INICIAR SESIÓNEle deu um passo lento em sua direção com a voz grave e rouca, que ressoou em sua espinha numa carícia perigosa.
— Você está bem? Está ferida? — A voz dele era agora mais controlada, e parecia ainda mais rouca e sensual.
— Não... eu... — Ária gaguejou, incapaz de desviar o olhar dos lindos olhos cinzentos.
A atração entre eles era instantânea.
Uma corrente elétrica a fez esquecer de tudo que passara de forma irracional.
Ele deu um passo em direção a ela, e Ária recuou instintivamente.
Seus instintos estavam confusos, gritando em direções opostas.
Metade dela gritava para fugir enquanto a outra, a mandava se aproximar.
Ele parou, vasculhando seu rosto por um momento.
Mas quando ele pareceu prestes a tocá-la, hesitou, com a mão enluvada pairando no ar.
— Da próxima vez, não ande sozinha à noite. Esta cidade... não é para os fracos.
— Eu não sou fraca. — Ária rebateu, com a voz ganhando firmeza.
Um sorriso de escárnio, rápido e quase imperceptível, cruzou o rosto dele.
— Que seja. Só não se meta em problemas de novo.
Ele se virou, e desapareceu na mesma escuridão da qual havia surgido.
Ária ficou ali, sentindo o calor residual e o aroma sutil que ele havia deixado para trás.
Ela não sabia quem ele era, mas sabia que o homem que a havia salvo, havia acendido nela uma chama proibida que nunca sentira em sua vida.
Dois dias se passaram e Ária mal dormira, obcecada pela missão impossível.
Ela estava agora em um táxi, com o endereço de Yulian Volkov queimando entre os seus dedos.
Seu olhar estava fixo no reflexo da janela, se forçando a lembrar quem era e por que estava fazendo aquilo.
Desde muito jovem, Ária havia se tornado a inabalável âncora de que sua irmã precisava.
No Brasil, todos as viam apenas como as filhas do bêbado e da prostituta.
O inferno havia começado com o pai, que as espancava, assim como a esposa.
E ainda as vendeu para agiotas por causa de sua dívidas antes de fugir, deixando a esposa e as filhas para arcarem com a situação que ele criou.
Sua mãe, desesperada e sem recursos, foi forçada a se prostituir para sustentar Ária e Hanna, ainda crianças.
Mas logo sua mãe adoeceu com uma doença necrosante que, em poucos meses, a levou, deixando Ária, aos doze anos, com o peso de criar Hanna e arcar com todos os problemas sozinha.
O dinheiro para fugir para a Rússia obviamente, não havia caído do céu.
Ária fechou os olhos, o nó em sua garganta se apertando.
Ela havia feito um sacrifício final para garantir a liberdade delas.
O nome Yulian Volkov a puxou de volta ao presente.
Ela tinha que manter o foco, para não sucumbir à náusea.
O táxi parou em frente a um portão de ferro forjado que parecia a entrada de uma prisão de luxo.
A segurança era intensa, e o endereço em suas mãos era, inquestionavelmente, a mansão de um mafioso.
A arquitetura era grandiosa, fria e esmagadora.
Ária foi conduzida pelos corredores, observando que, absolutamente todos, vestiam preto.
Os empregados, os seguranças.
Ela foi levada a um escritório vasto, mas para a sua surpresa, atrás de uma mesa maciça, estava ele.
O ar lhe escapou dos pulmões ao reconhecer o homem da rua, que a salvara dois dias antes.
A luz do dia, ele era ainda mais lindo e perigoso do que se lembrava.
O corpo de Ária reagiu instintivamente e seu coração acelerou.
Yulian a avaliou com o mesmo olhar frio de dois dias atrás.
Mas havia algo mais, um reconhecimento sutil, que passou por seus olhos cinzentos antes de ele o extinguir.
Ele a havia memorizado não apenas pelo rosto bonito, mas pelo perfume sutil que ela usava, e sua luta interior era evidente em sua mandíbula tensa.
Por um breve instante, ambos lutaram para ocultar a intensidade daquela faísca proibida.
Yulian foi o primeiro a se recuperar.
Ele deu a volta na mesa, se recostando, antes de falar com a voz baixa e fria.
— Você deve ser Ária Silva.
— S-sim, S-senhor Volkov.
Ária gaguejou, o nervosismo a traindo.
Ela forçou o contato visual, mas o que ele a sentir, a obrigava a desviar o olhar.
— Eu a contratei, Srta. Silva, porque sua ficha é limpa. Francamente, estou farto de audições. Mas pensando bem, não. Você está demitida. Encontre Ramon para receber um pagamento de um dia e vá embora.
Ária, estremeceu.
— Eu peço que o senhor, por favor repense.
Ária pediu com a voz clara e sem hesitação.
— Eu sou qualificada e estou disposta a seguir todas as suas regras.
Yulian franziu o cenho, surpreso com a ousadia dela.
— Não se iluda. Não desejo mulher na minha cama.
Ária sacudiu a cabeça, em choque.
— Eu estava indo para casa! Eu estava apenas no lugar errado, na hora errada, quando você decidiu aparecer.
Yulian a observou com intensidade, fazendo o corpo de Ária esquentar.
Ela se controlou para não se abanar, afinal, precisava desesperadamente desse emprego.
Nesse momento Ária notou que ele não estava sozinho.
Dois lobos gigantes estavam deitados calmamente aos seus pés, um de pelo branco como a neve e outro de pelo preto como a noite.
Os olhos amarelos dos animais estavam fixos nela, a fez soltar com os olhos arregalados.
-Isso são lobos?
Yulian ignorou sua reação, completamente natural a se ver cara a cara com os dois belíssimos animais.
Com um suspiro, ele voltou a ser profissional, pousando seus olhos nos de Ária.
— Me diga, Sra. Silva. Qual a sua motivação para aceitar um emprego como este?
— Eu... eu preciso muito do emprego. Sou muito boa com crianças.
Ela respondeu, tentando manter a voz firme, mas seu olhar sempre voltava para os dois lobos.
— E sua família? Seus antecedentes?
— M-minha família é pequena. Só tenho... uma irmã. Viemos para a Rússia em busca de melhores oportunidades.
O olhar de Yulian se intensificou, percebendo que havia algo que ela não desejava falar.
E se tinha algo que ele compreendia, era que todos tinham os seus esqueletos no armário.
Antes que ele pudesse pressionar mais, a porta se abriu.
— Papai!
Logo que o choro de Zayn se estabilizou em pequenos resmungos de vida, o médico abriu a porta e permitiu que a família entrasse.O corredor, que antes parecia um campo de caos silencioso, foi inundado por passos apressados.A primeira a entrar foi Rubi, trazida pelos braços fortes de Ramon. A pequena parecia flutuar sobre o tapete grosso, os olhos cinzentos brilhando com uma curiosidade que vencia o sono.Ramon a colocou no chão, e ela se aproximou da cama na ponta dos pés, como se temesse que o chão de madeira pudesse denunciar sua presença.Ela olhou para o pequeno embrulho nos braços de Ária e inclinou a cabeça, maravilhada.— Ele é pequeno... — Rubi observou em um sussurro reverente, esticando o pescoço. — E ele tem o cabelo do papai! Agora eu tenho um brinquedo de verdade?Ária soltou uma risada fraca, mas carregada de tern
Malrik soltou um riso anasalado, o hálito quente acariciando a orelha dela enquanto ele se acomodava melhor no travesseiro.— Desde quando? O excesso de vodca da festa criou amigos imaginários agora?— É sério! Eu a vi... ela se chama Celine. — Hanna se virou de lado, ficando cara a cara com ele sob o edredom. Suas íris começaram a oscilar, mudando do castanho para um verde profundo e selvagem, como musgo sob a luz direta do sol.Malrik travou. O deboche habitual desapareceu enquanto ele observava a mutação nos olhos da esposa. Ele era um homem treinado para notar detalhes, e o que via ali não era ilusão.“- Diga a este macho que ele tem mãos habilidosas, embora a mente dele seja meio devagar” - a voz de Celine ecoou na mente de Hanna, carregada de um humor atrevido. - “Mas eu gosto dele. Ele cheira deliciosamente bem.”Hanna solto
Hanna e Malrik ficaram emaranhados por muito tempo depois de caírem exaustos sob a cama, sua respiração voltando ao normal enquanto a neve lá fora continuava a cair silenciosa.Malrik puxou o edredom sobre eles e trouxe Hanna para o seu peito, beijando o topo da cabeça ruiva.— Sabe — ele começou, a voz voltando ao tom de provocação suave — o Karavai (É um pão cerimonial grande, redondo e ricamente decorado com flores, tranças e folhas feitas da própria massa e simboliza hospitalidade, fertilidade e prosperidade) não mentiu. Você mordeu o pão com mais força, mas eu definitivamente ganhei na resistência.Hanna soltou uma risada fraca, exausta, e deu um tapinha leve no peito dele. — Convencido. Eu deixei você ganhar.— Ah, claro. Por isso você estava arranhando minhas costas como uma gata selvagem? &m
Eles saíram de fininho pelos fundos da pousada, deixando os convidados distraídos com as rodadas intermináveis de vodka e cerveja.Malrik levou Hanna até um chalé privativo anexo, onde o brilho da lareira já prometia o calor que seus corpos imploravam.Assim que cruzaram o limiar, o clima de provocação deu lugar a uma urgência febril.Hanna nem esperou que ele a colocasse no chão; puxou-o pela gravata com força, desafiando-o com o olhar.— Você fala demais, Malrik — ela sibilou contra os lábios dele.— E você é teimosa demais. Mas hoje, você é minha — ele respondeu, a voz falhando pela rouquidão do desejo.O estalo da fechadura ao ser trancada não foi um fim, mas um convite explícito.Malrik a prensou contra a madeira rústica com força, o peso de seu corpo atl&eac
Yulian desceu o corpo com uma lentidão torturante, deixando um rastro de beijos famintos por cada centímetro de pele exposta.Ao alcançar a coxa, seus olhos cinzas brilharam com uma luxúria predatória; ele prendeu a renda da cinta-liga entre os dentes e puxou, sentindo o elástico estalar contra a pele macia de Ária.Enquanto isso, sua mão subia com firmeza, os dedos subindo pela parte interna da coxa dela, em uma carícia possessiva que a fazia tremer, até que ele finalmente alcançou a seda da calcinha.O tecido estava encharcado, colado ao corpo dela pelo excesso de desejo.Yulian não teve paciência; com os dedos grandes e calejados, ele afastou a renda para o lado, expondo a fenda rosada e pulsante que brilhava de umidade.Ele engoliu em seco e se banqueteou.Quando ele a tocou, Ária soltou um soluço de prazer, o corpo reagindo instantane
No momento em que os lábios de Yulian e Ária se selaram, o mundo físico pareceu desaparecer para os dois. O som das ondas e os aplausos dos convidados tornaram-se um eco distante, substituídos por uma batida de coração poderosa que vinha de dentro deles.Dentro do plano espiritual, na mente conectada do casal, o cenário era uma floresta de pinheiros coberta por uma neve que brilhava como diamantes sob o luar.Jax, o imenso lobo negro de olhos dourados, deu um passo à frente. Ele não era mais uma fera de fúria e dor, mas um rei pronto para reivindicar sua rainha. Do outro lado da clareira, Valentina emergiu. A Loba Branca era pura luz, seus olhos refletindo a sabedoria de eras.“-Finalmente” - a voz de Jax rugiu, mas com uma ternura que fez a alma de Yulian vibrar.“- Para sempre” - Valentina respondeu, sua voz ecoando como música na mente de Ária.







