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Roberto Johnson
"Sede de vingança" Desde que me entendo por gente fui influenciado a odiar aquela família! Sempre foi como questão de honra. Meu pai tinha muitas histórias sobre aquela família. Era compreensível todo seu rancor. Com o tempo e com seus esforços eu passei a detestar o simples sobrenome "Ferraz" Usei essa vingança como propósito de vida. Com o tempo o ódio do meu pai foi passado para mim, e vigiar cada passo deles era o que me dava mais prazer. Eu tinha prazer em vê-los sofrer. Quando o filho mais novo da família foi atropelado, embora eu não tenha sido o culpado pelo ocorrido, vibrei com aquele acontecimento. Eu sentia ódio da prosperidade dos Ferraz, e jurava a mim mesmo em ser o responsável por derrubar tudo que eles haviam construído. Quando aquela garota nasceu eu senti que finalmente poderia ter uma possibilidade de finalmente colocar em prática os nossos planos sujos. Aos 16 anos meu pai finalmente me delegou o primeiro passo do plano. — O que conseguiu até aqui, Roberto?— Meu pai questionou sobre a bancada do seu escritório particular na nossa casa. A mesa de madeira rústica e altamente elegante o tornava imponente e dono do mundo. Pelo menos era a visão infantil que eu sempre tive dele. — Consegui colocar uma escuta no quarto da garota. — Me posicionei frente à bancada dele, mantendo o rosto baixo e os olhos fixos ao tapete escuro de couro próximo a sua mesa. — Você é mesmo um Johnson — Ele gargalhou, foi um sorriso macabro, completamente assustador, no entanto, eu vibrava com aquilo mais do que sentia medo. Sonhava em ser poderoso e amedrontador como o meu pai. — Você vai se aproximar da garota, mas precisa ser extremamente calculista. — Ele pausou a fala ao passo que rodeava a bancada e parava a minha frente. — Se colocar tudo a perder será expulso da família, jamais será considerado meu filho. A voz predominante e poderosa do meu pai causou um medo aterrorizante em mim, meu peito pesou, a respiração se tornando pesada, as mãos até começaram suar, eu jamais o decepcionaria! Ele não era o único a odiar aquela família eu estou decidido; vou ser o orgulho que ele espera. — Eu me vingarei deles por nossa família, papai. Naquela tarde eu voltei vigiar a residência, mas diferente das outras vezes a garota loira ousou desobedecer aos pais. Afinal, só isso explicaria o fato para ela estar na frente da casa da família às escondidas e fora da bolha a qual os pais a criara. Observei ela subir num skate rosa e preto completamente horroroso. Como uma garota de nove anos pode gostar de andar de skate? Mantive meus olhos fixos sobre ela vendo que ela estava quase sendo atropelada. Com impulso corri em direção à garotinha, mas parei a corrida bruscamente ao recobrar o juízo. Qual a necessidade de me preocupar com ela? Ela poderia morrer, na verdade eu amaria ver isso. Soltando a respiração em uma lufada de ar forte, cruzei os braços jogando os meus cabelos médios para trás. Guiei minha mão direita direção a minha cintura, retirando o boné que estava preso no meu cinto. Logo o depositei sobre a cabeça. Observei a garota gargalhar enquanto subia mais uma vez no skate e puxava corrida fazendo o próprio se mover de forma rápida. Ela fez uma manobra no meio fio e naquele momento eu pensei que aquela não era uma garota nada comum. Aos nove anos Samantha Ferraz fazia manobras escondidas na pracinha de frente à mansão da família como se de todos os luxos que ela tinha, ser livre, era o único que de fato parecia interessante e cativante para a jovem. Contudo, o momento mágico acabou quando a pobre garota desequilibrou e caiu sobre o meio fio soltando um grito nada contido. Na tentativa de ajudá-la voei em direção a ela antes mesmo de pensar, mas era um pouco tarde, constatando o corte na testa dela e a expressão chorosa que ela esboçava aquele justo momento. — Vem, eu te ajudo a levantar— Ofereci a mão e ela a recebeu sem pensar nem mesmo por um segundo, com força a ergui do chão desajeitadamente.— Se machucou em mais algum lugar que não seja esse corte na testa?— Observei o medo transparecer na expressão da loirinha. — O meu pai vai me matar. — A voz angelical e levemente rouca da garota me fez observa-la melhor fixamente. Estranhamente, a voz dela não era nada esperada de uma criança de nove anos. — Qual o problema de fazer o que você gosta? Ninguém pode tirar isso de você, nem mesmo seu pai. — Os olhos da loirinha brilharam, o castanho mel dos seus olhos se tornou mais vivo e suas bochechas ficaram rosadas. Enquanto analisava toda aquela reação física, me questiono mentalmente o motivo para tal ocorrido. Ela estava alegre mesmo a testa escorrendo uma linha de sangue. Ali vai ter uma cicatriz e provavelmente nem ela futuramente lembre o motivo. — Eu sou Samantha, e você é...?— Recobrei o juízo ao som da voz rouca e agradável da jovem loirinha. Ela se manteve parada ao fim da frase. Os olhos brilhantes de expetativa. E por alguns segundos eu me questiono o que diabos estou fazendo? A garota é apenas uma criança, eu sou uma criança! Não tenho o coração tão rancoroso como deveria e isso é um problema. Dando as costas para ela, balancei a cabeça negativamente enquanto os meus pensamentos distorcidos tomavam conta aquele momento. — Isso é falta de educação, perguntei seu nome.— O tom agora era autoritário, o que me fez girar o corpo para encara-la. — Você é muito uma pirralha, não acha?— Me aproximei numa tentativa de amedronta-la.— Eu poderia sequestrar você, sabia disso?— A garota simplesmente sorriu e aquilo foi a coisa mais bizarra que já vi na vida. Na verdade eu acho que nunca se quer presenciei algum sorriso como aquele, isso me ocorreu em questionar mentalmente o motivo para o sorriso. Ela não tem mesmo noção do perigo? — Papai diz que eu gosto do perigo.— Ela tinha prazer em dizer aquilo, com certeza a família Ferraz estaria ferrada sem muito esforço de minha parte. Senti um triunfo crescer dentro de mim aquele exato momento, pois eu sabia que conseguiria atingir meus objetivos com mais facilidades do que pensava. Samantha Ferraz não imagina o que a aguarda!Samantha Ferraz No dia seguinte, como era de se esperar, acordo atrasada. Percebo isso no instante em que abro os olhos e vejo o relógio sobre o criado-mudo.— Mas que inferno!— Resmungo e bato nas costas de Giovana, que se assusta e cai do outro lado da cama com um estrondo.Fico estática, observando sua cabeça surgir lentamente por cima da cama. A cena é assustadora. Era como presenciar uma cena do filme o grito. Seus cabelos bagunçados e embaraçados cobrem praticamente todo o rosto.— Está explicado por que você está solteira até hoje. Assim, mataria qualquer namorado que tivesse.— Saio da cama num salto e corro em direção à porta.— Para onde você vai? — Gio pergunta com a voz rouca de sono, esfregando o rosto com as mãos.— Estou voltando à minha vida. Hoje tem faculdade e, para variar, estamos atrasadas.Gio salta do chão como um pinote e corre em direção ao banheiro como uma bala.— POR QUE NÃO ME AVISOU ANTES, SUA VACA?! — grita assim que fecha a porta.— Se vira, mosca morta
Samantha Ferraz Mesmo contra a janela e sob a luz azulada da lua, consigo enxergar sua pele esbranquiçada por baixo do capuz.Ele também me vê, e, pela expressão em seus olhos, sei que não esperava me encontrar ali. Aproximo-me, ele dá um passo para trás. Depois, outro.Mas, por mais que tente, eu o peguei.Deixo escapar um riso. Meu tão sonhado encontro finalmente aconteceu. A menos que ele se jogue pela janela, não existe outra saída.— Como ousa tentar me matar?— Minha voz sai baixa.O homem tensiona o corpo. Ele vira o rosto para o lado, provavelmente tentando pensar em uma maneira de sair daquela situação.— Me responda agora!— Ergo o vaso.Vejo seus olhos se arregalarem. Ele acredita que estou apenas tentando me proteger. Que estou blefando, mas não estou.Eu queria mais do que tudo acabar com aquilo.Acabar com o medo, com a insegurança e com a sensação de estar sendo observada e perseguida. Minhas mãos tomam uma decisão antes que meu cérebro consiga impedir. E, no segundo seg
Samantha Ferraz Minhas noites não têm sido nada tranquilas.Primeiro, não consigo dormir direito. Normalmente, só consigo pegar no sono depois de colocar os fones de ouvido e ouvir músicas relaxantes. A falta de sono está diretamente relacionada ao ocorrido no início da semana. Mesmo tendo conseguido entrar no meu quarto ontem, hoje não consegui fazer o mesmo. Ainda assim, passei um bom tempo parada diante da porta, observando-a. Também tenho olhado constantemente pela janela do último quarto, o quarto de hóspedes onde estou dormindo temporariamente.Ainda me questiono, incansavelmente, como alguém conseguiu não apenas entrar na minha casa, mas também no meu quarto. Essa pessoa precisou de tempo para descobrir qual dos quartos era o meu. Isso me faz pensar que talvez eu esteja sendo perseguida há muito mais tempo do que imagino.Além de tudo isso, ainda tenho outras perguntas. Por que eu? O que eu fiz? Por que alguém tentaria me matar?Juntando tudo, chego à simples conclusão de que
Roberto Johnson — É minha irmã. Samantha Ferraz. Pode me dizer como ela está? Falo a primeira idiotice que vem na minha cabeça. Ela continua me observando atentamente, como se tentasse descobrir se estou mentindo.— Tudo bem. Precisaremos do seu documento de identificação.— Quê?— Suspiro, frustrado, apoiando o rosto nas mãos.— Minha senhora, acredita mesmo que eu ando com documento no bolso? Mas, se faz questão de saber, meu nome é Fernando Ferraz, tenho vinte anos. Sou filho de Laylla Ferraz e Scott Ferraz. Meu pai é clínico geral neste hospital e minha mãe é proprietária da FerrazTech Infraestrutura, responsável por algumas das maiores construções do Rio de Janeiro. Nasci no dia oito de novembro e curso Medicina. Atualmente estou no terceiro período da Universidade Federal do Rio de Janeiro...— Ela interrompe meu discurso com um pigarro.— Espero que entenda que não passamos informações de pacientes para estranhos. Mas, sinceramente... depois de tudo isso que você disse, é difíc
Roberto Johnson Encerro meu conflito ao entrar de uma vez no box.Quando a água gelada atinge minha pele, sinto um alívio imediato. Solto o ar que prendia e fecho os olhos, aproveitando a sensação. Mas, no instante em que faço isso, imagens borradas invadem minha mente, obrigando-me a abri-los novamente. Sacudo a cabeça, tentando afastar aqueles flashes. No entanto, quando fecho os olhos outra vez, enquanto a água escorre pelo meu rosto, volto a ver Samantha desacordada, a pele cada vez mais avermelhada pela reação alérgica.— Aar! — rosno para mim mesmo.É impossível controlar.Saber o que poderia ter acontecido me assusta mais do que gostaria de admitir.Acima de tudo, os acontecimentos da noite anterior pesam sobre meus ombros. O noivado repentino e a falta de aprovação do meu pai tornam tudo ainda mais difícil.Quando termino o banho, apoio as mãos na parede do box por um breve instante.Eu não posso falhar agora.Preciso ajustar o plano e garantir que não haja mais erros.Aperto
Roberto Johnson Como todos os dias, acordo às 5h da manhã. Inacreditavelmente, não consigo dormir mais do que isso. É estranho acordar quando tudo ainda está escuro, principalmente porque é difícil encontrar algo para fazer nesse período. Por isso, há seis meses, optei por mudar completamente minha rotina.Às 5h, faço meus exercícios físicos na academia de casa. Às 6h, logo após o treino, saio para uma caminhada relaxante pelas proximidades, que dura cerca de trinta minutos. Normalmente, às 6h30, já estou de volta para meu banho matinal. É extremamente confortante. Depois dessa rotina, sinto que o mundo pode até desabar sobre minha cabeça e, ainda assim, estarei preparado para tudo. Pelo menos era isso que eu acreditava segundos antes de receber um telefonema de Júnior, meu comparsa no plano contra os Ferraz. Estranho o fato de ele ligar tão cedo, mas espero que explique o motivo da chamada. Talvez sejam notícias da loirinha.— Roberto? — A urgência na voz de Júnior me deixa imediat







