Mag-log inCapítulo 94: O Peso da EsperaPOV: Luna CarvalhoA reta final da gestação cobrava um preço físico que nenhuma preparação teórica conseguia amenizar. Minhas costas queimavam em uma dor contínua ao fim de cada tarde, meus pés permaneciam levemente inchados e a simples tarefa de caminhar pelos corredores da mansão exigia um ritmo mais lento. Mas ver a minha barriga de nove meses perfeitamente arredondada e sentir os chutes firmes da nossa filha trazia uma paz que superava qualquer desconforto.Por volta das três da tarde, subi até o final do corredor do andar superior para organizar os últimos detalhes no quarto da bebê. O cômodo ficava ao lado do nosso quarto, iluminado por uma luz dourada que entrava pelas grandes janelas de vidro. Encostei a porta devagar e caminhei até o berço de madeira nobre, passando a mão pela estrutura macia e ajustando a manta de tricô branca que Camila me dera de presente. As gavetas da cômoda já estavam devidamente arrumadas com os macacões de algodão e o
Capítulo 93: Sombras no HallPOV: Luna CarvalhoA quarta-feira continuou sob uma atmosfera densa e carregada. Quando a emergência com o Sr. Arthur foi atendida pelo médico da UTI móvel, o susto felizmente se dissipou: foi apenas uma oscilação brusca na pressão arterial. A medicação foi ajustada e, cerca de uma hora depois, meu sogro já repousava de forma estável na sua poltrona, embora a fraqueza em seu corpo estivesse cada vez mais evidente.Ver o estado frágil do Sr. Arthur e sentir a bebê se mexendo com força no meu ventre me dava uma noção muito clara que o tempo estava correndo. Nós estávamos no oitavo mês de gestação e a reta final se aproximava trazendo uma mistura de ansiedade e expectativa.Por volta das duas horas da tarde de quinta-feira, o som do motor de um carro esporte ecoou na entrada social. Pela janela do andar superior, vi o conversível de Valentina estacionar ao lado da fonte. Ela desceu do veículo trajando um terno branco de corte impecável e óculos escuros, c
Capítulo 92: Sob Cinto e TensãoPOV: Luna CarvalhoA quarta-feira amanheceu sob uma névoa densa que cobria as vidraças da mansão. O peso dos oito meses de gestação já se fazia sentir em cada movimento meu: os pés levemente inchados ao final do dia, a respiração mais curta e as caminhadas mais lentas pelo corredor. Mas, apesar do desconforto físico, a presença constante de Gabriel e a declaração sincera que ele me fizera dias atrás me davam uma sustentação emocional que eu jamais imaginara possuir.A rotina na casa tornara-se visivelmente mais rigorosa. Dois novos seguranças do time de Marcos agora faziam rondas periódicas no perímetro do jardim dos fundos, e qualquer veículo que se aproximasse do portão principal passava por uma checagem minuciosa antes da liberação.Após o café da manhã, decidi descer até a cozinha para preparar um chá de camomila e verificar com Lindalva os preparativos para o almoço do Sr. Arthur. O pai de Gabriel passava a maior parte do tempo adormecido sob o
Capítulo 91: Pistas na PenumbraPOV: Gabriel MontenegroA interrupção do nosso momento pela voz urgente de Marcos trouxe a realidade daquelas ameaças de volta para o centro do quarto. Soltei o abraço de Luna devagar, selando um beijo rápido e protetor em sua testa antes de encarar os olhos dela, que ainda brilhavam com a emoção da minha declaração.— Fique aqui e tranque a porta por dentro, Carvalho — pedi, a voz caindo para aquele tom categórico e firme. — Eu vou descer, entender o que o Marcos conseguiu e volto em seguida.Luna assentiu com serenidade, levando a mão ao ventre.— Vá, Gabriel. Cuidado.Ajustei o abotoamento da minha camisa social e caminhei até a porta. Girei a chave, saí para o corredor e esperei ouvir o clique da fechadura pelo lado de dentro antes de descer a escadaria principal a passos largos.Marcos me aguardava em pé no centro do escritório do térreo. A tela do seu notebook corporativo estava aberta sobre a mesa de madeira, exibindo um mapa digital de t
Capítulo 90: Sob a Luz da VerdadePOV: Luna CarvalhoA menção do meu nome em um envelope entregue naquelas condições fez o silêncio da sala de jantar ruir de vez. Gabriel não esperou um segundo: levantou-se com passos largos, atravessou o cômodo e pegou o papel pardo das mãos de Lindalva antes mesmo que eu pudesse esboçar qualquer reação.A governanta deu um passo para trás, visivelmente perturbada com a insistência do entregador no portão. Gabriel examinou o lacre do envelope por alguns segundos, os olhos verdes gélidos e atentos a cada detalhe do material, até rasgar a aba superior de uma só vez.Eu me levantei devagar da cadeira, apoiando a mão na mesa para equilibrar o peso do meu corpo. Encarei o perfil dele enquanto ele puxava as folhas de dentro do pacote.Eram capturas de tela impressas em papel fotográfico de alta resolução e relatórios digitais. Assim que passou os olhos pelas primeiras linhas, o maxilar de Gabriel travou com tanta força que os músculos da sua mandíbul
Capítulo 89: O Limite da Tolerância POV: Luna Carvalho A declaração de Gabriel cortou a sala de jantar como uma lâmina fria. O ar no cômodo congelou instantaneamente, e o silêncio que se seguiu foi tão denso que era possível ouvir o som da louça sendo pousada com cuidado por Lindalva no aparador. Valentina estancou no meio do caminho. O sorriso perfeitamente ensaiado em seus lábios vacilou por uma fração de segundo, mas ela logo se recompôs, piscando devagar enquanto fingia que as palavras de Gabriel não haviam acertado em cheio o seu orgulho. — Gabriel, por favor... não seja deselegante com a Valentina — dona Helena interveio imediatamente, a voz elevando-se numa tentativa de conter o constrangimento evidente. — Ela veio apenas me entregar os documentos da fundação e teve a gentileza de passar aqui a meu pedido. — A casa é minha, mãe — Gabriel respondeu sem alterar o tom, a voz grave e perigosamente serena enquanto ele repousava os talheres sobre o prato. — E o meu avis







