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last update Data de publicação: 2023-03-08 03:15:12

Mel

— Preciso ir ao banheiro — aviso assim que chegamos na metade do corredor.

— Quer que eu te acompanhe? — Abby se oferece, mas quer saber? Acho que está tudo de boa por hoje.

— Não. Eu não vou demorar. — E nos separamos pela primeira vez desde que a megera louca resolveu pegar no meu pé. Parece suicídio, não é? Mas acredito que depois da vergonha que Brenice passou em público ela deva ficar em sua incubadora por alguns dias. Oh droga, eu não podia estar mais enganada! Penso, quando largo a minha bolsa no balcão e ligo a torneira, molhando levemente o meu rosto e assim que abro os olhos, e me encaro no espelho percebo a porta se abrir atrás de mim. Brenice entra no cômodo com as capivaretes logo atrás dela. Uma das garotas fecha a porta e eu me preparo para o ataque. A loira me olha dos pés à cabeça enquanto caminha sem pressa para o lado, dando espaço para as outras me ilharem. A merda toda é que eu não sou boa de briga. Sério, eu nunca precisei brigar com ninguém na vida, mas se precisar arranco algumas mechas de cabelos hoje.

— Pensou que ia se safar do fez comigo, alma penada? — Alma penada? Sério? Nossa, ela é péssima com xingamentos! Atrevida, arqueio as sobrancelhas e dou de ombros.

— Não sei do que você está falando, capiv... Brenice.

— Você estragou um vestido de quinhentos dólares! — Ela range.

Put’s! Você gastou quinhentos dólares naquela porcaria de vestido! — Ah, qual é? Eu não me segurei e parece que ela não gostou muito, pois logo veio para cima de mim, e como arma usei os meus livros e joguei na cara da maluca. As meninas também avançaram, mas para a minha salvação os meus amigos invadiram o banheiro feminino e Dani bradou erguendo o bendito celular.

— Tem certeza de que querem fazer isso? Eu terei todo prazer de filmar cada cena e depois mostro para o conselho da faculdade o quão a filha do diretor é exemplar. — As meninas param no ato e encaram o meu pessoal. Oh Deus, eles são os meus heróis! — Tenho certeza de que isso não será nada bom para a carreira do seu pai aqui em Campbell e no mínimo você seria expulsa. — Ele conclui com a câmera aponta para ela. Brenice bufa irritada, trinca os dentes, fecha as mãos em punho e volta a me fitar apontando um dedo em riste em seguida para mim.

— Isso não vai ficar assim! — Ela ruge e sai empurrando a todos que estão no seu caminho e a capivaretes saem logo atrás dela. Respiro fundo e aliviada. Isso me faz ter a certeza absoluta de que não estarei a salvo até realmente pisar em solo popular e ser contagiada por ele. E eu preciso fazer isso o mais rápido possível.

— Você está bem? — Faço um sim com a cabeça e as meninas começa a me ajudar a juntar os meus materiais que estão espalhados pelo chão. No horário do almoço começo a fazer uma seleção de partidos que me ajudarão a me tornar tão popular quando a capivara enraivecida.

— Que tal o Ethan? — Kell sugere. — Ele até que é bem bonitinho e é o mais chegado ao príncipe de gelo do Aiden.

— Ah, não! Ele é muito atirado — resmungo desgostosa.

— E que tal o Kevin? Ele é bem mais velho do que você e pode te proteger. — Abby fala olhando o marmanjo da cabeça aos pés. — Olha aqueles músculos, menina, dá vontade de apertar!

— Ei, eu estou bem aqui, sabia?! — Stan protesta e isso faz todo mundo olhar para os dois.

— O que foi isso? — Dani questiona curioso e acredite, aqui todos estamos bem curiosos com essa cobrança repentina. No entanto, a nossa amiga abre um sorriso largo e envolve o pescoço do moreno de pele clara e de cabelos ondulados que chega à altura do seu pescoço.

— Lembra daquela parada com o racha? — Fazemos sim com a cabeça. — Estávamos tão eufóricos no final de tudo, que rimos feito dois malucos e quando vimos, já estávamos nos beijando e nos agarrando. Foi um Deus nos acuda!

— Ora, seus danadinhos, vocês estão namorando e não disseram nada?! — Kell ralha e em meio as risadas parabenizamos o primeiro casal da nossa tropa. Sobre a minha passagem para a fronteira dos badalados, isso ficou para depois, mas preciso resolver isso antes que a Brenice dê um jeito de dar cabo da minha pobre vida acadêmica.

No final da tarde eu já estava de banho tomado, o meu jantar já estava pronto e eu estava completamente sem ter o que fazer. Meter a cara nos livros não era uma opção e eu não tenho uma amiga de quarto para jogar conversa fora, também não tenho uma TV para me distrair. Que saco, hein? Preciso ver isso com os meus pais. Enfim, estou no tédio. Acho que me acostumei com toda essa adrenalina de cada dia, mas agora só me resta me jogar no sofá e ler um bom livro. Um sorriso enorme se acre nos meus lábios quando alguém b**e a minha porta e claro, o pessoal deve estar na mesma vibe que a minha. Contudo, hoje é segunda e devemos respeitar a regras, certo?

— Qual é, gente, hoje não vai rolar... — digo assim que abro a porta para eles, mas não é eles quem está no corredor dos dormitórios e o meu sorriso perde toda a sua frequência. — Aiden?! O que você faz aqui?!

— Eu preciso conversar com você. Será que eu posso entrar?

— Não!

— Eu prometo que serei rápido! — Eu mal pude rebater e ele imediatamente invadiu o meu pequeno espaço. Bufei, respirei fundo, cruzei os braços e revirei os olhos, e sem ter muito o que faze aceitei a sua presença e fechei a porta.

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  • O Acordo   Epílogo

    Sete anos depois... — Vai, filhão! Vai, filhão! Diferente do que presumiu, Aiden se tornou um paizão. E acredite, ele não perdeu uma só madrugada e parecia nunca se cansar disso. Perdi as contas de quantas vezes saí da minha cama pela madrugada e o encontrei sentado na cadeira de amamentação dando mamadeira para o nosso filho, enquanto contava-lhe vantagens sobre as suas aventuras como piloto de corrida, ou sobre os troféus que ganhara praticando o seu hobby preferido no mundo. Algumas vezes me peguei rindo ao vê-lo dormindo na cadeira com Jasper adormecido e aconchegado no seu tronco. Desde então, eles se tornaram amigos inseparáveis e eu mal tive trabalho de levá-lo para a escola, ou para o aniversário de um coleguinha. Como veem, Aiden se tornou mais do que um pai, ele também era o seu companheiro. — Joguei, papai! — Desperto quando o nosso filho grita animado, jogando a bola na sua direção. Eu penso que os traumas simplesmente não existem mais, que Aiden os superou de uma vez a

  • O Acordo   70

    AidenAlguns meses depois...— A defesa chama Lisa Carter.Atuar como autoridade e decidir a vida das pessoas como advogado tornou-se o meu legado. Portanto decidi que a minha carreira não pode girar em volta do dinheiro, até porque isso é o que não me falta no momento. Portanto, uma vez por semana ajudo famílias com problemas jurídicos que não podem pagar um bom advogado. Chamamos isso de pró-bônus e acredite é a parte que mais me satisfaz. O julgamento acontece dentro de mim, depois me permito a observar os comportamentos, o que eles falam entre si, mesmo que eu não consiga escutá-los. É um conjunto de esquemas que pode me guiar para a vitória certa.— Eu protesto, meritíssimo! — rosno mantendo a voz firme e autoritária, mas com o timbre certo.— Mantido! — O juiz determina com um bater de martelo e eu sinto a satisfação percorrer as minhas veias.Caso vencido! Penso quando propositalmente me dirijo para a corte do júri e faço o relato de uma vida sofrida e carregada de tragédias.—

  • O Acordo   69

    AidenComo é possível que o dia mais feliz da minha vida tenha se tornado o dia mais aterrorizante também? Eu tive todos os cuidados para isso nunca acontecer, mas ele está acontecendo e não tem nada que eu posso fazer. Lembrar da história que Eve me contou há alguns meses só piora a minha situação. Eu sei que não é a mesma coisa e sei que posso tentar derrubar mais essa barreira, mas o meu corpo inteiro se nega a voltar para aquele quarto e a aceitar as consequências dos meus atos. O mais surpreendente é que eu não consigo voltar ao meu passado para me lembrar o porquê de dizer não para essa gravidez. Simplesmente não ouço os mais meus gritos, não vejo a sua mão se erguendo impiedosa para me bater. Não consigo sentir aqueles dias tenebrosos. O que houve, eles se apagaram? Simplesmente ficaram esquecidos sabe Deus aonde ao longo desses meses? E se me esqueci dos piores momento da minha vida, por que estou fugindo da minha felicidade então? Respiro fundo, transtornado com toda essa con

  • O Acordo   68

    Mel— Como você está, querida? — Mamãe pergunta assim que papai me ajuda a sair de dentro do carro. Ela mexe na saia do vestido tentando ajeitá-la da melhor forma possível e antes de lhe responder, solto um suspiro alto pela boca.— Nervosa. — Resolvo ser sincera, até porque imagino que isso esteja bem a vista no meu semblante tenso. O seu sorriso se projeta bem na minha frente e eu consigo retribui-lo.— Eu me preocuparia se não estivesse. Faça o seguinte, querida. Não olhe para as pessoas, só olhe para o homem da sua vida que estará te esperando em pé naquele altar e tudo ficará mais fácil.— Ouça a sua mãe, Mel. Ela tem experiência. — Papai pede.— Tá! — É tudo que consigo dizer.— Você está tão linda, filhota! — Ela praticamente canta chorosa.— Está pronta, Senhorita Jones? — A promotora de eventos pergunta e eu faço um sim para ela. — Ótimo, houve uma mudança de última hora, mas de resto...— Mudança? Qual mudança — questiono preocupada.— O noivo não está no altar.— Como assim

  • O Acordo   67

    MelMeses depois...— Onde está o vestido?— Espera, ainda não terminei a maquiagem!— Peguem o buquê! Peguem o buquê!Não consigo parar de olhar para todas as minhas amigas agitadas, correndo como malucas de um lado para o outro pelo imenso quarto, tentando me ajudar com os detalhes do casamento. Contudo estou nervosa e ansiosa também, talvez um tanto agitada como elas. Não faço ideia de onde Aiden e o papai estão agora e me pergunto por que os homens sempre perdem o melhor da festa.— Deixe-me vê-la? — Brenice pede, avaliando cuidadosamente a maquiagem no meu rosto, mas é o seu sorriso extravagante que me diz que tudo está... — Perfeito! — Os seus olhos chegam a brilhar.— Eu te disse, eu sou profissional, garota! — Abby ralha feito uma garotinha mimada me fazendo rir. — Agora pode se olhar, amiga. — Ela gira a cadeira de frente para o espelho e... Deus do céu!— Está tudo muito... lindo, Abby! — sibilo completamente extasiada.— Eu disse que transformaria uma princesa em uma rainha

  • O Acordo   66

    AidenNa formatura...Respiro fundo algumas vezes para tentar aplacar o nervosismo que me afoga a cada segundo que a hora se aproxima. Eu devia ter escolhido um momento menos agitado e menos povoado também. Que droga! E se as palavras não saírem da minha boca? E se ela não estiver preparada para dizer um sim? Acho que vou desistir! Penso e me afasto da janela encontrando o Senhor Jones em pé na porta do quarto de hóspedes.— Nervoso? — Faço um sim com a cabeça.— Ainda acho melhor um jantar entre nós — resmungo covardemente ajeitando a gravata no meu pescoço. Samuel se afasta do espaldar da porta e para bem na minha frente. Ele afasta as minhas mãos da gravata e se dispõe a arrumá-la.— Esse é o momento perfeito, Aiden. Não sei se percebeu, mas as mulheres têm uma ideia diferente de romantismo. Elas acreditam no príncipe em cima de um cavalo branco, trazendo flores e bombons, na exposição ao público e com certeza uma declaração de amor assim faz os seus corações baterem mais forte. E

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