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CAPÍTULO 3

Autor: Anna Smith
Depois do banquete, veio o baile.

Não era romance. Era exibição. Uma demonstração deliberada da riqueza e do poder da família Santoro, destinada a impressionar todos os convidados presentes e facilitar futuras alianças em todas as direções imagináveis.

Eu estava sozinha à beira do salão de baile, perfeitamente posicionada, perfeitamente invisível.

Juliana Lancaster movia-se pela multidão como se fosse dona do próprio ar. Desta vez, ela não estava de branco, mas usava um vestido de cetim azul imperial profundo, do tipo que não brilhava de forma ostensiva, mas fazia todas as outras cores recuarem. Brincos de esmeralda roçavam seu pescoço a cada passo, e um pente antigo de diamantes prendia seus cabelos. Dinheiro antigo, poder antigo, status inquestionável. Os aplausos a acompanhavam com naturalidade, quase por instinto.

Ela parou diante de mim.

Seu olhar desceu, casual e sem pressa, até pousar na marca tênue, quase invisível, acima do decote do meu vestido.

Uma marca de beijo.

De Dominic.

Algo afiado brilhou em seus olhos. Zombaria. Confirmação.

— Victoria — ela disse suavemente, quase com gentileza. — Por que você está aqui sozinha?

Juliana inclinou a cabeça, sua expressão transformada em preocupação, como se estivesse me fazendo um favor ao notar minha presença.

— Seu noivo não deveria estar com você? — Seus olhos percorreram o salão de maneira teatral. — Afinal, esta é a minha festa de noivado. Você não parece muito feliz.

Seus lábios se curvaram, delicados e precisos.

— A menos que… — Ela fez uma pausa, abaixando a voz apenas o suficiente para que só eu pudesse ouvir. — O noivo de quem você tanto fala seja Dominic?

Ela se aproximou, perto o suficiente para que suas palavras roçassem meu ouvido.

— Você realmente deveria saber qual é o seu lugar — murmurou, doce como veneno. — Você não passa de algo que ele usa na cama.

Antes que eu pudesse responder, uma presença familiar se aproximou por trás.

— Querida — a voz de Dominic interrompeu com calma, sem esforço. — Do que você está falando?

Seu braço deslizou ao redor da cintura de Juliana, em um movimento experiente e possessivo, puxando-a para junto de seu corpo.

Eu poderia muito bem ser parte da coluna de mármore atrás de mim.

— Nada demais — Juliana respondeu com leveza, inclinando-se contra ele. — Eu só estava preocupada porque a senhorita Victoria parecia um pouco solitária aqui.

O olhar de Dominic se voltou para mim, frio e avaliador.

— Seu noivo está aqui — disse ele, seco. — Estava perguntando por você.

Como se tivesse sido chamado por aquelas palavras, um homem se aproximou.

Matteo.

Um dos capitães do círculo íntimo de Dominic, seu tenente de confiança.

— Acabei de voltar depois de resolver uma situação — disse Matteo, inclinando a cabeça para mim. — Parece que não perdi o ponto alto da noite.

Meu rosto ficou tenso. Meu peito doía.

Mesmo assim, sorri.

— Bem, então — Matteo acrescentou com naturalidade, estendendo a mão —, vamos dançar?

A orquestra aumentou o volume.

Coloquei minha mão na dele.

Do outro lado da pista, Dominic conduzia Juliana para o centro, e a multidão se abria para eles como água.

Enquanto dançávamos, Matteo se inclinou para mais perto, mantendo a voz baixa.

— O Don deu ordens — ele disse. — Ninguém estraga este noivado. Desempenhe seu papel. Seja uma boa noiva.

Minha visão ficou embaçada.

Uma única lágrima escorreu, despercebida por todos, engolida pelo brilho dos lustres e pelo crescer da música.

Eles eram perfeitos.

No centro da pista, os passos dos dois se sincronizavam sem esforço, cada giro preciso, cada pausa impecável, como se tivessem ensaiado juntos por anos.

Lembrei-me de Dominic me dizendo uma vez, quase com indiferença, que não dançava. Que aquilo não era o seu forte.

Ele não tinha mentido.

Simplesmente não queria dançar comigo.

E então a música parou.

Gritos irromperam.

Homens surgiram da multidão, rostos mascarados, armas em punho.

O caos explodiu sem aviso.

Antes que eu pudesse reagir, mãos ásperas me agarraram por trás. Outro grupo agarrou Juliana ao mesmo tempo. Capuzes pretos foram puxados sobre nossas cabeças.

A escuridão engoliu tudo.

Fomos arrastadas. Botas raspavam no mármore, corpos colidiam, pulsos eram torcidos para trás e amarrados com força.

Em algum lugar próximo, uma voz distorcida ecoou, deliberadamente divertida.

— Então essas são as duas mulheres — disse ela. — Uma é sua amante. A outra é sua noiva.

Uma pausa.

— Vamos ver qual delas vale mais.

Meu coração batia forte contra as costelas.

— Uma vida. Dez milhões de dólares.

Ouvi a voz de Dominic cortar o ar, fria e controlada, carregada de advertência.

— Vocês realmente acham que podem pegar o dinheiro e sair do meu território ilesos?

Risadas responderam.

Zombeteiras.

Confiantes.

— Isso não é da sua conta.

O estrondo dos rotores rasgou o ar.

Um helicóptero.

— Uma mão para o dinheiro — disse a voz, agora mais próxima —, uma mão para as mulheres.

Ouvi movimento. O farfalhar pesado de maços de dinheiro sendo arrastados sobre a pedra.

Dominic não hesitou.

Os sequestradores riram em aprovação quando um cabo desceu do alto. O dinheiro foi preso e puxado para cima em segundos. Então as mãos se moveram novamente.

Juliana foi solta.

Ela tropeçou ao meu lado, respirando rápido, ilesa.

A voz de Dominic veio logo em seguida.

— Deem-nos trinta minutos. Os outros dez milhões estão a caminho. Não há tanto dinheiro em espécie disponível aqui.

Por um instante, ninguém falou.

Então um dos sequestradores explodiu em gargalhadas.

— Viram? — ele exultou. — Eu disse que ela valia tanto quanto a noiva. Seus idiotas perderam a aposta. Quando voltarmos para casa, vocês vão lavar minhas meias.

Alguém assobiou. Outro estalou a língua em desaprovação.

Ao meu lado, Juliana soltou um suspiro leve.

— Isso é… muito — ela murmurou, não exatamente horrorizada. Quase arrependida. — Mas ela não é apenas uma subordinada?

O silêncio se instalou novamente.

Então outra voz se juntou à conversa. Seca e autoritária.

O irmão de Juliana.

— Ela é uma princesa Lancaster — disse ele, seco. — Não é algo que possa ser comparado a uma faxineira.

Ele se virou para Dominic.

— Tem certeza de que quer pagar por ela?

Uma pausa.

— Se pagar — acrescentou friamente —, teremos que reconsiderar a aliança matrimonial entre nossas famílias.

Dominic não hesitou.

— Não — disse ele. — Você está certo.

As palavras atingiram meu peito como um tiro.

Ele se voltou para os sequestradores.

— Não vou pagar. Façam o que quiserem com ela.

Alguém gritou de alegria.

— Eu sabia, porra! — uma voz gritou. — Dominic Santoro nunca iria arruinar um casamento por uma amante. Você perdeu!

— Merda — outro cuspiu, irritado. — Que perda de tempo.

Uma bota bateu com força nas minhas costas, e eu me encolhi por instinto, apertando os braços ao redor do abdômen enquanto o protegia com o corpo.

— Já que o Don não a quer — o homem rosnou, agarrando-me novamente —, então ela é nossa.

Eles começaram a me arrastar para longe.

Então vieram os tiros.

Agudos.

Precisos.

Um dos homens que me segurava se contorceu violentamente e desabou. Sangue quente respingou contra minha perna.

— Atiradores! — alguém gritou.

Os dois homens que me seguravam entraram em pânico imediatamente. Um deles me empurrou para frente, puxando-me para ficar de pé, enquanto pressionava uma arma contra minhas costas.

— Seu bastardo louco! — ele gritou para Dominic. — Sua amante está bem aqui! Atire de novo e eu vou estourar a cabeça dela!

A voz de Dominic ressoou mais fria do que eu jamais a tinha ouvido.

— Ela não é minha amante — disse ele. — E quem causa problemas no território dos Santoro não sai daqui de pé.

Ele deu a ordem.

Mais tiros.

Acima de nós, o helicóptero lançou fumaça, espessa e sufocante. Logo depois, veio o barulho ensurdecedor de granadas atingindo a pedra.

O homem que me arrastava xingou violentamente. Ele me empurrou para o lado com força.

Enquanto subia pela corda, virou-se e atirou.

O impacto atingiu minha perna.

Uma dor lancinante me atravessou.

— Vaca — ele rosnou. — Não dizem que você dormiu com o Don? E ele ainda trata você assim. Se eu soubesse que você era tão inútil, teria fugido antes.

Explosões rugiram.

O mundo girou.

Tudo ficou embaçado.

Quando abri os olhos, a luz era suave e fria.

— Você acordou — disse gentilmente o velho doutor Smith, enquanto verificava minhas pupilas. — Você teve sorte. A bala atravessou sua perna. Eu já tratei o ferimento e estanquei o sangramento.

Ele fez uma pausa, e sua expressão ficou mais séria.

— Quando a explosão aconteceu, você estava curvada, escondida atrás de um pilar — continuou ele com cuidado. — Por isso suas costas sofreram queimaduras causadas pela explosão. Eu também limpei e fiz curativos nessas feridas.

Então ele hesitou, apenas o suficiente para meu coração apertar.

— E a criança — disse por fim, agora com a voz mais suave — está bem.

Meus dedos se curvaram fracamente sob o lençol.

— Quando você vai se casar com o capitão? — ele perguntou baixinho. — Este bebê tem sorte.

— Eu te aviso assim que a data for marcada — respondi com a voz rouca.

Hesitei por um instante.

— Dominic?

O médico fez uma pausa.

— O Chefe está com a senhorita Juliana. Ela está na ala VIP. Muito abalada.

Abalada.

Soltei uma risada silenciosa.

— Doutor — eu disse. — Ligue o monitor.

A tela se iluminou.

Juliana estava deitada em lençóis de seda, pálida e frágil. Dominic estava sentado ao lado dela, alimentando-a com sopa com uma paciência cuidadosa, seus movimentos quase reverentes.

— Quase te perdi — a voz dele tremia. — Não consigo viver sem você.

— Eu sei — ela sussurrou. — Você me salvou.

Então ele enfiou a mão no bolso.

Uma caixinha de veludo.

Minha respiração parou.

Ele se ajoelhou.

Dentro estava o anel da matriarca Santoro.

— Case comigo — Dominic disse suavemente. — Não pela família. Não por alianças. Porque eu te amo.

— Sim — Juliana soluçou. — Sim.

A tela ficou embaçada.

Então ele sabia como dizer aquilo.

Só que nunca para mim.

O médico me observava em silêncio.

— Eu vi você crescer ao lado dele — disse por fim. — Você nunca foi a pessoa certa para Dominic. Eu sei que você o amava. Mas ele está noivo agora.

Uma pausa.

— Já que você está com Matteo… deixe isso para trás.

Mais tarde, em outra transmissão, vi Dominic falando com aspereza.

— Ela nunca deveria ter sido salva — disse ele friamente. — Ela não vale a pena.

Então ele ergueu outro anel.

Um anel de Don.

E atrás dele estava o vestido de noiva.

Aquele que eu já tinha visto Dominic esboçar em segredo.

Não para mim.

Nunca para mim.

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