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Capítulo 2

last update publish date: 2026-09-29 21:46:24

Samantha Ferraz

Quando adentramos nossa residência eu e Nando logo que deixamos o carro na garagem, somos recebidos com o olhar reprovador de meu pai. Nando se jogou no sofá da sala mostrando rendição ao que vinha por aí.

Lá vem ele! Que ótimo!

Meu pai cruza a sala com sua bermuda em tecido tactel deixando visível as pernas super torneadas dele e o abdômen sarado. Os olhos verdes brilhantes me encara e eu só faço careta diante aquela posição de mandão da casa.

— Que é coroa?— Ele se j**a no sofá no exato momento em que sibilo a palavra "c o r o a" pausadamente, vejo minha mãe descer as escadas com suas costumeiras pantalonas soltas e regata.

— Scott, deixa a garota em paz.— A voz poderosa dela faz meu pai virar a cabeça para observá-la.

— Tá vendo porque ela não me respeita?— Ele passa a se fazer de vítima cruzando os braços contra o peito cobrindo uma parte da tatuagem que pega de sua costela ao peito.

— Pensa só, ela não dá nem um terço do trabalho que dei ao meu pai.— Mamãe se senta ao lado dele no sofá reposicionando a cabeça dele pelo ombro dela.— Relaxa, ainda vai piorar, ela ainda nem te apresentou um namorado.

As palavras ditas por minha mãe era como atiçar fogo com gasolina. Meu pai deu um pinote do sofá olhando de mim pra minha mãe.

— 50 anos dona Samantha, você lembra do nosso contrato.— Meu pai se aproxima me puxando em seu braço num fingido mata leão e eu só consigo sorrir daquela palhaçada sem cabimento.

— Pai, eu deveria ter puxado a você com esses seus olhos verdes incrivelmente lindos — Movo o corpo para cima me desprendendo do golpe agora o encarando.— Ou puxado pra mamãe com o belo corpo esbelto dela, mas sinceramente só herdei a parte da pegação sem sentimento, pai.

Os olhos de Scott Ferraz estavam prestes a cair do rosto aquele exato momento ao ouvir a palavra "pegação".

— E desde quando eu quero que fique nessa história de pegação? Um dia eu fui assim mas não quero que você seja, muito menos seu irmão. Mas precisa lembrar que nosso acordo era 50 anos pra você começar namorar.— Ele volta tocar no assunto do contrato que me fez assinar com cinco anos de idade.

Ninguém conhece Scott Ferraz como ele realmente é, o pai extremamente ciumento. Segundo as histórias eu era o sonho dele, inclusive a escolha pelo nome também veio dele. Não sei se deve fazer parte dos pais essa parte desesperada por medo das filhas namorarem, mas o meu é bem pé no saco.

— Olha, pelos meus cálculos só são mais 26 anos, então tá de boa, da de esperar pra namorar sério. Não posso deixar de me divertir nesse meio período, mas não se preocupe, não vou apresentar nenhum namorado ao senhor.

Pego carreira direção a escada antes que seu braço me segure, dou as costas para eles ouvindo todo seu desgosto de sua filha gostar de não ter sentimentos, e também algumas frases meio machistas no meio.

Dou calado como resposta às suas perguntas que nem me esforcei em escuta-las direito.

— Blá blá blá blá blá

Cantarolo assim que subo a escada e me deparo com as portas dos quartos na parte esquerda do corredor. Sigo direção ao meu que fica no meio, segunda porta ao lado do quarto do meu digníssimo pai.

Tinha que ser né!

Assim que adentro o meu quarto jogo minha bolsa em cima de um dos pufes que tenho espalhados ao pé da cama. Solto os cabelos do coque percebendo o estado seco e extremamente farofado que ele se encontra.

— Você precisa de socorro urgentemente.

O led do closet se acende assim que paro de frente à porta de vidro que se abre automaticamente por sensor. Paro o trajeto antes de adentrar ao closet sentindo uma sensação estranha no meu quarto.

Meu nariz é inundado por um cheiro fraco indescritível, primeiro acho que é perfume masculino, depois pondero sobre a possibilidade do aromatizante utilizado pela faxineira ter sido outro que não conheço.

Volto meu trajeto agora parando de frente à porta do banheiro. Resolvo tomar um banho demorado e refrescante, aproveito pra recuperar os cabelos que um dia tive.

Vinte minutos depois eu me encaro frente ao espelho observando o short baby door meio apertado nas pernas.

— Umm...— Encaro a blusa de alça fina também apertada ao corpo.— Samantha Samantha, até que você ta ficando gostosinha.— Empino o bumbum na expectativa de que ele esteja de fato mais visível.

Eu sou completamente complexada com o fato de minha família ter corpos tão atraentes e eu ser a única decepção nesse quesito. Retiro a toalha da cabeça sacudindo o cabelo para os lados.

Minha visão se fixa na janela de vidro do quarto aberta e a cortina pela metade. Fico estática por alguns segundos e me questiono como ela pode estar aberta?

A escova que pretendia usar nos cabelos escorrega pra baixo da cama e eu xingo internamente a teimosia do simples objeto. Quando ergo meu corpo de uma vez meus pulmões são tomados por uma fumaça repentina no quarto.

Me mantenho aérea tentando entender que fumaça alastrante era aquela. Sinto o peito arder e antes que possa controlar sou envolvida numa tosse repentina que não dá pra controlar. Era como uma espécie de algum gás estranho que impossibilitava a respiração rapidamente. Meus olhos lacrimejam de imediato. Minha garganta queima. Cubro o rosto sentindo o meu corpo fraquejar e antes que possa raciocinar caio contra o chão numa tosse fervorosa.

Tento usar minhas únicas forças na tentativa de chamar os meus pais. Com isso eu tento:

— Pai...— Minha garganta seca rapidamente pelo simples fato de ter aberto a boca. Cubro meu pescoço enquanto puxo a respiração que está cada vez pior. Tento me rastejar até a porta, mas aparentemente eu não conseguia fazer mais nada. A minha garganta estava queimando em meros segundos e os meus olhos completamente marejados. Minha pele começa arder, eu simplesmente não consigo me mover.

Minha visão começa escurecer e tudo que pude ver antes da escuridão, foi uma sombra borrada ao pé da janela me observando morrer sem prestar nenhum auxílio.

CONTINUA...

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