INICIAR SESIÓN— Pode avisar que vou descer — respondeu Anne. Ela devolveu o interfone ao suporte e olhou para Olivia. A amiga continuava adormecida no sofá, protegida pela manta, sem demonstrar que havia escutado o toque ou a breve conversa. Anne pegou as chaves e deixou o apartamento em silêncio, cuidando para fechar a porta sem fazer qualquer barulho. Durante a descida, tentou imaginar o que Oliver pretendia ao aparecer ali depois de ignorar todas as ligações e mensagens. Se havia lido o aviso que ela enviara, poderia simplesmente ter respondido que estava bem. Duas palavras seriam suficientes para tranquilizar Olivia e impedir que a irmã passasse parte da noite dirigindo pela cidade à sua procura. As portas do elevador se abriram, e Anne atravessou o saguão em direção à portaria. Oliver estava próximo à entrada do condomínio, esperando do outro lado das portas de vidro. A imagem diante dela era muito diferente do homem que costumava encontrar nas reuniões do hotel. A gravata estava frouxa ao
A sinceridade da resposta afastou qualquer tentativa de tranquilizá-la com explicações que nenhuma das duas poderia confirmar. Anne pegou o próprio celular e abriu a conversa com Oliver. A última mensagem continuava sendo a atualização enviada depois do jantar, ainda sem resposta. Seus dedos permaneceram sobre a tela enquanto considerava se deveria escrever. Não queria que ele interpretasse aquilo como uma tentativa de retomar o assunto entre os dois, porém a preocupação de Olivia era mais importante do que qualquer conclusão equivocada. Escreveu antes que mudasse de ideia. “A Olivia está comigo, no meu apartamento. Ela vai passar a noite aqui. Quando puder, avise que está bem.” A mensagem foi enviada, mas nenhum sinal indicou que Oliver havia lido. — Pronto — disse Anne, colocando o aparelho sobre a mesa. — Agora ele sabe onde você está. — Você não precisava mandar uma mensagem por minha causa. — Precisava, sim. Se Oliver chegar em casa enquanto você está aqui, vai começar a p
O ponto que indicava a localização de Olivia avançou pelas últimas ruas antes de se aproximar do condomínio. Anne calçou os sapatos, pegou as chaves e desceu para encontrá-la, mantendo o celular nas mãos durante todo o caminho. Quando chegou à portaria, o carro já diminuía a velocidade diante da entrada. Olivia apresentou os dados ao porteiro, recebeu a autorização para entrar e estacionou na vaga indicada. Anne esperou próxima ao acesso do prédio. Assim que saiu do veículo, Olivia olhou ao redor como se ainda acreditasse que poderia encontrar o irmão em algum lugar daquele estacionamento. O cabelo estava desalinhado, e ela segurava o celular com tanta força que parecia temer perder uma ligação caso afastasse o aparelho por alguns segundos. — Obrigada por me deixar vir — disse ao se aproximar. — Eu sei que está tarde e que não deveria ter colocado você no meio disso. — Você já se desculpou pelo telefone. — E continuo achando que deveria pedir desculpas novamente. — Então faça iss
Não sabia se falava sobre a ausência da resposta ou sobre a preocupação que carregava desde que o vira sair do hotel. Qualquer que fosse o motivo, Anne não pretendia continuar esperando por alguém que decidira tratá-la apenas como uma profissional. Permaneceu na cozinha até ter certeza de que tudo estava preparado para a manhã seguinte. Quando deixou o hotel, a noite já havia avançado e o cansaço pesava em todo o seu corpo. Dirigiu para casa tentando pensar apenas no serviço que conseguira concluir, mas a lembrança de Oliver surgia sempre que o trânsito diminuía e o silêncio preenchia o carro. Ao chegar, A ausência de Oliveira tornou o apartamento ainda mais quieto, porém Anne não se arrependeu de tê-lo deixado com Anna. Não teria tempo para cuidar dele como deveria enquanto permanecesse tantas horas no hotel, tomou banho e vestiu uma roupa confortável. Deitou-se e apagou a luz, esperando que o cansaço fosse suficiente para fazê-la dormir, mas o celular tocou antes que conseguisse
Anne retornou à cozinha sabendo que não poderia continuar pensando na forma como Oliver havia encerrado a conversa. A saída de Joaquim deixara a equipe sem alguém para comandar o próximo turno, e o jantar se aproximava com o mesmo número de reservas e nenhuma possibilidade de suspender o serviço enquanto procuravam um substituto. Ela não precisava perguntar aos funcionários o que cada um sabia fazer. Durante os dias em que acompanhara o funcionamento da cozinha, já havia observado a técnica, a agilidade e as dificuldades de cada estação. Conhecia aqueles que conseguiam manter o controle durante o movimento, os que possuíam mais facilidade para corrigir uma preparação e aqueles que precisavam de orientações mais diretas. Anne reuniu a equipe ao redor da bancada central e distribuiu as responsabilidades de acordo com tudo o que havia acompanhado. — A saída de Joaquim não muda o que vocês sabem fazer. O que muda hoje é a forma como as decisões serão tomadas. — avisou. Indicou quem re
Anne permaneceu esperando que Oliver dissesse alguma coisa. Depois de tudo o que haviam conversado na casa de Anna, encontrar Gean dentro do hotel deveria provocar ao menos uma pergunta. Ela se preparou para ouvi-lo questionar por que continuava tratando Gean daquela maneira depois de descobrir as mentiras que os haviam mantido separados. Oliver, entretanto, não pronunciou o nome dele. — Patrícia me contou o que aconteceu com Joaquim. Anne levou alguns segundos para compreender que aquele seria o início da conversa. Nenhuma cobrança, nenhum comentário sobre Gean nem qualquer tentativa de retomar o assunto que os afastara. Oliver olhava para ela com a mesma seriedade que usava nas reuniões do hotel, como se os dois não tivessem compartilhado nada além de um contrato. — Ela foi rápida — respondeu, recuperando a postura. — Precisava ser. O hotel está sem alguém responsável pelo comando da cozinha, e ainda teremos o serviço do jantar. Quero saber se a equipe consegue trabalhar se







