FAZER LOGINO ferreiro pegou uma barra de ferro apoiada na bancada e a lançou dentro da fornalha com um movimento acostumado. As brasas reagiram imediatamente, cuspindo pequenas faíscas alaranjadas. “Há muito tempo Verisure deixou de ter comida decente”, respondeu enquanto ajustava o fogo com uma haste metálica. “Então começamos a plantar o que dava.” Deu de ombros. “Raízes, fungos, qualquer coi
A neve continuava caindo sobre todos nós, acumulando uma camada branca nos ombros dos guardas, nos cabelos de Madalena e no casaco escuro de Romeo. Mas Ravok era o único completamente encharcado. A água do lago ainda escorria lentamente das mangas e da barra da roupa dele, pingando na neve. As pontas do casaco e da calça estavam rígidas pelo frio, começando a congelar outra vez com o vento cortante do lado de fora, e pequenas placas de gelo se formavam no tecido escuro conforme a temperatura despencava.Foi então que a realidade finalmente atravessou minha mente em meio ao frio: ele tinha pulado naquela água atrás de mim.“Eu estou com… frio…” mal consegui dizer. Minha mandíbula tremia tanto que as palavras saíram quebradas, arrastadas pela dificuldade d
Mas a lembrança mudou rápido demais. Os olhos vermelhos surgiram na minha mente junto da tensão no maxilar dele, do medo estranho atravessando sua expressão, da forma brusca como se afastou de mim. Depois veio a água escura do lago, o frio esmagando meus pulmões, e senti meu peito apertar como se estivesse afundando outra vez.Minha respiração vacilou.Zira percebeu imediatamente.“Você quer voltar”, ela disse com suavidade.Olhei para ela sem conseguir responder imediatamente, porque uma parte de mim realmente queria ficar. Ali não existia medo, nem guerra, nem aquela sensação sufocante de estar sempre deslocada, pequena ou inadequada demais para sobreviver naquele mundo de criaturas antigas e monstros poderosos. Pela primeira vez, eu não me sentia uma humana frágil ten
Meu peito apertou.“Escondi minha magia. Enterrei tudo o que eu era para viver entre eles.” Ela ergueu lentamente os olhos lilases para mim. Eu não conseguia me mover. “E por algum tempo… fui feliz. Nos casamos. Tivemos uma filha.” A voz falhou quase imperceptivelmente. “Você, Mely.”Meu coração bateu forte contra as costelas.“Mãe…” A palavra saiu sem que eu percebesse.Os olhos dela se encheram d’água imediatamente. “Mas o alfa começou a desconfiar de mim.” Ela desviou o olhar por um instante, como se estivesse vendo outra época refletida na água da caverna. “Eu curava rápido demais. Sabia coisas antes de acontecerem
POV MelanyA primeira coisa que senti foi o vento.Não frio. Não quente. Apenas leve, deslizando pela minha pele como uma respiração calma. Quando abri os olhos, encontrei um céu absurdamente claro acima de mim, tão limpo que parecia não ter fim. O cheiro de flores invadia o ar em ondas suaves, misturado ao perfume doce da grama aquecida pelo sol.Demorei alguns segundos para perceber que estava deitada.E mais alguns para perceber que não reconhecia aquele lugar.Me sentei devagar entre as flores altas, sentindo as pétalas roçarem nos meus braços nus. O campo se estendia até onde minha visão alcançava, tomado por tons dourados,
Melany afundava devagar. Os cabelos ruivos flutuavam ao redor do rosto pálido numa nuvem desordenada, presos em correntes suaves da água escura. Os olhos estavam fechados. O corpo, imóvel demais.Meu peito apertou violentamente.Alcancei primeiro o braço dela, e a pele estava gelada. Segurei com força e puxei o corpo dela contra mim, tentando ignorar o peso das roupas encharcadas. O casaco tinha se transformado numa âncora, arrastando nós dois para baixo enquanto eu forçava as pernas contra a água para subir.O ar começou a faltar rápido. Meus pulmões queimavam enquanto eu procurava a abertura no gelo acima de nós, mas a superfície parecia distante demais através da água turva e da luz irregular atravessand
O relógio escapou da minha mão e bateu no chão de mármore, e essa foi a última coisa que processei antes do nome de Melany estilhaçar o que restava do meu controle.Não houve pensamento. Não houve ordem. Meu corpo simplesmente reagiu.Atravessei o salão depressa, praticamente empurrando duas pessoas que tentaram sair do caminho tarde demais. O som das minhas botas ecoava forte no mármore enquanto eu passava pelos guardas da entrada sem diminuir a velocidade.“Ravok, espera! Não entra nessa água sem corda, caralho!” Romeo gritou atrás de mim.Um dos guardas tentou perguntar o que estava acontecendo, mas Romeo cortou antes mesmo da frase terminar. “No la







