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last update Data de publicação: 2026-05-15 10:33:48

ROMAN

O silêncio do meu apartamento durante o atestado era, geralmente, o meu santuário.

Como psicólogo e estudioso do comportamento humano, passei anos decodificando as camadas de falsidade que as pessoas usam como armadura.

O mundo, para mim, se tornou um grande inventário de microexpressões e segundas intenções.

Quanto mais eu entendia os mecanismos da manipulação, mais eu me distanciava. A solidão não era um fardo, era uma escolha higiênica.

Até ela aparecer.

Paloma era o que e
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Comentários (3)
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Rose Hellen Ferreira De Vasconcelos
quero mais capítulos ...
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Isabella Leal Rosa
miss ansiosa pra ver a reação da clarissa e tomara q o Ricardo ame msm a Paloma e lute por isso
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Luciana Ribeiro
Espero que ele dê um jeito nessa Clarisse mesmo, gosto de livro assim que resolve rápido não fica enrolando na história
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Último capítulo

  • DEPOIS DO DIVÓRCIO    105

    Depois, ficamos ali, abraçados, sentindo o suor esfriar e os corações voltarem ao ritmo normal. Ela estava deitada no meu peito, com aquele sorriso pleno de quem finalmente encontrou a paz. — Eu te amo. ela sussurrou, quase dormindo. — Eu te amo mais que a minha vida. respondi, nos cobrindo. A lua de mel não precisava de hotéis de luxo ou viagens longas. Ela estava ali, naquela entrega, no cheiro da vida juntos e na certeza de que, debaixo daquele teto, o ódio nunca mais encontraria morada. Porque eu destruiria antes mesmo de se criar. Tudo aqui era meu, sempre foi e sempre será... Meu! ... O céu sobre o cemitério estava pesado, de um cinza carregado que parecia combinar com o silêncio das lápides. O vento soprava com uma umidade fria, bem diferente do calor habitual, balançando as copas das árvores secas. Ricardo estacionou o carro e desligou o motor, mas não me deixou sair imediatamente. Ele olhou para mim, os olhos cheios de um cuidado que o tempo não tinh

  • DEPOIS DO DIVÓRCIO    104

    .. Os meses voaram entre risos e preparativos. O parto de Cecília foi um evento de cura, no momento em que ela foi colocada no meu peito, a última sombra daquela pista pareceu se dissipar. Ela tinha os olhos do pai e a calma que eu precisava para entender que o ciclo de dor havia acabado. Agora, o espelho refletia uma imagem que eu esperei quase um ano para ver. O vestido branco de renda abraçava minhas curvas de mãe, e o véu caía como uma cascata sobre meus ombros. — Pronta? Maik apareceu na porta. Ele seria meu par até o altar, um gesto de perdão e união que selava a nossa nova família. — Mais do que nunca. A cerimônia foi pequena, no jardim da nossa casa, sob a luz do pôr do sol. Quando as portas se abriram, vi o Ricardo no altar. Ele segurava a Cecília no colo, que usava um vestidinho idêntico ao meu, enquanto o Henry, impecável de suspensórios, guardava as alianças com um orgulho gigante no rosto. Caminhei em direção a eles sentindo que cada passo era uma

  • DEPOIS DO DIVÓRCIO    103

    PALOMA O clima na casa havia mudado. Onde antes morava o medo e o cheiro de hospital, agora reinava o perfume de madeira serrada e tinta fresca. Ricardo levava a sério cada detalhe do ninho de Cecília. Ele estava ali, sem camisa, o suor brilhando sobre os músculos tensos enquanto fixava a última prateleira de nichos brancos na parede lavanda. Cada movimento dele era preciso, o corpo grande e perfeito se curvando sob o esforço, as veias dos braços saltadas. Estava sentada na poltrona de amamentação, as mãos espalmadas sobre a curva agora nítida da minha barriga de seis meses. Cecília deu um chute vigoroso, como se aprovasse a decoração. — Está tão lindo... sussurrei, observando ele, cada movimento do seus músculos das costas larga, o suor que desvia por eles. — Você leva jeito para isso. Ele se virou, limpando a testa com o antebraço, um sorriso de satisfação no rosto ao ver o estado do meu olhar. O olhar dele desceu para o meu ventre e depois subiu para os

  • DEPOIS DO DIVÓRCIO    102

    As semanas seguintes passaram como um borrão de cuidados e silêncios confortáveis. O medo, que antes era uma sombra constante, começou a dar lugar a uma expectativa ansiosa. O dia da ultrassonografia morfológica chegou, finamente poderia sair de casa. O trajeto até a clínica não tinha mais o peso do hospital. Agora.. voltar era mais do que expectativa, era nosso sonho. Ricardo segurava minha mão enquanto esperávamos, o polegar dele acariciando minha pele em um ritmo calmo que me dizia que, independentemente do que acontecesse, estaríamos juntos. Dentro da sala escura, o cheiro de gel era o mesmo, mas a energia era outra. O médico deslizou o transdutor sobre o meu ventre, que agora já ostentava uma pequena e orgulhosa curva. De repente, o som do monitor preencheu o quarto. Aquele som rítmico, o coraçãozinho que sobreviveu, estava mais forte do que nunca. Olhei para a tela e vi os contornos, a coluna, os bracinhos se mexendo, meu Deus.. meu nenezinho. — Tudo parece

  • DEPOIS DO DIVÓRCIO    101

    O inspetor de polícia precisava do meu depoimento final para encerrar o inquérito do atropelamento e da morte da Clarisse. Ricardo tentou impedir, mais uma vez, disse que eu não estava pronta, mas eu insisti. Só queria que tudo aquilo a acabasse. — Eu preciso fechar essa porta, Ricardo. Por mim e por eles. Ele apertou minha mão, um aviso silencioso de que estaria ali. Quando o inspetor entrou no quarto, acompanhado de uma escrivã, o ar pareceu ficar mais denso. Ricardo puxou uma cadeira para ele, mas não se sentou. Ficou de pé ao meu lado, com a mão pousada no meu ombro, como um escudo. — Dona Paloma, eu lamento ter que fazer isso em sua casa e nesse estado. o inspetor começou, abrindo uma pasta de couro. — mas precisamos encerrar o inquérito. O depoimento do seu noivo e das testemunhas na rua são claros, mas preciso da sua versão do momento exato da colisão. Engoli em seco, sentindo a pontada na costela. — Tudo bem. Eu só quero que isso acabe. — A senhora lembr

  • DEPOIS DO DIVÓRCIO    100

    Os dias que se seguiram foram uma mistura de alívio e uma vigilância constante. O Ricardo não saía do meu lado, e cada vez que eu fechava os olhos, sentia a mão dele buscando a minha, como se precisasse conferir se eu ainda era real. Recebi alta sob uma lista interminável de recomendações: repouso absoluto, nada de estresse e monitoramento rigoroso da gravidez. Sair daquele hospital foi como atravessar um portal. O ar da rua parecia diferente, mais pesado e, ao mesmo tempo, mais vivo. Chegar em casa foi um choque. O silêncio das paredes parecia guardar o eco de tudo o que aconteceu antes da pista. Ainda era nossa casa, nossa vida juntos e a nossa família. Ele me carregou no colo até o nosso quarto, me acomodando entre as almofadas como se eu fosse feita de vidro. — Pronto... em casa, finalmente... ele sussurrou, beijando o topo da minha cabeça. — Está confortável assim? — Está... Ele sentou do meu lado pondo meus cabelos atrás da orelha, olhando os ematomas

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