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Reflexos

last update Data de publicação: 2024-10-01 21:59:55

Quando Samantha viu meu choro, correu até mim. A preocupação estampada em seu rosto contrastava com a expressão de confusão nos olhinhos de Melissa.

— O que houve, Alice? Você está me assustando.

Respirei fundo antes de conseguir responder.

— Eu quase fui violentada hoje, Samantha.

Os olhos dela se arregalaram.

— Como assim? Ele não tinha saído do país? Voltou a te importunar?

Balancei a cabeça.

— Não foi ele, amiga. Mas o terror que vivi foi ainda pior do que naquele dia. O que o Lucca fez foi me humilhar. Eu tive medo do meu futuro… Hoje, tive medo de morrer.

Samantha continuava me encarando, tentando compreender, enquanto Melissa permanecia aconchegada em meus braços.

— Hoje, Sammy... eu achei que não voltaria para casa. Três homens escrotos me cercaram.

— O que é homens ecrotos, mamãe?

Olhei para minha filha sem saber como responder àquela pergunta tão inocente.

— São homens muito maus, meu amor — Samantha respondeu por mim, percebendo meu impasse. Depois voltou a atenção para mim. — Como isso aconteceu, Alice?

— Eu saí distraída da academia e nem percebi que a rua estava deserta. Quando me dei conta, eles já tinham me cercado. Minha sorte foi que um grupo de alunos da academia passou naquela hora e me livrou daqueles homens.

— Por que você não me ligou? Eu teria ido te buscar.

— Eu ia ligar. Mesmo sabendo que você teria que levar a Mel junto e que isso seria um transtorno, eu ia pedir sua ajuda. Mas... não foi preciso.

Samantha se aproximou e nos envolveu em um abraço, comigo ainda segurando Melissa.

Minha filha não fazia ideia do perigo que eu havia corrido.

— Como você conseguiu chegar até aqui? — perguntou, ainda preocupada.

— O Hugo me trouxe.

— Quem é Hugo?

Ela me olhou curiosa.

— O rapaz que me salvou daqueles caras.

Os olhos dela brilharam de curiosidade.

— Hum... então o prestativo Hugo fez questão de trazê-la até em casa? E como é esse tal Hugo? — provocou, tentando aliviar o peso da conversa.

Mas eu conhecia Samantha o suficiente para saber que toda brincadeira dela carregava um fundo de verdade.

— Nem comece com essas insinuações.

Coloquei Melissa no chão, e ela voltou correndo para a televisão. Enquanto isso, fui até a cozinha e me servi de um copo de suco.

— Pelo menos você sabe o sobrenome dele?

Revirei os olhos.

— Samantha, quando você quer ser inconveniente, consegue se superar. Acho que é Castro... Não gravei direito. Nem tenho certeza.

Ela pegou o celular e começou a digitar.

Às vezes, Samantha parecia mais investigadora do que advogada.

Poucos segundos depois, levantou os olhos para mim com uma expressão surpresa.

— Estamos falando desse Hugo Castro?

Ela virou a tela do celular em minha direção.

Era ele.

Mas a fotografia mostrava um Hugo diferente daquele que conheci.

Vestia um terno, tinha a postura de um executivo e uma expressão séria, quase intimidadora. Ainda assim, seus olhos continuavam impossíveis de ignorar.

Confirmei com um movimento de cabeça.

— Hugo Castro Lira. CEO de uma das maiores redes de hotéis do país. E, segundo a internet, o solteiro mais cobiçado da atualidade. Amiga... eu não acredito que você não o convidou para entrar.

Soltei uma risada sem humor.

— Samantha, ele só foi gentil ao me oferecer uma carona. Pelo amor de Deus.

Deixei o copo na pia e caminhei em direção ao meu quarto. Ela me acompanhou.

— Você podia, pelo menos, ter oferecido um copo de suco — insistiu, arrancando de mim um sorriso discreto.

— Pelo que você acabou de descobrir, ele deve ser um homem ocupado. Além disso... pode ter a mulher que quiser.

Parei por um instante antes de completar:

— E hoje não foi um bom dia para pensar em qualquer outra coisa.

Ela perdeu o ar brincalhão.

— Desculpa, amiga. Eu só queria te distrair um pouco.

Sorri de leve.

— Eu sei.

Algum tempo depois, Samantha se despediu de nós e voltou para casa.

Só quando fiquei sozinha percebi o quanto aquilo me abalou.

Naquela noite, sugeri que Melissa dormisse comigo. Ela comemorou como se tivesse ganhado um presente.

Desde que aprendera a dormir no próprio quarto, eu nunca havia quebrado aquela regra.

Melissa ficou tão animada, dizendo que teríamos uma noite do pijama, que, por alguns minutos, conseguiu me fazer esquecer o horror que eu havia vivido.

Enquanto ela falava sem parar, minha mente voltou para Hugo.

Tive muita sorte de ele aparecer naquele momento. Mais do que isso, ele ainda insistiu em me levar para casa, mesmo sem me conhecer.

Lembrei-me dos seus olhos verdes, da calma em sua voz e do sorriso gentil que havia me oferecido.

Na fotografia que Samantha me mostrou, ele parecia um homem inacessível.

Ao vivo, parecia apenas alguém disposto a ajudar.

Naquela madrugada, dormir foi praticamente impossível. Os pesadelos vieram um após o outro.

Em um deles, eu revivia o ataque. Em outro, era salva novamente por aquele homem de olhos verdes que parecia surgir exatamente quando eu mais precisava.

Depois de despertar assustada pela quarta vez, percebi que não conseguiria voltar a dormir.

Levantei-me.

Tomei um banho demorado, tentando lavar o suor frio e os resquícios daquele pesadelo.

Em seguida, fui para a cozinha preparar o café.

Dentro de pouco mais de uma hora, Melissa acordaria e se juntaria a mim. Eu precisava seguir em frente. Não podia permitir que aquele episódio controlasse minha vida.

Ainda assim, depois do que aconteceu, passei a prestar muito mais atenção em tudo ao meu redor.

Os dias passaram.

Não voltei a encontrar Hugo na academia, embora, antes daquela noite, eu sequer tivesse notado sua presença.

As manhãs continuavam sendo uma batalha para tirar Melissa da cama.

Minha filha definitivamente não era uma pessoa matinal, e seu humor nas primeiras horas do dia deixava isso bem claro.

Apesar de tudo, eu continuava amando meu trabalho. Procurava tornar cada aula dinâmica, e meus alunos sempre participavam com entusiasmo.

A diretora costumava elogiar minha turma, dizendo que era a mais participativa da escola.

Com a aproximação da feira de ciências, a escola estava ainda mais movimentada. As horas passaram tão depressa que mal percebi o fim do expediente.

Depois de buscar Melissa e deixá-la na casa de Samantha, segui direto para a academia.

A aula de aeróbica estava mais cheia do que o normal.

No início, eu nunca tinha gostado muito daquele tipo de exercício. Sempre achei que não levava jeito para dançar.

Mas, com o tempo, acabei me adaptando e passei a gostar. Era quase como uma aula de dança, só que com movimentos voltados para o condicionamento físico.

Depois da aula, fui direto para o vestiário. Um banho rápido foi suficiente para renovar minhas energias.

Quando saí do vestiário, fui surpreendida mais uma vez pela presença de Hugo.

Assim que nossos olhares se encontraram, ele sorriu. E, por um breve instante, todo o peso daquela semana pareceu ficar um pouco mais leve.

Meu Deus...

Como aquele homem podia parecer tão perfeito?

Hugo não dava a impressão de ter simplesmente nascido. Parecia ter sido esculpido, pacientemente, pelas mãos de um artista.

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Último capítulo

  • O CEO tio do meu Aluno   EPÍLOGO 03

    Ainda fixando meu olhar nele, coloquei-o quase que completamente na minha boca. Ao retirá-lo, deslizei minha língua por toda a extensão. Hugo entreabriu os lábios, como se buscasse um pouco mais de ar. Repeti o movimento, sugando-o lentamente, usando minha mão para complementar o vaivém dentro da minha boca.Escutei sua respiração acelerar um pouco, aproveitei para intensificar a velocidade dos meus movimentos. Percebi seus olhos se fechando, indicando que ele estava se entregando ao momento. Era exatamente o que eu desejava: que ele se perdesse em minha boca.Após um momento, ele segurou minha cabeça com uma das mãos e, basicamente, começou a mover-se em minha boca de forma selvagem, entregando-se completamente àqueles movimentos.Recebi-o com todo o prazer, o que só aumentava minha excitação. Quando ele não suportou mais conter seu êxtase, ouvi seus gemidos intensos enquanto depositava em minha boca todo o seu prazer.Ele me lançou um olhar ainda mais selvagem, ajudando-me a levantar

  • O CEO tio do meu Aluno   EPÍLOGO 02

    Quando a hora de andar até o altar chegou, eu estava totalmente nervosa e emocionada. A música começou a tocar, e comecei a ser conduzida pelo meu pai, com Melissa e Luan logo à nossa frente. Mais adiante, avistei meu noivo, completamente lindo e emocionado também.Durante o meu percurso até ele, vi muitos rostos por mim conhecidos, e me surpreendi com a quantidade de pessoas que compareceram ao nosso casamento. Quando enfim cheguei até Hugo, tentava ao máximo segurar as lágrimas, mas parecia algo impossível.O celebrante deu início falando sobre a importância do amor. Uma parte do que ele disse realmente me marcou. “O amor é um dos sentimentos mais poderosos que existem. Ele pode transformar vidas, tanto a de quem ama quanto a de quem é amado”.Acreditava que foi exatamente isso que aconteceu comigo e com Hugo. O amor nos transformou, mesmo quando não estávamos procurando por ele e não queríamos nenhuma mudança em nossas vidas. No entanto, não é um sentimento que depende da gente. Ele

  • O CEO tio do meu Aluno   EPÍLOGO 01

    Um ano havia se passado desde aquele dia em que Hugo e eu decidimos que estaríamos juntos para sempre. Muito aconteceu nesse tempo, mas a verdade é que cada dia ao lado dele foi uma reafirmação do nosso amor. A vida havia assumido um ritmo intenso, mas também incrivelmente satisfatório.Lembram daquela pulseira que Melissa havia me presenteado? Pois bem, ela recebeu mais alguns pingentes, que, segundo Hugo, eram importantes ter: um lindo menino, um bolo que fazia referência ao pedido dele e um anel que simbolizava o meu sim.Estávamos de fato construindo nossa família. Ravi crescia a cada dia mais parecido com o pai, tanto na aparência quanto nas manias. Enquanto Melissa era uma cópia perfeita minha. Lucca e Hugo também haviam se entendido e superado o passado. Afinal, ambos estavam presentes na vida de minha filha.Na escola, continuava sendo a tia mais disputada por todos os alunos. Como já havia mencionado anteriormente, não ensinava apenas por necessidade. Ensinava porque amava o q

  • O CEO tio do meu Aluno   CAPÍTULO 94

    HUGO CASTROObservei, de longe, que assim que me afastei de Alice, Enrico se aproximou dela. Um sentimento de ciúme me tomou por completo, mas fiz o possível para controlar. Sabia que não tinha o direito de cobrar qualquer coisa deles.Enquanto brincava com Luan e Mel ali perto, minha atenção estava dividida. Vez ou outra, meus olhos buscavam por eles, conversando um pouco mais afastados de todos os outros. Eu tentava me concentrar nas crianças, rindo e me divertindo com eles, mas a verdade era que a visão de Alice e Enrico juntos me incomodava mais do que eu gostaria de admitir.Mesmo à distância, conseguia perceber a calma na postura dele, a maneira como falava com Alice. Isso me roía por dentro, o fato de saber que Enrico esteve ao lado dela durante todos os momentos difíceis que ela enfrentou — momentos em que eu deveria ter estado aqui, mas não estava.Quando finalmente vi Enrico se afastar, uma pontada de alívio percorreu meu peito. Aproveitei a oportunidade e fui até Alice, dete

  • O CEO tio do meu Aluno   CAPÍTULO 93

    Assenti, acompanhando-o até um canto mais tranquilo da piscina. No entanto, também pude notar que Hugo, apesar de continuar brincando com Mel e Luan, nos observava discretamente.— Eu… estou feliz por vocês, de verdade. — Enrico começou, me olhando nos olhos com uma gentileza que fez meu coração se apertar. — Sei o quanto tudo isso foi difícil para você, e é bom ver que finalmente vocês se entenderam.Eu abri a boca para dizer algo, mas ele levantou a mão, me pedindo silenciosamente para deixar que ele continuasse.— Desde o começo, eu sabia que você e Hugo tinham uma história especial. Eu nunca me iludi, achando que seria fácil competir com isso. — Ele fez uma pausa, respirando fundo. — Mesmo assim, eu nunca perdi a esperança, porque você é uma mulher incrível, e a ideia de poder construir algo com você… bem, foi o suficiente para eu tentar.Enrico sorriu, um sorriso melancólico, mas sem amargura. Era o sorriso de alguém que havia feito as pazes com a realidade.— Mas a verdade é que

  • O CEO tio do meu Aluno   CAPÍTULO 92

    Olhei para ele, tentando conter as emoções. Lutando contra meus próprios sentimentos, tentando me proteger, e parecia que isso só fazia ele ter ainda mais determinação para tentar consertar as coisas.— Eu não estava lá quando você mais precisou de mim. — Ele continuou, sua voz carregada de culpa. — Eu deveria ter lutado por nós, ter confiado em você, em vez de me deixar levar pelas mentiras e pelas manipulações. Deveria ter ficado ao seu lado, como prometi. Mas fui um covarde, Alice, e sinto muito por cada lágrima que você derramou por minha causa.Senti meus olhos se encherem de lágrimas, mas me recusei a deixá-las cair. Não podia ceder tão facilmente, não depois de tudo o que havia passado sozinha. Mas, ao mesmo tempo, cada palavra dele atingia meu coração com força.— Sei que não posso apagar o que aconteceu. — Ele disse, aproximando-se ainda mais. — Mas quero passar o resto da minha vida fazendo o que for preciso para consertar isso. Para mostrar a você que ainda sou o homem que

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