis fosse repleta de espécies, a nudez pode não ser bem vista, ainda mais na frente de duas adolescentes que esperavam dentro da picape. Arthur carregava Elionor nos braços enquanto eu colocava uma calça de moletom e uma camiseta, assim que entrei na caminhonete a ruivinha olhou pra mim e tentou sorrir"Eu pedi pro Thomas pegar uma roupa sua na casa da matilha, achei que ia precisar""Obrigada, eu só.. valeu mesmo"Arthur que arrumava o espelho retrovisor olhou para mim através dele "Já te consideramos um de nós, é bom se acostumar"Boris choramingava em minha mente, travei a mandíbula "Eu não sinto ela como antes, só preciso saber se está tudo bem com ela"A menina que havia me dado a poção estendeu a mão em cima de Elionor e falou algumas palavras antes de dar um sorriso"Ela está bem e a loba dela está lutando para sair, mas a magia negra é poderosa..
Felicity Uma bruxa elemental de água é guiada por suas emoções e acredite, eu não estava conseguindo controlar a minha raiva, não era do tipo que perguntava antes e matava depois, o simples fato da minha sobrinha estar em perigo era motivo suficiente para fazer o mundo ferver se isso fosse para manter a sua segurança. O garoto saiu na minha frente e isso já me deixou irritada o suficiente, pouquíssima coisa no mundo é capaz de me surpreender, e seja lá o que foi que aconteceu nesse lugar cheirava a sangue, morte e sexo e a ordem dessas coisas e em quem aconteceu é que me preocupava. Elionor estava em segurança com o lobisomem, mas aqueles dois iriam pagar por seus crimes, minha magia atingiu os dois com força, mas sentia que algo estava errado, Arthur tocou em meu braço e vi o estado de Elionor.. eu sabia exatamente o que isso significava, elas estavam ligadas por magia negra "Só pode ser sacanagem.. preciso que chame a Eliz e a Clary" precisava pensar com clareza e ser mais racion
LukeA água batia em meu rosto enquanto descia pela correnteza, Boris estava lutando por nós, precisávamos chegar até ela. Mesmo que ela não soubesse quem eu era, eu sabia e era tudo que importava, ela era meu presente, enviado pela própria Deusa e não iria me perdoar se ela se machucasse. O meu ferimento era profundo, perdia muito sangue e permanecer na água não me ajudava.Senti os braços de alguém me envolvendo, mas a pessoa não era muito forte, conseguindo puxar-me até a margem, subi um pouco mais tirando o meu tronco da água e encarei a garota ruiva do meu lado ofegante, ela tinha cheiro de bruxa, tentei me levantar mas caí enfraquecido, eu precisava sair dali o quanto antes"Eu preciso ir.. Elionor..""Eu não sou a Eli, sou a Kath, tia dela.. tia mais nova mas sou.. ai caramba" a garota olhou horrorizada no meu abdômem aberto "eu vou chamar ajuda""Preciso encontrar Elionor.. ela corre perigo.. eu sou seu companheiro"A garota começou a andar de um lado para o outro resmungando
Elionor Podia ver a chaminé da cabana de onde estávamos, a fumaça indicava que papai já nos esperava e pela deusa como eu queria um chocolate quente.. mas o barulho de um galho quebrando deixou minha mãe em alerta, ela me olhou e levou os dedos ao lábio, pedindo meu silêncio. O medo anestesiou meu corpo quando um grande lobo negro surgiu em nossa frente, seus dentes enormes a mostra, instintivamente mamãe se colocou a minha frente "Bárbara, sua filha cresceu.. " a voz do lobo saia entre rosnados "diferente da minha, que vocês.. " o lobo avançou, cheirando minha nuca, nunca antes tinha sentido falta da magia, mas agora.. eu fazia minha prece para a Deusa nos ajudar "sabe quantos anos eu tenho caçado vocês? esperando a hora perfeita.." O lobo era rápido e forte, suas garras em meu pescoço apertavam enquanto me prensava contra a árvore, uma mordida em meu ombro me fez gritar de dor, mas a fera deu um grunhido me soltando. Com a dor e o medo havia fechado os olhos, mas sentia algo acon
FelicityVoltei para a mansão depois de deixar Elionor no escritório do Henry, precisava deixar as outras peças de roupa no seu quarto, seriam úteis quando ela se mudasse daqui e iria garantir que ela sempre tivesse tudo do mais alto padrão mesmo que do outro lado do país. Estava em seu quarto quando Arthur me encontrou"Alguém já está com saudades da sobrinha..""Cala a boca, eu só quero garantir o conforto dela, nada de mais" disse revirando os olhos"Pode mentir pro mundo e colocar essa pose de nada me afeta minha Lady, mas eu sei quando está mentindo"Arthur era filho de Edward, meu primo, minha perdição de apenas vinte e dois anos e uma cara de cafajeste que na maioria do tempo eu tinha dúvida, se queria socar aquela boca ou sentar na sua cara"Você não tinha audiência hoje?" Perguntei evitando me aprofundar no assunto, se existia algo no mundo que me deixava desconfortável era falar sobre sentimentos, ele me conhecia bem e não iria insistir no assunto"Tinha, a defesa pediu adia







