LOGINCapítulo 110 — Fora de ControleJonathan RhodesPassar os últimos dias sendo tratado como um mero superior burocrático já vinha testando o limite da minha sanidade. No trajeto de carro até o hotel, cada resposta afiada e polida que ela me deu foi como levar um soco seco no estômago. Eu sabia que merecia a distância, sabia que a ferida que abri não cicatrizaria com buquês ou almoços entregues na mesa dela. Ao contrário do que ela pensava, eu estava pouco me lixando para a droga daquele contrato; tudo o que eu queria era a minha mulher de volta. Mas vê-la ao meu lado, radiante naquele vestido verde-esmeralda, intocável sob luvas longas de cetim e me tratando feito um estranho de negócios, me deixava à beira de perder o controle.“Sorria para as câmeras, senhor Rhodes.”Aquele sussurro irônico de Alice na entrada do tapete vermelho continuava queimando a minha pele.Diante da barreira de fotógrafos e repórteres, os flashes espocavam em sequência contínua. Nós paramos para as fotos protoc
Capítulo 109 — As Regras do ContratoAlice CarsonOuvir Jonathan usar o peso institucional da holding para me encurralar no final do expediente foi um golpe amargo no estômago.A sensação de aperto no peito que se seguiu não tinha nada a ver com o enjoo do início da gestação; era pura desilusão. Por um momento, durante esse tempo em que nos aproximamos e dividimos a mesma cama, cheguei a acreditar que estávamos construindo algo genuíno, longe das amarras que nos uniram. Mas ver o homem diante de mim recorrer com tanta naturalidade às exigências do nosso acordo de casamento foi um choque de realidade doloroso. Jonathan nunca havia me dito que me amava; o que tínhamos era intensidade, atração e uma cumplicidade que ruiu no primeiro obstáculo. Para ele, no fim das contas, a solução mais prática continuava sendo acionar a conveniência daquele maldito papel que assinamos.Engoli o nó seco na garganta e sustentei o olhar dele. Se era para jogar com base em regras corporativas e manter as
Capítulo 108 — Rastejando no Próprio ImpérioJonathan RhodesO silêncio daquela cobertura conseguia ser mais ensurdecedor do que qualquer discussão acalorada.Cada metro quadrado de mármore e vidro em Seaport parecia amplificar a ausência de Alice. Sem o riso dela, sem o cheiro suave de baunilha e jasmim no ar, aquele espaço impecável tinha deixado de ser um lar para se tornar apenas uma estrutura fria e funcional. Passei as últimas noites praticamente em claro, encarando o teto escuro da suíte enquanto repassava cada fração de segundo daquela noite no hospital. Na gaveta da minha mesa no escritório da cobertura, o pendrive com a gravação do ultrassom que Edward havia me entregado descansava no mesmo lugar. Bastava plugar o arquivo no computador para que a imagem daquele ponto diminuto e o eco do seu coraçãozinho acelerado voltassem a rasgar o meu peito no silêncio da madrugada.Eu era pai. E a mulher que gerava o meu filho preferia a distância fria da casa dos pais a respirar o mes
Capítulo 107 — Tratamento de ChoqueAlice CarsonTrês dias foram suficientes para eu entender que a dor não diminui, mas a nossa postura diante dela precisa mudar.Ficar na casa dos meus pais foi o melhor remédio que eu poderia ter escolhido. O carinho silencioso da minha mãe, as xícaras de chá quente trazidas na hora certa e a presença protetora do meu pai reconstruíram um chão firme sob os meus pés. A suplementação de ferro e as vitaminas prescritas por Edward devolveram a cor à minha pele e a firmeza às minhas pernas. Os primeiros sinais de enjoo matinal começavam a despontar — ondas sutis de náusea ao acordar —, mas nada que alguns biscoitos secos de gengibre não resolvessem.Eu não ficaria trancada em um quarto lamentando um casamento que desmoronou. Conquistei meu espaço e minhas responsabilidades ali com dedicação, e não abriria mão do meu trabalho nem me esconderia por causa do que aconteceu. A dor ficaria guardada no peito; para o mundo lá fora, eu continuava desempenhando m
Capítulo 106 — Pagando o PreçoJonathan RhodesAcordei com o corpo moído e o pescoço latejando contra o encosto duro da poltrona de couro da sala de espera. O zumbido distante do ar-condicionado do hospital misturava-se à luz fria da manhã que começava a invadir os corredores. Eu não havia dormido de verdade; apenas apaguei por breves intervalos de exaustão, assombrado pelo eco daquele batimento cardíaco acelerado e pelo olhar dilacerado de Alice antes de me mandar embora.Passei as mãos trêmulas pelo rosto, sentindo a pele áspera pela barba por fazer e a queimação nos olhos secos. Levantei-me no instante em que as portas do elevador social se abriram no saguão principal, revelando a figura dela apoiada no braço de Emily.Aquele momento ainda ardia na minha memória como uma ferida aberta.Ver Alice caminhar devagar, com a palidez denunciando o quanto o corpo dela havia sofrido nas últimas horas, foi como levar um golpe na boca do estômago. Dei um passo em sua direção, despido de qualq
Capítulo 105 — Refúgio e DistânciaAlice CarsonA luz cinzenta do amanhecer infiltrava-se pelas persianas entreabertas do quarto hospitalar, desenhando réguas pálidas sobre o piso de vinil. Fiquei imóvel sobre o colchão fino, encarando o teto branco enquanto o mundo lá fora despertava em um ritmo indiferente à minha dor.Eu desejei com todas as minhas forças que as últimas doze horas tivessem sido apenas um delírio febril provocado pela anemia. Queria acordar na nossa cama, sentir o peso protetor do braço de Jonathan ao redor da minha cintura e rir da loucura de um pesadelo absurdo. Mas o plástico rígido da pulseira de identificação no meu pulso e a gaze cirúrgica colada na dobra do meu cotovelo eram lembretes brutais demais.Tudo tinha acontecido. Cada palavra sórdida. Cada acusação cuspida com desprezo cirúrgico.Fechei os olhos com força, sentindo as pálpebras arderem. Horas depois de ter me deixado em pedaços, ainda na noite anterior, eu havia escutado. Ouvi os passos afobados no







