Compartilhar

CAPÍTULO 3

Autor: MIRANDARP
last update Data de publicação: 2026-02-16 04:57:08

UMA FESTA DE BOAS VINDAS

Naquela tarde o por do sol tingia de dourado as janelas da imponente mansão Salvattore, enquanto Henry e seu avô, tomavam duas xiicaras de café brasileiro no escritório revestido de carvalho. Ele entregou a xícara ao avô, Lorenzo, cujo olhar sagaz ainda retinha o brilho de quem construiu um império do zero.

— Foi melhor do que o esperado, vovô!

Disse Henry, afrouxando o nó da gravata.

— A reunião com a diretoria e os acionistas foi um sucesso absoluto. Os números falaram por si, e o plano de expansão os deixou... bem, devidamente impressionados.

Lorenzo sorriu, brindando silenciosamente. No entanto, o semblante de Henry logo se obscureceu.

— Mas nem tudo foi perfeito. Alguém lá dentro abriu a boca antes da hora. Já vazou que a Salvattore tem um novo CEO. Detesto perder o controle da informação antes de estar tudo assinado e selado.

Lorenzo soltou uma risada rouca e tranquila, recostando-se na sua cadeira de rodas.

— Beba seu café Henry. Relaxe. O fato de saberem que há um novo CEO não é um problema. Na verdade, cria uma expectativa saudável no mercado.

— Mas a discrição era o plano, vovô...

— E o plano continua de pé!

Interrompeu o patriarca com um piscar de olhos.

— Todos sabem que meu neto assumirá o trono, mas ninguém fora daquela sala de reuniões sabe quem é Henry Salvattore. Para os demais funcionários da sede e para a imprensa faminta, você ainda é apenas um nome, um mistério sem rosto. Você passou anos estudando fora, longe dos holofotes. Use isso a seu favor.

Henry caminhou até a janela, observando os vastos jardins da propriedade. Um sorriso astuto começou a surgir em seu rosto.

— Um mistério, hein? —

Henry virou-se para o avô.

— Se ninguém conhece meu rosto, então eu tenho uma vantagem que nenhum outro CEO teve antes.

— O que está tramando?

Perguntou Lorenzo, divertido.

— Eu não vou entrar naquela empresa com tapete vermelho e seguranças na segunda-feira. Vou circular por cada departamento disfarçado. Quero ver como as coisas funcionam quando os chefes não estão olhando. Quero conhecer o caráter de quem trabalha para nós, do almoxarifado ao marketing, sem que eles tentem me bajular.

Lorenzo ergueu o copo em aprovação, o orgulho estampado no rosto.

— É uma tática ousada, digna de um Salvattore. Mas tome cuidado, Henry. Às vezes, a verdade que se encontra nos corredores é mais crua do que qualquer relatório financeiro.

— Henry, deixe os negócios por um momento!

Começou Lorenzo, sua voz carregada da autoridade suave que só décadas de poder conferem.

— Em uma semana, daremos uma festa íntima aqui na mansão. Apenas os amigos mais próximos da família, o cerne da elite milanesa serão convidados.

Henry ergueu o olhar, uma ruga de preocupação surgindo em sua testa.

— Uma festa, agora? Sabe que os olhos do mercado estão sobre nós, avô.

— Exatamente por isso..

Sorriu Lorenzo.

— Será uma celebração da nossa linhagem. Convidei os Conti, os Bernardi e os Valenti. E, naturalmente, eles trarão suas filhas. Moças brilhantes, Henry. Solteiras, bem-educadas e de uma estirpe que poucas vezes se vê hoje em dia. É hora de você escolher uma noiva.

Lorenzo continuou...

_Uma noiva que seja elegante, bonita e conhecida na sociedade italiana.

Henry fechou o laptop com um estalo seco, a expressão endurecendo.

— Isso é um erro. Uma festa com esses nomes vai atrair a imprensa como sangue atrai tubarões. Não quero meu rosto em colunas de fofoca ou fotógrafos escondidos nos jardins tentando capturar qualquer movimento nosso. A privacidade é nosso maior ativo agora.

Lorenzo soltou uma risada curta, balançando a mão no ar como se espantasse uma mosca.

— Você me subestima, meu rapaz. Eu não sou um amador. A segurança será triplicada e o protocolo é absoluto: nenhum celular passará da portaria. A mídia não passará pelo portão principal, muito menos pelos meus homens. Será um bunker de elegância. Nada sai daquelas paredes.

Mesmo com a garantia, o silêncio de Henry foi pesado. Ele se levantou e caminhou até a janela, observando as luzes da cidade começando a brilhar. Ele sabia que o esquema de segurança de Lorenzo era impecável, mas o problema não era o "vazamento" da festa, e sim o propósito dela.

— Não é a imprensa que o senhor está tentando controlar, não é?

Henry disse, sem se virar.

— O senhor quer o meu casamento a qualquer custo. Está organizando um leilão onde eu sou o prêmio e a mercadoria.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • O CEO Italiano e a Brasileira    CAPÍTULO 344

    Elisabetta deu um passo à frente, o olhar duro, porém maternal, trazendo o peso da realidade de volta à sala.— Meu sobrinho... você acha mesmo que ela vai te perdoar? Depois de tudo o que aconteceu? Você chegou noivar com outra, engravidou essa mulher... O estrago foi feito.— Eu sei que o caminho é incerto, tia.Respondeu Nicola, encarando cada um dos familiares presentes com uma determinação inabalável. — Mas eu prometo a todos vocês: vou fazer o que for preciso para reconquistar a mulher que amo. Não importa o tempo ou o preço, vou consertar o erro que cometi quando a troquei por essa ilusão.Sem perder mais um segundo, Nicola deixou a mansão e rumou direto para a sede do Grupo Moretti. Direto no departamento de Relações Públicas, ditou uma ordem expressa. Pouco depois, uma nota oficial era emitida para a imprensa cancelando o casamento de Nicola Moretti e Caterina Visconti.O comunicado era gélido, curto e sem qualquer explicação.Em questão de segundos, a internet ruiu. A notíc

  • O CEO Italiano e a Brasileira    CAPÍTULO 343

    A luz fria das primeiras horas da manhã de sexta-feira mal atravessava as cortinas quando Nicola tomou o telefone. A voz, de tão firme, cortava o silênrio como uma lâmina.— Cancele tudo. Reuniões, assinaturas, almoços. Esvazie minha agenda do dia no Grupo Moretti. Agora.Sem esperar a resposta da secretária, desligou. O ar estava pesado, impregnado com o peso de uma traição que fazia seu sangue ferver. Minutos depois, o som dos pneus cantando sobre o pedrisco da entrada anunciava sua chegada à imponente Mansão Moretti. Ele entrou pela porta principal com passos firmes, o rosto esculpido em tensão, convocando a família para o salão principal. O casamento do século, marcado para o dia seguinte, simplesmente não aconteceria mais.Quando a verdade sobre o clã Visconti e o papel de Caterina na podridão daquela família foi jogada sobre a mesa, o silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. O choque paralisou a sala, a não ser por uma pessoa. Na sua poltrona de couro, o velho Donato apenas ajei

  • O CEO Italiano e a Brasileira    CAPÍTULO 342

    Caterina sussurrou, a voz envenenada, empurrando as mãos da mãe para longe. — Vocês não valem absolutamente nada! Eu só me humilhei, eu só tentei ser a Sra. Moretti para salvar a pele de vocês! Lembra daquele empréstimo, papai? Lembra?! Eu tive que pedir um adiantamento astronômico para que os agiotas não cortassem a sua garganta! O rosto de Stefano empalideceu. Caterina deu um sorriso amargo. — O Nicola descobriu. Ele rastreou o dinheiro, ficou furioso e me confrontou hoje. Eu tive que contar a verdade. E querem saber o que ele disse? Ele me garantiu que não vai descansar enquanto não ver os Visconti mofando na cadeia! — Sua imbecil! Stefano esbravejou, dando um passo ameaçador. — Você acha que nós vamos presos sozinhos? Se nós cairmos, você vai junto, Caterina! Não pense que vai se isentar! Essa família afunda junta. Sua irmã, a Gina, foi infinitamente mais útil que você. Pelo menos ela soube casar com um Moretti no tempo dela e salvou nosso patrimônio naquela época. Agora qu

  • O CEO Italiano e a Brasileira    CAPÍTULO 341

    O rastro de pneu cantou alto na entrada de paralelepípedos, mas Caterina sequer se importou. Ignorou o caminho para sua própria cobertura no centro da cidade; o destino final, inevitável e indigesto, era a Mansão Visconti. Ao cruzar as portas duplas de madeira maciça, a atmosfera pesada do hall parecia congelada no tempo. Na sala de estar, banhada pela luz amarelada dos lustres de cristal, Stefano e Lucrécia Visconti repousavam no sofá de couro. Liam o jornal com uma tranquilidade plácida, a fachada perfeita de uma aristocracia decadente. Contudo, o baque seco da porta contra a parede e os passos descompassados de Caterina quebraram o encanto. Lucrécia foi a primeira a erguer os olhos. Ao ver a filha, os cabelos desgrenhados, o rímel preto escorrendo em sulcos sombrios pelas bochechas e os lábios trêmulos, a taça de chá em sua mão balançou. — Caterina! O que houve, minha filha? Lucrécia levantou-se num pulo, a voz afiada pelo sobressalto. — Olhe para você! Sua maquiagem está tod

  • O CEO Italiano e a Brasileira    CAPÍTULO 340

    O silêncio no escritório era denso, quase sufocante, quebrado apenas pelo som descompassado da respiração dos dois. Nicola deu dois passos à frente, a mandíbula travada, os olhos faiscando com uma mistura de desprezo e alívio tardio. A ficha finalmente tinha caído, e a verdade o queimava por dentro.— Cala a boca, Caterina! A voz de Nicola ecoou, grave e cortante como uma lâmina. — Você não tem moral nenhuma para pronunciar o nome da Gina, muito menos o da Juliana. Eu demorei, mas finalmente enxerguei a jogada. Essa criança... isso nunca foi um acidente. Foi um golpe da barriga friamente calculado.Caterina tentou dar um passo atrás, mas a postura rígida de Nicola a encurralava contra a pesada mesa de mogno.— Agora tudo faz sentido.Ele continuou, o tom subindo carregado de escárnio. — Você esperou a noite perfeita. Viu que eu tinha bebido além da conta, aproveitou o meu estado e mentiu descaradamente dizendo que tomava anticoncepcional só para me impedir de comprar a pílula do di

  • O CEO Italiano e a Brasileira    CAPÍTULO 339

    Nicola estalmou as mãos no peito dela, empurrando-a com uma firmeza que beirava a repulsa. O espaço entre os dois, antes sufocado pelo cheiro pesado do perfume importado de Caterina, virou um abismo.— Não use essa criança para tentar me arrancar o que você quer, Caterina.A voz dele veio baixa, guttural, cortando o ar como lâmina fria.Ela deu um passo em falso para trás, ajustando o casaco sobre o ventre ainda plano. Os olhos brilhavam com uma mistura perigosa de pânico e raiva controlada.— Eu estou gerando o seu filho, o herdeiro que você tanto queria! É assim que você me descarta? Como se eu fosse um fardo?— Chega! Nicola a interrompeu, a voz desprovida de qualquer calor. — Eu vou cancelar tudo. Não vai haver casamento sábado. Nem mês que vem. Nunca. Está me ouvindo? Acabou.O choque desfigurou o rosto perfeitamente maquiado de Caterina. As mãos dela voaram para os próprios lábios, o desespero finalmente quebrando sua compostura aristocrática.— Nicola, pelo amor de Deus! Você

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status