Mag-log inEnquanto conversávamos, Daniel já havia imobilizado Ignazio no chão.— Daniel, não o mate.Ao me ouvir, Daniel assentiu, mas não o soltou.— Então vamos levá-lo à delegacia e denunciá-lo por assédio.Abaixei-me e disse:— Deixe-me conversar com ele por um instante. Espere por mim ali.Daniel quis recusar, mas, diante da minha firmeza, acabou cedendo a contragosto.Assim que ele se afastou, Ignazio agarrou a barra da minha calça.— A culpa foi minha, eu sinto muito. Eu imploro, volte comigo. Prometo que vou mudar, abandonar tudo e lavar minhas mãos de uma vez por todas. Nunca mais vou machucar você!Ele falava depressa, como se temesse que eu desaparecesse outra vez.Olhei em seus olhos, agora sem qualquer vestígio da frieza de antes, e perguntei com uma curiosidade genuína:— Você não me ama. Na verdade, me desprezava tanto que queria me ver morta. Então, por que deseja que eu volte?Minha voz ficou mais fria.— Lucia está em perigo outra vez e você precisa que eu sofra no
Eu acreditava que minha missão seria servir de mentora para o vilão.Só depois descobri que, na verdade, teria de trabalhar como empregada doméstica na casa dele para garantir que não se desviasse do caminho certo.Era fim de semana, e o vilão, Daniel Torres, participava de uma videoconferência de trabalho.Uma empresa rival havia tomado um projeto dele. Como vingança, Daniel mandou alguém roubar o gato de estimação do dono da empresa.Enquanto varria o chão, não consegui conter uma risada baixa.O som da reunião atrás de mim cessou de repente. Antes que eu entendesse o que estava acontecendo, alguém tirou a vassoura de minhas mãos.Quando me virei, Daniel se inclinou para começar a varrer. No entanto, pelo canto dos olhos, continuava me observando às escondidas.— Finalmente um sorriso. Você está aqui há um mês com essa expressão abatida, como se eu não fosse pagar seu salário.Ele continuou a varrer enquanto dizia:— Embora eu seja seu chefe, pode me contar se alguma coisa e
Naquela época, ela havia dito:"Senhor, obrigada por pagar o tratamento da minha avó. Como forma de compensá-lo, enfrentarei o perigo no lugar de Lucia e servirei como sombra dela."No entanto, três anos depois, até a idosa cuja vida ele salvara com meio milhão havia desaparecido sem deixar vestígios.Ignazio permaneceu em silêncio e subiu exausto para o segundo andar. Ao passar pelo quarto, ouviu de repente a voz de Lucia.Através da porta, o tom dela já não soava inocente e doce como antes. Estava carregado de uma malícia fria.— Encontre o inimigo que mais deseja se vingar e envie a ele o endereço dessa mulher.— Avise-me quando Ignazio for resgatá-la. Eu vou distraí-lo. Vocês só devem aparecer duas horas depois.Lucia fez uma pausa antes de esbravejar:— Seus inúteis! Se ele não perguntar, não contem mais nada. Basta dizer que já a levaram de volta.Os dedos de Ignazio sobre a maçaneta ficaram gelados.— E, se ela morrer, melhor ainda! Esse é o castigo por ter se aproxima
— Ela deve estar zangada comigo. — Murmurou consigo mesmo.Ignazio ligou para um de seus homens. Assim que a chamada foi atendida, pegou o casaco e saiu correndo.— Ela está ferida? Em que hospital está? Já estou a caminho.Do outro lado, o homem perguntou, confuso:— Quem?— Quem mais poderia ser? Stella!— Ste... Stella? Quem é Stella?Ignazio pisou fundo no acelerador e dirigiu até a antiga casa.No entanto, quando chegou, encontrou todas as luzes acesas e um homem desconhecido regando as plantas do jardim.— Quem é você? O que está fazendo na minha casa? — Rosnou.O homem o encarou como se estivesse diante de um lunático.— Moro aqui há dez anos. Desde quando esta casa é sua?— Você perdeu a cabeça.Ignazio levou a mão instintivamente até a arma, mas então percebeu que o balanço do jardim havia desaparecido.Stella mandara instalá-lo pouco depois do casamento. Como quase nunca saía de casa, costumava passar horas ali, lendo em silêncio.Agora, nem sequer restavam mar
Assim que dobrou a esquina, Ignazio sentiu o arrependimento tomar conta dele.Voltou a cabeça para o lugar onde Stella permanecia caída no chão, e algo apertou seu peito.— Mandem alguns homens buscá-la. Levem-na ao hospital.Ignazio desligou o telefone. Em seguida, levou Lucia para fazer compras em boutiques de luxo, na esperança de animá-la.A pobre garota havia passado por sustos demais nos últimos dias.Anos antes, para protegê-la, Ignazio escolhera Stella especificamente para servir de isca. Depois, fizera questão de levá-la a eventos públicos para que todos soubessem que ele tinha um ponto fraco.A estratégia funcionara.Antes disso, alguns inimigos ainda ousavam importunar Lucia.Depois, sempre que queriam se vingar dele, a primeira pessoa em quem pensavam era Stella.Por isso, mesmo quando ela vazou as informações de Lucia, Ignazio nunca desejou de verdade que morresse. No máximo, pretendia se divorciar dela, mandá-la para o exterior e garantir que nunca mais aparecess
Eu não tinha para onde ir, mas também não precisava encontrar outro lugar para ficar.Passei as três horas seguintes sentada nos degraus da entrada, tomando sol. A luz banhava meu corpo, mas já não conseguia aquecê-lo enquanto ele esfriava pouco a pouco.O portão do jardim rangeu. Quando ergui os olhos, encontrei Lucia encostada no batente, com os braços cruzados, observando-me.— Que sorte a sua. Nem assim você morreu.Fiquei em silêncio por alguns segundos antes de soltar uma risada fraca.— Logo. Não fique tão impaciente.Lucia ia dizer mais alguma coisa, mas, ao ouvir um barulho, descruzou os braços imediatamente. Lágrimas surgiram em seus olhos no mesmo instante.— Stella, não fiz por mal. Você não está zangada comigo, está?Em seguida, aproximou-se com uma expressão preocupada.— Você acabou de sair do hospital e não deve se alterar. Vou pedir à empregada que prepare um caldo de galinha para você.Antes que terminasse, Ignazio surgiu tomado pela fúria e mostrou a tela d