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07 - O HOMEM POR TRÁS DO CONTRATO

last update Data de publicação: 2026-07-11 23:52:59

(Dominic)

Eu deveria ter esquecido aquela noite.

Era apenas uma conversa na cozinha.

Um encontro por acaso.

Uma esposa de mentira irritada procurando água no meio da madrugada.

Nada além disso.

Pelo menos era isso que eu tentava repetir para mim mesmo.

Mas a verdade era outra.

Desde que Valentina entrou naquela cozinha, com aquela camisola sacana, os cabelos bagunçados e aquele olhar de poucos amigos, alguma coisa estava diferente.

Eu conhecia aquela mulher.

Conhecia sua teimosia.

Conhecia a forma como ela levantava o queixo quando estava irritada.

Conhecia o jeito como fingia não se importar.

Mas naquela noite eu enxerguei algo que ela tentava esconder.

Ela estava perdida.

Assustada.

E, pela primeira vez em muito tempo, eu não vi a mulher que me odiava.

Vi apenas a Valentina do passado.

A garota que fazia minha irmã sorrir.

A garota que eu nunca deveria ter deixado tão perto dos meus pensamentos.

Voltei para o meu quarto depois daquela conversa tentando ignorar a sensação estranha que ficou no meu peito.

Minha vida não permitia distrações.

Minha missão era outra.

Não permitia envolvimento

Principalmente com aquela mulher.

Os dias seguintes passaram rápido.

A mudança e fusão da Valença para a sede da Castellani aconteceu antes que todos pudessem se acostumar com a ideia.

Como eu já esperava, Valentina não discutiu.

Não reclamou.

Não fez perguntas.

Apenas apertou a pasta contra o peito e entrou na sala de reuniões.

Quem não a conhecia diria que ela tinha aceitado tudo.

Eu sabia reconhecer aquele silêncio.

Era o tipo de calma que antecedia uma explosão.

Mas ela também era inteligente.

E sabia separar sentimentos de negócios.

Foi isso que sempre admirei nela.

Mesmo quando queria me mandar para o inferno, ela entrava naquela sala de reuniões e agia como uma profissional.

A nova estrutura da empresa estava pronta.

A fusão era oficial.

A Valença e a Castellani agora caminhavam juntas.

E naquele dia, diante dos principais investidores, funcionários e parceiros, Valentina assumiria oficialmente a presidência da nova fase de sua empresa.

Observei enquanto ela caminhava pelo salão.

O vestido social impecável.

Os cabelos presos de forma elegante.

A postura firme.

Era a mesma mulher que dias antes dizia que eu tinha destruído sua vida.

Mas agora todos olhavam para ela com respeito.

Não como a filha do dono.

Não como a esposa de Dominic Castellani.

Mas como uma verdadeira líder.

Meu pai estava ao meu lado.

— Ela está pronta.

Olhei para ele.

— Sempre esteve.

Ele sorriu discretamente.

— Você sabe disso há muito tempo, né meu filho.

Não respondi.

Porque sabia.

Eu sabia antes mesmo dela perceber.

Valentina tinha algo que muitas pessoas nunca conseguiriam construir.

Coragem.

Ela podia estar com medo.

Podia estar quebrada por dentro.

Mas ainda assim entrava em uma sala e fazia todos acreditarem que estava no controle.

Talvez fosse exatamente isso que me incomodava.

Ela era muito parecida comigo.

Nenhum dos dois sabia pedir ajuda.

Nenhum dos dois permitia que o mundo enxergasse suas rachaduras.

Depois do evento, todos foram embora aos poucos.

Eu fiquei alguns minutos sozinho no meu escritório.

A cidade brilhava pela janela.

Peguei um copo de uísque e fiquei observando as luzes.

Eu precisava desligar.

Precisava esquecer.

Era o que eu sempre fazia.

Quando os pensamentos ficavam pesados demais, eu procurava uma forma de silenciá-los.

Durante anos foi simples.

Sem promessas.

Sem sentimentos.

Sem envolvimento.

Apenas uma maneira de aliviar a tensão.

Mas naquela noite, pela primeira vez, eu hesitei.

Meu celular estava na minha mão.

Eu poderia ligar para qualquer uma das mulheres que aceitavam encontros sem perguntas.

Poderia repetir a rotina que mantive durante anos.

Alguém que não olhasse para mim como se tentasse descobrir quem eu realmente era.

Mas a imagem que apareceu na minha mente não era de uma desconhecida.

Era Valentina.

Irritada.

Orgulhosa.

Me chamando de arrogante.

De troglodita.

Suspirei.

Aquilo era um problema.

Um grande problema.

Porque eu sabia exatamente o que estava acontecendo.

Eu estava começando a perder o controle.

E eu odiava perder o controle.

Mesmo assim, peguei as chaves do carro.

Dirigi sem destino durante quase meia hora.

Como tantas outras vezes, acabei parando no único lugar onde ninguém esperava nada de mim.

Não para fugir dela.

Pelo menos era isso que eu dizia a mim mesmo.

Fui para um lugar onde ninguém fazia perguntas.

Um lugar discreto.

Onde eu não era o CEO da Castellani.

Não era o homem que todos esperavam que eu fosse.

Eu era apenas Dominic.

Mas quando a noite terminou, eu descobri uma coisa que me incomodou ainda mais.

O vazio continuava ali.

Eu tinha procurado uma distração.

E encontrei apenas silêncio.

Voltei para casa antes do amanhecer.

A mansão estava completamente quieta.

Subi as escadas tentando não fazer barulho.

Quando passei pelo corredor, parei diante da porta do quarto dela.

Não deveria.

Eu sabia disso.

Mas parei.

Por alguns segundos.

Pensei em bater.

Pensei em perguntar se ela estava bem.

Pensei em coisas que Dominic Castellani jamais faria.

Em coisas que não faziam sentido, muito menos parte do acordo.

Então lembrei.

Contrato.

Dois anos.

Regras.

Limites.

Era disso que eu precisava me lembrar.

Afastei-me da porta.

Porque Valentina era muitas coisas.

Teimosa.

Intensa.

Difícil.

Mas acima de tudo...

Era perigosa.

Não porque pudesse destruir meu império.

Empresas eu sabia reconstruir.

Dinheiro sempre podia ser recuperado.

O problema era outro.

Valentina tinha o poder de derrubar todas as barreiras que passei anos construindo.

E, se isso acontecesse...

O homem por trás do contrato finalmente seria visto.

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  • O Bilionário Que Quebrou o Contrato   107 - A VERDADE QUE DESTRUIU MINHA VIDA

    VALENTINAAs palavras dele ficaram suspensas entre nós.Como se o tempo tivesse decidido parar apenas para me torturar.Meu cérebro simplesmente se recusava a processar o que meus ouvidos acabavam de ouvir.Dei um passo para trás.Depois outro.Balancei lentamente a cabeça.— Não...Minha voz saiu tão baixa que mal consegui escutá-la.Dominic permanecia sentado na beira da cama.Os olhos vermelhos.As mãos trêmulas.Nunca imaginei que veria Dominic Castellani destruído daquela forma.Mas, naquele instante...Aquilo deixou de importar.Porque o que ele acabava de dizer...Era impossível.Continuei recuando.— Não impossível...Sorri.Um sorriso completamente sem sentido.Daqueles que aparecem quando a mente tenta escapar da realidade.— Essa não teve graça.Ele não respondeu.

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  • O Bilionário Que Quebrou o Contrato   105 - O HOMEM QUE PERDEU O CONTROLE

    VALENTINAA mansão estava silenciosa.Estranhamente silenciosa.Passei a maior parte da noite tentando terminar alguns relatórios da CV Group.Sem sucesso.Lia a mesma página três vezes.E não entendia nenhuma linha.Meu telefone vibrou.Sorri discretamente ao ver o nome de Bia."Vou dormir na casa da Ana hoje. A gente acabou colocando a conversa em dia e perdi a hora kkk. Não me espera."Respondi apenas:"Aproveita. Boa noite."Poucos segundos depois ela enviou um emoji de coração.Sorri sem perceber.Pelo menos alguém naquela casa ainda parecia feliz.Olhei o relógio.Quase duas horas.Dominic ainda não tinha voltado.Estranhei.Ele nunca chegava tão tarde.Pensei em mandar mensagem.Peguei o celular.Desisti.Não fazia sentido.Havia duas semanas...Ele mal r

  • O Bilionário Que Quebrou o Contrato   104 - A CULPA QUE ME CONSOME

    DOMINICDuas semanas.Dias fingindo que ainda existia alguma normalidade na minha vida.Quatorze dias acordando na mesma mansão.Trabalhando na mesma empresa.Sentando à mesma mesa de reuniões.Olhando para a mulher que eu amava...E repetindo para mim mesmo que nunca mais poderia tocá-la.Se existia algum tipo de punição pior do que aquela...Eu não queria conhecer.Naquela sexta-feira, permaneci na presidência muito depois de todos terem ido embora.O último andar da Castellani estava completamente silencioso.A cidade brilhava do lado de fora através da enorme parede de vidro do meu escritório.Bridgstone nunca dormia.Eu também não.Levantei da cadeira.Afrouxei a gravata.Caminhei até a janela.Lá embaixo...As pessoas continuavam vivendo.Entravam em restaurantes.Voltavam para casa.

  • O Bilionário Que Quebrou o Contrato   103 - AS APARÊNCIAS PRECISAVAM VENCER

    VALENTINADuas semanas, foram necessários para eu entender que o silêncio também podia machucar.Ele não gritava.Não discutia.Não quebrava nada.Mas destruía aos poucos.A rotina voltou exatamente ao que era antes das montanhas.Reuniões.Contratos.Assinaturas.Almoços de negócios.Eventos.Coletivas.E Dominic...Sempre a poucos metros de mim.Tão perto.E completamente inacessível.Era estranho perceber como duas pessoas podiam dividir praticamente todos os dias de trabalho e, ainda assim, parecerem desconhecidas.Nas reuniões ele falava comigo apenas o necessário.Chamava meu nome.Ouvia minhas opiniões.Concordava ou discordava.Tudo com absoluta educação.Tudo absolutamente profissional.Nem uma palavra além daquilo.Nem um olhar que demorasse um segundo a mais.E, aos poucos...Eu comecei a fazer exatamente a mesma coisa.Se ele queria distância...Eu lhe daria distância.No começo doeu.Depois...Virou defesa....Naquela manhã desci para o café mais cedo do que de costume.

  • O Bilionário Que Quebrou o Contrato   102 - O HOMEM QUE EU ACREDITEI

    ValentinaDepois da coletiva que fomos forçados a fazer na biblioteca da mansão depois do evento com investidores.Ficamos apenas Eu, Dominic e Levi na sala.Levi fechou a porta, ficou ao lado como um cão de guarda.Até ele parecia diferente.Permaneci parada, em pé em frente a Dominic.Olhei pra ele e observei alguns segundos.— Então era isso...Ele levanta os olhos.— O quê?Dei uma risada amarga.— O homem das montanhas morreu mesmo.Ele apertou a mandíbula.Não respondeu.Aquilo me machucava de um jeito, que não precisava.Continuei.— Sabe qual é a pior parte?Ele permaneceu em silêncio.— Eu tentei resistir Dominic.Minha voz falhou.— Desde o primeiro beijo. Desde o hotel. Desde aquela primeira noite. Eu dizia que era errado. Que tínhamos um contrato. Que precisávamos parar. Quem sempre avançava...Era você.Ver a culpa atravessar os olhos dele.Mas ele continuar calado.Aquilo me destruia.— Minha mãe chegou a dizer...Dei uma pequena risada sem humor.— "Faz um novo contrato

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