FAZER LOGINGuilherme
Alguns dias depois
Preparamos um churrasco só entre a gente, muita cachaça, carne e muita conversa
eu bebi tanto que já tava enrolando a língua Estela estava ao meu lado, mesmo tendo bebido jm pouco ela estava mais lúcida que eu, Luca nem se fala estava horrível a Maria Júlia estava cuidando dele.- Vem Gui eu te levo para o quarto
- Você não vai aguentar bonequinha eu sou pesado me deixa aqui no sofá eu me viro.
- Não gui eu te levo vem.
Subimos as escadas tropeçando, ela abriu a porta eu sou muito pesado não sei como ela estava aguentando. estava meio tonto
Acordei com uma dor de cabeça que parecia uma escola de samba batucando dentro do meu crânio. Minha boca estava seca, e o quarto rodava levemente cada vez que eu abria os olhos. Senti o cheiro doce
de algum perfume que não era meu... nem familiar.
Tentei me mover, mas percebi que algo, ou melhor, alguém, estava deitado ao meu lado. Virei devagar, sentindo cada músculo protestar, e ali estava ela. Estela.
Sem roupas.
Engoli seco.
Na mesma hora, o estômago embrulhou, o coração disparou e a cabeça pareceu doer ainda mais. Eu estava sem camisa, também... e quando puxei o lençol, entendi que estava completamente nu.
— Não... não, não, não... sussurrei, levando as mãos à cabeça.
A memória era um borrão. Fragmentos embaralhados de risadas, escadas, o quarto... o perfume dela... a forma como me olhava.
Puta merda.
Não foi um sonho.
Foi real.
Senti um peso absurdo no peito. A culpa veio como um tapa na cara. Eu, bêbado daquele jeito, e ela… mesmo estando mais lúcida… como isso aconteceu? Por que eu deixei?
Eu fiz besteira. Com a Estela. A irmã do meu melhor amigo. A mulher que eu passei anos provocando sem intenção... e que agora estava ali, nua, dormindo ao m
eu lado, com a respiração tranquila, como se o mundo não tivesse virado de cabeça pra baixo.
Cobri meu rosto com as mãos.
Eu estraguei tudo.
Me levantei devagar, tentando não fazer barulho. Meu corpo doía, a cabeça latejava, mas nada se comparava ao nó que começou a se formar no meu estômago quando vi o lençol.Uma mancha vermelha.
Meus olhos se arregalaram.
Não...
Não podia ser.
Engoli seco, as mãos trêmulas, e meu coração parecia querer rasgar meu peito. Peguei o lençol com pressa, como se escondê-lo pudesse apagar o que aquilo significava. Abri o guarda-roupa e empurrei o tecido lá dentro, escondendo como se estivesse enterrando uma prova de um crime. Porque, de certa forma, era isso.
Voltei os olhos pra ela. Estela. Linda, serena, dormindo como se nada tivesse acontecido. Mas tinha. Aconteceu. E eu fui o responsável.
Aquilo não podia ter acontecido.
Não com ela.
Não desse jeito.
Passei as mãos no rosto, desesperado. Quis voltar no tempo, desfazer tudo. Eu era o adulto, o médico, o amigo da família. Eu tinha a obrigação de saber o que estava fazendo. Mas eu falhei.
E justo com ela.
Estela começou a se mexer, as pálpebras tremendo antes de se abrir. Quando os olhos dela encontraram os meus, senti meu mundo desmoronar.
Ela sorriu, pequeno, meio sonolenta.
— Bom dia... murmurou, com a voz rouca.
Desviei o olhar, respirei fundo. E fiz o que me doeu mais do que qualquer ressaca já sentida.
— Isso… isso não devia ter acontecido, Estela. A gente passou dos limites. Eu… eu errei. Isso foi um erro.
O sorriso dela morreu no mesmo instante. O brilho no olhar apagou.
Ela puxou o lençol até o corpo, como se quisesse se esconder de mim.
— Um erro? a voz dela saiu baixa, machucada. — Você acha que… foi só isso?
— Eu estava bêbado. Confuso. Não devia ter deixado as coisas chegarem até aqui. Você merece mais do que isso... você merece alguém que...
— Que não se arrependa no dia seguinte? ela cortou, a voz firme, mas embargada.
Não consegui responder.
Porque era verdade.
E eu... eu era um covarde.
Ela não disse mais nada. Apenas se levantou da cama com um silêncio que doía mais do que qualquer grito.
Pegou as roupas do chão, uma a uma, com movimentos secos, precisos. Vestia-se com pressa, mas sem desespero. Era como se estivesse colocando uma armadura.
E eu? Eu só conseguia olhar. Sentado na beirada da cama, nu, envergonhado, destruído.
Estela terminou de se vestir sem me encarar.
Antes de sair, virou-se para mim. O olhar dela era gelado.
— Fica tranquilo, doutor. Isso nunca mais vai acontecer. A voz era firme, mas eu senti a dor por trás das palavras. — Pode voltar a fingir que eu sou só uma menina.
O clique da porta se fechando atrás dela ecoou no quarto como uma sentença.
Fiquei ali, imóvel. O lençol ainda jogado dentro do guarda-roupa como um segredo sujo. O cheiro dela ainda no ar. A lembrança do toque dela ainda grudada em mim como um crime.
Enterrei o rosto nas mãos.
— O que eu fiz... meu Deus, o que eu fiz...
Ela é a irmã do meu melhor amigo.
Ela é doce, alegre, cheia de vida.
E eu fui um covarde. Um adulto inconsequente.
Jurei ali, naquela manhã, que nunca mais encostaria nela. Nunca mais deixaria meu desejo falar mais alto que a razão.
Ela merecia alguém inteiro. E eu…
Eu só sabia destruir.
Fiquei sentado ali, imóvel, sentindo o silêncio preencher o quarto. O eco da porta se fechando ainda ressoava dentro da minha cabeça, como uma sentença que eu não conseguiria apagar.
Ela saiu. Deixou para trás não só o cheiro dela, mas também a certeza de que destruí algo que jamais deveria ter existido.
Eu não podia mexer um músculo. Nem queria. O peso da culpa me esmagava.
Ela é jovem demais para isso. Para mim, ela é como uma criança. E eu, um homem que devia proteger.
Eu falhei miseravelmente.
Será que ela sabe o quanto eu me odeio agora? O quanto eu queria voltar no tempo e desfazer tudo?
Será que ela imagina que, no fundo, eu nunca quis que isso acontecesse?
Eu jurei para mim mesmo, com cada fibra do meu ser, que nunca mais encostaria nela. Que nunca mais deixaria esse desejo bobo e irresponsável tomar conta.
Ela merece alguém inteiro. Alguém que não vá se arrepender na manhã seguinte.
E eu… eu só sei quebrar coisas.
Levantei, cambaleando, e fui até o guarda-roupa. Olhei para o lençol escondido ali dentro, sujo, manchado, como se fosse a prova do meu erro.
Minha mente rodava.
Como eu vou olhar o Luca nos olhos depois disso?
Como vou encarar o meu melhor amigo?
E, principalmente, como vou encarar a mim mesmo?
Passei as mãos pelo rosto, tentando enxugar as lágrimas que insistiam em escapar.
Eu não mereço isso. Ela não merece isso.
Mas o que eu fiz… ninguém vai esquecer.
Rogério Eu nunca pensei que quarenta dias pudessem durar uma eternidade. No papel de pai e marido protetor, eu era pleno. Ver a Liz com os bebês, observar a rotina da nossa casa se estabilizando... tudo beirava a perfeição. Mas, no silêncio da noite, havia uma fome que eu sufocava. Uma saudade física, uma carência de pele com pele que eu guardava a sete chaves. Ela tinha atravessado um inferno; meu papel era ser o porto seguro, não o homem que cobra. Eu esperaria uma vida inteira se fosse preciso. Até que, naquela tarde, o ar mudou. Liz me chamou ao quarto e, quando entrei, encontrei um brilho no olhar dela que eu não via desde antes do parto. Um brilho que não era de mãe, mas de mulher. — Rô… hoje eu quero um momento com você. Só nós dois. Meu coração deu um solavanco, batendo contra as costelas. Aproximei-me devagar, como se pudesse assustá-la, e emoldurei seu rosto com as mãos. A pele dela estava quente. — Você não faz ideia do quanto eu senti falta de ouvir isso — conf
Os bebês estavam cada dia mais lindos. Antonela e Dominic… meu Deus, como dois seres tão pequenos podiam ocupar tanto espaço no meu coração?Depois de uma semana no apartamento, finalmente voltamos para casa. Mandei reformar tudo paredes, móveis, iluminação, até o quarto das crianças. Ficou melhor do que antes do caos todo. Eu queria um recomeço para nós.E hoje… era dia de buscar um membro importante da família.O Tob.Meu grandalhão desastrado, que tinha ficado no hotelzinho para animais depois da alta porque, sinceramente, com tanta coisa acontecendo, ele derrubaria até as paredes se ficasse em casa.Quando cheguei lá, ele fez tanta festa que quase me jogou no chão. Parecia um caminhão desgovernado.— Calma, rapaz! ri enquanto ele lambia meu rosto como se eu tivesse sumido por um ano.Mas ver a felicidade dele fez meu peito aquecer.Ele precisava voltar pra casa. Nós precisávamos dele.Quando abriu a porta de casa, ele entrou correndo como um foguete.Liz estava no sofá amamentan
Rogério Já fazia uma semana desde que viemos para o meu apartamento. Uma semana desde que tirei minha mulher e meus filhos de dentro de um hospital e, mesmo assim, parecia que eu continuava vivendo lá. Todos os dias eu passava algumas horas no corredor frio, perguntando pelos mesmos boletins, esperando pelas mesmas respostas, torcendo para que melhorassem um pouco mais.Antony não era “só” meu amigo.Ele era meu irmão de alma.E vê-lo caído daquela maneira… sangrando… sabendo que salvou a Liz e meus filhos… isso me marcaria pelo resto da vida.Todas as manhãs, depois de ajudar Liz com Antonela e Dominic, eu deixava um beijo na testa dela e dizia:— Vou ver o Antony, amor. Qualquer coisa, me liga.Ela nunca reclamou. Nunca pediu para eu ficar. Pelo contrário sempre apertava minha mão antes de eu sair, como quem dizia: “vai, eu sei que você precisa”.Rosângela e Camila estavam sendo um apoio gigantesco. As duas praticamente se mudaram para o apartamento.Rosângela, a melhor amiga da
Elizabeth Assim que a porta do apartamento se abriu, eu senti minhas pernas ficarem fracas.O cheiro familiar… o silêncio acolhedor… a sensação de estar em um lugar seguro depois de tanto caos. Meu peito apertou. Eu não entrava ali desde a cirurgia da Camila, quando Rogério emprestou o apartamento para ficarmos até ela se recuperar. Naquela época, eu nem imaginava tudo o que ainda estava por vir.Camila passou por mim com um sorriso orgulhoso, segurando um dos bebês no colo, enquanto o outro dormia no bebê conforto, ao lado do Rogério.— Eu ajeitei tudo ela disse, balançando as chaves no ar. Lembra? O Rogério deixou o apartamento pra gente usar quando eu operei… E como ele garantiu que estava liberado, eu vim arrumar ontem à noite. Vocês só vão entrar e descansar.Meu coração errou o compasso.Eu olhei ao redor devagar… o sofá limpo, as mantas dobradas, mamadeiras esterilizadas em cima da pia, fraldas organizadas, o quarto com berço portátil montado, cheirando a lavanda.As lágrimas
O sol da manhã atravessava a persiana do quarto, criando faixas de luz suave sobre a pele da Elizabeth. Ela parecia ainda mais frágil dormindo daquele jeito, os cabelos caindo pela testa, os lábios entreabertos, respirando naquele ritmo calmo que só vem depois de enfrentar um furacão.E ela enfrentou um furacão.Nós enfrentamos.Os bebês também dormiam, encolhidos nos bercinhos, com aqueles bracinhos minúsculos se mexendo às vezes, como se sonhassem com o próprio peito da mãe. Meu coração sempre apertava quando eu olhava pra eles. Era um tipo de amor que doía.Eu estava sentado ao lado dela quando a enfermeira bateu na porta, abrindo bem devagarinho.— Doutor Rogério? ela sorriu. — O senhor já está acordado. Vim avisar que a alta está sendo preparada. Os pediatras passaram há pouco e liberaram os gêmeos também.Meu coração deu um solavanco.— Hoje? perguntei, engolindo um misto de alívio e nervosismo.— Hoje. ela respondeu com doçura. — Só precisamos assinar alguns documentos… mas e
Rogério O telefone tocou bem na hora em que eu estava ajeitando o cobertor sobre a Elizabeth.Ela dormia tão quietinha, tão exausta… e os bebês também. A simples visão deles me aquietava por dentro.Até o telefone vibrar de novo.Número desconhecido.Atendi.— Doutor Rogério? a voz era firme, séria. Reconheci na hora. O delegado responsável pelo caso.Meu estômago travou.— Sou eu, delegado. Aconteceu alguma coisa?Minha voz saiu tensa demais.Ele respirou fundo. E esse suspiro… eu já sabia que vinha merda grande.— Doutor… eu preciso que o senhor se sente.Meu coração disparou.— Fala logo.Houve um silêncio curto, pesado, antes dele dizer a frase que virou meu mundo de cabeça pra baixo:— A mandante do crime era a Sofia. Ela confessou tudo.Eu senti minhas pernas fraquejarem. Segurei na beira da cama para não cair.— Como assim… Sofia? A minha…?Minha voz falhou.Meu peito apertou como se faltasse ar.— Ela confessou que matou sua primeira esposa, a Clarisse… grávida.Minha visão e







