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O Primeiro Passo da Dança

last update Fecha de publicación: 2025-07-24 22:47:11

Clarice estava no ateliê, o cheiro de aguarrás ainda no ar, mas agora misturado a uma leve fragrância de lavanda vinda do sabonete que usara. O pincel, antes abandonado, estava em sua mão, mas não tocava a tela. A promessa de Leonardo, a voz rouca no telefone, ainda ecoava em seus ouvidos: "Você me guia, não é?". Guiar. Que ironia. Por tanto tempo ela se sentiu perdida, e agora ele pedia para ser guiado.

A campainha tocou, um som discreto, quase um sussurro. O coração de Clarice deu um salto qu
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Último capítulo

  • O CEO FRIO E A ESPOSA    A Espiral

    A atmosfera na sala ainda pulsava com a energia da espiral de Clarice. A flor de tecido permanecia costurada à tela, irradiando uma serenidade que parecia abraçar a todos. Clarice, ainda com os olhos úmidos, segurava o amuleto prateado contra o peito, como se tivesse guardado dentro dele a voz suave de sua avó.Leonardo, ao lado dela, respirava fundo. Havia uma inquietação em seus olhos, uma mistura de medo e necessidade. Daniel percebeu isso e, com um gesto, aproximou o cavalete e colocou uma nova tela em branco diante dele.— A memória que deseja ser curada não pertence mais à Clarice — disse Daniel, sua voz firme, mas doce. — É a sua vez, Leonardo. O fio que você deixou solto está pedindo para ser tecido de volta.Leonardo aproximou-se lentamente, olhando para a tela como quem encara um espelho. — Meu irmão, Lucas... — a voz dele vacilou, mas ele não desviou o olhar. — Nós crescemos juntos, fizemos tudo juntos. Ele sempre foi meu herói. Até aquele dia...Clarice colocou a mão no om

  • O CEO FRIO E A ESPOSA    O canal da ressonância.

    A pergunta de Daniel pairou no ar, densa e cheia de possibilidades. Clarice e Leonardo se entreolharam, a quietude da sala de Daniel contrastando com a grandiosidade da jornada que tinham acabado de concluir. O cheiro de tinta e a luz do final de tarde que entrava pela janela os trazia de volta, mas a sensação de que a realidade se expandira para muito além de sua compreensão persistia.— Eu… não sei — Clarice respondeu, sua voz ainda um eco da admiração que sentiu no reino dos Guardiões do Tempo. Ela tocou a espiral na tela novamente, e dessa vez, sentiu uma quietude que não existia antes, como se a obra tivesse finalmente encontrado sua conclusão. — Sinto que essa história está completa. Não há mais nada que precise ser feito nela.Leonardo balançou a cabeça em concordância, ainda processando a imagem de Elara e o homem se encontrando em um abraço de luz. — É como se o destino deles tivesse sido restaurado, não mudado. É uma diferença sutil, mas enorme.Daniel se aproximou da tela,

  • O CEO FRIO E A ESPOSA    A viagem do tempo esquecida

    Os três seguiram a trilha de luz, que parecia um rio de estrelas líquidas correndo pela grama brilhante. A cada passo, a paisagem ao redor mudava, as flores exóticas dando lugar a árvores de troncos retorcidos, com folhas em tons de azul e roxo que emitiam uma suave luminosidade. O ar, antes fresco e com cheiro de terra, agora era quente e carregado com um aroma doce, como de frutas maduras ao sol. O céu era um caleidoscópio de cores, sem sol ou lua visíveis, mas com uma luz difusa que iluminava tudo com um brilho etéreo.Leonardo, ainda em estado de choque e maravilha, estendeu a mão e tocou o tronco de uma das árvores. Sua pele sentiu um calor suave, e uma energia pulsante parecia passar da árvore para ele. Ele puxou a mão de volta, assustado, mas também fascinado.— É a memória do lugar — explicou Daniel, sem sequer olhar para trás. — As árvores guardam os momentos. Elas não vivem no presente como nós; elas existem em todos os instantes de sua existência de uma só vez.Clarice, com

  • O CEO FRIO E A ESPOSA    A espiral que abre portas

    Com um suave movimento do pulso, Daniel molhou o pincel em um tom quase transparente de cinza e o passou sobre a espiral dourada que dominava a tela. A tinta não cobriu o dourado; em vez disso, criou um véu de luz, um brilho pulsante que parecia respirar em uníssono com o ar da sala. Leonardo observava cada traço, a intriga dançando em seus olhos. A cada pincelada, a espiral parecia se aprofundar, deixando de ser uma imagem plana para se tornar um portal em miniatura. — Você vai me dizer que... viaja no tempo? — perguntou ele, o meio sorriso de ceticismo tentando, em vão, disfarçar o fascínio. Daniel não tirou os olhos da tela. Sua concentração era total. — Não é bem “viajar”, como as pessoas imaginam — respondeu ele, a voz calma, mas cheia de uma autoridade suave. — É mais como... atravessar. Uma passagem suave, onde cada cor, cada sensação e cada detalhe se conectam a outros momentos que já existiram ou que ainda vão existir. Clarice, que até então estava em silêncio, deu um pas

  • O CEO FRIO E A ESPOSA    Entre Silêncios e Traços

    Clarice se aproximou da bancada, onde a orquídea parecia observar tudo em silêncio. Daniel estava ao lado dela, mas diferente de outras vezes, havia uma calma nova em seu olhar. A presença dele parecia ter se moldado ao ambiente, e não o contrário.— A orquídea… é bonita — ela comentou, quase num sussurro.Daniel assentiu, os olhos na flor.— Trouxe porque ela sobrevive até em lugares improváveis. Achei que combinava com o que estamos construindo aqui.Clarice sorriu de leve. O silêncio entre eles não era desconfortável. Era como uma pausa proposital entre dois movimentos de uma música.— E você? — ela perguntou, sem rodeios. — Por que está mesmo aqui, Daniel?Ele passou os dedos por uma mancha de tinta dourada no balcão e respondeu devagar, como quem escolhe cada palavra com intenção.— Vim pra cá pra viver intensamente o meu sonho de pintar com verdade. De transformar cor em significado. Sempre soube que a arte podia tocar — mas só quando nasce sem pressa, sem armaduras. Como um ens

  • O CEO FRIO E A ESPOSA    Pinceladas Silenciosas

    Na manhã seguinte, o ateliê ainda cheirava a tinta fresca e riso antigo. A pintura da noite anterior secava no canto como um segredo bem guardado. Clarice chegou antes de todos, trazendo pães artesanais embrulhados em papel rústico e um pote de geleia de figo que ela mesma tinha feito — ou tentado.Colocou tudo sobre a bancada e ficou ali um instante, observando o espaço. Cada respingo de cor nas paredes parecia contar uma pequena história. E agora havia uma nova camada, construída a três mãos.Logo a porta se abriu.— Trouxe café decente — anunciou Leonardo, erguendo uma garrafa térmica como se fosse um troféu. — Não que eu não confie em suas habilidades, Clarice… mas confio mais na cafeteria da esquina.— Você quer dizer que não quer reviver a poção de ontem? — ela provocou, recebendo a garrafa com um sorriso.— Prefiro manter meu estômago grato hoje.Daniel chegou em seguida, equilibrando uma caixa de papelão com frascos de tinta, pincéis e… uma orquídea. Pequena, mas viva. Uma flo

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