LOGINEle nasceu para comandar um império. Ela nasceu para manter a paz entre duas famílias inimigas. Quando um antigo contrato de noivado obriga Lorenzo De Luca, o jovem e temido Don da máfia italiana, a se casar com Bianca Bellini, filha da família rival, nenhum dos dois tem o direito de recusar. Para ele, aquele casamento representa o fim do sonho de viver ao lado da mulher que acreditava amar desde a infância. Para ela, é um sacrifício feito em nome da honra e da paz. Enquanto Bianca entrega o coração ao marido e faz de tudo para construir um verdadeiro lar, Lorenzo a trata como uma estranha, transformando cada dia do casamento em um lembrete cruel de que ela jamais ocupará o lugar reservado ao seu primeiro amor. Depois de anos suportando o desprezo em silêncio, Bianca decide partir. O divórcio chega exatamente como Lorenzo desejava. Livre, ele finalmente corre atrás do passado que passou tanto tempo idealizando. Mas algumas escolhas cobram um preço alto demais. Quando o silêncio toma conta da mansão, as lembranças substituem a raiva e a ausência revela o valor da única mulher que jamais o abandonou, Lorenzo percebe que destruiu o melhor que já teve. Só que Bianca não pretende olhar para trás. Enquanto o Don mais poderoso da Itália inicia uma desesperada corrida para reconquistar a mulher que feriu, ela carrega um segredo capaz de mudar para sempre o destino das duas famílias. Em um mundo governado por poder, sangue e juramentos, descobrir o verdadeiro significado do amor pode ser a batalha mais difícil de todas.
View MorePOV: Lorenzo De Luca
"Meu pai costumava dizer que um homem pode escolher quase tudo na vida, menos o sobrenome que carrega e as promessas feitas por seus antepassados." A chuva caía sobre Milão com a mesma frieza que governava a minha vida. Do quadragésimo andar da Torre De Luca, a cidade parecia minúscula. As luzes refletidas no asfalto molhado transformavam as avenidas em rios dourados, enquanto o som distante das sirenes se misturava ao bater constante da água contra os enormes painéis de vidro. Sempre gostei daquela vista. Lá de cima, as pessoas e seus problemas pareciam insignificantes. Apenas o poder permanecia.
Girei lentamente o copo de uísque entre os dedos, observando o líquido âmbar refletir a iluminação discreta do escritório. Fazia cinco anos. Cinco anos desde que meu pai morrera e eu me tornara o Don mais jovem da Itália. Alguns homens herdavam empresas, outros herdavam dívidas; eu herdei um império construído com sangue e um sobrenome que jamais poderia manchar. Quando a porta se abriu, sem que eu precisasse autorizar, Matteo entrou em silêncio. Mesmo aos cinquenta e dois anos, meu consigliere mantinha a postura impecável de um soldado. Ele nunca demonstrava pressa e jamais levantava a voz, e era exatamente por isso que meu pai confiava tanto nele.
— Eles chegaram? — perguntei, sem tirar os olhos da cidade.
— Sim.Respirei fundo. Então, era hoje. Quarenta anos atrás, meu avô Don Antônio De Luca e Don Francesco Bellini assinaram um tratado. Na época, as nossas famílias estavam em uma guerra sangrenta repleta de explosões, execuções e traições, onde cada funeral alimentava o próximo. Quando ambos perceberam que nenhum dos lados venceria, encontraram uma solução simples: um casamento. Os herdeiros das futuras gerações uniriam as famílias quando chegasse o momento. Um contrato, uma assinatura, uma promessa feita antes mesmo de eu nascer. Passei anos acreditando que conseguiria escapar daquele destino. Meu pai nunca mencionava o assunto, sempre mudava de conversa, até o dia em que partiu. Foi Matteo quem me entregou o documento, e ainda me lembrava de suas palavras: "Seu pai esperava viver o suficiente para renegociar este contrato. Não conseguiu." Desde então, aquela maldita pasta permanecia trancada no cofre do escritório.
Fechei os olhos por um instante. Só havia uma pessoa com quem eu queria me casar: Sofia. Sempre fora ela. A garota que conheci aos doze anos; a adolescente que me fazia esquecer, por alguns minutos, o peso do meu sobrenome; a mulher que nunca me pediu dinheiro ou poder, e que jamais me chamou de Don. Para ela, eu era apenas o Lorenzo. Ou, pelo menos, costumava ser.
— Alessandro já está pronto? — questionei, voltando à realidade.
— Está esperando no carro, Don.Assenti. Peguei o paletó preto sobre a cadeira e o vesti lentamente, sentindo o tecido italiano ajustar-se perfeitamente ao meu corpo. Meu reflexo no vidro mostrava exatamente o homem que todos esperavam ver: frio, controlado, impecável. Por dentro, no entanto, eu sentia que estava prestes a perder a única coisa que realmente desejava.
A Villa Bellini parecia saída de outro século, com seus muros altos, jardins perfeitamente aparados, estátuas de mármore e fontes iluminadas, uma elegância aristocrática que escondia décadas e violência. O motorista abriu a porta do carro e Alessandro aproximou-se imediatamente, murmurando que tudo estava limpo. Balancei a cabeça. Não esperava problemas, pois aquela reunião não era uma negociação; era uma sentença. Assim que atravessei a porta principal, Vittorio Bellini veio ao meu encontro. Alto, elegante e com os cabelos grisalhos impecavelmente penteados, ele me cumprimentou com um aperto de mão firme.
— Lorenzo.
— Vittorio.Nenhum de nós sorriu. Na máfia, cordialidade nunca significou amizade. Seguimos para a biblioteca, um cômodo repleto dos mesmos quadros e móveis antigos que meus avós provavelmente haviam observado quarenta anos antes. Sobre a mesa repousava uma pasta de couro e eu já sabia exatamente o que havia dentro dela. Vittorio a abriu e quebrou o silêncio:
— O contrato continua válido.
— Eu sei. — Minha palavra continua a mesma.Olhei diretamente nos olhos dele.
— E sua filha?Ele demorou alguns segundos para responder, medindo as palavras.
— Ela também honrará o acordo. Franzi a testa, incerto. — Mesmo sabendo que não existe amor entre nós? — Amor nunca foi requisito para manter a paz.Houve um momento de silêncio. Era difícil discordar dele. Nenhum de nós havia escolhido aquela vida, nem eu, nem Bianca. Bianca Bellini... Eu sequer lembrava direito do seu rosto. A última vez que a vi, éramos apenas adolescentes; ela permanecera a maior parte da festa escondida atrás do pai, segurando um livro nas mãos enquanto os adultos discutiam negócios. Nunca trocamos mais do que algumas palavras e, mesmo assim, ela seria minha esposa.
— Gostaria de falar com ela antes de qualquer assinatura — pedi.
Vittorio assentiu. — Claro.Ele caminhou até a porta e fez um discreto sinal. Alguns segundos depois, ouvi passos suaves no corredor. Quando a porta se abriu e levantei os olhos, o tempo pareceu desacelerar por um breve instante. Ela estava muito diferente da garota que eu guardava na memória. Os cabelos castanho-escuros caíam em ondas suaves sobre os ombros e os olhos verde-esmeralda transmitiam uma calma incomum. Vestia um elegante vestido azul-marinho, discreto e sem ostentação. Não havia excesso de maquiagem ou joias extravagantes, apenas uma elegância natural. Ela caminhou até a mesa com uma serenidade quase desconcertante e parou diante de mim.
— Boa noite, Lorenzo — disse ela, com uma voz suave e educada.
Segurei seu olhar por alguns segundos antes de responder. — Boa noite.Era estranho. Bianca parecia tranquila, como se estivesse aceitando o próprio destino sem lutar, enquanto eu sentia uma vontade avassaladora de rasgar aquele contrato diante de todos. Vittorio fechou a porta atrás de si, deixando-nos sozinhos. Diante do silêncio que se instalou, foi ela quem quebrou o constrangimento.
— Imagino que nenhum de nós desejava que nosso primeiro reencontro acontecesse dessa forma.
Soltei uma breve risada, totalmente sem humor. — Não, com certeza não. Ela abaixou os olhos por um instante. — Se isso serve de consolo... eu também não escolhi esse casamento.Pela primeira vez naquela noite, senti que havia sinceridade real diante de mim, mas a verdade não mudava os fatos. Respirei fundo e decidi ser direto:
— Existe alguém que eu amo.Ela não demonstrou surpresa ou tristeza. Apenas assentiu lentamente, demonstrando que já esperava por aquilo.
— Eu ouvi alguns rumores.Suas palavras não carregavam julgamento, apenas uma aceitação resignada. Aquilo, de alguma forma, me incomodou ainda mais.
— Então você sabe que nunca poderei lhe oferecer o que uma esposa merece.Bianca permaneceu em silêncio por alguns segundos, processando o peso da minha afirmação. Depois, respondeu com uma tranquilidade que foi quase dolorosa de ouvir:
— Não espero amor, Lorenzo. Espero apenas respeito.Aquelas palavras permaneceram ecoando na minha mente. Respeito parecia um pedido tão simples. Naquele momento, olhando para ela, eu realmente acreditei que seria capaz de cumprir pelo menos isso. Mal sabia eu que aquela seria a primeira promessa que eu quebraria.
POV: Don Vittorio BelliniEu já tinha visto homens perderem guerras porque acreditavam possuir provas suficientes. Também tinha visto famílias poderosas destruírem a própria posição por agirem antes de compreenderem o que o inimigo realmente pretendia. Por isso, quando recebi a versão integrada do dossiê sobre os Balestri, não procurei a acusação mais grave. Procurei as falhas.A equipe Bellini havia organizado os registros sob sua responsabilidade, cruzando datas, pagamentos, deslocamentos e comunicações com o material reunido pelos De Luca. Os agentes das duas famílias trabalharam em conjunto, como já faziam desde que a união entre elas deixou de ser apenas uma promessa.O resultado era consistente. Não perfeito.Havia evidências da aproximação de Marcello Ruggieri com Leone Balestri antes de sua entrada na organização De Luca. Havia pagamentos que ligavam empresas associadas aos Balestri a Marcello. Havia registros de monitoramento e ameaças contra Bianca, além do depoimento de Leo
POV: Bianca De LucaLorenzo chegou ao quarto enquanto eu terminava de prender os cabelos diante do espelho.Pelo reflexo, vi quando afrouxou a gravata e deixou o paletó sobre a poltrona. Havia passado o dia entre reuniões, documentos e conversas com meu pai, mas, ao me encontrar, sua expressão começou a mudar.Era uma transformação pequena. O maxilar relaxava, os ombros perdiam parte da tensão e aquele olhar que costumava intimidar homens inteiros se demorava em mim de uma maneira muito diferente.Sorri para o espelho.— Está me olhando há quanto tempo?— O suficiente para perceber que você sabe que estou olhando.Virei-me devagar.— Talvez eu goste da sua atenção.— Talvez?Ele se aproximou, parando atrás de mim. Suas mãos pousaram na minha cintura, e encontrei seus olhos pelo espelho. O perfume dele ainda guardava um pouco do dia, misturado ao calor da pele.— Você parece cansado — comentei.— Estou.— E ainda assim veio me provocar?— Não vim provocar você, Bianca.Inclinei a cabeç
POV: Lorenzo De LucaVittorio já estava na sala quando entrei. Não precisava de uma apresentação para entender o que eu havia trazido. Ele acompanhava aquela investigação desde o início, muito antes de os arquivos recuperados dos Balestri começarem a revelar a extensão da infiltração de Marcello Ruggieri. Nossos homens trabalhavam lado a lado havia meses, compartilhando relatórios, imagens e informações que, em outra época, nenhuma das famílias teria confiado à outra.Coloquei a pasta sobre a mesa.— Matteo terminou a integração dos documentos — anunciei.Vittorio puxou a cadeira, mas não abriu a pasta imediatamente.— Incluiu o depoimento completo de Leone?— Sim. Com as declarações separadas dos registros que conseguimos confirmar.Ele assentiu.— Então vamos ver o que realmente mudou.Sentei diante dele. Era exatamente por isso que preferia tratar daquele assunto pessoalmente. Vittorio não precisava que eu repetisse tudo o que já sabíamos. Precisávamos determinar o que as últimas r
Matteo abriu o documento relacionado à Lombardia Distribuzione S.r.l.— A sequência que conseguimos reconstruir passa pelo acervo Balestri, por uma propriedade rural e pela Lombardia Distribuzione. Depois aparecem Gabriele Marchetti e o terminal privado ligado a empresas registradas em Malta, além das referências a Adrian Keller. Esses registros são compatíveis com a existência de uma estrutura usada para encaminhar materiais e informações para fora dos canais habituais.— E a declaração de Leone confirma a existência da traição e a atuação de Marcello dentro dessa estrutura — acrescentei. — Mas não prova que todos os nomes encontrados nos registros participaram da mesma operação.— Exatamente — respondeu Matteo.Passei os olhos pelas páginas seguintes. A transferência continuava incompleta. Parte dos registros havia sido recuperada, mas o volume AURORA que faltava não estava entre os materiais localizados.— Alguma mudança na busca pelo original?— Nenhuma confirmação nova — informou






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