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Capítulo 23: O Labirinto de Vidro

Autor: Isa S
last update Data de publicação: 2026-02-18 22:40:19

Rafael Mendes

Eu sempre acreditei que o ódio fosse o combustível mais potente do mundo. Durante dois anos, o ódio por April foi o que me manteve de pé, o que me fez transformar meu coração em um tribunal de gelo. Eu a chamei de egoísta, de fugitiva, de mãe negligente. Mas, enquanto eu encarava os mapas da Mansão Andrade espalhados pela mesa de jantar de Bella, o gelo começou a rachar, revelando uma culpa que ameaçava me sufocar.

Ela nunca me deixou. Ela foi silenciada. E eu, o grande advogado,
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    Rafael MendesMeus dedos apertavam o volante do carro preto com tanta força que eu podia sentir as juntas estalarem. O silêncio dentro da cabine era sepulcral, interrompido apenas pelo ronco do motor e pelo chiado estático do sistema de som, de onde a voz de Clarice tinha acabado de destilar seu veneno.Ela achava que tinha vencido. Achava que a semente da dúvida sobre o bebê era o golpe de misericórdia. Mas Clarice, em toda a sua arrogância, cometeu um erro fatal: ela não conhecia a precisão da minha memória.Fechei os olhos por um segundo, e a imagem me atingiu como um soco. O aeroporto. A luz âmbar da sala VIP. Isabella, antes de ser a "Andrade", antes de ser a babá da minha filha, era apenas uma mulher tomando vinho, exalando uma solidão que me atraiu como um imã. Eu lembrava de cada centímetro de pele, do calor do banheiro onde nos trancamos, do jeito que ela sussurrou meu nome antes de sumir naquele aeroporto. Não houve outro homem. Eu sabia disso com a mesma certeza com que sab

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    Isabella A luz vermelha pulsava sob o tecido da boneca de pano, um ritmo constante, hipnótico e mortal. Um... dois... três... Cada batida era um segundo que a vida de Sofia — e a minha — se esvaía. Olhei para o rosto angelical da minha pequena, dormindo alheia ao fato de que abraçava um detonador. Clarice não estava blefando. Minha madrasta sempre teve um prazer sádico em transformar a inocência em arma. Senti meu estômago revirar, uma pontada de pânico atingindo o bebê em meu ventre. — Ninguém se mexe. — A voz de Rafael saiu como um chicote, baixa e autoritária. Ele não era mais o homem que eu amava; era o Tubarão calculando as chances de sobrevivência em um tribunal onde o juiz era um carrasco. — Gabriel, o carro preto? — Rafael perguntou ao viva-voz, sem tirar os olhos da boneca. — Está parado no portão, Rafael. Motor ligado. Não há ninguém no banco do motorista. É um comando remoto ou o carro está sendo vigiado por um sniper. — A voz do delegado Gabriel tremia levemente pel

  • O Destino nos Uniu: Grávida do Meu Chefe Recluso   Capítulo 44: O Jogo de Clarice

    IsabellaO silêncio que tomou a sala após a foto foi mortal. Rafael apertou o celular com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos, a mandíbula travada em uma linha de puro ódio. Eu mal conseguia respirar. Joaquim, o motorista que sempre me cumprimentava e me fazia sentir melhor com suas palavras ou com um aceno respeitoso ao me levar para os compromissos com Sofia, estava ajoelhado, com o cano de uma pistola pressionado contra sua têmpora.— Aquela desgraçada... — Rafael rosnou. O som era gutural, vindo do fundo de sua alma.Minha mão subiu, instintivamente, para o meu ventre. Ali, o segredo que eu tentava proteger a todo custo pulsava. Clarice, minha madrasta — a mulher que transformou minha infância em um deserto de afeto — agora tinha o controle da vida de um homem inocente apenas para nos atingir.Antes que Rafael pudesse reagir, o celular apitou novamente. Uma mensagem curta, seca e carregada do sadismo que era a marca registrada de Clarice:"Vocês têm uma hora. Venh

  • O Destino nos Uniu: Grávida do Meu Chefe Recluso   Capítulo 43: O Sacrifício

    Isabella O silêncio que se seguiu ao desligamento da chamada de Clarice era mais pesado que o concreto. Eu conseguia ouvir o tique-taque do relógio de parede, cada batida soando como uma contagem regressiva para a vida de Joaquim. Olhei para Rafael. Ele parecia ter envelhecido décadas em segundos. Seus olhos verdes, antes focados em mim com desejo e proteção, agora saltavam entre eu e April como se ele estivesse tentando resolver uma equação impossível.Minha mão desceu, instintivamente, para o meu ventre ainda plano. Ali, o fruto do nosso amor — ou do nosso caos — estava começando a existir. E a mulher que Rafael acreditava ter perdido para sempre estava parada na nossa frente, como um espectro acusador.— April... — Rafael deu um passo, a voz carregada de uma mágoa antiga. — Você precisa falar. Por que você fugiu naquela noite? Por que me deixou enterrado em um luto que quase me destruiu? O que os Andrade tinham contra você que te fez me abandonar?April desviou o olhar. Ela aperto

  • O Destino nos Uniu: Grávida do Meu Chefe Recluso   Capítulo 42: O Peso do Despertar

    April O ar fora daquele hospital tinha um gosto estranho. Por meses, meus pulmões foram alimentados por máquinas, e minha mente foi mantida em um nevoeiro artificial, um coma induzido por aqueles que eu chamava de família. Clarice e os Andrade me transformaram em uma prisioneira do meu próprio corpo, esperando que o tempo apagasse meu nome da memória de Rafael. Mas eles subestimaram o Rafael. Ele e aquela mulher, Isabella, me encontraram naquele quarto branco e frio, arrancando-me das garras da morte.Eu ainda sentia meus membros pesados, uma fraqueza que subia pelas pernas, mas a adrenalina de estar livre me mantinha de pé. O promotor Marcos Vinícius, que me acompanhava e havia sido extremamente prestativo, tentou me convence a ir para um hotel ou uma casa com segurança, mas eu só tinha um destino em mente— Eu quero ver a minha filha — eu disse, e minha voz soou como vidro quebrado. — Agora.Ele não discutiu. Quando o carro parou diante da casa de Rafael, senti um aperto no peito q

  • O Destino nos Uniu: Grávida do Meu Chefe Recluso   Capítulo 41: Entre o Êxtase e o Abrigo

    Isabella O som do vidro se estilhaçando contra o chão de madeira foi como um tiro no silêncio denso do escritório. Rafael parou, o corpo tenso sobre o meu, os olhos verdes varrendo a sala como um predador em alerta máximo. Meu coração martelava contra as costelas, o pânico de ser descoberta por Dona Helena ou qualquer outro funcionário subindo pela minha garganta.Olhamos para o chão ao mesmo tempo. Não era um invasor. Era apenas um copo de cristal que estava na borda da mesa, derrubado pelo movimento frenético dos nossos corpos e pela bagunça de papéis que havíamos espalhado.— Rafael... o barulho... — sussurrei, a voz trêmula, tentando puxar as alças do meu vestido para cima. — Alguém pode ter ouvido. A dona Helena...Ele nem se moveu. Em vez disso, ele prendeu meus pulsos acima da minha cabeça com uma das mãos, forçando-me a encostar as costas na mesa fria. O rosto dele estava transfigurado pelo desejo, uma máscara de possessividade que eu nunca tinha visto de forma tão crua.— Qu

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