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32: Fernando Torrenegro

last update Fecha de publicación: 2025-09-15 03:08:23

“Eu sobrevivi a balas, facas e inimigos… mas é a mão de Luna entrelaçada à minha que me destrói.” — Fernando Torrenegro

🖤

O peso da mão dela entrelaçada à minha é mais devastador do que qualquer tiro que já atravessei, mais cruel que qualquer faca que já me marcou a pele. Ela não tem noção do que está fazendo. Ou talvez tenha, e justamente por isso me desarma.

Minha mente lateja com o conflito: vingança ou rendição. Sangue ou pele. Ódio ou amor.

— Você devia correr de mim, Luna — digo com a vo
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Último capítulo

  • O DON QUE ME ESCOLHEU   160: Final

    Fernando Torrenegro Sempre acreditei que finais precisavam de sangue. De fogo. De sirenes e corpos no chão. Um último acerto de contas que justificasse cada cicatriz, cada escolha suja feita em nome da sobrevivência. Vivi como quem aguardava a explosão final — o dia em que o mundo finalmente cobraria o preço de tudo o que eu tinha destruído para continuar de pé. Estava errado. O verdadeiro fim chegou numa manhã comum demais para parecer importante. O sol atravessou a janela sem permissão, tocando o chão de madeira clara como se nada daquilo tivesse acontecido ali. Os raios dourados dançavam sobre o chão sem pressa, sem julgamento. Não havia homens armados nos corredores. Nenhum telefone vibrando com má notícia. Nenhum plano sendo traçado em voz baixa entre paredes que já ouviram confissões e ameaças. Havia apenas silêncio. O tipo de silêncio que não ameaça. Que não exige. Que simplesmente existe, pesado e leve ao mesmo tempo. Eu o sentia na pele, como uma presença nova. Durante an

  • O DON QUE ME ESCOLHEU   159: Fernando & Luna

    "A guerra nunca acaba quando você acha que venceu. Ela apenas muda de rosto."🖤Luna caminha ao meu lado com passos firmes, mesmo sem enxergar o caminho à frente. E isso diz mais sobre coragem do que qualquer arma que eu já empunhei. O prédio fica para trás, mas a presença do pai dela não. Homens como ele não desaparecem - apodrecem lentamente, e no processo tentam levar tudo junto.— Ele vai reagir — digo, entrando no carro. — Não por orgulho. Por sobrevivência.— Eu sei — Luna responde. — É por isso que eu não posso ser poupada dessa parte.Olho para ela. Para o rosto calmo demais para quem acabou de enfrentar o próprio demônio. Pela primeira vez, não a vejo como algo que preciso proteger do mundo. Vejo como alguém que caminha comigo dentro dele.— Eu passei a vida inteira decidindo sozinho — confesso. — Acreditando que amar era uma fraqueza que eu não podia me permitir.Ela vira o rosto na minha direção. Não precisa ver para sentir quando estou nu por dentro.— E agora?— Agora eu

  • O DON QUE ME ESCOLHEU   158: Fernando & Luna

    FernandoO amanhecer sempre foi meu território. Hora em que decisões se consolidam e os fracos ainda dormem. Mas hoje, o sol nasce diferente. Não me chama para a guerra — me chama para permanecer.Luna está na varanda quando volto com duas xícaras de café. Eu sei que ela ainda não bebe, mas gosta do cheiro. Diz que o aroma ancora o corpo quando a mente quer correr. Entrego a xícara a ela apenas para que sinta o calor. Um acordo silencioso.— Você não dormiu — digo.— Dormi o suficiente — responde. — O que eu precisava resolver… já foi.Há algo novo na postura dela. Não é dureza. É eixo. Luna não se curva mais ao mundo — ela se alinha a si mesma. E isso muda tudo.— Seu pai não vai parar — aviso. Não como ameaça. Como verdade.— Eu sei — ela diz. — Mas agora ele sabe que eu também não.O telefone vibra no meu bolso. O nome que aparece confirma o que já sinto no ar. Lúcio.— Encontraram o homem do hospital — ele diz. — Não vai falar. Mas o rastro aponta direto para Castilho.Fecho os ol

  • O DON QUE ME ESCOLHEU   157: Luna Castilho

    “Alguns silêncios não pedem respostas — pedem coragem. A minha foi entender que sobreviver ao meu pai significou, finalmente, nascer para mim.”🖤O silêncio que vem depois da guerra é traiçoeiro porque não traz vitória estampada no peito. Ele não explode, não ameaça, não sangra. Apenas se infiltra — lento, persistente — e cobra tudo o que foi adiado enquanto eu sobrevivia. Acordo antes do amanhecer com o coração acelerado, como se meu corpo ainda estivesse atrasado em relação ao mundo. A mão vai ao ventre por instinto, não em pânico, mas em vigília. Há uma vida ali que não conhece o medo que me formou, e essa consciência pesa mais do que qualquer ameaça explícita jamais pesou.Fernando dorme ao meu lado. Sei pelo ritmo da respiração, profundo, inteiro, finalmente sem sobressaltos. É um som que deveria me acalmar — e acalma —, mas também me lembra que algo terminou de verdade. Não o toco. Não por distância. Por respeito. Há lutos que não se dividem no instante em que surgem. Há dores

  • O DON QUE ME ESCOLHEU   156: Fernando Torrenegro

    “Passei a vida inteira acreditando que sobreviver era vencer. Hoje eu sei: vencer é escolher ficar, mesmo quando o passado ainda tenta puxar você para a guerra.”🖤Os finais nunca chegam com estardalhaço. Aprendi isso cedo demais. Eles não explodem — se dissolvem. Escorrem pelos cantos da rotina, se escondem nos detalhes que só quem viveu em guerra aprende a notar: um guarda dispensado sem substituto, um relatório que não exige resposta, um telefone que permanece mudo por horas sem provocar tensão no peito. É assim que entendo que algo terminou de verdade. Não porque venceu. Mas porque deixou de lutar.O império de Hernán Castilho não caiu com sirenes ou manchetes. Caiu como tudo o que é sustentado por medo: em silêncio constrangido, abandonado pelos próprios ecos.— Confirmado — diz Lúcio, ao entardecer, com aquela voz profissional que sempre tentou esconder o peso das notícias. — Ele saiu do país. Sozinho. Sem aliados. Sem dinheiro suficiente para comprar silêncio… ou lealdade.Fec

  • O DON QUE ME ESCOLHEU   155: Luna Castilho

    “Lucidez é quando o medo perde o comando e a escolha assume o leme. Eu não caminho porque é seguro — caminho porque, pela primeira vez, sei exatamente para onde estou indo.”🖤O dia nasce sem cerimônia. Não há presságios no ar, nem aquela pressão invisível que costumava apertar meu peito sempre que algo importante estava prestes a acontecer. Não há sirenes internas. Não há fuga mental. O que existe é outra coisa — mais rara, mais difícil de sustentar: lucidez. Uma clareza quase desconfortável, porque não me oferece desculpas.Visto-me devagar. Cada movimento carrega o eco de noites mal dormidas, de decisões que exigiram mais de mim do que eu sabia ter. Ainda assim, meu corpo responde. Não com pressa. Com presença. O ventre pesa diferente hoje. Não é fragilidade. Não é medo. É consciência. Há alguém aqui dentro que ainda não entende palavras, mas sente mudanças. Sente quando o mundo deixa de girar em torno da violência e passa a girar em torno de escolhas.Passo a mão pela barriga qua

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