Mag-log inÍris soltou a camisa dele. — O que você precisa me dizer? Darian afastou a mão de sua cintura, embora permanecesse perto. — Que eu quero você. Mas não quero passar a noite aqui hoje. A surpresa trouxe um calor desagradável ao rosto dela. Não chegara a convidá-lo. Ainda assim, havia imaginado. — Porque eu ainda não decidi o que vai acontecer entre nós? Ele demorou um instante. — Porque eu também fiquei abalado com tudo isso. Consigo beijar você e sentir vontade de continuar. Só que, depois, vou precisar lidar com o que essa noite significou para mim. Íris apoiou a mão na borda da pia. Uma parte dela quis lembrá-lo de que fora ele quem estragara a visita. Conteve a resposta antes de transformá-la numa cobrança. A mágoa não lhe dava direito a um sim. — Você acha que eu usaria você? Darian franziu a testa. — Não. Acho que nós dois podemos querer uma coisa e ainda não estar prontos para vivê-la da mesma forma. Ela desviou os olhos. Tinha pedido liberdade para hesitar. Era m
— Ele tentou obrigar você? — perguntou Íris. Soren permaneceu diante dela, atento. Queria que eu recuasse. Que aceitasse a decisão dele e ficasse em silêncio. Íris retirou a mão de seu pelo. Lembrava-se do salão, dos rostos voltados para ela, da humilhação de continuar em pé enquanto Darian encerrava qualquer possibilidade antes mesmo de conhecê-la. Havia ouvido a rejeição. O que acontecera dentro dele permanecera escondido. Reconhecemos você juntos, continuou Soren. Mas reconhecer não era conhecer. Eu ainda não sabia quem você era. A distinção fez Íris erguer os olhos. — Então por que não aceitou? Porque ele estava me exigindo uma coisa que eu não queria. E você estava ali, ouvindo uma decisão da qual não tinha participado. Soren baixou a cabeça por um instante. Eu quis chegar até você. Darian tentou me conter. Eu disse não. O primeiro não. A voz que atravessara o salão. Íris sentiu um arrepio nos braços. — E foi isso que separou vocês? Foi o que aconteceu antes de e
A resposta de Darian demorou o suficiente para Íris começar a se arrepender da forma como escrevera. Quando o telefone vibrou, ela ainda estava à bancada. Você quer conversar por chamada? Acho que posso entender errado por mensagem. Íris aceitou. Ele atendeu de dentro do alojamento, com a bolsa de viagem aberta sobre a cama. Acabara de voltar. — Não estou pedindo que você pare de sentir alguma coisa — começou ela. Darian se sentou. — Mas quer descobrir se podemos deixar de sentir. Íris hesitou. Ouvir aquilo em voz alta tornava a proposta mais dolorosa. — Quero saber o que esse vínculo faz conosco. Até onde vai. Sempre que tento entender o que sinto, existe uma parte que ninguém consegue explicar. Ele passou os dedos pelo cabelo. — Eu não sei como desfazê-lo. — Eu também não. — Posso ajudar a procurar informações. Mas preciso lhe dizer uma coisa antes. Íris esperou. Darian olhou para ela pela tela. — Acredito que amo você. Ouvir que talvez seja alguma coisa me obrigand
Darian não respondeu imediatamente. No corredor, uma porta se abriu. Duas pessoas passaram conversando, e ele esperou que se afastassem antes de voltar a falar. — Eu quero uma vida com você. Íris sentiu os dedos apertarem o apoio. — Eu perguntei se isso não acontecer. — Eu sei. Estou tentando responder sem prometer uma coisa que talvez não consiga cumprir. Amélia voltou com a água. Íris recebeu o copo e explicou que caminharia um pouco com ele. — Vou esperar perto da saída — disse a conselheira. Do lado de fora, havia um caminho curto junto ao jardim. Escolheram a parte sombreada, onde o piso era regular. Darian acompanhou o ritmo dela, mantendo as mãos nos bolsos. — Eu gostaria de continuar fazendo parte da sua vida — disse ele. — Mas não sei se conseguiria ser seu amigo enquanto esperasse outra coisa. A sinceridade produziu uma pequena dor. Íris olhou para a frente. — Então você iria embora? — Talvez precisasse de distância. Como você precisou agora. Ela
— Eu sei que ele fez essa promessa — respondeu Íris. Celina assentiu. — Sei que sabe. Mas, quando tudo for apresentado, vai parecer que eu apenas aceitei um acordo decidido pelo meu pai. Do lado de fora, alguém passou empurrando um carrinho. As rodas trepidaram nas pedras, preenchendo o silêncio da oficina. — E não foi assim? — perguntou Íris. — Meu pai queria a aliança. Eu queria Darian. As duas coisas me serviam. Íris puxou uma cadeira para se sentar. A perna já começava a reclamar do tempo em pé. Celina permaneceu perto da porta. — Eu estava com medo de perder o casamento — continuou. — Pedi uma garantia. Ele deu. Depois, quando você apareceu, eu me agarrei àquilo como se uma promessa me desse algum direito sobre o que fariam com você. — Isso não explica o livro. — Não. O livro foi uma escolha minha. A resposta veio sem hesitação. Íris a observou com mais atenção. Durante muito tempo, Celina parecera encontrar uma maneira de colocar outra pessoa entre ela e as próprias
O dourado nos olhos dele fez Íris se inclinar para a tela. Por um instante, quase estendeu a mão. O gesto morreu junto à borda da mesa. Não havia pelo sob seus dedos, nem um focinho se acomodando em seu colo. Soren estava longe, no mesmo corpo do homem de quem ela precisava se afastar. — Eu não queria machucar você — murmurou. Darian permaneceu em silêncio. A mandíbula se contraiu antes que ele soltasse o ar. — Ele sabe. Íris apertou os lábios. Era difícil sustentar aquela decisão diante dos olhos que a haviam procurado quando todos esperavam que baixasse a cabeça. — Não estou deixando de amar nenhum dos dois. Darian desviou o rosto. Quando voltou a encará-la, o dourado começava a desaparecer. — Você não precisa dizer mais nada para tornar isso menos difícil para nós. A delicadeza da resposta a atingiu justamente onde ainda doía. Havia coisas que ele sabia fazer tão bem. Ouvi-la. Perceber quando estava cansada. Ficar ao seu lado sem exigir conversa. Por isso, o que acontec







