Depois de Uma Noite, Casei com o Pai do Meu Filho

Depois de Uma Noite, Casei com o Pai do Meu Filho

last updateÚltima actualización : 2026-09-03
Por:  Mallu PradoActualizado ahora
Idioma: Portuguese
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Olivia Bennett acreditava que aquela seria a noite em que o homem que amava finalmente assumiria o relacionamento dos dois. Em vez disso, foi traída da pior maneira possível. Drogada pelo próprio namorado e deixada indefesa em um quarto de hotel como parte de um plano cruel, Olivia vê seu destino mudar quando uma troca acidental de cartões leva Sebastian Carter até a suíte errada. Ele acredita estar diante da mulher contratada por seus amigos. Ela, perdida entre os efeitos da substância e a escuridão, acredita que o homem que entrou no quarto é seu namorado. Na manhã seguinte, Olivia acorda ao lado de um completo desconhecido e foge sem sequer saber seu nome. Poucas semanas depois, descobre que está grávida. Três anos se passam. Agora mãe solo, abandonada pela própria família e disposta a qualquer coisa para garantir o tratamento cardíaco do pequeno Nicholas, Olivia consegue uma oportunidade de trabalho que pode mudar sua vida: tornar-se assistente executiva de Sebastian Carter, o poderoso e temido presidente do Grupo Carter. O que ela não imagina é que seu novo chefe é o homem daquela noite. E Sebastian também não sabe que o menino de olhos curiosos que acompanha sua nova funcionária é seu próprio filho. Mas ele tem um problema muito maior nas mãos. Sebastian recebeu um ultimato: se não estiver casado até completar trinta anos, perderá a presidência do império da família para o irmão que mais odeia. Olivia precisa de dinheiro para salvar o filho. Sebastian precisa de uma esposa. A solução parece simples. Cinco milhões de dólares. Trezentos e sessenta e cinco dias de casamento. Quartos separados. Nenhum envolvimento emocional. Só existe uma cláusula impossível de cumprir: não se apaixonar.

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Capítulo 1

Capítulo 1: Hoje seria a nossa noite

POV Olivia Bennett

O reflexo no espelho do elevador panorâmico mostrava exatamente o que passei a tarde inteira tentando construir: elegância, compostura e a doce ilusão de que eu finalmente pertencia à vida dele. O vestido azul-marinho de cetim tinha custado mais do que meu orçamento mensal de estudante permitia, mas eu não me importava.

Hoje seria a nossa noite.

Durante quase um ano, Lucas insistiu que precisávamos manter nosso relacionamento sob o mais absoluto sigilo. Dizia que o ambiente corporativo era implacável, que a gerência não tolerava distrações e que qualquer rumor poderia destruir a reputação que ele construía com tanto esforço. Eu compreendi. Aceitei a clandestinidade dos nossos encontros, as mensagens apagadas e as despedidas apressadas no estacionamento. Mas o convite oficial para a noite de gala da empresa mudava tudo.

Ele mesmo havia me dito, segurando meu rosto com um carinho que agora me parecia ensaiado: “Quero você ao meu lado na noite mais importante da minha carreira, Liv. Chegou a hora de todo mundo saber.”

Quando as portas metálicas se abriram no vigésimo andar do Hotel Grand Imperial, o som de risadas teatrais, violinos ao vivo e o tilintar de taças de cristal me atingiram em cheio. O salão resplandecia sob lustres colossais, apinhado de homens em smokings alinhados e mulheres ostentando vestidos de alta-costura e joias que valiam pequenos apartamentos.

Lucas emergiu da multidão antes que eu desse o terceiro passo. Ele estava impecável no terno preto de corte moderno, os cabelos milimetricamente penteados. Sorri com o coração aos saltos, dando um passo à frente para envolvê-lo em um abraço, mas ele apenas tocou a curva do meu cotovelo — um gesto contido, impessoal e calculado.

— Você veio — disse ele, passando os olhos rapidamente ao redor, como se monitorasse a plateia antes de me fitar.

— Você me pediu para vir — respondi, inclinando o rosto em busca daquele calor habitual. — Pensei que você fosse me apresentar à sua equipe.

Lucas soltou um riso curto e tenso, ajeitando o nó da gravata de seda.

— As coisas aqui não funcionam com essa ingenuidade, Olivia. A promoção para a diretoria regional vai ser decidida esta noite. Tudo depende de como o conselho vai avaliar minha influência e meus contatos.

— Entendi. E como eu posso te apoiar?

Ele segurou meus dois ombros, baixando o tom de voz até transformá-lo em um sussurro conspiratório. Seus olhos, no entanto, estavam fixados em um ponto específico do mezanino.

— Está vendo aquele homem no lounge VIP? É o Dr. Miller, o diretor sênior de operações. Ele tem a palavra final sobre a minha vaga. Preciso que você vá até lá e faça companhia a ele.

Pisquei, confusa. A frase soou desconexa, quase absurda.

— Fazer companhia? Como assim, Lucas?

— Conversar, Liv. Ser charmosa, rir das piadas dele, aceitar as bebidas que ele pedir. O Miller é um homem vaidoso e exigente; gosta de atenção e de mulheres bonitas ao redor. Se você agradar ao velho, ele simpatiza comigo e a cadeira é minha. É puramente estratégico. Networking social.

Um nó amargo apertou o fundo da minha garganta. Aquilo não tinha a menor semelhança com a apresentação de uma namorada; parecia uma incumbência comercial, fria e humilhante. Mas antes que eu pudesse recuar, encarei a ansiedade febril nos olhos de Lucas. Ele sempre falara daquela promoção como o passaporte definitivo para a nossa independência, a garantia de que finalmente alugaríamos um apartamento e viveríamos às claras.

— É só conversar, não é? — perguntei, engolindo a humilhação a seco.

— Claro, meu amor. O que mais seria? — ele forçou um sorriso doce, roçando os lábios na minha testa com pressa. — Faça isso por nós. Eu volto para te buscar assim que encerrar a conversa com os investidores.

Dez minutos depois, eu me via sentada no sofá de veludo do reservado privativo, frente a frente com o Dr. Miller.

O homem era a personificação do excesso e da vulgaridade corporativa. Excessivamente gordo, com o colarinho da camisa social sufocando um pescoço grosso e avermelhado pelo álcool, Miller transpirava um odor enjoativo de loção pós-barba misturada a tabaco caro. Fios escassos de cabelo grisalho estavam colados ao couro cabeludo oleoso, e seus olhos miúdos e aquosos percorriam o decote do meu vestido azul com uma indiscrição predatória que me embrulhava o estômago.

— Então a senhorita estuda literatura? Fascinante — a voz dele saiu pastosa e pesada enquanto ele estalava os dedos grossos para o garçom particular. Em questão de segundos, duas taças com um líquido denso, avermelhado e espumante foram depositadas sobre a mesinha de centro. — Uma jovem culta e com traços tão refinados é uma joia rara neste meio. Beba comigo, Olivia. Um brinde ao futuro do nosso ambicioso Lucas.

Eu detestava bebidas fortes, mas, lembrando do apelo de Lucas, ergui a taça com dedos tensos e tomei um gole longo. O sabor era doce demais, quase xaroposo, mas desceu arranhando a garganta com uma queimação estranha.

Miller não parava de falar. Gabava-se de suas propriedades, dos carros importados e de sua autoridade absoluta para derrubar ou erguer carreiras dentro da empresa com uma única canetada. Eu mantinha um sorriso congelado no rosto, assentindo mecanicamente enquanto me encolhia contra o encosto do estofado para evitar a proximidade do seu corpo maciço.

Na metade da segunda taça, porém, a estrutura do meu corpo cedeu.

As luzes do salão perderam a nitidez, transformando-se em borrões dourados e nauseantes. A orquestra ao fundo virou um zumbido abafado, como se litros de água entrassem pelos meus ouvidos. Uma onda violenta e repentina de calor subiu pela base da minha nuca, fazendo o suor brotar na raiz dos meus cabelos enquanto meus braços e pernas viravam chumbo puro.

Dois drinks. Foram apenas dois copos pequenos. Minha tolerância ao álcool nunca fora tão frágil a ponto de apagar meus sentidos daquela maneira devastadora.

Tentei me apoiar na mesa para levantar, mas o mundo girou em um ângulo impossível.

— Senhorita Bennett? Parece indisposta... — Miller murmurou, com um sorriso pegajoso que revelava dentes amarelados.

Antes que eu pudesse me afastar, a mão pesada, grossa e úmida do homem envolveu o meu pulso com força excessiva. A palma dele estava pegajosa de suor, apertando minha pele com uma intimidade asquerosa. Ele se inclinou ainda mais na minha direção, o hálito quente de conhaque batendo contra o meu rosto:

— Não precisa se esforçar para ficar aqui no meio desse barulho todo, querida. Eu conheço muito bem este hotel. Posso levar você até um lugar muito mais calmo para descansar. Deite-se um pouco comigo lá em cima...

O pavor gelou o restante de consciência que ainda me restava.

— Não! — puxei o braço com um solavanco desesperado, desvencilhando-me daquele toque asqueroso. O movimento brusco quase me fez tombar no chão. — Eu... eu preciso ir ao toalete. Com licença!

Sem esperar resposta, dei as costas e cambaleei pelo corredor em direção aos banheiros, arrastando as palmas das mãos pelas paredes de madeira para não desabar no carpete. O reflexo no espelho do toalete era aterrorizante: minhas pupilas ocupavam quase toda a íris, as bochechas estavam manchadas de um vermelho febril e minha respiração saía curta, rouca e sufocada. Joguei punhados de água fria na face, mas o fogo sob a minha derme parecia se alimentar da água, alastrando-se pelas veias como veneno líquido.

Eu não estava embriagada. Eu havia sido drogada.

Apoiando-me nas pias com os dedos cravados na bancada de mármore, puxei o celular da bolsa com as mãos trêmulas e disquei para Lucas. Chamou até cair na caixa postal.

Reunindo as últimas fagulhas de lucidez, saí do banheiro tropeçando nos próprios saltos. No final do corredor de serviço, avistei a silhueta esguia dele digitando freneticamente no aparelho.

— Lucas... — meu chamado mal passou de um gemido arrastado.

Ele se virou bruscamente, fechando a cara ao me ver escorada no batente:

— Olivia? O que diabos você está fazendo aqui fora? Cadê o Miller?

— Tem alguma coisa muito errada comigo... — enterrei os dedos no tecido da jaqueta dele, implorando por socorro enquanto minhas pernas falhavam. — Estou queimando por dentro... não consigo enxergar direito, não consigo ficar de pé. Aquele homem tentou me tocar. Por favor, me tira daqui... me leva para casa agora!

Lucas olhou para os dois lados do corredor vazio, a postura esquiva, desviando covardemente dos meus olhos marejados de terror.

— Ir para casa agora? Você perdeu o juízo, Olivia? O comitê acabou de abrir as rodadas de negociação individual. Se eu abandonar a festa agora, jogo um ano de trabalho no lixo!

— Eu não estou aguentando! Colocaram alguma coisa naquela taça...

— Pare de escândalo, você só não tem costume com bebida forte! — ele cortou com rispidez, embora tenha suavizado o tom logo em seguida, assumindo uma falsa paciência. — Olha só, a empresa reservou várias suítes nos andares de cima justamente para convidados e funcionários que passassem mal. Vou te colocar em um quarto para dormir.

Ele passou o braço pela minha cintura com pressa excessiva, quase me arrastando para o elevador privativo dos hóspedes. Não consegui registrar o painel; os números luminosos subiam em um borrão dourado e confuso. Minha cabeça pendia para o lado, pesando toneladas.

No corredor silencioso do décimo segundo andar, o carpete amortecia nossos passos. Lucas puxou um cartão magnético branco do bolso interno do paletó, encostou na fechadura eletrônica e a luz verde acendeu com um estalo suave.

Ele me empurrou para dentro da suíte e me deitou sobre o colchão largo. A maciez dos lençóis foi um alívio imediato para a minha fraqueza, mas a queimação interna tornava o contato do próprio tecido com a minha pele uma tortura febril.

— Descanse um pouco — a voz de Lucas parecia ecoar de dentro de um túnel escuro. — Assim que eu acertar tudo com a diretoria lá embaixo, eu subo para te buscar.

— Lucas... não me deixa aqui sozinha... — implorei, mas as palavras saíram pesadas e emboladas.

O clique da porta pesada se fechando foi seguido imediatamente pelo estalo do interruptor.

O quarto foi engolido por um breu espesso e sufocante.

Fiquei imóvel sobre a cama, prisioneira do próprio corpo. O ar-condicionado parecia inútil contra o calor delirante que consumia cada terminação nervosa minha. As roupas apertavam, a pele ardia, e uma inquietação desesperada tomava conta dos meus pensamentos em meio à semiconsciência.

Não sei quanto tempo se arrastou naquele delírio escuro. Minutos? Horas?

De repente, o bipe metálico da fechadura eletrônica cortou o silêncio do quarto. A maçaneta girou e a porta se abriu devagar.

Por uma fração de segundo, a fresta de luz do corredor desenhou a silhueta alta, larga e imponente de um homem parado na entrada. A porta se fechou com um baque surdo, restabelecendo a escuridão absoluta.

Os passos firmes e pesados sobre o carpete foram como uma tábua de salvação para a minha agonia febril. O alívio de pensar que Lucas havia voltado para me resgatar misturou-se à necessidade urgente e desesperada de contato para apagar o fogo que me destruía por dentro.

Juntei as forças residuais da minha consciência, escorreguei para fora da cama e dei dois passos cambaleantes no escuro. Meus pés descalços tocaram o chão frio até que meu corpo colidiu contra a rigidez máscula daquela presença imensa parada no meio da suíte. O calor que emanava dele era avassalador.

— Amor... você voltou? — murmurei em um suspiro rouco, as lágrimas de alívio queimando nas minhas bochechas.

Sem esperar por respostas, levantei os braços trêmulos, afundei as mãos na firmeza dos ombros dele, puxei seu rosto na escuridão e selei meus lábios ardentes contra os dele em um beijo desesperado.

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