INICIAR SESIÓNNoah sentiu um imenso alívio quando a última página das cláusulas do contrato foi assinada. Parecia que o peso do mundo inteiro havia escorregado de suas costas. Ele olhou para Clara, e a troca de olhares dizia muito mais do que qualquer palavra. Ela sorriu e apertou suavemente sua mão, como se estivessem selando não apenas uma sociedade comercial, mas o futuro que construiriam juntos daquele dia em diante.Após se despedirem cordialmente do gerente do banco e dos advogados, os dois atravessaram as portas de vidro e saíram para a calçada de mãos dadas sob a luz da tarde.— Nós temos que comemorar — disse Noah, rindo de forma aberta e descontraída, algo que não fazia há anos. — Vamos reunir os rapazes da fazenda, o compadre Ramirez e a família dele.— Sim, nós vamos comemorar — respondeu Clara, encostando a cabeça de leve no ombro dele enquanto caminhavam sorridentes. — A vida vale a pena.De repente, uma voz aguda quebrou o momento.— Noah!Noah congelou no mesmo instante. O som
Era quase final da tarde quando Clara se sentou no degrau da escada que dava acesso à recepção da clínica veterinária, tomando café em uma caneca grande, envolta em seus próprios pensamentos.Mais adiante, Katiany e Leo escovavam um cavalo no pasto em frente. Quando Clara avistou a caminhonete de Noah se aproximando pela estrada de terra, seu coração saltou no peito e sua respiração acelerou. Chegava a doer a saudade que sentia dele. Clara recompôs-se rapidamente antes que ele parasse o veículo próximo ao cercado.Noah cumpriu as crianças com um aceno breve e, com passos firmes, porém inseguros, aproximou-se dela.— Posso? — disse ele, parado a poucos metros, com o chapéu nas mãos e o olhar sincero, mas hesitante.Ela assentiu em silêncio, apontando o degrau ao lado.Um silêncio pesado instalou-se entre os dois por alguns segundos.— Clara, eu... — começou Noah.— Você me magoou, Noah... — cortou ela, suavemente.Ele baixou o olhar, passou a mão pelos cabelos e soltou um longo
Noah nunca foi de se entregar fácil às mudanças. Ele era o tipo de homem que preferia a solidão do campo, o barulho dos cavalos e a rotina pesada do trabalho duro. Mas algo tinha mudado nos últimos dias. Algo que ele simplesmente não conseguia ignorar.Desde a discussão com Clara, não tinham mais se falado. Ele sentia a falta dela — do som de sua risada, do calor do seu corpo colado ao seu, de sua boca percorrendo sua pele. Noah soltou um gemido baixo ao recordar-se dos dois fazendo amor.Uma gargalhada forte vinda da porta do estábulo interrompeu seus pensamentos. Virando a cabeça, deu de cara com o olhar divertido de seu compadre Ramirez, o pai de Leo. Rapido, Noah deu um passo para o fundo da baia, tentando disfarçar a reação do seu corpo.— O que é que está doendo aí, além do seu bolso? — provocou Ramirez, encostando-se no batente.— Se veio rir dos meus problemas, pode dar meia-volta e retornar pelo mesmo caminho por onde veio — resmungou Noah, ajeitando a postura. — E vo
O sol do fim de tarde dourava a poeira que subia na entrada da fazenda de Noah, mas o clima dentro do galpão de leilões tinha sido frio e desolador. O leilão de gado — sua última cartada para levantar a quantia necessária e quitar as dívidas acumuladas com o banco — fora um fracasso. Os lances ficaram muito abaixo da avaliação, e o dinheiro arrecadado mal cobriria os juros da dívida. Noah desceu da caminhonete e bateu a porta com força. Entrou em casa jogando o chapéu sobre a mesa da cozinha, os ombros pesados pelo cansaço e pela frustração. Pouco tempo depois, Clara cruzou a porta. Ela trazia um sorriso leve, ansiosa para saber o resultado, mas a expressão sombria no rosto dele a fez parar a poucos passos.— Como foi no leilão, Noah? — perguntou ela, com a voz suave.Noah nem sequer olhou para ela. Pegou um copo, serviu-se de água e respondeu com um tom ríspido, sem esconder o mau humor:— Um desastre. Não deu nem para metade do que eu precisava. A única solução agora é vender a fazen
O bar estava iluminado por luzes âmbar e envolto em um aroma de uísque barato, madeira envelhecida e fritura. Joseph sentou-se em um banco alto, o casaco jogado no encosto, os olhos varrendo o ambiente com certa impaciência. A música country tocava em volume baixo, abafada pelas conversas e gargalhadas de quem tentava esquecer o peso da semana.Ele olhou o relógio. Roxane estava atrasada.— Uísque duplo — pediu ao barman com um gesto breve.Enquanto a bebida era servida, uma mulher surgiu ao lado dele, vestida com uma jaqueta de couro marrom e jeans justos, o cabelo preso em um coque desleixado, o olhar afiado. Ela parecia deslocada ali — ou talvez propositalmente deslocada. Do tipo que sabe ser notada.— Esperando alguém? — perguntou ele, sorrindo de canto, enquanto encostava o cotovelo no balcão.Ela ergueu uma sobrancelha, achando curioso o tom da pergunta.— Depende...Ela riu baixo, pegando a bebida que o barman lhe entregou sem que ela precisasse pedir. Estava cl
"Algumas sementes não precisam de solo fértil para florescer — basta o tempo certo, uma faísca de lembrança… e tudo volta a crescer." O cheiro de pão torrado e café passado na hora pairava no ar. Roxane estava à mesa com suas afilhadas, como fazia religiosamente aos domingos. As meninas riam, discutindo sobre roupas e namorados, enquanto ela folheava distraidamente o jornal. Foi então que algo lhe chamou a atenção.Uma pequena nota no canto da página de obituários. Uma foto em preto e branco, envelhecida, e um nome que a fez empalidecer de imediato: Fredrick L. Campbell.O jornal escorregou de seus dedos por um instante, mas ela o agarrou a tempo. Seus olhos fixaram-se naquela imagem como se fosse um fantasma do passado.— Fred... — sussurrou, o nome escapando entre os lábios trêmulos.Um turbilhão de lembranças a invadiu: noites abafadas no celeiro antigo, juras sussurradas ao pé do ouvido e, depois, o silêncio. O abandono.Fazia tantos anos que ela não ouvia falar dele. Est







