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Capítulo 21 – O preço de tocar no que é meu

last update Fecha de publicación: 2026-05-15 04:04:00

Ponto de vista: Lucas

A noite foi um poço sem fundo.

Eu não dormi. Não consegui. Cada vez que fechava os olhos, via o rosto dela no chão do quarto — os olhos vermelhos de chorar, a camiseta velha desbotada, os dedos agarrando os joelhos como se ela estivesse tentando se manter inteira.

E cada vez que abria os olhos, via o teto do meu quarto. O quarto principal. O quarto vazio. O quarto que ela nunca quis compartilhar.

"Você se refere ao dia que eu finalmente tomei seu corpo para mim?"

Por que e
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    Ponto de vista: LucasA ambulância cortava o trânsito como uma navalha.As sirenes berravam. As luzes vermelhas e azuis giravam, refletindo nos vidros dos prédios, nos rostos curiosos das pessoas nas calçadas. O paramédico trabalhava sem parar ao lado de Pamela — aferindo os sinais, ajustando o soro, comprimindo o ombro dela para estancar o sangue.Eu não tirava os olhos dela.Pálida. Tão pálida que os lábios estavam brancos. Os cabelos bagunçados espalhados na maca. A camiseta encharcada de sangue — o sangue dela, que não parava de escorrer mesmo com os curativos.— Ela vai ficar bem? — perguntei pela quinta vez.— Estamos fazendo o possível, sr. — O paramédico respondeu pela quinta vez. — O tiro acertou o ombro. Não pegou órgãos vitais. Mas ela perdeu muito sangue. Vai precisar de cirurgia.— Ela não pode morrer.— Vamos fazer de tudo para que não morra.Apertei a mão dela. A mão fria. Os dedos finos, trêmulos. Ela não respondia ao toque — estava apagada, os olhos fechados, a respir

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    Ponto de vista: LucasO tempo parou.Macedo ergueu a arma. O cano escuro apontou para o meu peito. Os olhos dele estavam vidrados, desesperados — um animal acuado que só sabia morder.— Você escolheu morrer — ele disse, o dedo no gatilho.Eu ia atirar primeiro.Já estava com o braço erguido, a mira na cabeça dele, o pensamento frio e calculado.Cabeça. Colete. Não erra. Um tiro só.Foi quando ela se moveu.Pamela.Amarrada. Amordaçada. Machucada. Exausta.Ela se jogou.Com um esforço sobre-humano, a cadeira rangendo, as cordas arranhando os pulsos, ela se lançou para a frente — para o lado — para dentro da linha de tiro.— NÃO! — gritei.O tiro veio.O estrondo ecoou pelo depósito como um trovão. Os pássaros lá fora voaram assustados. A luz fraca tremeu.E ela caiu.O sangue espirrou. Vermelho vivo. Brilhante. Quente.Pamela caiu no chão de terra batida como um boneco de pano. O ombro dela — o ombro direito — estava aberto, jorrando. Os olhos dela se arregalaram. A boca, mesmo com a f

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