Compartilhar

Capítulo 2

Autor: Kayla Sango
last update Data de publicação: 2024-03-18 04:56:05

– Você? – Joyce tenta conter um risinho. – É competente de mais para esse emprego.

– Competente demais para ser secretária e competente de menos para a vaga na minha área? – Franzo a testa. Resolvo ignorar Joyce e falar diretamente com Vitor Oeri. – Quero entrar para o grupo Oeri. Sempre foi meu sonho. Se tiver que começar de baixo e aprender as coisas de dentro, não tenho problemas com isso.

– Se conseguir acessar o computador da Camilla e imprimir o arquivo que preciso, está contratada.

– Eu consigo – garanto.

Apesar de que... invadir o computador de outra pessoa não era exatamente a função de uma secretária. Mas eu estava com sorte. Um dos meus melhores amigos da faculdade era hacker e tinha me ensinado alguns truques. Eu não acreditava que a senha dela fosse ser algo muito difícil de quebrar. Não uma senha de um computador de trabalho.

– Ótimo. Venha comigo.

Vitor Oeri era tão intimidante quanto diziam todas as milhares de reportagens que eu tinha lido sobre ele. Quando ele passava pelos corredores do escritório, em direção aos elevadores, exibindo sua cara carrancuda de quem estava visivelmente irritado, as pessoas chegavam a abaixar a cabeça ou desviar o olhar.

Quando entramos no elevador e a porta se fecha, o desconforto é tanto que sinto como se todo o ar tivesse sido sugado do ambiente. Tento me distrair, olhando a minha imagem no espelho e usando os dedos para pentear e colocar minha franjinha rebelde no lugar. Meus cabelos negros eram muito lisos, mas às vezes achava que a franja tinha vida própria.

Ouço uma risada baixinha e percebo que Vitor está me observando.

– O quê? – Pergunto. Sua risada me irritando ao ponto de me fazer esquecer de que eu estava falando com meu futuro chefe.

– Você tem o mesmo hábito da minha filha.

– Sua filha? – Eu me derreto completamente a menção da minha filha.

– Clara... – ele diz, como se eu não soubesse. – Ela também arruma a franja desse jeito. É adorável.

Eu sorrio, imaginando que, mesmo sem a convivência, minha garotinha e eu tínhamos algo em comum. Acho que Vitor pensa que estou sorrindo pra ele, porque sorri de volta.

– Ela é linda – digo. – Já vi fotos.

– Gosta de crianças, senhorita... ?

– Luna. Luna Castilho.

– Gosta de crianças, senhorita Castilho?

– Sim... – ainda mais de uma, em especial.

– Eu também. Trazem mais vida para o nosso dia a dia.

É, eu sei que gosta. Gosta tanto que roubou a minha. Durante anos eu me perguntei... Por que eu? Por que a minha garotinha? Foi só a convencia de eu ser uma jovem vulnerável sem ninguém ao meu lado naquele hospital ou tinha algo mais por trás? Talvez fosse a aparecia... O mesmo tom de olhos verdes que nos três compartilhávamos, o cabelo liso, o tom da pele... Ao menos vendo por foto, ninguém diria que Clara não era filha dele. Não era tão parecida com Marina Oeri, a esposa de Vitor. Mas era muito parecida com ele. E comigo. De qualquer forma, os motivos não me importavam mais. Eu tinha transcendido a todos os questionamentos. Todos os meus esforços estavam concentrados em tê-la de volta.

– Por favor... – Vitor faz um gesto para que eu vá na frente, quando as portas do elevador se abrem.

Entro em um amplo salão, com confortáveis sofás de couro, uma parede de vidro com vista para o mar e uma mesa enorme com dois computadores. Parecia a sala de espera para aqueles que agendavam um horário com Vitor.

– Faça sua mágica – ele aponta para um dos computadores e eu rapidamente corro para trás da bancada, assumindo meu lugar em uma confortável cadeira de escritório. – Cinco minutos? – Ele pergunta, mas soa mais como uma ordem.

– Cinco minutos? – Me altero. Ele era louco ou o quê?

– Algum problema? – Me desafia com o olhar, indo sentar-se na cadeira de couro com encosto alto mais próxima da minha mesa e tirando o celular de dentro do bolso interno do blazer. – Não costumo ter muito tempo a perder, senhorita Castilho.

– Nenhum problema – minto.

Eu tinha todos os problemas. Primeiro, eu não sabia onde ficava nada. Segundo, eu nem mesmo sabia a senha da internet. Terceiro eu precisava de um pen drive ou um HD externo onde eu pudesse baixar um programa que... Respiro fundo. Eu estava surtando. Tudo que eu precisava era relaxar, pesar menos e executar mais.

– Na verdade... – digo. – Qual a senha da internet?

– Primeira gaveta à direita – ele responde, sem ao menos levantar os olhos do celular.

Abro a gaveta e encontro uma agenda. Camilla, ao menos, era bem-organizada. Na verdade, ela era muito bem-organizada! Sorrio, irônica. O implacável senhor Oeri não tinha sido inteligente o suficiente para procurar a senha do computador na agenda da sua secretária?

– Qual o arquivo que o senhor precisa? – Pergunto, minha voz soando vitoriosa.

– Você conseguiu? – Ele finalmente me olha, a testa franzida em surpresa.

– Eu disse que conseguiria.

– Ótimo. É o projeto do Oasis Spa, deve estar com a data de hoje.

Demoro um pouquinho para me encontrar. Infelizmente o computador de Camilla não era tão organizado quanto sua agenda. Mas logo identifico o arquivo e envio para a impressão. O barulho sutil da impressora atrás de mim faz com que eu corra até ela para recolher os papéis. Confiro tudo e coloco dentro de uma das muitas pastas que encontrei nas gavetas.

– Prontinho... – caminho até Vitor e lhe estendo a pasta.

Ele confere o relógio antes de se levantar e retirar a papelada de minhas mãos.

– Seis minutos e meio.

Ele não diz mais nada, ou ao menos me olha, antes de sair andando confiante em direção a uma porta que ficava à direita da minha mesa. Presumo que seja sua sala.

Seis minutos e meio? Eu tinha salvado a porra da bunda daquele babaca e tudo o que ele me dizia era “seis minutos e meio”? O que isso queria dizer? Eu estava sendo dispensada por causa de um minuto e meio? Sinto meu estômago afundar. Não era possível que eu perderia uma chance daquelas por causa de um minuto e meio. Não podia ser sério.

– Me traga um café... – Vitor abre novamente a porta, apenas o suficiente para colocar a cabeça para fora. – Puro e forte.

Concordo com a cabeça, enquanto tento conter um sorriso. Eu tinha sido contatada.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • O CEO Que Roubou Minha Filha   Epílogo

    O topo da Torre Eiffel brilhava sob as luzes de Paris, uma visão deslumbrante que parecia saída de um daqueles contos de fadas que Clara ainda insistia que os pais lessem para ela antes de dormir. A cidade se estendia abaixo, e o céu noturno estava pontilhado de estrelas, criando o cenário perfeito para um momento tão especial. Vitor e Luna, cercados por amigos e familiares, estavam prestes a renovar seus votos de casamento, simbolizando um novo começo em suas vidas.Luna, usando um deslumbrante vestido branco, segurava a mão de Vitor com firmeza, seu coração batendo acelerado de emoção. Pouco mais de um ano havia se passado desde o dia em que Lucas nascera, e aquele dia marcava não apenas a renovação dos votos, mas também a celebração de um amor que havia superado tantos desafios.Clara, agora com sete anos, era a daminha de honra. Ela estava radiante em seu vestidinho florido, segurando um pequeno buquê de flores. Lucas, nos braços de Lorena, observava tudo com seus grandes olhos cur

  • O CEO Que Roubou Minha Filha   Capítulo 141

    O frio do ambiente estéril do hospital me envolveu assim que fui levada para a sala de cirurgia. As luzes brilhantes do teto ofuscavam minha visão, projetando halos cintilantes que me deixavam momentaneamente desorientada. O som constante e ritmado dos monitores de batimentos cardíacos ecoava pelos meus ouvidos, amplificando a sensação de urgência que permeava o ar. Eu só conseguia pensar em Vitor segurando minha mão até o último momento permitido, seus dedos apertando os meus com uma mistura de preocupação e determinação. O medo que ele tentava disfarçar espelhava o meu, criando uma conexão silenciosa e intensa entre nós.— Vamos cuidar de você, Luna — disse uma das enfermeiras, tentando me tranquilizar enquanto ajustava os aparelhos ao meu redor. Sua voz era suave e reconfortante, mas não conseguia dissipar a sombra de pânico que pairava sobre mim.Eu apenas assenti, tentando manter a calma. O medo pela minha vida e pela de Lucas era avassalador, uma presença opressora que se instal

  • O CEO Que Roubou Minha Filha   Capítulo 140

    ~VITOR~A sala de espera do hospital estava preenchida com dor e sofrimento. Cada segundo se arrastava como uma eternidade. Sentei-me numa cadeira dura e desconfortável, tentando manter a calma enquanto aguardava notícias de Luna e Lucas. O som dos meus próprios pensamentos era ensurdecedor, uma mistura de medo e esperança.Cada minuto que passava era uma tortura. As memórias de Luna e eu juntos invadiam minha mente, desde o nosso primeiro encontro até os momentos mais recentes de felicidade e amor. A imagem de Clara, nossa pequena menina, brincando feliz em casa, misturava-se com a visão do futuro incerto. Eu precisava ser forte, por ela, por Luna e por Lucas.A sala de espera estava quase vazia, apenas algumas pessoas sentadas em silêncio, provavelmente passando por suas próprias provações. Olhei ao redor, tentando encontrar algum consolo, mas tudo parecia frio e distante. Fechei os olhos por um momento, tentando acalmar a mente turbulenta. Era quase impossível.O médico finalmente

  • O CEO Que Roubou Minha Filha   Capítulo 139

    Nos dias que se seguiram, Vitor e eu planejamos uma festa íntima para comemorar os dois meses da cirurgia de Estela e Clara. Queríamos celebrar a vida e a recuperação das pessoas que amávamos, e uma reunião na cobertura do nosso apartamento parecia perfeita. A decoração foi simples, mas aconchegante, refletindo a atmosfera de amor e gratidão que permeava nosso lar. Convidamos apenas amigos próximos e alguns amiguinhos de Clara para brincar na piscina.No dia da festa, o céu estava claro e ensolarado, criando o cenário perfeito para nossa celebração. Clara estava radiante, correndo pela cobertura e brincando com seus amigos, a energia contagiante das crianças enchendo o ambiente de alegria. Eu estava deitada na espreguiçadeira, observando tudo com um sorriso no rosto. Embora minha condição exigisse repouso, ver a felicidade de Clara e de nossos amigos fazia tudo valer a pena.Vitor estava ao meu lado, atento a cada necessidade minha. Ele trazia petiscos e bebidas (não alcoólicas, claro

  • O CEO Que Roubou Minha Filha   Capítulo 138

    Deitada na cama, sentia uma mistura de tédio e inquietação. O repouso forçado parecia uma sentença de prisão, e cada minuto se arrastava interminavelmente. Eu sabia que era necessário, mas isso não tornava a situação menos frustrante. Olhei para o teto, tentando encontrar algum alívio nos desenhos das sombras, mas minha mente voltava sempre ao mesmo ponto: a ansiedade pela saúde do bebê e pela minha própria. Sentia falta de estar ativa, de poder cuidar de Clara e ajudar Vitor nas pequenas coisas do dia a dia. Agora, tudo o que podia fazer era esperar e torcer para que tudo ficasse bem.Nas semanas que se seguiram, Vitor provou ser um apoio inestimável. Não que ele já não fosse antes, é claro. Mas ele estava tão dedicado! Cada dia, ele trazia uma pequena surpresa para mim, seja um buquê de flores frescas ou uma caixa de chocolates fin

  • O CEO Que Roubou Minha Filha   Capítulo 137

    A vida tinha se estabilizado em uma rotina de felicidade e diversão. Depois da cirurgia bem-sucedida de Clara, tudo parecia estar caminhando para um futuro mais leve e cheio de possibilidades. Vitor e eu aproveitávamos cada momento, cada toque, cada olhar compartilhado. Clara estava se recuperando bem, e Estela, também parecia estar encontrando seu caminho, tendo assumido meu lugar como secretária de Vitor na Oeri. O sorriso dela, que antes estava perdido em um mar de tristeza, agora era mais frequente, mais verdadeiro.Vitor estava me fazendo tirar os mais variados tipos de fotografias. Fosse sozinha, fosse em família. Das mais bregas e divertidas até as feitas por fotógrafos profissionais. Minha preferia era uma em que ele beijava minha testa enquanto Clara beijava minha barriga. Mas não era só isso, ele não queria só registrar, ele queria participar também. Ia comigo em todas as consultas,

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status