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O Herdeiro que Ele Nunca Conheceu
O Herdeiro que Ele Nunca Conheceu
Author: Anna Smith

CAPÍTULO 1

Author: Anna Smith
Fui esposa de Don Dominic Santoro por cinco anos.

Pelo menos era isso que dizia o contrato.

Na realidade, eu era a sua sombra, a pessoa que resolvia seus problemas, sua arma favorita e a mulher a quem ele recorria quando a noite ficava silenciosa demais.

Uma hora antes, ele me tinha presa contra a penteadeira, meu vestido meio aberto, sua respiração quente contra o meu pescoço.

— Você está tensa — ele murmurou, enquanto seus dedos deslizavam o zíper pela minha coluna. — Relaxe.

E eu relaxei.

O espelho capturou tudo. O paletó dele já jogado de lado, as mãos que conheciam meu corpo melhor do que as minhas, a forma como eu derretia por ele apesar de mim mesma.

— Mais devagar — sussurrei quando ele se aproximou ainda mais, e a sensação repentina dele entrando em mim roubou meu fôlego, fazendo meu corpo arquear instintivamente em sua direção.

Nossos corpos quentes se pressionaram um contra o outro, pele contra pele, até não restar mais espaço entre nós. Pelo espelho, vê-lo abaixar a cabeça e traçar com os lábios um caminho quase reverente pelo meu peito me puxou por completo para dentro daquele momento, arrancando de mim um som baixo antes que eu pudesse impedir.

Quando tudo terminou, os dedos dele percorreram a tatuagem no meu peito, lentos e deliberados.

Então, suas palavras seguintes despedaçaram o calor frágil que ainda restava entre nós.

— Tire a maquiagem. Vista uma calça.

Minha mão congelou no meio do movimento. O batom na minha boca borrou torto, transformando meu reflexo em algo ridículo.

Eu me virei.

— Por quê?

Ele encarava o espelho, ajustando a gravata com cuidado meticuloso.

— Juliana Lancaster está de volta ao país. Hoje à noite será a nossa reunião.

Aquele nome deslizou sob a minha pele como gelo.

Lancaster.

Realeza da Bratva russa.

— Você vestida assim — ele acrescentou, com um tom indiferente — passaria a mensagem errada.

Eu não disse nada.

Ele olhou para mim, divertido.

— Por que esse olhar? Não combinamos isso quando nos casamos?

Dominic se inclinou para mais perto, os olhos afiados, a voz quase zombeteira.

— Irmandade. Lealdade. Sem romance.

Então, com uma risada baixa, completou:

— Victoria Miller… você não se apaixonou por mim de verdade, se apaixonou?

— Claro que não — respondi, forçando as palavras a saírem com suavidade, obrigando minha voz a carregar alguma dignidade. — Eu sei qual é o meu lugar. Sempre soube o que isso era. Você não precisa se preocupar.

O espelho refletia uma mulher de batom destruído e olhos vazios.

— Então o que foram esses cinco anos? — perguntei.

Ele limpou minha boca com o polegar, de um jeito rude, descuidado.

— Ajuda mútua entre irmãos — respondeu. — Você se beneficiou. Eu me beneficiei.

Dominic disse aquilo com leveza.

— Fomos claros desde o início. Quando assinamos os papéis, ficou combinado que não haveria sentimentos. Apenas um acordo. Cada um pegando aquilo que queria.

Soltei uma risada baixa e amarga.

Meu queixo se ergueu levemente, o orgulho costurado à teimosia, recusando-se a rachar diante dele.

Meu olhar caiu sobre o bolso interno do paletó.

Era ali que eu havia escondido o relatório dobrado.

Eu deveria entregá-lo a ele naquela noite.

Um filho.

Uma boa notícia, pelo menos deveria ser.

Mas as palavras dele desceram como uma lâmina, cortando tudo ao meio.

Dominic pegou uma pasta fina sobre a mesa e a jogou na cama.

— Assine — disse. — Acordo de divórcio.

Olhei para ele.

— Vou me casar com Juliana Lancaster — Dominic continuou, já entediado. — Pela aliança. Pela família.

Eu sorri.

Fraco.

— Eu entendo.

Quando me aproximei para ajeitar o paletó dele, meus dedos deslizaram para dentro do bolso e se fecharam ao redor do papel dobrado.

As pontas afiadas cravaram na minha palma, me mantendo firme.

Aquela criança nunca havia sido gerada por amor.

Nem eu.

Assinei o acordo.

Quando me virei para sair, a voz dele me seguiu, calma, familiar, quase divertida.

— Victoria, não olhe para mim desse jeito — disse com leveza. — Como se estivesse ferida. Como se eu fosse algum canalha infiel.

Uma breve pausa.

— Fomos claros desde o começo. Nunca houve sentimentos entre nós.

Uma lágrima escorreu mesmo assim, traidora, queimando enquanto caía. Mas eu a limpei e me virei para ele com um sorriso que permaneceu intacto.

— Não se iluda — falei. — Eu não estou de coração partido. Só acho que você foi um pouco… decepcionante na cama esta noite.

As palavras acertaram limpas e afiadas.

Antes que ele pudesse responder, virei-me e saí, meus saltos batendo contra o chão com propósito enquanto eu descia as escadas de dois em dois degraus.

Quando alcancei o hall inferior, meu celular já estava na minha mão.

Enviei uma única mensagem.

[Prepare um novo conjunto de documentos.]

Vou embora em três dias.

E, dessa vez, eu não olhei para trás.

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