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Capítulo 6

Autor: Primeira Neve
O quarto inteiro mergulhou num silêncio sepulcral. O gato preto ficou imóvel, como se até sua respiração tivesse parado.

Ele encarava fixamente o pen drive que tinha acabado de ser retirado, e seus olhos cor de âmbar ficaram, num instante, tomados por veias vermelhas assustadoramente intensas.

Abriu a boca, como se quisesse avançar e despedaçar o pen drive com os dentes, como se quisesse rebater minhas palavras, mas de sua garganta só escapou um gemido desesperado e áspero.

— Na verdade, eu já s
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  • O Gato de Rua Disse: Ele É Meu Ex   Capítulo 9

    Ele mal conseguiu dar dois passos antes que as pernas cedessem de repente.Sob o olhar de dezenas de pessoas ao redor, o poderoso presidente do Grupo Rodrigues desabou de joelhos sobre o cimento áspero, como se não tivesse um único osso no corpo, completamente incapaz de reagir.Seus joelhos se esfolaram e começaram a sangrar, enquanto a água suja respingava por toda a roupa. Ele tentou se levantar, mas as pernas simplesmente não obedeciam.Só lhe restou assistir, impotente, à porta do carro se fechar e ao meu perfil indiferente desaparecer atrás do vidro. Continuou largado no chão como um monte de lama, até que o último vestígio de luz em seus olhos se apagou por completo.Na sala VIP do aeroporto, a voz suave do sistema de som anunciava as informações dos voos.Eu estava sentada em um sofá macio quando Daniel colocou um café americano quente sobre a mesinha à minha frente e, ao passar, ajeitou o casaco que eu havia deixado sobre o encosto da poltrona.— Está amargo? — Perguntou ele e

  • O Gato de Rua Disse: Ele É Meu Ex   Capítulo 8

    O rosto de Diogo ficou pálido num instante. Toda a cor desapareceu de suas feições, e seus lábios tremiam sem parar.A arrogância e o orgulho de quem sempre esteve numa posição de poder assumiam contornos ridículos e repugnantes diante da frieza implacável com que eu os expunha.Ele quis estender a mão para me agarrar, quis usar a força para me levar de volta, mas seus dedos se contraíram num espasmo. Ele sequer tinha forças para erguer o braço.Foi então que um chamativo carro esportivo vermelho freou bruscamente junto à calçada, fazendo os pneus soltarem um guincho estridente.De salto alto, Vitória ergueu a barra do vestido e desceu do carro às pressas.Ao ver Diogo naquele estado, completamente desnorteado, seus olhos se avermelharam de imediato, e ela correu para o meio da multidão.— Diogo! Por que você fugiu? Você sabe que quase morreu? — Como de costume, ela tentou segurar o braço dele.Em seguida, se virou para mim com um olhar de censura, carregado da presunção de quem se jul

  • O Gato de Rua Disse: Ele É Meu Ex   Capítulo 7

    Quando cheguei com Daniel à entrada do condomínio, a chuva já havia parado, e o ar trazia o frio cortante do fim do outono.Uma multidão se aglomerava diante do prédio. Um Maybach preto estava atravessado de maneira arrogante bem em frente à entrada.Diogo estava ali, vestindo apenas a roupa fina do hospital, com os pés descalços sobre o chão tomado por poças d'água.Seu rosto estava tão pálido que parecia quase translúcido, e o sangue no dorso de sua mão já havia secado.Mesmo naquele estado deplorável, ele ainda agarrava com força o ombro do corretor. Havia nele a violência de quem sempre estivera no poder, agora misturada a uma obsessão quase doentia.— Quem deu a você o direito de vender a minha casa? Onde ela está? Estou perguntando para onde Amanda foi!Sua voz estava rouca e grave, mas, ainda assim, fez o corretor tremer dos pés à cabeça.— Sr. Diogo, a Srta. Amanda já assinou os documentos da transferência. Eu realmente não sei para onde ela pretende ir...Diogo soltou o corret

  • O Gato de Rua Disse: Ele É Meu Ex   Capítulo 6

    O quarto inteiro mergulhou num silêncio sepulcral. O gato preto ficou imóvel, como se até sua respiração tivesse parado.Ele encarava fixamente o pen drive que tinha acabado de ser retirado, e seus olhos cor de âmbar ficaram, num instante, tomados por veias vermelhas assustadoramente intensas.Abriu a boca, como se quisesse avançar e despedaçar o pen drive com os dentes, como se quisesse rebater minhas palavras, mas de sua garganta só escapou um gemido desesperado e áspero.— Na verdade, eu já sabia há muito tempo. — Olhei para ele de cima, com a voz tranquila. — Um ano atrás, no dia em que você levou Vitória para passar as férias nas Maldivas, eu estava hospedada no hotel ao lado daquele em que vocês ficaram.O gato preto ergueu a cabeça de repente, visivelmente chocado, como se não pudesse acreditar no que ouvia.— Você me disse que viajaria a trabalho para a Europa, que o projeto era urgente. E eu acreditei. Cheguei a passar três noites em claro, suportando a dor de cabeça para term

  • O Gato de Rua Disse: Ele É Meu Ex   Capítulo 5

    Faltavam apenas três dias para eu deixar aquela cidade. A casa já estava à venda por meio de uma imobiliária.Embora Diogo tivesse comprado a casa, ele havia colocado a propriedade no meu nome na época para evitar impostos.Eu pretendia depositar cada centavo da venda na conta dele. Não ia ficar lhe devendo nada.Nos últimos dias, o gato preto vinha se mostrando estranhamente quieto. Já não fazia estragos nem tentava chamar minha atenção. Passava os dias deitado ao lado daquela gaveta vazia, apenas observando enquanto eu esvaziava a casa pouco a pouco.Até aquela noite... Quando saí do banho, vi que a tela do meu tablet estava acesa. O gato preto estava em cima dele e, com as duas patas dianteiras, pressionava a tela de maneira desajeitada e penosa, tentando digitar alguma coisa.Me aproximei sem dizer nada. Na tela, havia um aplicativo de notas aberto. Nele, aparecia uma frase digitada com dificuldade: [Amanda, não vá embora.]Ele digitava muito devagar. A cada letra, precisava parar

  • O Gato de Rua Disse: Ele É Meu Ex   Capítulo 4

    A expressão de Caio se fechou no mesmo instante.— Amanda, você enlouqueceu? Você sabe que, se assinar esse acordo, não vai receber absolutamente nada da família Rodrigue por todos esses anos!— Eu sei. — Olhei para ele, com absoluta calma na voz. — Foi justamente por isso que não pedi um centavo.De repente, um estrondo forte veio da caixa de transporte aos meus pés. Não sei como, mas o gato preto conseguiu arrebentar a portinhola e saltar para fora.Ele pulou sobre a mesa e prendeu com força, sob as patas, o acordo de dissolução do noivado.As garras deixaram marcas profundas no papel. Então, ele virou a cabeça para mim, com os olhos cor de âmbar tomados por um pânico incrédulo.Era como se me perguntasse: "Como você ousa? Como pode fazer isso?"Olhei para ele, estendi a mão e, sem demonstrar qualquer emoção, o agarrei pela pele da nuca e o tirei de cima do acordo.— Caio, diga ao Diogo. — Fitei o rosto chocado de Caio, sem a menor oscilação na voz. — O jogo acabou. Eu não quero mais

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