LOGINNa noite em que o relacionamento terminou, Diogo Rodrigues foi arranhado por um gato de rua. Na manhã seguinte, ao acordar, descobriu que havia trocado de corpo com o gato e, para piorar, eu ainda o tinha levado para casa. A partir daí, ele foi obrigado a me ver todos os dias comendo, dormindo e fazendo chamadas de vídeo com um rapaz que eu tinha acabado de conhecer. Queria arranhar o sujeito, mas suas patas não alcançavam. Queria xingá-lo, mas tudo o que conseguia fazer era miar. Certo dia, eu o segurava no colo enquanto assistia a um programa de variedades e, rindo, comentei: — Sabe de uma coisa? Esse seu olhar está muito parecido com o do meu ex-namorado. Ele enrijeceu na mesma hora. Eu o ergui até a altura dos meus olhos: — Se você for mesmo ele, pisque três vezes. Ele começou a piscar desesperadamente, com o rabo rígido e esticado. Eu o coloquei de volta no chão e disse, em tom indiferente: — Estou brincando. Como é que um gato poderia entender o que uma pessoa diz? Em seguida, me virei e fui lavar os morangos. Ele ficou paralisado, encarando fixamente minhas costas. "Será que ela sabe ou não? Será que realmente não se importa mais?"
View MoreEle mal conseguiu dar dois passos antes que as pernas cedessem de repente.Sob o olhar de dezenas de pessoas ao redor, o poderoso presidente do Grupo Rodrigues desabou de joelhos sobre o cimento áspero, como se não tivesse um único osso no corpo, completamente incapaz de reagir.Seus joelhos se esfolaram e começaram a sangrar, enquanto a água suja respingava por toda a roupa. Ele tentou se levantar, mas as pernas simplesmente não obedeciam.Só lhe restou assistir, impotente, à porta do carro se fechar e ao meu perfil indiferente desaparecer atrás do vidro. Continuou largado no chão como um monte de lama, até que o último vestígio de luz em seus olhos se apagou por completo.Na sala VIP do aeroporto, a voz suave do sistema de som anunciava as informações dos voos.Eu estava sentada em um sofá macio quando Daniel colocou um café americano quente sobre a mesinha à minha frente e, ao passar, ajeitou o casaco que eu havia deixado sobre o encosto da poltrona.— Está amargo? — Perguntou ele e
O rosto de Diogo ficou pálido num instante. Toda a cor desapareceu de suas feições, e seus lábios tremiam sem parar.A arrogância e o orgulho de quem sempre esteve numa posição de poder assumiam contornos ridículos e repugnantes diante da frieza implacável com que eu os expunha.Ele quis estender a mão para me agarrar, quis usar a força para me levar de volta, mas seus dedos se contraíram num espasmo. Ele sequer tinha forças para erguer o braço.Foi então que um chamativo carro esportivo vermelho freou bruscamente junto à calçada, fazendo os pneus soltarem um guincho estridente.De salto alto, Vitória ergueu a barra do vestido e desceu do carro às pressas.Ao ver Diogo naquele estado, completamente desnorteado, seus olhos se avermelharam de imediato, e ela correu para o meio da multidão.— Diogo! Por que você fugiu? Você sabe que quase morreu? — Como de costume, ela tentou segurar o braço dele.Em seguida, se virou para mim com um olhar de censura, carregado da presunção de quem se jul
Quando cheguei com Daniel à entrada do condomínio, a chuva já havia parado, e o ar trazia o frio cortante do fim do outono.Uma multidão se aglomerava diante do prédio. Um Maybach preto estava atravessado de maneira arrogante bem em frente à entrada.Diogo estava ali, vestindo apenas a roupa fina do hospital, com os pés descalços sobre o chão tomado por poças d'água.Seu rosto estava tão pálido que parecia quase translúcido, e o sangue no dorso de sua mão já havia secado.Mesmo naquele estado deplorável, ele ainda agarrava com força o ombro do corretor. Havia nele a violência de quem sempre estivera no poder, agora misturada a uma obsessão quase doentia.— Quem deu a você o direito de vender a minha casa? Onde ela está? Estou perguntando para onde Amanda foi!Sua voz estava rouca e grave, mas, ainda assim, fez o corretor tremer dos pés à cabeça.— Sr. Diogo, a Srta. Amanda já assinou os documentos da transferência. Eu realmente não sei para onde ela pretende ir...Diogo soltou o corret
O quarto inteiro mergulhou num silêncio sepulcral. O gato preto ficou imóvel, como se até sua respiração tivesse parado.Ele encarava fixamente o pen drive que tinha acabado de ser retirado, e seus olhos cor de âmbar ficaram, num instante, tomados por veias vermelhas assustadoramente intensas.Abriu a boca, como se quisesse avançar e despedaçar o pen drive com os dentes, como se quisesse rebater minhas palavras, mas de sua garganta só escapou um gemido desesperado e áspero.— Na verdade, eu já sabia há muito tempo. — Olhei para ele de cima, com a voz tranquila. — Um ano atrás, no dia em que você levou Vitória para passar as férias nas Maldivas, eu estava hospedada no hotel ao lado daquele em que vocês ficaram.O gato preto ergueu a cabeça de repente, visivelmente chocado, como se não pudesse acreditar no que ouvia.— Você me disse que viajaria a trabalho para a Europa, que o projeto era urgente. E eu acreditei. Cheguei a passar três noites em claro, suportando a dor de cabeça para term






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