Ponto de Vista de Sable.
O Alfa Darius mandou o Marcus logo atrás do Jake, mas Jake acreditava que estava cumprindo a missão sozinho. No começo, o Darius pensou que o Jake tivesse matado o Marcus, mas precisei intervir e lembrar ao Alfa de que ele mesmo tinha proibido qualquer companhia e dito que o Jake iria sozinho. Então, como ele poderia saber que estava sendo seguido para sua própria proteção?
Quando examinei o corpo do Marcus, encontrei um bilhete da Winter Moon enfiado em um dos bolsos rasgados da calça dele. Dizia: "Ninguém espiona a Winter Moon." Nem preciso dizer que o Darius surtou de novo e reuniu os guerreiros, inclusive eu.
Eu não queria lutar, porque era uma batalha perdida. A Winter Moon era a alcateia mais poderosa do Sul, e isso parecia uma missão suicida. Os guerreiros deles com certeza estariam em maior número, mas não havia o que contestar. Eu não era o Alfa, o Darius era, e eu precisava seguir ordens. Então ali estava eu, nos limites da Winter Moon. Se eu morresse, pelo menos veria meus pais novamente.
Nia, no entanto, estava inquieta. Ela parecia nervosa e inquieta. "O que foi?"
"Não faço ideia. Estou sentindo um nervosismo de antecipação. Não sei bem o que está acontecendo, Sable", ela respondeu.
Geralmente, a Nia era bem quieta e só aparecia quando necessário. Fora isso, era a loba mais tranquila do mundo, então esse comportamento era fora do comum.
— Sable — disse Darius, parando ao meu lado —, tome cuidado e fique na retaguarda. Eu não conseguiria viver bem comigo mesmo se algo acontecesse com você.
Dei um sorriso contido:
— Alfa, eu vou ficar bem, obrigada pela preocupação. Mas isso é uma péssima ideia; só queria deixar isso registrado.
Antes que ele pudesse responder, ouvimos os uivos dos guerreiros da Winter Moon. Eles nos avistaram, não dava mais para voltar atrás. Darius deu a ordem e todos nós avançamos em direção às fronteiras da Winter Moon. Os guerreiros deles já chegaram atacando. Consegui me defender e avancei pelo perímetro, então vi outros guerreiros da Dark Flame me seguindo. Eles estavam tentando fazer uma formação em linha reta, o que era uma ideia terrível, mas foi o que o Darius mandou fazer pela conexão mental da alcateia.
Ele era um Alfa forte, bom para o seu povo e ótimo com a agricultura, mas definitivamente não era um estrategista e não sabia analisar ameaças rapidamente. Assumi o comando pela conexão mental da alcateia — como líder dos guerreiros, eu tinha permissão para fazer isso:
"SAIAM DA FORMAÇÃO EM LINHA! OS GUERREIROS DELES ESTÃO EM MAIOR NÚMERO DE TRÊS PARA UM! COMECEM A SE ESPALHAR!"
Os guerreiros obedeceram, e vi todos se dispersando daquela linha ridícula para começar a cercar grupos menores de guerreiros da Winter Moon. Enquanto isso, a Nia estava enlouquecendo na minha cabeça.
"NIA, QUE PORRA É ESSA?! AGORA NÃO É HORA DE PERDER O CONTROLE!"
"CHEGUE MAIS PERTO DO CENTRO, SABLE! PRECISAMOS CHEGAR MAIS PERTO!"
"Que inferno de loba! De todos os dias para resolver ficar exigente e faladeira, ela escolheu logo hoje, no meio de uma missão suicida!", pensei.
Abri caminho até o centro do campo, onde o bicho estava pegando de verdade entre a Dark Flame e a Winter Moon, e um aroma me atingiu em cheio. Era um cheiro delicioso de bourbon amadeirado com laranja-escura. Tinha notas de carvalho e de frutas cítricas, com um fundo de frutas vermelhas. Eu poderia ficar bêbada só com aquele perfume.
"Que cheiro é esse, Nia?", perguntei.
"COMPANHEIRO!", ela disse, e meus olhos se arregalam.
Porra, é sério isso? O meu companheiro destinado estava lutando contra a minha alcateia agora? Ele era da Winter Moon? Que maravilha. Precisava encontrá-lo e garantir que nada acontecesse com ele também. Perfeito. Missão suicida mesmo.
Vi um enorme lobo preto e a Nia começou a arranhar a minha mente. "É ele! O lobo preto!", disse ela, animada.
Fiquei boquiaberta. Aquele parecia um lobo Alfa. Significava que o Alfa da Winter Moon era o meu companheiro?
"Nia, você tem certeza? Aquele é o Alfa da Winter Moon", comentei, enquanto derrubava mais dois guerreiros. Não estava tentando matar ninguém. Como ele era o meu companheiro, só queria feri-los para que ficassem fora de combate.
"Sim, Sable! Ele tem esse cheiro maravilhoso."
"Tudo bem! Vamos chegar mais perto", disse, avançando na direção dele. Eu não teria criatividade para inventar uma história dessas, ninguém nunca acreditaria que conheci o meu companheiro destinado enquanto lutava contra a alcateia dele.
Ainda estava tentando me aproximar quando ele retornou à forma humana. Ele era lindo, caramba. Eu precisava muito olhar bem para ele, mas ele era alto, moreno, maravilhoso, e o aroma dele me deixava tonta. Estava lutando contra dois dos meus guerreiros e um terceiro estava vindo na direção dele. Meu companheiro desarmou um deles e pegou sua faca, mas o terceiro guerreiro estava prestes a desferir um golpe. Não podia deixar isso acontecer.
Corri com toda a força e velocidade que tinha e saltei para empurrar o guerreiro para longe, no exato momento em que o meu companheiro se virou rapidamente. Fiquei sem fôlego. Tudo parou ao meu redor, pelo menos para mim. Olhei fixamente para os olhos azuis mais intensos que já vi na vida, mas a dor excruciante que senti me forçou a olhar para baixo, para a minha costela; meu companheiro me esfaqueou profundamente com a lâmina de prata.
Senti as minhas forças sumindo e logo soube que eu iria apagar. Antes disso acontecer, olhei de volta para ele. Os olhos dele se arregalaram e percebi que seu lobo me reconheceu como sua companheira. A confirmação veio quando ele sussurrou:
— Companheira.
Dei um sorriso fraco e sussurrei de volta:
— Companheiro.
Então, o meu mundo ficou completamente escuro.