LOGIN—Eu já fui ao contrário, Fernanda. Já tentei ser boazinha, obediente, submissa... Mas não adiantou nada. E a minha mãe nem está mais aqui para me consolar, para me proteger — digo, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. — Eu não tenho coragem de ir embora, Fernanda. Tenho medo do que pode acontecer comigo lá fora, sozinha, desamparada.
—Eu também não... Mas algo está me dizendo que algo vai mudar essa noite, Isa. Sinto isso em meu coração — diz, com a voz carregada de esperança. —Eu também sinto a mesma coisa, Fernanda — respondo, sentindo um arrepio percorrer o meu corpo. —Bom, eu vou indo. Está quase na hora dos trogloditas chegarem. Tchau, minha abelhinha! — diz, mandando um beijo no ar, com os olhos marejados de lágrimas. —Tchau, minha borboletinha! — respondo, retribuindo o gesto. Observo-a se afastar, com o coração apertado, mas também cheio de esperança. Então, entro rapidamente no quarto, tranco a porta e examino o celular que Fernanda me trouxe. Para a minha surpresa, vejo que ele já está todo configurado, com o W******p instalado e o número dela salvo. Um pequeno gesto que demonstra o quanto ela se importa comigo e o quanto deseja manter contato. Observo o relógio. Já são 19 horas, e Davi está prestes a chegar. O medo me invade, me lembrando da fragilidade da minha situação. Preciso esconder este celular, e rápido! Mas onde? Davi não pode nem sonhar que eu tenho um, ele seria capaz de... Prefiro nem imaginar. Então, começo a procurar um lugar seguro, um esconderijo perfeito onde o segredo possa permanecer a salvo. A adrenalina percorre minhas veias enquanto examino cada canto do quarto, em busca de um esconderijo perfeito, inviolável, impenetrável. Davi conhece cada centímetro deste espaço, cada objeto, cada detalhe. Se ele desconfiar de algo, por menor que seja, vai revirar tudo até encontrar o que procura. Debaixo do colchão? Impossível. Ele às vezes arruma a cama, e seria descoberto facilmente. Dentro do guarda-roupa? Arriscado demais. Ele mexe em minhas roupas com frequência, procurando por algo que o desagrade, por algo que o faça desconfiar de mim. Dentro de algum livro? Talvez... Mas ele sempre quer saber o que estou lendo, me questiona sobre as minhas leituras, e pode acabar descobrindo o meu segredo. Onde? Onde? Aonde eu poderia esconder este celular, sem que Davi jamais o encontrasse? A angústia me invade, me sufoca, me desespera. Preciso pensar rápido, agir com inteligência, encontrar uma solução antes que seja tarde demais. De repente, uma ideia surge em minha mente. Corro até o banheiro e abro o armário embaixo da pia. Lá dentro, encontro uma caixa de produtos de limpeza, quase vazia. Esvazio a caixa, coloco o celular no fundo e cubro com alguns panos de chão. Perfeito! Davi jamais imaginaria que eu esconderia algo ali, em meio à bagunça e à sujeira. Respiro aliviada, sentindo o meu coração se acalmar aos poucos. Pelo menos por enquanto, estou segura. l l l l l l l l l— Medo? Aquele verme nunca sentiu medo! — vocifero, apertando seus ombros com força. — Ele usou a gente para ter um motivo! Para justificar seus atos! A sua filhinha nunca mais vai voltar, porque ele precisava de uma desculpa! A fortuna que vou fazer deseja pegar, esquecer ele já levou... Ele quer o poder, Lara! Sempre foi sobre o poder para aquele monstro!— Não... Você está equivocado. Está louco! — ela murmura, mas vejo o medo dançar em seus olhos.— Louco? Eu que fui cego! — berro, sacudindo-a com violência. — O Davi foi o estrategista desde o início! Ele nos deixou fazer o trabalho sujo, enquanto ele se escondia nas sombras! Aquele verme nos enganou como ninguém! Ele sempre soube onde estávamos, o que planejávamos... Cada passo, cada movimento, ele controlava tudo!As peças se encaixam em minha mente, revelando o plano diabólico do Davi. A praia... A casa... Tudo fazia parte de sua macabra orquestração.— Na praia, ele se expôs! A casa, ele nos entregou de bandeja! Aquele maldito
O desgraçado estava falando a verdade! Imagens comprometedoras, documentos sigilosos, tudo ali, pronto para ser divulgado.— Desgraçado... — Com a voz carregada de raiva.Respiro fundo, tentando controlar a fúria que me consome. Preciso manter a calma, pelo menos por enquanto.— Lara, abra o cofre e dê a metade para ele. — Com a voz fria e calculista.— O quê? Você está louco? — Com a voz indignada.— Agora, Lara! Não discuta! — Com a voz firme e autoritária.Lara me encara com raiva, mas acaba cedendo. Ela caminha até o cofre embutido na parede, gira a combinação e abre a porta. Seus olhos brilham de cobiça ao contemplar a pilha de dinheiro. Com relutância, ela pega maços de notas e os coloca em um saco de lixo preto. Entrega o saco a Joel, com um olhar de puro ódio.— Foi bom fazer negócios com vocês, hahaha! Mas antes de ir, deixa eu dar um conselho de amigo... — Ele se aproxima da porta, mas se vira antes de sair. — Achei uma coisinha interessante lá fora e trouxe para vocês. Est
Pego uma garrafa de whisky, a textura fria do vidro aliviando um pouco a tensão. Despejo uma generosa dose em um copo de cristal e engulo o líquido de uma vez, sentindo o álcool queimar minha garganta.— Nervosinho porque não teve nenhuma notícia? Isso que dá confiar em vagabundo. — Com sarcasmo.Uma risada sinistra ecoa na sala, me dando um susto. Sinto um arrepio percorrer minha espinha, e percebo que estou vulnerável, desarmado. As luzes se acendem de repente, revelando Joel sentado em uma das poltronas, com um sorriso debochado estampado no rosto.— Hahahahah! "Pole pocket do camelô, não para de se achar a tal"... ei Vagabundo, não! Malandro é diferente... Então, Leandro, vim buscar o meu pagamento. Afinal, um trabalho bem feito merece ser recompensado, não é mesmo? — Com um tom zombeteiro.Fico paralisado por um momento, a confusão tomando conta de mim.— Como assim? Cadê o resultado? — Com a voz hesitante.— Verifique seu celular, chefe. As notícias estão lá. — Com um sorriso e
. Ela se aproxima, servindo-nos com um sorriso enigmático que não alcança seus olhos. Cada movimento seu exala poder e controle, como uma rainha venenosa em seu trono. Pego a taça, sentindo o aroma intenso do vinho. O cheiro embriagante quase me faz esquecer a frieza da situação, mas o olhar de Lara me traz de volta à realidade. Há algo diferente no ar, uma tensão palpável que antecede a tempestade. Ela levanta sua taça, o brilho das joias em seus dedos refletindo a luz fraca do candelabro.— À conclusão bem-sucedida dos nossos planos... E aos tolos que ousaram nos desafiar. — Com a voz melodiosa e um sorriso predador.Dou um sorriso de volta, um reflexo sombrio do sorriso dela.— À nossa vitória inevitável... E ao sabor doce da vingança. — Erguendo a taça.Nossos olhares se cruzam, e sei que ambos estamos pensando na mesma coisa: o jogo está apenas começando.(...)Horas depois...23:00 da noite...Suspiro pesadamente, sentindo o peso do dia esmagá-lo. Ele observa o relógio na parede
— Não seja ridículo, Joel. Faça o que estamos mandando, e a sua vida mudará para sempre. Se fizer isso, pagaremos o dobro do que costuma cobrar. Pense bem. Você terá mais dinheiro do que jamais sonhou. — Com a voz gélida, os olhos fixos em Joel.— O dobro não me interessa. Quero a metade da carga. — Com um sorriso ganancioso, mas com um brilho de maldade nos olhos.— Não. — Com a voz carregada de desprezo.— Então, boa sorte com os colombianos. Vou nessa. — Se levantando, com um olhar frio e ameaçador.Joel se move em direção à porta, mas Lara, com a agilidade de uma felina, surge em seu caminho, a arma em punho, implacável. A atmosfera se carregar como uma tempestade prestes a explodir. Joel, com sua audácia que desafiava o bom senso, encarava Lara como se ela fosse um mero incômodo.— Acho melhor você obedecer. — diz ela, rosnado com um tom autoritário.— Escuta aqui, bonequinha de luxo... antes de apontar essa peixeira fajuta pra mim, olha no espelho. Acha que essa pose de justicei
— Ah, Leandro... Você está com medo? Que fofo! Não se preocupe. Eu já tenho um plano B, um plano C e um plano D. Sou uma mulher de recursos, meu querido. E não tenho medo de sujar as mãos. — Com um tom de voz irônico, como se estivesse falando com uma criança.Lara pega uma taça de vinho e bebe um gole lento e elegante, saboreando o momento. Ela me observa por cima da taça, com um olhar de puro desprezo e... desejo? Não importa. O que importa é que ela está ao meu lado. E juntos, somos imbatíveis.De repente, ouvimos passos pesados vindos do interior da casa. Saco a arma em um movimento rápido e instintivo, mirando na direção dos passos. A adrenalina explode em minhas veias, me preparando para o pior. Então, Joel surge na sala, com um sorriso cínico no rosto e as mãos erguidas em sinal de paz.— Ou, ou, relaxa, parceiro! Calma, coração! Cheguei pro trabalho. Não precisa me receber com essa grosseria toda. — Com a voz rouca e debochada.Rosno de raiva e abaixo a arma, controlando a von







