Inicio / Romance / O FILHO DO MEU PADRASTO / Capítulo 5 — E se eu só... Não me controlar?

Compartir

Capítulo 5 — E se eu só... Não me controlar?

last update Fecha de publicación: 2025-06-03 00:02:54

Alice Kim

A mesa estava cheia. Barulhenta. Louca de risadas, pratos empilhados e comentários aleatórios sobre séries que ninguém mais assistia, mas todo mundo fingia que sim. Minha mãe estava animada. Meu padrasto, falante. Zion... calado.

Mas não calado de quem está alheio. Era aquele silêncio dele que fala. Que morde. Que arrasta o olhar como faca na pele. Ele ria baixo quando minha mãe dizia alguma coisa engraçada, mas não sorria com os olhos. E esses olhos... estavam em mim. O tempo todo. Como um raio-X. Como uma lembrança suja de tudo que aconteceu ontem à noite.

Eu fingia comer. Fingia escutar. Fingia existir.

Mas cada célula do meu corpo... estava consciente dele. Cada vez que ele mexia o garfo, respirava fundo, passava a língua nos lábios... Era tortura. E eu? Eu me perguntava quantas vezes mais conseguiria sentar naquela mesa fingindo que a gente não dividiu a cama. Que ele não tirou minha sanidade com as mãos. E com a boca.

— Isso aqui está maravilhoso. — disse meu padrasto, batendo levemente a barriga e se jogando pra trás na cadeira. — Já volto, vou buscar mais bebida... Alguém quer alguma coisa?

— Traz um vinho, amor. — minha mãe pediu, pegando o guardanapo. — E eu vou lá em cima ajeitar umas roupas no armário antes que eu esqueça.

Levantei os olhos. Devagar. E encontrei o olhar de Zion já me esperando.

Perigo.

Era isso. Ele era isso. Uma faísca acesa dentro de um barril de pólvora. E, por algum motivo masoquista, eu não queria apagar.

Nossos pais subiram. Os passos ficaram mais distantes. A voz da minha mãe se perdeu no andar de cima.

E então... só restamos nós.

O ar mudou.

O som da cadeira de Zion arrastando no piso foi como um disparo. Ele se levantou, pegou os pratos da mesa com a calma de quem sabe que controla a bomba-relógio. E eu? Eu fiquei ali, com o coração batendo no ritmo do fim do mundo.

Ele foi até a pia, abriu a torneira. A água caiu, barulhenta, cortando o silêncio como navalha.

Minhas mãos suavam.

— Quer ajuda? — minha voz saiu antes da minha consciência autorizar. Falha. Mole. Um “sim” disfarçado de pergunta.

Ele virou levemente o rosto, só o suficiente pra lançar aquele olhar de canto. O olhar que já vinha assinado, carimbado, selado: Se você vier... não sai a mesma.

— Vem. — respondeu. Grave. Rouco. Quente.

E eu fui.

Como se não tivesse aprendido nada. Como se meu corpo tivesse vida própria e o nome da desgraça tatuado na alma: Zion Bellini.

Me aproximei. Juntei os copos, fui até a pia. Fiquei ao lado dele.

Perto demais.

Ele lavava os pratos como quem não tava nem aí. Mas eu via. O ombro dele roçava no meu. A respiração dele esbarrava no meu pescoço. O calor do corpo dele fazia meu cérebro derreter.

Liguei a torneira, peguei um prato das mãos dele.

Nossos dedos se tocaram.

A descarga elétrica percorreu meu corpo tão rápido que eu quase deixei tudo cair.

E então... ele falou.

— Você está sempre assim?

Minha mão congelou no meio do sabão.

— Assim como?

Ele virou só um pouco, o suficiente pra me mirar.

— Meio... marrenta. Meio... deliciosa.

E foi aí que eu percebi: essa noite não acabou. Ela só estava começando de novo. Quase derrubei um prato. Juro.

— Você está sempre assim? — rebati. — Meio... inconveniente. Meio... irresistível?

O sorriso subiu no canto da boca dele. — Irresistível, é?

A mão dele passou na minha cintura. Na. Maior. Cara. De. Pau.

Apertou. Segurou. Me puxou de leve pra mais perto, só o suficiente pra minha respiração engasgar na garganta.

— Está dizendo isso por experiência própria... ou... — Ele não terminou. Não precisou.

O olhar dele mergulhou no meu. E, por um segundo — UM mísero segundo — o universo parou.

O som da água. O cheiro do sabão. As vozes dos nossos pais lá em cima, bem distantes. Tudo sumiu.

Só existia ele.

E eu.

E aquele espaço ridículo de sete centímetros que separava a boca dele da minha.

Ele passou a língua nos lábios, lento, maldito, indecente. — Tá tremendo, Alice.

— É o frio... — MENTIRA DESCARADA.

Ele segurou minha mão, levou até o peito dele, apertou ali, sobre o coração. O dele estava tão acelerado quanto o meu.

— Então somos dois... — sussurrou.

E antes que eu tivesse tempo de processar o que estava prestes a acontecer...

Ele me beijou.

Não foi um beijo tímido, hesitante, com dúvidas. Foi beijo de ataque. De quem não está mais disposto a esperar, nem disfarçar, nem fingir. A boca dele encontrou a minha com fome, urgência, e uma possessividade que me desmontou por inteiro.

Me empurrou de leve contra a pia, o quadril pressionando o meu. As mãos dele exploravam como se conhecessem todos os caminhos. E eu? Eu estava perdida. Inteira. Aflita. Entregue.

Meus dedos se enroscaram no cabelo dele, puxando, sentindo, reagindo.

— Zion... — tentei, no meio da falta de ar.

— Shhh... — ele murmurou, a boca deslizando do meu queixo pro meu pescoço. — Eles estão lá em cima. E a gente... aqui embaixo.

A língua dele tocou minha clavícula...

E foi quando...

PAH. O som de passos no andar de cima. Pesados. Vindo na direção da escada.

Meus olhos arregalaram. O dele também.

— Merda... — ele sussurrou, soltando minha boca, mas sem me soltar de verdade.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • O FILHO DO MEU PADRASTO   Capítulo 100 - Nosso para sempre.

    Último Capítulo – POV Alice KimO sol estava preguiçoso naquela manhã, se esticando atrás das nuvens como quem sabe que é domingo e tem o direito de demorar a nascer. A brisa entrava pela janela com cheiro de flor, e no fundo da casa dava para ouvir o barulho do brinquedo da Daya, aquele que toca uma musiquinha irritante, mas que ela ama como se fosse uma relíquia de princesa.Estávamos em casa. Literalmente e metaforicamente.Zion estava deitado no sofá da sala, camisa meio aberta, cabelo bagunçado, um pé no chão e outro sobre a almofada. Parecia exausto e inteiro ao mesmo tempo. Ele fazia isso com uma facilidade irritante: se entregar ao momento, deixar o tempo passar como se o tempo não tivesse mais pressa.Eu sentei ao lado dele, com uma caneca de chá quente entre as mãos e o coração borbulhando de uma calmaria que eu nunca imaginei ter.— Está pensando em quê? — perguntei, encostando minha cabeça em seu ombro.— Em como minha vida se resume a isso. — ele respondeu, com aquele tom

  • O FILHO DO MEU PADRASTO   Capítulo 99 – SONHO DE CURA

    CAPÍTULO EXTRA POV Zion BelliniA luz era diferente ali.Não era dia, nem noite. Era como se o tempo tivesse ficado em pausa. Tudo ao redor era brando, suave… e silencioso.Eu andava por um campo que eu não conhecia, mas de algum jeito, sentia que já tinha estado ali antes. A grama sob meus pés descalços era morna. O vento tinha cheiro de infância. De bolo assando. De colo.De mãe.E foi então que eu a vi.Ela.Minha mãe, de costas, com os cabelos presos como costumava usar. Usava aquele vestido azul-marinho que ela adorava, o mesmo da última foto que eu guardei com carinho, mesmo depois de tudo.Ela se virou devagar, como se já esperasse por mim. O sorriso… Ah, o sorriso dela me desmontou inteiro.— Oi, meu menino. — a voz dela ecoou como música velha, dessas que a gente só ouve quando fecha os olhos.— Mãe… — minha garganta secou. — É você mesmo?Ela assentiu, se aproximando. E antes que eu dissesse qualquer outra coisa, me envolveu num abraço.Forte.Inteiro.Do tipo que eu não se

  • O FILHO DO MEU PADRASTO   Capítulo 98 — Eu estou te devorando com os olhos

    POV Zion Bellini A porta fechou atrás do meu sogro e eu ainda não tinha certeza se eu deveria agradecer ou pedir desculpas. Ele levou Daya pra dar uma volta no parque ali perto, onde as lanternas iluminavam as cerejeiras como se fosse cena de dorama. Um sonho. Literalmente. Mas agora... agora o quarto era só nosso. Alice estava no banho. E eu... encostado na beirada da cama, camisa meio aberta, a cabeça girando entre as luzes da cidade lá fora e o som da água caindo no banheiro. Ainda dava para ouvir o riso da Daya ecoando pela varanda segundos antes de sumirem no corredor. Mas o silêncio que ficou… era outro tipo de música. Eu tirei os tênis, me joguei na cama e fiquei ali, olhando o teto com um sorriso bobo. Eu estava na Coreia. Eu estava no país dela. Eu estava no coração dela. E porra, que sorte a minha. A porta do banheiro se abriu devagar. O vapor escapou primeiro, dançando como se tivesse consciência do efeito que faria. E aí... ela. Alice. De cabelo preso num

  • O FILHO DO MEU PADRASTO   Capítuo 97 – Dia seguinte, na Coreia

    CAPÍTULO EXTRA POV Zion BelliniAcordei com o cheiro de chá.Não café.Chá de arroz tostado, daqueles que Alice sempre dizia que a avó preparava. E o som das vozes lá fora era baixo, ritmado. Quase musical.Levantei devagar, com Daya esparramada no futon ao meu lado, o cabelo grudado na bochecha e um pé no meu estômago. Alice já tinha saído, claro que tinha, provavelmente ajudando a avó na cozinha ou explicando à irmã como Daya ainda não sabia coreano fluente com três anos (e como isso era um crime de traição nacional, segundo a garota).Vesti uma blusa leve, calcei o tênis e fui até a varanda.Alice estava ali, rindo, usando um hanbok moderno azul-claro que deixava o rosto dela ainda mais sereno. Bonita pra caramba. Ela falava com o pai sobre o plano do dia, e vi quando os olhos dela brilharam ao falar: “Quero mostrar o palácio Gyeongbokgung para ele.” E o “ele” era eu.Meu peito inflou.Daya acordou pouco depois, já no modo “exploração ativada”. Botou uma tiara com orelhas de gatin

  • O FILHO DO MEU PADRASTO   Capítulo 96 – Raízes e Ramen

    CAPÍTULO EXTRA - DOIS ANOS DEPOIS DO FIMPOV Zion BelliniO avião sacudiu como um carrinho de supermercado rebelde, e minha filha… riu.A pequena Daya, sentada entre mim e Alice, gargalhava com o fone infantil preso nas orelhas e um tablet na mão, como se a turbulência fosse parte da brincadeira. Já eu? Suando frio.– Relaxa, Zion. – Alice murmurou com um sorriso divertido, acariciando meu braço.Ainda me chamava assim. Mesmo depois de tudo. Três anos. Três anos desde o nascimento de Daya. Três anos desde que decidimos, juntos, que o amor vale mais do que qualquer rótulo. E agora... lá estávamos nós, indo pra Seoul. Eu não conhecia a Coreia. Ela, sim. Mesmo tendo crescido no Brasil, as raízes coreanas de Alice estavam ali, plantadas fundo, e ela nunca deixou que murchassem. Falava com o pai em coreano quase todos os dias. E agora, fazia questão de ensinar Daya nas duas línguas.– Omma – a vozinha doce chamou. – Mul?Alice se virou com um sorriso orgulhoso.– Você quer água, bebê?– Mu

  • O FILHO DO MEU PADRASTO   Capítulo 95 — O mundo pareceu sorrir de volta.

    POV Zion BelliniEPÍLOGO — Dois anos depoisO céu tava limpo. Azul de doer. E lá embaixo, a cidade se movia no ritmo das buzinas, passos apressados e cafés sendo engolidos sem açúcar. Mas aqui em cima? Aqui era outro mundo.Alice estava sentada no sofá do nosso apartamento novo, mais alto, mais iluminado, mais nosso. O cabelo preso no coque desajeitado, óculos caindo no nariz, camiseta minha que ela jurou que jogaria fora e nunca jogou.— Zion… — ela me chamou, sem levantar o olhar do notebook. — A reunião com a equipe do marketing está confirmada para amanhã às nove, okay?— Nove? Não era às onze?— Não, amor. E antes que você esqueça, minha mãe quer saber se a gente vai para o almoço de domingo.Revirei os olhos.— Se eu disser que não quero sair da cama contigo no domingo, ela entende?Ela riu. Aquele riso que dois anos depois ainda me deixa sem fôlego. Me aproximei pelas costas, beijei a nuca, e sussurrei com voz arrastada:— Você tem noção de que faz dois anos que eu durmo com a

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status