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Capítulo 1

Autor: Cat Freitas
last update Data de publicação: 2025-08-16 10:59:23

Caine

Chego à escolinha e, honestamente, o ambiente já me deixa em alerta. As paredes externas são pintadas com desenhos de mãos coloridas e bichinhos felizes. Há um vento leve soprando bolhas de sabão pelo pátio — bolhas de sabão! — e uma trilha sonora suave com músicas infantis. Falta só uma alpaca vestida de jardineiro e essa cena vira um pesadelo psicodélico.

O motorista estaciona, então saio do carro e respiro fundo. Força, Caine. Você enfrentou reuniões com acionistas furiosos, uma sabotagem em campo de petróleo no Golfo e um almoço com a sua mãe perguntando se você vai morrer solteiro. Uma professora sorridente não pode ser pior.

Cruzo o portão e caminho até a entrada principal. Elijah já me viu da porta da sala e corre na minha direção com os braços abertos como se eu fosse o próprio Buzz Lightyear.

— Tiooo Caine!

Ele se agarra à minha perna como um polvo. Me abaixo, ajeito o cabelo bagunçado dele e tento ignorar o olhar encantado de uma senhora com um crachá escrito “Vó voluntária”. Ela sorri com um “Awn” irritante.

— Pronto para ir? — pergunto.

— Espera! Precisa falar com a professora Laura. — Ele já me puxa pela mão, como se eu não fosse um adulto com vontade própria.

— Eli, não precisamos...

— Você tem que conhecer ela tio!

Droga. Eu sei.

Sou conduzido pela pequena criatura de um metro e meio até uma sala que parece uma explosão de arco-íris em overdose. Cartazes de cartolina espalhados pelas paredes, frases motivacionais em letras saltitantes e... glitter. Muito glitter. Demais. Está no ar, nas mesas, grudado nas cadeiras. O chão inteiro brilha como se fosse encenado para um comercial de detergente. Inaceitável. Um ambiente de trabalho não deveria brilhar.

E então, ela aparece.

Miss Laura. O tal “raio de sol ambulante” de que tanto falaram.

E, para meu completo desgosto, Nathan não estava exagerando.

Ela surge com um vestido amarelo claro — gritante demais para os olhos de qualquer adulto equilibrado — o cabelo preso de forma displicente, como se arrumação fosse opcional, e na cabeça... uma tiara com orelhas de coelho. Ridículo. Ou pelo menos deveria ser. O problema é que nela, de alguma forma, nada disso parece fora de lugar. Pior: parece que é ela quem manda em toda aquela bagunça.

Ao me ver, o sorriso dela cresce de imediato, tão rápido e amplo que beira o absurdo. É quase teatral. Ninguém sorri assim sem esforço.

— Você deve ser o famoso tio Caine! — ela diz, como se estivéssemos numa sitcom da tarde. — Que bom que veio buscar o Elijah pessoalmente. Ele falou de você o dia inteiro.

Ela se aproxima com uma energia desconcertante. Não estende a mão, ela me oferece um abraço. Um abraço!

Eu travo. Isso é um teste?

— Eu... não sou muito de contato físico. — informo, dando meio passo para trás.

Ela dá uma risada leve.

— Tudo bem! Eu abraço por nós dois. — E, de fato, me abraça mesmo assim. É uma versão de sequestro educado. Ela cheira a lavanda e bolacha caseira.

— Ele teve um ótimo dia hoje. Pintou, cantou, e me contou tudo sobre o seu carro de luxo que virou nave espacial. — Ela pisca para mim.

— Ele contou? Ótimo. Já posso virar piada nacional.

— Não seja tão sério, Sr. Walker. Criança feliz é criança criativa. E Elijah é uma das mais doces.

Ela agacha na frente dele e segura suas mãozinhas.

— Amanhã tem o ensaio para o piquenique anual, lembra? Vamos praticar a dança! E o Sr. Walker está mais do que convidado para participar.

— Eu não danço. — respondo de imediato.

Ela se levanta e coloca as mãos na cintura.

— Todo mundo dança, Sr. Walker. Uns melhor, outros com mais... coragem.

— Você quer dizer vergonha alheia.

Ela ri. De novo. Como alguém consegue rir tanto sem se engasgar?

— Elijah, vá pegar sua mochila — ela pede ao menino, que dispara para fora da sala.

Agora somos só nós dois. O ar parece mais apertado.

— Olha, Miss Laura...

— Laura. Pode me chamar só de Laura.

— Certo. Laura. — Repito como se estivesse mastigando caco de vidro. — Eu não sou bom com isso. Crianças. Escolinhas. Esse teatro colorido que chamam de educação.

— Percebi. — Ela sorri. De novo.

— Então já sabe que não vou aplaudir suas canções, nem entrar em roda de histórias, nem fingir que glitter faz parte de uma vida equilibrada.

— Não quero fingimento. Quero presença.

— Presença? — solto um riso curto, seco. — Estou aqui, não estou? Isso é mais do que muita gente teria feito.

Ela não recua, não pisca. Apenas ergue o queixo, firme.

— E ainda assim, você pode ser mais. — Os olhos dela brilham com uma confiança que me irrita. — Em três semanas, você vai rir, dançar, pintar alguma coisa e sair daqui menos cinza do que entrou.

Dou um passo para mais perto, deixando minha voz pesar.

— Rir? Eu rio quando quero, não quando alguém me dita.

— Dançar? Prefiro quebrar um osso do que passar vergonha.

— Pintar? Não gasto tempo rabiscando quando tenho papéis demais para assinar .

O sorriso dela não vacila. Isso me incomoda mais do que qualquer resposta.

Ela estende a mão. Outra vez.

Cruzo os braços, firme. — Você insiste nesse gesto como se fosse resolver alguma coisa. Aperto de mãos não transforma ninguém.

— Não. Mas transforma intenções. — Ela segura meu olhar, desafiadora.

Ficamos em silêncio. É quase um duelo. A sala, com seus cartazes coloridos e chão brilhante, parece se contrair ao redor. Eu sei que deveria ignorar, virar as costas, encerrar essa cena ridícula. Mas não.

Estendo a mão, devagar, como quem aceita entrar numa guerra sabendo que não sairá ileso. Seguro a dela com firmeza excessiva, deixando claro: não é rendição, é confronto.

— Certo, Miss... Laura. — Pauso antes do nome. Carrego o peso na voz. É um aviso, não uma concessão.

Nesse momento, Elijah volta com a mochila nas costas, as bochechas rosadas e um desenho na mão.

— Fiz para você, tio Caine!

Ótimo. Agora sou parte de alguma arte da criança.

Mas ao olhar o desenho — rabiscos, papel amassado e uma estrela gigante — algo em mim amolece um pouquinho.

Três semanas.

Acho que posso sobreviver.

Talvez.

Ou morrer coberto de papel de todos os tipos.

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Último capítulo

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Epílogo

    LauraO espelho devolve uma versão minha que eu quase não reconheço — e, ao mesmo tempo, reconheço completamente.Sou eu ali. Inteira. Em paz. Com os olhos brilhando não de nervosismo, mas de certeza.O vestido é simples do jeito que eu sou, fluido, leve, nada engessado. Não parece uma fantasia. Do meu jeito. Meus cabelos estão presos de forma suave, alguns fios rebeldes escapando, porque eu jamais conseguiria ser totalmente contida — e Caine aprendeu a amar isso em mim.Respiro fundo.Penso em tudo o que me trouxe até aqui.A sala colorida da escola.O muffin inesperado.O homem sério demais para o próprio bem.O tio que virou porto.O amante que virou casa.Nunca sonhei com um casamento. Sonhei com amor, e mesmo isso, às vezes, parecia grande demais para caber na minha vida. Mas agora estou aqui, com o coração tranquilo, sabendo que não estou entrando em algo perfeito.Estou entrando em algo verdadeiro.A música começa baixa, suave, e o burburinho do lado de fora se aquieta. Seguro

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 39

    LauraPor um segundo, eu esqueço como se respira.Caine ajoelhado diante de mim não faz sentido nenhum. Não com aquele terno impecável, aquela postura de homem que controla o mundo, aquele olhar que costuma intimidar salas inteiras. E, ainda assim, ali está ele.Vulnerável. Tenso. Com a mão levemente trêmula segurando uma caixinha pequena demais para carregar algo tão grande.Eu sempre achei que reconheceria o momento.Que haveria trombetas, ou fogos, ou algum tipo de aviso divino.Mas não.O momento chega silencioso, vestido de cotidiano, amor e escolhas reais.As palavras dele ainda ecoam dentro de mim.Você bagunçou minha vida.Um sorriso nasce antes mesmo das lágrimas. Porque é verdade. Eu baguncei. Entrei sem pedir licença, com meus vestidos coloridos, minhas crenças improváveis, meu jeito de sentir tudo demais. E ele… ele deixou.Olho para aquele homem que aprendeu a amar do jeito mais difícil: ficando.— Caine… — minha voz sai fraca, emocionada demais para esconder qualquer coi

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 38

    CaineNunca negociei tão mal quanto estou negociando comigo mesmo agora.O espelho do quarto me devolve a imagem de um homem que já encarou conselhos administrativos hostis, audiências jurídicas intermináveis e salas cheias de investidores prontos para arrancar sangue — e que, ainda assim, nunca sentiu esse tipo específico de pânico.Minha gravata está torta.Não porque eu não saiba dar um nó.Mas porque minhas mãos simplesmente se recusam a colaborar.— Calma — murmuro para mim mesmo, ajustando o paletó pela terceira vez. — É só um pedido de casamento.Só.Como se pedir Laura em casamento fosse algo simples. Como se não fosse a coisa mais importante que já decidi fazer em toda a minha vida.Respiro fundo, apoiando as mãos na cômoda. O quarto está silencioso, mas a casa não. Ouço passos leves no corredor, uma risada abafada de Elijah, a voz de Nathan mais forte do que deveria — ainda aprendendo a respeitar os limites do próprio corpo depois da recuperação.Três meses.Três meses desde

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 37

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  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 36

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  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 35

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