LOGIN“Eu estava aprendendo a aceitar o que sentia quando reconheci um instante que não sabia de onde vinha.”Nikolai RomanovMinha respiração ficou presa por um instante.Mikhail continuou:— Eu vi o quanto você amava Francesca. Isso não deixa de ser verdadeiro porque você voltou a gostar de alguém.Apertei as mãos uma contra a outra.— Tenho medo de que pareça que estou deixando tudo para trás.— Você se lembra dela?— Todos os dias.
“O amor que perdemos não precisa se tornar uma promessa de nunca mais amar.”Nikolai RomanovEsperei minha mãe e Irina entrarem na cozinha antes de olhar para Mikhail.— Sobre o que quer conversar?Ele passou a mão sobre o joelho, alisando uma dobra da calça. Conhecia aquele gesto. Mikhail o fazia quando precisava me dizer alguma coisa e ainda procurava a melhor maneira de começar.— Irina parece uma boa moça.Olhei brevemente na direção da cozinha.— É.— Gostei de conhecê-la.
“Às vezes, pertencer começa quando deixamos de pensar em como devemos nos comportar.”Irina PetrovaSenti minhas bochechas esquentarem enquanto Olga ria.Mikhail acompanhou a troca com um sorriso discreto. Quando a travessa de batatas chegou até Nikolai, ele olhou para a mãe.— Essas têm alecrim?— Têm.Ele se aproximou do meu prato.— Você gostou das que comemos no restaurante.Fiquei surpresa por um instante. Eu tinha feito apenas um comentário naquela noite, entre tantas outras coisas.&md
“Sentir-se bem-vinda pode começar com uma conversa em que ninguém exige que se impressiona.”Irina PetrovaAlisei a saia sobre os joelhos quando o carro parou diante da casa de Olga.Nikolai desligou o motor e olhou para mim.— Você vai acabar amassando de tanto tentar desamassar.Afastei as mãos do tecido.— Não estou tentando desamassar.Seus olhos desceram para os meus dedos, agora apertados sobre a bolsa.— Está nervosa?Olhei para a casa.
“Receber alguém começa antes de abrir a porta.”Olga RomanovEncontrei Irina sorrindo para a tela do computador. Ela estava tão concentrada que não percebeu minha chegada. Parei por um instante perto de sua mesa, observando enquanto prendia uma mecha de cabelo atrás da orelha e voltava a digitar.Na última vez em que conversamos, eu precisei escolher com cuidado o que perguntar. Havia um cansaço em seu rosto que ela tentava esconder com educação, e eu saí daquele encontro pensando no que meu filho ainda precisava aprender.Agora, Irina ergueu os olhos e seu sorriso se abriu ao me reconhecer.— Olga!Levantou-se imediatamente, contornando a mesa para me receber.Segurei suas mãos antes de beijar seu rosto.— Espero não estar interrompendo.— Não está. Eu estava terminando de responder um e-mail.— Então cheguei na hora certa.Ela sorriu e indicou a cadeira ao lado da mesa.— Quer se sentar? Posso buscar um café.— Só se você tomar comigo.— Claro.Enquanto ela se afastava para pedir o
“Às vezes, seguir em frente começa com a vontade de permanecer.”Nikolai RomanovIrina pousou o recipiente entre nós e voltou o rosto para mim.— E você? Vinha a parques quando era criança?A pergunta me trouxe de volta à conversa.— Minha mãe sempre me levava. Mikhail costumava transformar qualquer caminho numa pista de corrida.— E você corria com ele?— Evidentemente.Ela virou o rosto para mim, divertida.— Evidentemente?







