MasukPOV Alana Treze invernos haviam amaciado as arestas das pedras sem enfraquecer o ferro que as sustentava. A estrada pavimentada que cortava a Garganta do Diabo agora ligava o Vale Sangrento à Cidadela de Aethelgard em menos de quatro horas de viagem por viaturas rápidas de tração integral. A energia limpa captada nas usinas geotérmicas da serra descia em cabos blindados até as aldeias baixas, alimentando oficinas automatizadas, escolas de instrução mista e dispensários médicos modernos que faziam daquele território o enclave mais próspero e seguro de todo o continente. O império prosperara não pelo terror, mas pelo equilíbrio irrevogável entre a força do chão e a inteligência da lei. Eu estava sentada na varanda leste do casarão principal, observando a névoa matinal se dissipar sobre a floresta de pinheiros centenários. Aos trinta e nove anos, o reflexo nos vidros blindados mostrava uma mulher no ápice de seu vigor físico e soberania: os cabelos castanhos longos, com sutis fios pr
(POV Alana) O degelo avançava pelas encostas baixas, transformando as bordas da estrada de cascalho em filetes de água cristalina que desciam cantando entre os pinheiros centenários. A coluna de blindados do Vale Sangrento já não cuspia a fumaça violenta de combate; os motores roncavam em um compasso cadenciado e firme, conduzindo para o sul os homens que haviam marchado para a guerra e agora voltavam com a vitória selada no ferro. Eu viajava na cabine do veículo principal, com Lian aninhado no meu colo sobre uma manta de lã escura. O menino brincava com um pingente de prata polida — o brasão unificado da flor silvestre de marfim enlaçada pelas presas do lobo — que Rowan havia pendurado em seu pescoço antes de nos despedirmos nos portões de Aethelgard. Ao meu lado, Hunter mantinha uma das mãos pousada sobre o volante da viatura pesada e a outra firmemente entrelaçada aos meus dedos. A aliança de ouro branco com ranhuras de aço escuro brilhava sob a claridade límpida do início da t
(POV Hunter) A neve primaveril caía sobre os contrafortes de Aethelgard com a brandura de pétalas de cerejeira, muito diferente das tempestades cortantes que nos receberam quando os canhões do Vale Sangrento abriram a fenda de Karr. As pontes de alabastro estavam reconstruídas; as colunas de mármore, antes estilhaçadas por aríetes rebeldes, exibiam agora reforços invisíveis de vigas de aço usinado nas forjas da montanha baixa. Eu estava parado no parapeito sul da torre de vigia, observando o pátio inferior. Lá embaixo, duzentos soldados em treinamento dividiam o terreno em perfeita harmonia marcial: guerreiros de Aethelgard, ágeis com suas espadas de duas mãos e escudos finos de liga prateada, aprendiam manobras de cobertura tática e manuseio de fuzis automáticos com os veteranos da minha guarda de ferro. O som seco de coronhas batendo contra placas balísticas e as ordens curtas de Tomas em seu dialeto áspero de fronteira mostravam que a fusão dos dois mundos já não era uma promes
"Algum tempo depois..." (POV Alana) Três semanas se passaram desde a coroação sob a abóboda de cristal. O cheiro de fumaça acre e cinzas que sufocava a Cidadela de Gelo havia desaparecido por completo, substituído pelo odor limpo de cal viva, madeira serrada e óleo de máquina. Nas galerias baixas de Aethelgard, o som de martelos contra bigornas misturava-se ao zumbido contínuo dos geradores portáteis a diesel que as equipes de logística da Collins Corp haviam instalado para restabelecer a energia nas alas residenciais. Eu estava de pé diante da imensa mesa de mogno do gabinete real — o antigo refúgio de Elena —, onde pilhas de pergaminhos amarelados com selos de cera dividiam espaço com três monitores portáteis e o meu tablet corporativo. Vestia uma calça de montaria preta de corte reto, botas de couro escuro forradas de lã e um suéter cinza-chumbo de gola alta, com as mangas arregaçadas até os antebraços. O diadema de platina e ferro repousava em um pedestal de veludo ao lado da
(POV Alana) Setenta degraus de cristal de rocha e calcário puro erguiam-se até o topo do Salão das Auroras. A luz crepuscular do Norte atravessava os vitrais translúcidos da abóboda de Aethelgard, desenhando prismas esmeralda e violeta sobre o chão polido que, por semanas a fio, estivera manchado pelas cinzas do cerco rebelde. Agora, limpo pelas guarnições e perfumado pela resina de pinho trazida em caixas térmicas das florestas do Vale, o palácio recuperava o seu esplendor monumental — mas sem a fragilidade de outrora. Ao longo de toda a nave central, duas fileiras compactas de guerreiros ladeavam a subida. De um lado, os cavaleiros remanescentes de Aethelgard, com suas armaduras de prata restauradas pelas forjas portáteis da nossa expedição e com Kaelen e Rowan à frente, portando mantos brancos forrados com a flor de gelo. Do outro lado, a guarda de ferro do Vale Sangrento, vestindo o uniforme tático negro com placas de titânio nos ombros, fuzis em descanso no peito e as mandíbul
(POV Alana) O odor metálico de pólvora e sangue fresco ainda disputava espaço com o aroma ancestral de pinho e gelo puro quando o último suspiro de resistência rebelde silenciou na esplanada. À nossa frente, duzentos veteranos de armadura de prata trincada permaneciam ajoelhados no chão congelado, as cabeças baixas diante da linhagem que retornara das cinzas. Entre eles, meus dois irmãos mantinham os joelhos cravados na neve ensanguentada. O silêncio que se abateu sobre o vale não era de rendição covarde; era a reverência paralisante de um povo que assistia ao mito se materializar diante de seus olhos exaustos. Hunter permaneceu colado ao meu flanco direito. Sua mão esquerda repousava aberta na curva da minha cintura, os dedos pesados e enluvados transmitindo uma firmeza vulcânica através da blindagem leve do meu uniforme. O Alfa Supremo não recolheu a espada longa; a lâmina de prata descansava inclinada ao lado da sua bota tática, gotejando sangue escuro na brancura imaculada do m







