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ameaça

last update Data de publicação: 2026-07-07 23:31:42

Capítulo 114

Lara Oliveira Farias

Ainda estava deitada na cama, o corpo sensível e o estômago revirando. A notícia da gravidez ainda ecoava na minha cabeça como um sonho bom surgindo em meio a um pesadelo. Eu acariciava o ventre de forma inconsciente, ainda sem acreditar que uma nova vida crescia dentro de mim.

Sorri sozinha.

Depois de tudo o que tínhamos enfrentado, Deus estava nos presenteando novamente. O medo ainda existia, principalmente por causa de Paulo e de todas as ameaças que cer
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    Capítulo 81 – Máquina Violeta Matos Eu acordei com a sensação de que os seios estavam em brasa. A luz da manhã entrava macia pela fresta da cortina. Julieta ainda dormia de lado, a mão protegendo a cicatriz. Os bebês estavam nos berços, quietos por um milagre temporário. Pietro estava sentado na poltrona, o celular na mão, a expressão concentrada. Quando percebeu que eu tinha aberto os olhos, veio até a cama na hora. — Bom dia — ele falou baixo, já ajeitando o travesseiro atrás das minhas costas. — Como estão os seios? Eu nem consegui mentir. — Parece que alguém passou fogo neles. Ele fez uma careta de dor alheia e mostrou a caixa que estava em cima da cômoda. Nova, ainda lacrada. — Eu pedi de madrugada. Chegou agora pouco. É a melhor bomba tira-leite que existe. Elétrica, silenciosa, com diferentes potências. A consultora recomendou. Vocês vão conseguir descansar os peitos um pouco sem deixar os meninos sem leite. Eu olhei a caixa e senti os olhos arderem. Não era só pelo pr

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    Capítulo 80 – Primeira Noite Pietro Farias A casa finalmente ficou silenciosa perto das onze da noite. A família grande tinha se despedido aos poucos. Loke e Alex foram os últimos a sair, depois de me olharem nos olhos e repetirem “qualquer coisa, a gente volta”.minha mãe ficou no quarto de hóspedes. A vó Clara se acomodou no quarto ao lado do nosso, a porta entreaberta “só por precaução”. Ana e a cozinheira já tinham se retirado. Sobrou só o essencial. Eu fechei a porta do quarto principal com cuidado. Violeta estava na poltrona de amamentação, o pequeno Pietro no colo, tentando fazer o encaixe de novo. Julieta estava na cama, Pietra contra o peito, o rosto franzido de dor. As duas estavam pálidas, os cabelos presos de qualquer jeito, as camisolas de botões abertas. O cheiro de leite, sabonete e cansaço impregnava o ar. Eu me ajoelhei entre as duas. — Fala a verdade. Tá doendo muito? Julieta soltou um riso curto e sem humor. — Parece que alguém esfregou lixa nos me

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    Capítulo 79 – Alta Julieta Matos A alta veio no final da manhã do terceiro dia. O médico assinou os papéis com calma, explicou os cuidados da cesárea pela terceira vez e olhou para Pietro com seriedade. — Qualquer sinal de febre, sangramento excessivo ou dor forte demais, volta imediatamente. E as meninas precisam de repouso absoluto. Pietro apenas balançou a cabeça, o maxilar travado. Ele já tinha decorado cada instrução. Eu estava sentada na beira da cama, o corpo ainda pesado e dolorido, enquanto a enfermeira ajudava Violeta a se vestir do outro lado. Os dois bebês dormiam nos berços, alheios ao movimento. A família Farias inteira esperava no corredor. Quando a porta se abriu, Loke e Alex se aproximaram primeiro. Lara já segurava uma bolsa térmica. Sofia, Murilo e Miguel carregavam as sacolas de presente que ainda não tinham sido abertas. Naty, Israel e Rafael vinham logo atrás. Camille e a vó Clara ficaram mais perto, prontas para qualquer coisa. — Devagar — Pietro mandou

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    Capítulo 78 – Família louca Julieta Matos A dor da cesárea latejava baixo e constante quando eu abri os olhos no dia seguinte. O quarto duplo do hospital estava silencioso, só o som suave dos monitores e a respiração calma de Violeta na cama ao lado. Eu virei a cabeça com cuidado. Pietro estava sentado na cadeira entre as duas camas, o corpo inclinado para a frente, os cotovelos apoiados nos joelhos. Os dois berços pequenos ficavam logo ao lado dele. Pietra dormia no berço da direita, enroladinha no paninho rosa. O pequeno Pietro dormia no da esquerda, o rostinho sereno. Ele não tinha saído dali a noite inteira. Os cabelos estavam bagunçados, a camisa amassada, as olheiras profundas, mas o olhar… o olhar era o de um homem que tinha encontrado o sentido de tudo. Quando ele percebeu que eu estava acordada, sorriu de um jeito cansado e luminoso. — Bom dia, minha fera. A voz saiu rouca de quem quase não dormiu. Eu estendi a mão e ele a segurou na hora, apertando com cuidado.

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    Capítulo 77 – Pietra e Pietro Pietro Farias A porta da sala de recuperação se abriu com um clique suave. Eu entrei com as pernas ainda trêmulas. O coração batia tão forte que eu sentia o pulso no pescoço, nos dedos, atrás dos olhos. O cheiro de antisséptico misturado com algo mais suave, sabonete, pele quente, vida, me atingiu de uma vez. A primeira coisa que eu vi foi Violeta. Ela estava deitada, a cabeceira da cama levemente elevada, o rosto pálido, os cabelos pegos num coque frouxo. Os olhos se abriram quando me ouviu. Um sorriso cansado, mas verdadeiro, apareceu nos lábios dela. — Pietro… A voz saiu fraca. Eu fui até ela em três passos e me abaixei, segurando o rosto dela com as duas mãos. Beijei a testa, as pálpebras, a boca com um cuidado quase desesperado. O gosto de lágrimas,minhas e dela, se misturou. — Eu estava com tanto medo — confessei contra a pele dela. — Tanto medo, meu amor. — Eu também — ela sussurrou. — Mas a gente conseguiu. Do outro lado da sa

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    Capítulo 76 – Cesariana Pietro Farias Seis meses depois. O grito de Julieta cortou a madrugada como uma lâmina. Eu acordei num segundo. O corpo já estava fora da cama antes mesmo da mente processar. Violeta estava sentada, as duas mãos agarradas a barriga enorme, o rosto pálido e suado. Julieta se curvava para a frente, um gemido longo e rouco saindo da garganta. — Pietro… — a voz de Violeta saiu quebrada. — Está doendo. Está doendo demais. Eu liguei a luz. O relógio marcava três e dezessete da manhã. Em menos de um minuto eu já tinha o telefone na mão e ligava para o hospital. — É o Sr. Pietro Farias. Minhas esposas entraram em trabalho de parto. Quero a equipe completa pronta. Agora. A vó Clara apareceu na porta do quarto com o roupão amassado, os cabelos brancos bagunçados. Fazia dois meses que ela morava conosco. Tinha fechado o sítio, deixado aos cuidados de uma senhora de confiança que eu mesmo paguei, vó Clara veio para cuidar do resguardo das meninas. ela olha

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