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Capítulo 2

Autor: Cat Freitas
last update Data de publicação: 2025-08-16 11:01:08

Laura

Existe um tipo muito específico de homem que entra em uma escola infantil como se estivesse entrando numa zona de guerra. O Sr. Caine Walker é exatamente esse tipo.

Desde o momento em que o vi parado na porta da sala dos Girassóis com aquele terno perfeitamente alinhado, cara de quem chupou limão azedo e um olhar que diz "estou pronto para fugir em três, dois, um…", eu soube: ele era uma causa perdida. Ou... um desafio. E eu amo um desafio.

Elijah, como sempre, iluminou o ambiente ao vê-lo. O menino é luz. Ele adora desenhar o Sr. Walker em situações aleatórias com pessoas da escola. No mês passado, me desenhou casando com a faxineira. Na semana anterior, com a coordenadora. Agora, aparentemente, fui promovida a par romântico oficial. Com direito a nave espacial e tudo.

— Ele é só meio sério, mas tem um coração bom — Elijah me disse um dia, enquanto coloria um desenho de um Caine de bigode. — Só precisa aprender a sorrir mais.

Sim, Elijah. Concordo. Mas isso é mais difícil do que fazer crianças de cinco anos comerem beterraba.

Na manhã seguinte, estou na sala dos Girassóis bem antes do horário, pendurando estrelinhas de papel no teto — as crianças estão ensaiando uma dança para o piquenique anual e essa sala vai brilhar, literalmente. Tenho glitter no cabelo, cola nos dedos e um CD infantil tocando a versão instrumental de “If You’re Happy and You Know It”.

É aí que ouço uma batida na porta.

— Com licença. Temos… uma entrega especial

A voz é dele. E por algum milagre do universo, menos ranzinza do que ontem.

Me viro e vejo a dupla dinâmica parada ali: Elijah sorridente segurando um copo de café com as duas mãos, e Caine segurando uma caixinha com muffins.

— Trouxemos café pra você, Miss Laura! — Elijah anuncia com entusiasmo.

— E muffin. De mirtilo. Aparentemente você gosta disso. — Caine completa, parecendo que está prestes a cometer um crime de guerra.

— Eu... nossa. Que gentileza. — Pego o café como se fosse um troféu. — Obrigada, Elijah. E obrigada, Sr. Walker.

— Caine. — Ele suspira. — Sr. Walker me faz parecer ainda mais velho do que essa roupa sugere.

— Então, obrigada, Caine. — Sorrio, e é impossível não notar que ele desvia os olhos por um segundo. Será que o CEO está... sem graça?

— O Elijah me fez parar na cafeteria e disse que professores merecem café quente e doces. — Ele levanta o muffin, como se não estivesse acreditando que está mesmo me entregando aquilo. — Estou obedecendo ordens dele. E ele é convincente.

— Isso é verdade — digo, pegando o muffin. — Ele me convence a dançar Baby Shark em loop toda sexta-feira.

— Ah, então não sou o único sob chantagem emocional constante.

— Eu não chantageio ninguém! — Elijah protesta, mas sorri e nos cutuca, um em cada lado.

— Vamos ensaiar a dança hoje? — ele pergunta.

— Sim! E seu tio vai assistir, né?

— Eu só vim entregar o Eli.

— Mas você já está aqui. Com café e muffin. E, veja só, temos cadeiras extras para espectadores ranzinzas.

Ele me encara como se eu tivesse sugerido que ele dançasse vestido de palhaço. E talvez, só talvez, essa ideia tenha passado pela minha cabeça.

— Elijah, por que você acha que seu tio precisa de café hoje? — pergunto, só por diversão.

— Porque ele ficou acordado até tarde lendo contratos! E fazendo aquela cara de quem precisa de abraço! — Ele faz uma careta imitando perfeitamente o olhar cansado de Caine.

— Eu não faço essa cara. — Caine responde, mas não convence ninguém.

— Você faz sim, mas tudo bem. — Elijah se agarra à minha cintura.

Quase deixo o muffin cair com o afeto do garotinho.

— Vamos dançar, Elijah? — digo, tentando mudar de assunto. — E depois talvez o seu tio possa ver o novo desenho que você fez.

— É o que tem a gente num foguete indo para Marte, lembra? — ele cutuca o tio. — Você disse que eu podia mostrar!

— É. E eu não recuei oficialmente disso. — ele murmura, como se já estivesse se arrependendo de cada segundo da visita.

Mas fica.

Caine Walker fica.

Senta-se na cadeirinha azul de plástico, com as pernas esmagadas, o café na mão e o muffin no colo. E por vinte minutos assiste Elijah dançar desengonçado, rir alto, e errar todos os passos da coreografia.

E eu percebo algo raro, quase milagroso.

Caine está sorrindo. De verdade. Ainda que meio contido.

Mas é um começo.

E eu sou uma especialista em lidar com começos.

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Último capítulo

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Epílogo

    LauraO espelho devolve uma versão minha que eu quase não reconheço — e, ao mesmo tempo, reconheço completamente.Sou eu ali. Inteira. Em paz. Com os olhos brilhando não de nervosismo, mas de certeza.O vestido é simples do jeito que eu sou, fluido, leve, nada engessado. Não parece uma fantasia. Do meu jeito. Meus cabelos estão presos de forma suave, alguns fios rebeldes escapando, porque eu jamais conseguiria ser totalmente contida — e Caine aprendeu a amar isso em mim.Respiro fundo.Penso em tudo o que me trouxe até aqui.A sala colorida da escola.O muffin inesperado.O homem sério demais para o próprio bem.O tio que virou porto.O amante que virou casa.Nunca sonhei com um casamento. Sonhei com amor, e mesmo isso, às vezes, parecia grande demais para caber na minha vida. Mas agora estou aqui, com o coração tranquilo, sabendo que não estou entrando em algo perfeito.Estou entrando em algo verdadeiro.A música começa baixa, suave, e o burburinho do lado de fora se aquieta. Seguro

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 39

    LauraPor um segundo, eu esqueço como se respira.Caine ajoelhado diante de mim não faz sentido nenhum. Não com aquele terno impecável, aquela postura de homem que controla o mundo, aquele olhar que costuma intimidar salas inteiras. E, ainda assim, ali está ele.Vulnerável. Tenso. Com a mão levemente trêmula segurando uma caixinha pequena demais para carregar algo tão grande.Eu sempre achei que reconheceria o momento.Que haveria trombetas, ou fogos, ou algum tipo de aviso divino.Mas não.O momento chega silencioso, vestido de cotidiano, amor e escolhas reais.As palavras dele ainda ecoam dentro de mim.Você bagunçou minha vida.Um sorriso nasce antes mesmo das lágrimas. Porque é verdade. Eu baguncei. Entrei sem pedir licença, com meus vestidos coloridos, minhas crenças improváveis, meu jeito de sentir tudo demais. E ele… ele deixou.Olho para aquele homem que aprendeu a amar do jeito mais difícil: ficando.— Caine… — minha voz sai fraca, emocionada demais para esconder qualquer coi

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 38

    CaineNunca negociei tão mal quanto estou negociando comigo mesmo agora.O espelho do quarto me devolve a imagem de um homem que já encarou conselhos administrativos hostis, audiências jurídicas intermináveis e salas cheias de investidores prontos para arrancar sangue — e que, ainda assim, nunca sentiu esse tipo específico de pânico.Minha gravata está torta.Não porque eu não saiba dar um nó.Mas porque minhas mãos simplesmente se recusam a colaborar.— Calma — murmuro para mim mesmo, ajustando o paletó pela terceira vez. — É só um pedido de casamento.Só.Como se pedir Laura em casamento fosse algo simples. Como se não fosse a coisa mais importante que já decidi fazer em toda a minha vida.Respiro fundo, apoiando as mãos na cômoda. O quarto está silencioso, mas a casa não. Ouço passos leves no corredor, uma risada abafada de Elijah, a voz de Nathan mais forte do que deveria — ainda aprendendo a respeitar os limites do próprio corpo depois da recuperação.Três meses.Três meses desde

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 37

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  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 36

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  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 35

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